Ensino superior: caminho para o desenvolvimento sociocultural e econômico de Alagoas

10/06/2012 18:07

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Marigleide Moura

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Recordista em índices negativos, Alagoas é um Estado conhecido nacionalmente por violência, corrupção e pobreza. Para mudar esse quadro e a vida da população, especialmente nas regiões mais pobres, a educação é a aposta.

Para o sociólogo e professor, Carlos Washington, os avanços na educação ainda são tímidos, mas já mostram bons resultados. Ele lembra que segundo o IBGE, dados do Censo 2009, a taxa de analfabetismo entre as pessoas com mais de 15 anos chega a 24,57% no Estado. Contudo ressalta, em termos gerais, Alagoas conseguiu progredir na educação superior. Atualmente o Estado conta com duas instituições de ensino superior federais, duas estaduais e 21 privadas.

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que entre os anos de 1988 e 1998, Alagoas saltou de 15.570 inscrições no vestibular para 20.250. Um aumento de 4.680 em 10 anos.

O professor destaca também outros números que apontam o crescimento da educação superior em Alagoas. James cita o número de matrículas que, conforme dados do Inep, em 1991 foram 14.172. Em 2001, exatos 26.875 e no ano de 2009 chegou a 58.791.

O impacto socioeconômico 

Para comprovar o impacto socioeconômico desse aumento, basta observar os resultados trazidos para Alagoas após a interiorização da Universidade Federal, por exemplo. Tanto a região agreste quanto a sertaneja contabilizam mudanças. Para ter uma ideia, somente o Campus do Sertão abrange 23 municípios do entorno do Complexo Hidrelétrico de Xingó (município sertanejo de Piranhas, Alagoas), pertencentes aos Estados vizinhos de Pernambuco, Sergipe e Bahia.

Deste modo, jovens que buscam ingressar na universidade, e a maioria deles não possui condições de se deslocar e, muito menos, de se transferir para outras cidades em busca de formação universitária, ou ainda, de cursar outra instituição de ensino superior que não seja pública e gratuita, agora podem disputar uma vaga e obter seu diploma de ensino superior.

Na verdade, além disso, mais profissionais estão no mercado de trabalho graças à qualificação. Em todo o Estado, no ano de 2010, 131.217 pessoas entram no mercado formal, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego. As atividades econômicas que mais empregaram foram a indústria de transformação, seguido do comércio, serviços e construção civil. A informação é da Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico e consta na publicação Alagoas em Números.

Em todos os seguimentos, a escolaridade ainda é uma das maiores dificuldades na escolha de um perfil adequado, explica a psicóloga da agência de empregos Estratégia, Stefânia Moreira. Segundo ela, quanto mais profissionais com educação superior melhor para as empresas que buscam a cada dia pessoas qualificadas.

“Existe a busca por trabalhadores com escolaridade mínima, mas a demanda por profissionais com graduação aumentou consideravelmente. A gente percebe isso na área de hotelaria, da construção civil e do comércio em geral”, completa.

O economista Israel Lemos explica que o acesso ao mercado de trabalho influi na vida familiar e gera desenvolvimento sociocultural o que diretamente proporciona mudanças sociais e econômicas por meio de novas oportunidades para os jovens, para as empresas e para os governos locais.


 

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