Parlamentares consultam investigação sobre Cachoeira e são orientados sobre sigilo

07/05/2012 12:29

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R7

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Os deputados e senadores que tiverem acesso aos inquéritos que tratam das atividades do bicheiro Carlinhos Cachoeira, liberados para consulta nesta segunda-feira (7), não poderão usar seu conteúdo para discursos na tribuna, apartes ou declarações de voto. Os dados são sigilosos.

A orientação foi incluída em um comunicado distribuído aos integrantes da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) pelo presidente do grupo, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).

Na cartilha, que traz uma compilação de artigos dos Regimentos do Senado e da Câmara dos Deputados, ressalta-se ainda que “não será lícito” transcrever, no todo ou em parte, documentos sigilosos nos pareceres. Informa-se, ainda, que “somente em sessão secreta poderá ser dado a conhecer, ao Plenário, documento de natureza sigilosa”.
 

Também integram o comunicado regras sobre a apresentação de requerimentos e normas que se relacionam aos depoimentos, ao uso da palavra pelos parlamentares e à realização das reuniões da CPI, que é formada por 16 deputados e 16 senadores e vai investigar a relação de Cachoeira com políticos e órgãos públicos.

Sala

Hoje de manhã, foi aberta a sala montada no Senado para que os membros da CPI tivessem acesso aos dados sigilosos, enviados ao Congresso pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

A sala conta com três computadores e é monitorada por duas câmeras — uma no interior e outra instalada do lado de fora.

A deputada Íris de Araújo (PMDB-GO) foi a primeira a chegar ao local. Pouco antes das 8h, ela já aguardava a abertura da sala. Também passaram por lá o deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF) e a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que considerou insuficiente a quantidade de computadores disponíveis para consulta.

— A estrutura terá que ser repensada, pois não é o bastante para atender a todos os parlamentares. Vai dar muita confusão, pois, na terça ou quarta-feira, haverá fila de deputados e senadores. 

Para evitar cópias dos dados, os parlamentares não podem entrar na sala com celulares, máquinas fotográficas ou filmadoras. Além disso, terão de assinar um termo de responsabilidade para preservar o sigilo das informações, que são provenientes das operações Vegas e Monte Carlo, ambas da Polícia Federal.

Nesta terça (8), a CPI tem reunião marcada para as 14h30, quando deve ser ouvido o delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques Sousa, responsável pela operação Vegas, que desvendou um esquema de exploração de caça-níqueis e contratos públicos comandado por Cachoeira.

Na quinta, (10), também às 14h30, a CPI ouvirá o delegado da Polícia Federal Matheus Mella Rodrigues e os procuradores da República Daniel de Rezende Salgado e Lea Batista de Oliveira, responsáveis pela investigação da operação Monte Carlo, que resultou na prisão de Cachoeira, ocorrida no fim de fevereiro.

Primeira Edição © 2011