Operação de resgate de 9 mineradores termina com sucesso no Peru

11/04/2012 13:17

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EFE

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 A operação de resgate dos nove mineradores presos em uma mina no sul do Peru terminou nesta quarta-feira com sucesso na presença do presidente do país, Ollanta Humala, e no meio da expectativa geral dos peruanos, que acompanharam ao vivo pela televisão.

Os mineradores, em aparente bom estado apesar de estarem presos desde a quinta-feira, saíram do túnel principal da mina pouco depois das 7h da manhã no horário local (9h em Brasília) e foram recebidos por seus familiares, pelo presidente Humala e membros de seu Governo.

Os resgatados foram identificados como Jacinto Pariona, de 59 anos, seu filho Roger Pariona, de 32, Félix Cucho Aguilar, de 41, Edwin Bellido, de 34, e os irmãos Santiago e Juan Taipa, de 22 e 23 anos, respectivamente.

Além deles, foram socorridos, Carlos Huamaní, de 47 anos, Jesus Ccapatinta Raymi, de 35, e Julio César Huayta, de quem não há outros dados.

Após o resgate, dois dos mineiros afirmaram à emissora 'Rádio Programas del Perú' (RPP) que viveram um 'inferno' durante os dias em que permaneceram presos.

Bellido relatou que dentro do buraco havia uma área de 50 metros e que eles dançavam e corriam para passar os dias. 'Era um lugar feio, de barro. Nós contávamos brincadeiras e pela mangueira perguntávamos que dia era', afirmou.

'Que minhas filhinhas se sintam contentes porque quase voltei a viver', disse Bellido se dirigindo a suas duas pequenas filhas.

Jesus Ccapatinta, outro dos mineiros resgatados, afirmou que dentro do buraco eles enfrentaram 'um inferno e um calvário', mas também anunciou que espera continuar trabalhando nas minas, mas com medidas de segurança maiores.

Embora o deslizamento tenha acontecido ao meio-dia do dia 5 de abril, os profissionais de resgate começaram as tarefas dois dias depois com a participação de especialistas de grandes mineradoras.

Os especialistas que chegaram à mina tiveram que construir um abrigo de madeira no túnel de acesso para evitar os constantes deslizamentos que atrasaram o resgate.

A mina de cobre tinha sido abandonada nos anos 90, mas sua entrada não foi dinamitada como exige a lei, e desde então os chamados mineiros informais trabalham no local sem as adequadas condições de segurança.

'Tarefa e missão cumprida', afirmou Humala satisfeito após concluir o resgate.

Entretanto, o governante advertiu sobre o perigo no trabalho dos mineiros informais e ratificou os esforços que o Governo faz para formalizar estes trabalhadores e regularizar a atividade.

Neste sentido, ele acrescentou que o Ministério Público e a Controladoria terão que enfrentar as empresas informais que estão 'explorando' os mineradores.

'Este trabalho de mineração informal põe em risco a vida e estabilidade das famílias, precisamos formalizar o setor', reiterou.

Além disso, o governante revelou que entre os mineiros libertados está um ex-artilheiro do Exército, que não foi identificado, e que acompanhou a rebelião de 2000 contra o Governo de Alberto Fujimori.

Na região da mina informal também estiveram os ministros da Mulher e Populações Vulneráveis, Ana Jara, de Minas e Energia, Jorge Merino, e da Saúde, Alberto Tejada.

Durante os sete dias em que permaneceram presos os trabalhadores receberam ar, alimentos e bebidas através de uma mangueira que também permitiu que se comunicassem com o exterior.

Os nove mineradores, com óculos de sol, foram atendidos inicialmente por equipes de saúde e serão ingressados em centros hospitalares de Ica, a 38 quilômetros de distância da mina, para exames médicos, enquanto também receberão ajuda psicológica com seus familiares.

Segundo vários especialistas que participaram do resgate, é provável que nos próximos dias seja ordenado o fechamento definitivo do túnel e da entrada à pequena mina de cobre.

Primeira Edição © 2011