Reforma agrária não pode ser 'simplesmente distribuição de terra', diz Dilma

Segundo a presidente, desde o governo Lula o campo vive um novo modelo.

14/03/2012 15:39

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Estadão

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Ao oficializar a troca no comando do Ministério do Desenvolvimento Agrário, a presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (14) que a reforma agrária não pode ser vista "pura e simplesmente como distribuição de terra".

A declaração ocorre após avaliações, especialmente de movimentos sociais, de que o novo ministro Pepe Vargas foi escolhido em substituição a Afonso Florence por conta do baixo rendimento da pasta no ano passado. A presidente também anunciou um novo programa para os agricultores: o Pronacampo.

Em 2011, o número de novos assentados foi o mais baixo desde 1995 e houve uma queda de 44% em relação ao ano anterior. Dilma dedicou boa parte dos 20 minutos de seu discurso elogiando e defendendo a gestão de Florence.

Segundo a presidente, desde o governo Lula o campo vive um novo modelo.

"Essa nova lógica da agricultura familiar não olha a reforma agrária pura e simplesmente como distribuição de terra. Ela não pode ser só isso. Ela tem que ser a forma pela qual se garanta acesso à terra, mas também se garanta as condições de desenvolvimento para as populações que acedem a essa terra."

A presidente sustentou que uma das linhas centrais de seu governo para o setor é reforçar a política de incentivo para a agricultura familiar. "De nada adianta a distribuição de terra e a permanência das populações rurais na extrema pobreza."

Dilma disse que o país precisa democratizar o acesso a terra para milhões de camponeses pobres dessa país. "Garantir uma agricultura familiar pujante é condição também para um padrão de qualidade para a reforma agrária."

O novo ministro reforçou o discurso da presidente e falou que vai trabalhar para erradicar a pobreza no campo. Ele citou como "sonho" a construção de uma classe média rural.

"É por isso que queremos fixar no imaginário que o Ministério do Desenvolvimento Agrário é desenvolvimento econômico e com enorme vocação social."

Ele anunciou ainda que o governo esta antecipando as metas do Brasil Sem Miséria para o campo, com previsão de atender 179 mil famílias em 2012 (meta inicial para este ano era 50 mil), sendo que esse índice era calculado para 2013.

Dilma disse que Florence deixou um legado de diálogo com os movimentos. O ex-ministro lançou mão de números para mostrar bom desempenho. "Dos 28 milhões de homens e mulheres que saíram da faixa da pobreza e da pobreza extrema, 4,8 milhões vieram da zona rural."

Ele afirmou que o orçamento total gasto pela pasta no ano passado foi de R$ 773 milhões em reforma agrária, superior ao esperado, de R$ 530 milhões.

PRONACAMPO

Na cerimônia, a presidente disse que nós próximos dias deve ser lançado um programa federal para acesso a educação no campo.

"O objetivo é assegurar que essas populações tenham acesso as mesmas condições educacionais e garanta a elas também acesso a educação profissional que possa fazer com que o agricultor tenha filhos com orgulho de que possam ser também futuros agricultores", disse.

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