Em cada dez vítimas do trânsito, quatro são ocupantes de motos

Preço, facilidade de aquisição e agilidade fazem a cabeça dos motoqueiros, apesar dos riscos no trânsito caótico

07/05/2012 04:21

A- A+

Luciana Martins - Jornal Primeira Edição

compartilhar:

Por falta de dados oficiais específicos, não se sabe quantas pessoas estão morrendo, por mês, em Alagoas, vítimas de acidentes envolvendo motocicletas, mas extraoficialmente foi revelado um número aproximado: de cada 10 vítimas do trânsito, quatro são ocupantes de motos.

A estatística é assustadora, pois significa dizer que, das 474 pessoas mortas no trânsito do Estado, em 2011 (dados do Instituto Médico Legal de Maceió e HGE), mais de 150 foram vítimas de acidentes com motocicletas (cerca de 12 vítimas fatais por mês).

O fato é que, paralelo ao aumento da frota de motos, cresce igualmente o número de acidentes vitimando motoqueiros e caronas, seja em colisões, derrapagens ou atropelamentos.

Somente no ano de 2011, segundo os dados do Instituto Médico Legal (IML) da capital, foram registrados 474 vítimas fatais de trânsito, envolvendo motocicletas e automóveis. E até o dia 10 de abril deste ano, 140 pessoas já morreram em acidentes de trânsito.

Apesar disso, aqui e no resto do País, o mercado nunca esteve tão aquecido: 130 mil motocicletas são vendidas anualmente no Brasil. Este dado apresentado por Marcos Moraes, gerente da concessionária Blumare Motos, revela que o mercado das ‘duas rodas’ está em franca expansão. Principais motivos: agilidade, acessibilidade, deficiência do transporte público e a falta de espaço para estacionar automóveis nos centros urbanos.

Conforme o gerente, as motocicletas de 50 cilindradas, conhecidas popularmente por cinquentinhas, são as preferidas para os consumidores que iniciam a vida sobre as duas rodas. “Ela tem um baixo custo e o motoqueiro não precisa fazer um investimento alto num produto que pode não lhe agradar”.

PREFERÊNCIA
Luciana MartinsSegundo Marcos Moraes, no mercado nacional 80% das motocicletas são de 150 cilindradas. “Para o dia a dia e para o trabalho a moto mais usada é de 150 cilindradas”. Uma moto com tal potência, na marca que ele representa, custa R$ 4.990,00 e a forma de pagamento pode ser através de consórcio, que é a mais procurada, financiamento bancário, cartão e cheque. “As facilidades são grandes”.

Já para os motociclistas mais experientes a potência mínima procurada é de 250 cilindradas, que custa R$ 17 mil. Nesse caso o pagamento só pode ser feito em duas modalidades: financiamento ou à vista. “O financiamento exige entrada mínimo de 20%”.

Há aqueles que, movidos pela paixão, chegam a pagar R$ 65 mil por uma motocicleta. O diferencial é: “motor, tecnologia embarcada, freio ABS, embreagem deslizante. É uma moto que não deixa você fazer besteira, não deixa você derrapar, empinar. Para aquele que não tem experiência, ela praticamente pilota por você. São 210 cavalos, uma potência especifica e maior”.

Na opinião do gerente o veículo de duas rodas será o futuro do transporte. “Onde cabe um carro, cabem cinco motos”.

NÚMEROS
Segundo a assessoria do IML de Maceió, não há um dado preciso sobre os acidentes de motocicletas em Alagoas, mas, conforme o responsável pelo setor de estatística do órgão estimou que, a cada 10 vítimas do trânsito, quatro seriam de acidentes envolvendo moto, embora não se trata de número oficial.Luciana Martins

Na opinião de Marcos Moraes, o que mais causa acidentes com motocicletas aqui no Estado é a mudança de faixa. “O carro muda de faixa e não vê que tem uma motocicleta ao lado dele e é nesse momento que acontece a maioria dos acidentes”.

Em Alagoas, no período de 2010/2011 foram registradas 851, 42 motocicletas e motonetas conforme dados do Detran/AL. A maioria dos condutores do veículo de duas rodas continua sendo masculina. No País, a proporção é de R$ 116 mil homens para apenas 6 mil mulheres, sendo 5.345 delas portadoras da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) AB, ou seja, carro e moto.

HABILITAÇÃO
Uma habilitação para motocicleta e/ou para carro custa em média R$ 800,00. “E aí se você tem carro, tem que gastar mais R$ 800,00 para ter a de motocicleta. É uma coisa totalmente ilógica, irracional porque vai mudar apenas o teste. E em Alagoas é mais caro que em outro lugar, como sempre”, reclama o gerente.
Na opinião dele devíamos copiar a medida adotada na Espanha onde o condutor que já é habilitado para veículo pode conduzir uma motocicleta de 150 cilindradas sem precisar de nova habilitação. “O que aconteceu: diminuiu o congestionamento nas cidades e os índices de acidentes caíram porque os condutores começaram a ter uma convivência pacífica, já que muitos têm carro e moto”.

PAIXÃO DECLARADA
Sidney Santana é um apaixonado por motocicletas, mas a opção por esse tipo de veículo vai além da paixão. De acordo com ele, a motocicleta é preferida exatamente pela agilidade. “A locomoção é melhor, não se participa tanto de engarrafamento”.

Para ele vale a pena ter uma motocicleta mesmo sabendo do risco desse meio de transporte. “Quando está pilotando a moto você sente o vento tocando em você, você se sente mais livre. O perigo é mínimo se você pilotar com responsabilidade”, diz.

A sugestão do piloto é que os motoristas sejam mais conscientes em relação às motocicletas, bem como os motociclistas respeitem as normas de segurança do trânsito. “Eu tenho moto de trabalho e de passeio. Eu gosto de correr, mas só corro na estrada. No trânsito da cidade a minha velocidade é em média 50 km/h”.

O amor pela motocicleta é tão grande que o filho de Sidney hoje também é motociclista. Ele e os filhos participam do Motoclube Largos no Asfalto. “O mais novo integrante é o meu filho que tem 21 anos e o mais velho tem 58 anos. Agora em julho estamos indo ao Rio de Janeiro de moto”.

 

Primeira Edição © 2011