Maria Bonita ganha papel principal

Wanessa passou boa parte da carreira em editorias dedicadas ao interior do Estado. Foi aí que surgiu o primeiro contato com o cangaço

08/03/2012 09:27

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Jornal do Commercio

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Ela percorreu, por oito anos, os mais inóspitos cenários e lugares do Nordeste do Brasil, em meio aos cangaceiros do grupo de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, seu marido. Aventura e ousadia que lhe renderam o posto de “primeira-dama” do cangaço nacional, e, exatos 101 anos depois de nascida, ela se tornou referência e inspiração para a cultura e comportamento de muitas mulheres nordestinas e brasileiras. Nesta quinta-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a vida de Maria Bonita ganha as páginas do livro-reportagem A dona de Lampião, da jornalista, Wanessa Campos, em Recife.

A partir das pesquisas, Wanessa criou vínculos com amigos e familiares de Lampião e Maria Bonita. E foi a neta do casal, Vera Lúcia Nunes Ferreira, uma das incentivadoras da criação do livro. “Vera me falou das comemorações do centenário de Maria Bonita, no ano passado. Eu disse a ela que faria um livro, então, Vera me incentivou.” Em pouco mais de 100 páginas, a autora remonta a história de uma mulher que por muito tempo ocupou o posto de coadjuvante nos relatos históricos, contextualizando cada fase de sua vida dentro das épocas brasileira e mundial. Era 1930, quando Maria Gomes de Oliveira deixou de ser a Maria Déa – como era conhecida na vizinhança, em Glória, Sertão baiano – para mudar a sua história, largando a vida que tinha, em nome de uma paixão. “Maria Bonita foi uma mulher que rompeu com paradigmas da sociedade para seguir um homem e enfrentar o incerto”. 

Embasado nos estudos e pesquisas de fragmentos de informações em jornais, revistas, fotografias, documentos da época e entrevistas com familiares, cangaceiros e ex-volantes, o livro mostra como Maria Bonita levou toques femininos e delicados à rigidez e frieza do cangaço. “Ela incentivou a higiene no bando. Quando ela entrou para grupo, eles passaram a acampar próximo aos rios, para facilitar os banhos. O bando também começou a respeitar as famílias. E os cangaceiros trouxeram sua mulheres para o grupo”, conta Wanessa”. “Mas é bom lembrar que nenhuma delas ia à luta. Elas portavam armas para avisar, com um tiro para cima, a aproximação do inimigo.”

Dona de uma beleza e vaidade sempre comentadas e lembradas nos relatos de quem a conheceu, e claramente visíveis nas fotografias, na contemporaneidade, as marcas e influências da mulher de Lampião chegam à moda, cultura regional e até à música. “Quando pequena, ela passava horas à frente do espelho. E até adulta, como a gente vê nas fotos, ela era vaidosa, fazia poses. As sandálias que ela usava, os anéis, tudo virou inspiração. Há até uma grife com o nome dela.”

O livro A mulher de Lampião conta ainda com depoimentos dos jornalistas Mário Hélio e Cícero Belmar, do diplomata Daniel Bazon e do cantor Alceu Valença, e apresentação de Marcus Accioly. A obra, publicada com apoio da Prefeitura do Recife, tem design gráfico de Andréa Aguiar, fotos de Hélia Scheppa, tratamento de Cláudio Coutinho e revisão de Laércio Lutibergue. 

Primeira Edição © 2011