Sucateamento da Samu são debatidos na Câmara

Vereadores criticam governo do Estado por não realizar manutenção nas ambulâncias

17/04/2012 09:46

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Divulgação

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A sessão ordinária de hoje (17), da Câmara Municipal de Maceió, foi marcada por críticas ao governo do Estado. A violência e o sucateamento das ambulâncias da Samu foram temas de debate entre os vereadores.

O vereador João Luiz (DEM) declarou que a cada dia a situação da violência piora em Maceió. Segundo ele, os veículos da Samu estão sucateados e sem freio. “São veículos comprados com dinheiro do governo federal, mas que não estão tendo a manutenção devida, que deveria ser custeada pelo governo do Estado. Hoje, em Maceió, o cidadão, se não morrer de bala ou faca, morre de infecção hospitalar nos hospitais do Estado”, frisou.

O vereador do Democratas pediu que a Comissão de Saúde da Câmara visite a garagem da Samu e o HGE para constatar a situação caótica. “A ordem do governo do Estado para os funcionários da Samu é: Se vire! Ande com a ambulância sem freio, com a porta traseira sem maçaneta”, protestou.

João Luiz demonstrou preocupação com a situação do Hospital Geral do Estado (HGE). Ele afirmou que muitos pacientes ficam internados nas ambulâncias, por falta de vaga nas UTIs.
O presidente da Câmara, vereador Galba Novaes (PRB), registrou mais uma vez os números de homicídios na capital, no último fim de semana.

Segundo ele, ocorreram 18 assassinatos nas últimas 48 horas em Maceió. “Isso significa que a cada duas horas e meia há um homicídio em nossa capital. A violência está incontrolável. Estamos falando de assassinatos, pois se fossemos divulgar todos os crimes não seria possível numa única sessão ordinária”, ressaltou Novaes.

Ele sugeriu que o próximo prefeito deve implementar condições para que a Guarda Municipal faça a segurança pública, em parceria com a Policia Militar. Os guardas municipais têm condições de fazer um bom trabalho na área de inteligência. Esta Casa deu prerrogativas ao município para fazer a segurança pública. Aprovamos a criação da Secretaria de Segurança Comunitária”, frisou Galba Novaes.

O vereador Théo Fortes (PTdoB) reforçou a tese de que não se deve banalizar a violência em Alagoas. “Se é a droga o motivo, é preciso atacar o problema. Precisamos identificar de onde vem tanta violência. Não adianta atacar os efeitos, mas sim a causa”, observou.

O vereador João Luiz, em aparte, afirmou ainda que a criminalidade está de uma forma que a população não consegue discernir a realidade. “Foi encontrado um corpo esquartejado, que roubaram o coração. Isso aconteceu há oito meses e só no último domingo a população soube. Nas estatísticas não consta os cemitérios clandestinos, covas clandestinas e corpos jogados no canavial. 

Não estamos longe da cena de canibalismo que o mundo assistiu em Garanhuns. Se as ambulâncias e os hospitais estão se acabando, a saúde cada vez mais caótica, vamos esperar pelo que? Hoje a gente sai de casa vivo e não sabe se volta. A desculpa do governo é sempre que não tem dinheiro”, reclamou.

O vereador Ricardo Barbosa (PT) questionou porque em Maceió não conseguimos ter êxito no combate a violência? “A gente vê que os Estados vizinhos estão tendo sucesso em reduzir a criminalidade. Temos exemplo de São Paulo, de Jaboatão dos Guararapes, Recife, entre outros. Se tivermos quatro entradas e saídas do Estado de Alagoas é muito. Somos um Estado pequeno. Não é difícil conter a violência em Alagoas. É questão de vontade política”, afirmou.

Barbosa, que preside a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Violência, informou que na próxima semana deverá ocorrer a primeira sessão de audiência. “Vamos trazer gestores da área da segurança pública de vários locais do País, para vir nos contar suas experiências. Todos os órgãos federais já foram informados que esta Casa abriu uma CEI para tratar da violência, por conta da inércia do governo estadual”, desabafou Ricardo Barbosa.

Ele acrescentou que enviou ofícios solicitando a presença de representantes do Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Secretaria Geral da Presidência da República e Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Após os debates, diversos projetos de lei, de autoria dos vereadores, bem como requerimentos, foram aprovados. Entre eles, solicitação de pavimentação de ruas, declaração de utilidade pública para entidades, sessões especiais, entrega de comendas, entre outros.

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