Militar acusado de mortes de civis já saiu do Afeganistão, diz Pentágono

Panetta faz discurso para militares americanos em base no Afeganistão, em primeiro dia de visita a país

14/03/2012 15:35

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Folha

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O Pentágono confirmou nesta quarta-feira que já saiu do Afeganistão o soldado dos Estados Unidos acusado de ser o responsável pela morte de 16 civis na província de Candahar, no sul do país, no último domingo.

De acordo com oficiais consultados pelas agências Reuters e Associated Press, o comandante das forças militares americanas no Afeganistão, general John Allen, tomou a decisão baseada em uma recomendação legal. O soldado foi levado para um destino não informado.

Os procedimentos legais contra o militar continuarão fora do Afeganistão, onde o suspeito permanecerá em uma "instalação de confinamento pré-julgamento", similar a uma casa de custódia para presos civis.

Nesta quarta-feira, em visita ao país asiático, o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, afirmou a líderes afegãos que os Estados Unidos nunca devem perder sua missão na guerra, apesar do incidente com o soldado e da explosão de um carro-bomba na pista em que o avião da comitiva americana aterrissava.

"Não vamos permitir que incidentes individuais minem nossos objetivos para essa missão. Vamos ser testados, desafiados por nosso inimigo e por nós mesmos, até pelo inferno da guerra mesmo, mas nada disso vai nos deter na missão que devemos alcançar", disse Panetta, em pronunciamento a soldados americanos.

SEM MUDANÇAS

Obama assegurou nesta quarta-feira que não via mudanças repentinas no plano dos Estados Unidos para a retirada das tropas do Afeganistão, apesar de uma série de incidentes violentos que tornaram tensas as relações entre os dois países nas últimas semanas.

Ele confirmou que as forças da Otan no Afeganistão terão um papel de apoio em 2013.

"Não antecipo nesta etapa que vamos fazermos mudanças repentinas adicionais no plano que temos atualmente. Já tiramos 10 mil de nossos efetivos. Temos programados retirar até um adicional de 23 mil este verão (hemisfério norte)", afirmou.

REINO UNIDO

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, prometeu nesta quarta-feira ao presidente Barack Obama, em Washington, que a Grã-Bretanha não abandonará as operações no Afeganistão.

"A Grã-Bretanha combate junto aos Estados Unidos desde o começo (do conflito, em 2001). Temos ainda 9,5 mil soldados no terreno", afirmou Cameron durante uma coletiva de imprensa conjunta com o presidente americano.

"Vamos terminar esta missão e vamos fazer de forma responsável", acrescentou.

VÍDEO

O soldado americano suspeito da morte de 16 civis no Afeganistão no último domingo é visto se rendendo em um vídeo, de acordo com uma autoridade afegã.

As imagens teriam sido captadas por um dirigível que sobrevoava a base e mostram um soldado em uniforme militar americano se aproximando do portão da base da província de Candahar, com um xale característico afegão na mão.

O oficial do país asiático afirmou que na gravação, que teria duração de duas a três horas, o militar entrega sua arma e levanta os braços como sinal de rendição, após chegar à base militar.

A fonte da agência declarou que o país teria pedido o vídeo a autoridades americanas para comprovar que apenas um soldado estaria envolvido no incidente.

Nesta quarta-feira, um carro-bomba atingiu explodiu na pista de pouso de uma base militar britânica pouco antes do secretário de Defesa americano, Leon Panetta, aterrissar no local. Nenhum membro da comitiva do representante americano ficou ferido.

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