Empresário diz que pagou mais de um milhão a Perillo em notas de 50 e 100 reais

Walter Paulo Santiago não lembra de onde vieram os empréstimos

05/06/2012 14:21

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O empresário Walter Paulo Santiago, dono da Faculdade Padrão e apontado pela Polícia Federal como intermediário na compra da casa do governador de Goiás, Marconi Perillo, pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, negou nesta terça-feira (5), durante depoimento na CPI do Cachoeira, que vendeu a casa para o contraventor ou o ajudou.

Walter Paulo disse que comprou a casa porque o preço à vista estava "bom" e tinha a intenção de dá-la de presente à filha, quando se casasse. Ele disse que pagou à vista e não com cheques de Leonardo Almeida, como aponta a investigação da Polícia Federal.

— O imóvel foi adquirido de Marconi Perillo na melhor forma legal. O imóvel foi negociado por mim, legalmente administrador da empresa e pago pela Mestra. Eu achei barato e tenho casa lá (no condomínio Alphaville). Paguei em dinheiro, com notas exclusivas de R$ 50 e R$ 100. Se o governador recebeu em cheques não foi de mim.

Questionado em como movimentou a quantia de um lado para o outro, Walter Paulo Santiago provocou risos entre os parlamentares.

— É coisica à toa.
Foi o que disse Santiago, referindos-se aos R$ 1,4 milhão pagos pela casa de Marconi Perillo.

Segundo o empresário, ele viu a casa pela primeira vez em fevereiro, mas só podia pagar em julho, quando comprou e pagou também uma comissão de R$ 100 mil para o corretor Wladmir Garcez.

A casa foi comprada pela empresa Mestra, que ele administra. Alguns dias depois, ele comprou a casa da empresa.

No entanto, apesar de comprar o imóvel, Walter Paulo não ficou com ele de imediato. De acordo com o empresário, Wladmir pediu emprestada a casa por 45 dias, para abrigar uma amiga que estava reformando o local que morava.

— O imóvel permaneceu em posse do senhor Wladmir que adiou a entrega alegando necessidade da mesma [casa] para uma amiga. Disse que entregaria em perfeitas condições em 45 dias. No fim do ano cobrei a entrega do imóvel e ele disse que até 15 de fevereiro de 2012 entregaria.

Walter Paulo disse ainda que "nunca viu" a pessoa que morou na casa, a mulher do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça, e o próprio contraventor.

— Nunca vi essa senhora. Nunca estive na casa enquanto eles moravam lá. Inclusive, ela nunca me ligou nem agradeceu.

O empresário reforçou durante o depoimento que não tem relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Segundo ele, durante toda a vida ele almoçou cinco vezes com o contraventor e nunca foi sócio do bicheiro.

Ele ofereceu a abertura dos sigilos bancários, fiscais e telefônicos da empresa Mestra, que comprou a casa, e disse que pagou em dinheiro que veio de outras empresas que ele possui, como a Faculdade Padrão.

Walter Paulo disse que "não lembra" onde recebeu o dinheiro, mas que ele mesmo transportou a quantia até a casa dele.

— O contador da empresa, senhor Paulo, me entregou o dinheiro e eles buscaram na minha casa, em pacotinhos. Não pensei em pagar via conta bancária, na hora só pensei em comprar em dinheiro.

Ajuda de Demóstenes 

O empresário disse ainda que pediu ajuda do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) para conseguir autorização do MEC (Ministério da Educação) e implantar um curso de Medicina na Faculdade Padrão, da qual ele é dono.

Nesse momento, segundo Walter Paulo, o bicheiro Carlinhos Cachoeira ofereceu ajuda a ele e tentou ajudá-lo para que ele "pudesse descansar".

– Era um almoço que eles (Cachoeira e Demóstenes) estavam. Ele (Cachoeira) me perguntou o que faltava para eu descansar, já que tinha feito tanta faculdade, ajudado tanta gente, arrumado tanto emprego. Eu disse que faltava o curso de Medicina e ele quis ajudar. Eu pedi ajuda do Demóstenes também.

Casa famosa

A casa que pertenceu a Perillo, de acordo com o empresário, está vazia e será colocada a venda. 

– Vou ver se vendo por R$ 1,7 milhão. Sabe como é, a casa ficou famosa.

Honestidade

Walter Paulo disse que no momento da compra, não pediu documento ou ligou para falar com Perillo para confirmar que enviava R$ 1,4 milhão para comprar a casa. Segundo ele, não precisava de confirmação pois "vive em um meio de honestidade".

– No nosso meio existe honestidade, existe credibilidade. Eu jamais faria isso (ligaria para Marconi para confirmar que Fiuza representava ele).

O empresário disse também que não perguntou ao corretor Wladmir quem ficaria na casa por uns dias, já que não dizia respeito a ele.

– Não perguntei quem ia ficar porque achei que podia ser uma namoradinha. Era desagradável (perguntar).

O dono da Faculdade Padrão aceitou a quebra de sigilo das contas dele, da Mestra e informou aos parlamentares que sua faculdade já está sob devassa da Receita Federal. 

Jóquei

O empresário Walter Paulo Santiago negou ter mantido negociação com Carlinhos Cachoeira durante processo para cessão de espaço do Jóquei Clube de Goiás à Faculdade Padrão.

Há alguns anos, quadras e outros locais do clube foram desocupados para que a faculdade construísse 32 salas e um estacionamento, que estão desativados.

Pelo contrato, a instituição tem direito de utilizar as instalações do clube por 20 anos renováveis por mais 20.

– Não sabia que o senhor Carlos Cachoeira era proprietário do Jóquei. Nunca compramos o Jóquei Clube. Temos um contrato para explorar a parte ociosa. O que eu sei é que já gastamos milhões de reais para recuperar o Jóquei, não para nós, mas para o povo goiano, e até hoje não foi possível por causa dessas intrigas.  

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