Dois anos após enchentes| Deputados criticam obras da reconstrução

Deputados afirmam que falta de escolas para estudantes da rede pública é um dos principais fatores para o aumento da violência

19/06/2012 15:01

A- A+

Thayanne Magalhães

compartilhar:

Dois anos depois das enchentes que devastaram cidades no interior de Alagoas e de Pernambuco, o deputado estadual João Henrique Caldas (PTN), usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), na tarde desta terça-feira (19), para cobrar do governo do estado, celeridade nas obras de reconstrução das casas e escolas que foram destruídas durante a tragédia.

“A máquina da reconstrução está parada aos olhos de quem espera, de quem precisa das casas. Além disso, em Alagoas foi cometido um grande erro quando se optou pelas barracas para abrigar as famílias vítimas das enchentes, que sofreram com a triste realidade daqueles verdadeiros campos de concentração. A comida não chegava na hora certa, ou chegavam vencidas e sem condições de serem consumidas. Em Pernambuco, até hoje as famílias vítimas da enchente vivem de aluguel social, pago pelo governo daquele estado”, afirma JHC.

O deputado lembrou ainda da falta de estrutura nos galpões improvisados, onde crianças brincavam e acabaram se acidentando por causa da falta de estrutura das construções, e falou sobre o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público do Estado (MPE) e o governo estadual, junto com o Programa Reconstrução. “De acordo com o documento, as casas deveriam ser entregues entes do Natal, prontas ou parcialmente prontas”, lembrou o parlamentar.

Ronaldo Medeiros (PT), entrou na discussão e afirmou que “não existe nenhuma explicação lógica para a não entrega dessas casas. Isso é incompetência”, enfatizou o parlamentar, criticando o governo.

Para o petista, os maiores prejudicados são os estudantes da rede pública estadual. “Principalmente os alunos do ensino médio, que vão perder o ano letivo por falta de escolas e não terão a oportunidade de prestar vestibular esse ano”.

JHC lembrou que 100% das escolas de Jacuípe foram atingidas durante as enchentes, e que o prefeito do município cedeu sua residência e outros prédios públicos para que os alunos não ficassem sem aulas. “Em Pernambuco já foram entregues 300, entre novas escolas e escolas reformadas, que já estão aptas para que os alunos concluam seus calendários escolares normalmente. Realmente é lamentável o que acontece em nosso estado”.

O parlamentar afirma ainda que a falta de escolas para crianças e jovens é um dos principais fatores para o aumento da violência no estado. “Se houvessem escolas, tantos jovens e crianças não estariam envolvidos com o crack, com as drogas e a violência”, e usou ainda a frase do filósofo e matemático grego, Pitágoras de Samos, para enfatizar sua opinião sobre a importância da educação: “Eduque as crianças e não será necessário castigar aos homens”.

O deputado Judson Cabral (PT), também entrou na discussão e apelou para que o governo do estado se sensibilize com o projeto e afirmou que a demora não se deve à falta de recursos, já que o governo federal assegurou os investimentos. “Não foram gastos nem 30% dos recursos nesses dois anos. Não se investiu em educação nem em saúde. A violência do estado também é estrutural e o governo ainda diz que Alagoas tem pressa”, salientou o parlamentar.

Cabral questiona qual a dinâmica do governo do estado em relação ao projeto de reconstrução dos municípios atingidos pelas enchentes e ataca: “Quando não há recursos, é porque o estado é pobre, e quando o governo federal assegura os recursos, o governo não consegue fazer com que se gaste a verba na gestão”.

Sobre a educação, Cabral também lamentou pelas crianças e jovens que não estão estudando ou estudam em instalações inadequadas. “Amanhã, com esse nível educacional, essas crianças e jovens não terão condições de competir no mercado de trabalho, e este é um dos maiores fatores para o aumento da violência. Onde é que está o nó da questão? Nas construtoras? Precisamos de um balanço e se for necessário, pedir a intervenção dessas obras. Vamos cobrar celeridade ao governo”.
 

Primeira Edição © 2011