Dilma foi espionada pelo SNI durante governo Sarney

Presa e torturada na ditadura militar, presidenta ficou sob vigilância de 1985 a 1990

22/06/2012 05:43

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O Dia

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A militância da então estudante universitária Dilma Rousseff em movimentos de esquerda no País mereceu vigilância total do governo central, desde 1968, no período da ditadura militar, quando ela foi presa e torturada, até pós-regime no final da década de 1980. Documentos revelados agora indicam que a presidenta Dilma Rousseff era espionada pelo Serviço Nacional de Investigação (SNI) de 1985 até 1990, durante o governo José Sarney.

Os documentos fazem parte do ‘Acervo da Ditadura’ que contém mais de oito milhões de páginas de órgãos da inteligência sobre a vida de mais de 308 mil pessoas. Desses, de acordo com o jornal ‘Folha de S. Paulo’, pelo menos 181 papéis se referem a Dilma, sendo que 17 documentos foram produzidos já no governo Sarney pelo SNI, órgão extinto em 1990 pelo ex-presidente Collor.

Na fase pós-ditadura, o serviço de inteligência identificava Dilma como parte de uma ‘infiltração comunista’ que atuava em órgãos da prefeitura e do governo do Rio Grande do Sul. O SNI chamava a atenção para a passagem dela por grupos da esquerda armada VAR-Palmares e Colina.

Os relatórios também registraram a atuação de Dilma no movimento feminista. De acordo com o órgão de inteligência, ela buscava, com isso, “a conscientização das massas, pretendida por facções esquerdistas que almejam o poder”, afirma trecho do documento.

O SNI também monitorou viagem de Dilma ao México e acompanhou comício em que ela e Lula participaram contra a ampliação do mandato presidencial de Sarney, em 1988.

Por meio de sua assessoria, o senador José Sarney negou que durante seu mandato presidencial tivesse ordenado ao SNI que realizasse "levantamentos sobre a vida privada de nenhum brasileiro”, embora por lei o órgão tivesse a incumbência de prestar esse serviço de informação e contra-informação. O Palácio do Planalto não quis comentar o caso.

Comissão pede explicações

A espionagem à presidenta Dilma Rousseff após a ditadura militar será alvo da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. A deputada Érika Kokay (PT-DF), integrante da comissão, disse ontem que apresentará requerimento à Mesa Diretora da Casa pedindo que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) explique o monitoramento feito a Dilma de 85 a 90, durante o governo Sarney, atual presidente do Senado. Para a deputada, o episódio mostra que a ruptura do regime militar não foi imediata e reforça a necessidade de esclarecimentos por parte da Comissão da Verdade.

“É importante que a Abin se posicione sobre essa informação. Esse é um dado importante para que a gente tenha exata noção que não houve o fim formal da ditadura. Enquanto não se fechar seus ciclos, vamos nos deparar com pedaços dela ao longo do caminho”, frisou a deputada.

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