Gilvan Barros| "Quem quiser acreditar em ‘Papai Noel’, acredite que o parecer do Ibama é todo técnico”

Deputados estaduais criticam a decisão do Ibama em vetar a construção do estaleiro Eisa na no Pontal de Coruripe

26/06/2012 13:47

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Thayanne Magalhães

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A decisão do Instituto de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que vetou a licença de implantação do estaleiro Eisa Alagoas S. A. no Pontal de Coruripe, foi criticada pelos deputados estaduais durante a sessão ordinária da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), na tarde desta terça-feira (26).

O primeiro a puxar a discussão foi Gilvan Barros (PSDB), que considerou equivocada a decisão do Ibama. “A interrogação maior é porque o Ibama aprovou os mil equitares de mangue utilizados pelo porto de Suape em Pernambuco e apenas 72 equitares em Alagoas foram vetados? Porque o Ibama está sendo tão cruel com Alagoas quando foi tão benevolente com Pernambuco? Lá eles foram omissos, irresposnsáveis? Afinal de contas, qual é a justificativa para aprovar mais de mil equitares em Pernambuco e proibirem os setenta equitares em Alagoas?” questionou o parlamentar.

Barros considerou a negativa do órgão federal como a maior decepção para Alagoas nos últimos cinco anos, e convocou todos os políticos do estado, senadores da república, deputados federais e estaduais, governador e ex-governadores, para questionar a decisão técnica no Ibama. “Essa decisão não convenceu nenhum alagoano. Está claro que de trata de uma decisão mesquinha, pequena, de interesse, e não a favor do meio ambiente”, disparou o deputado, insinuando que por trás da decisão do órgão federal, exista interesse político.

“Não podemos compactuar com essa decisão. Milhares de alagoanos estavam esperançosos, vibrando, torcendo, rezando para que nosso estaleiro fosse realmente implantado em nosso estado. Precisamos de alternativas, conhecemos a situação do nosso estado. Tenho certeza que a presidenta Dilma irá determinar que seja feita uma investigação profunda para que se saiba porquê essas falhas apontadas pelo Ibama não foram detectadas antes”, opinou o parlamentar.

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Para o deputado João Henrique Caldas (PTN), a grande virada econômica de Alagoas depende da construção do estaleiro. “Temos que lutar por este pólo. Apesar do Ibama ter suas razões, queremos saber porquê o órgão aprova projetos idênticos. A compensação, o estudo de impacto ambiental não foi aceito em Alagoas, e em Pernambuco foi aceito”, questionou.

O deputado Inácio Loiola (PSDB), criticou outros projetos aprovados pelo Ibama. “Projetos mais criminosos foram aprovados pelo Ibama em Alagoas, como a transposição do Rio São Francisco, o maior crime ambiental do Nordeste. Lamento profundamente que os técnicos do órgão tenham negado a cosntrução desse estaleiro em Alagoas, quando autorizaram a construção da hidrelétrica em Belo Monte”.

Loila afirma ainda que a decisão do Ibama não é técnica, e sim uma decisão política.

Judson Cabral (PT) considerou o governo imprudente por ter “alardeado” a construção do estaleiro, antes mesmo dos estudos. “O Executivo passava para a população que o estaleiro já estava funcionando. Devemos analisar as condições com cautela para que possamos nos manifestar”.

Temóteo Correia (DEM) considera que a região de Coruripe não tem estrutura para receber o empreendimento. “A construção do Eisa traria favelização para a região. Não existe estrutura na educação para receber o empreendimento”, opinou.

Gilvan Barros encerrou o assunto ironizando: “quem quiser acreditar em ‘Papai Noel’, acredite que o parecer do Ibama é todo técnico”. 

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