Reeleição em 2014 leva Collor a marchar com Lessa

Denúncias sobre os ‘fantasmas’ da Câmara de Maceió concorreram para alijar o presidente Galba Novais (PRB) do processo de escolha do vice na chapa de Ronaldo Lessa

28/05/2012 04:30

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Jornal Primeira Edição

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Previsível, dentro da ‘lógica das composições’, o acordo selado entre o senador Renan Calheiros (PMDB) e o prefeito Cícero Almeida (PP), para definir a chapa que concorrerá à Prefeitura de Maceió, abre caminho para a formação de uma ampla frente de oposição que deverá contar, também, com o engajamento do senador Fernando Collor (PTB).

Era fato conhecido que Collor pretendia fazer do vereador Galba Novaes (PRB) o vice do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), mas, como o PRIMEIRA EDIÇÃO antecipou há 15 dias, o senador petebista já havia sinalizado que não se oporia à indicação de Mosart Amaral, atual secretário municipal de Infraestrutura, para disputar o cargo de vice-prefeito.

O presidente da Câmara de Maceió foi o vice de Collor em 2010, na disputa pelo governo do Estado, mas o senador não tinha como se indispor com o grupo de Renan e Ronaldo porque vai precisar dele para buscar a reeleição em 2014, quando medirá forças com o governador Teotonio Vilela Filho.

Collor sabe que, sozinho, não terá a menor chance de se manter como senador por mais oito anos e, dentro de seu projeto de reeleição, também admite que a eleição de Lessa este ano fortalecerá a frente oposicionista para, não apenas mantê-lo no Senado, como ainda para conquistar o governo do estado.

Partindo dessa análise, é muito provável que o líder do PTB acabe não estimulando a candidatura de Galba Novaes a prefeito, tanto pela probabilidade de fracasso nas urnas, quanto para não se colocar em choque com a frente de Renan, Cícero e Ronaldo.

Carente de espaço mais amplo, Galba Novaes poderá sair candidato a prefeito por conta própria, preparando o terreno para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em 2014, mas, para garantir a posição que já ocupa, lançarà seu filho Galba Júnior para concorrer a um mandato na Câmara Municipal.


Denúncias de irregularidade na Câmara pesaram contra Galba

Arquivo/Primeira EdiçãoA indicação de Mosart Amaral para vice de Ronaldo Lessa resolve o impasse da oposição: 1 – consolida o apoio de Renan Calheiros ao ex-governador; 2 – forma a chapa majoritária com um representante do prefeito Cícero Almeida; 3 – permite ao PMDB participar da chapa e ocupar espaço importante na futura administração, em caso de vitória, obviamente.

Entretanto, uma avaliação mais sutil conduz à conclusão de que a exclusão de Galba Novaes também se deveu às denúncias de desmandos na Câmara Municipal, onde centenas de servidores fantasmas recebem salários todos os meses sem comparecer para trabalhar.

Recente série de reportagens do PRIMEIRA EDIÇÃO revelou que a Mesa da Câmara, presidida por Galba Novais, resiste em cumprir ordem do Tribunal de Justiça no sentido de demitir grande número de pessoas nomeadas para exercer cargos de comissão sem sequer comparecer à Casa de Mário Guimarães.

As denúncias obtiveram grande repercussão, com manifestação do Ministério Público e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), causando forte desgaste à imagem da Câmara e ao desempenho de Galba Novais como presidente.

Essa situação se configurou de tal modo que Novaes sequer foi comunicado sobre a formação da chapa com Lessa e Amaral: “Fiquei surpreso”, diria ele na segunda-feira, dando margem a que setores da mídia explorassem a palavra ‘traição’ como um dos ingredientes da composição política.

Analistas políticos fizeram a seguinte avaliação: enquanto, na campanha eleitoral, Mosart Amaral vai simbolizar o positivo (projetos e obras da atual gestão municipal), Galba Novaes seria associado às denúncias de irregularidades na Câmara de Maceió.

 

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