Em Curitiba, empresário se acorrenta a paineira-rosa de 70 anos para impedir seu corte

A árvore começou a ser cortada na sexta-feira (2) a pedido de outros moradores do Boa Vista (bairro da região norte de Curitiba)

05/03/2012 13:30

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UOL Notícias

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Um empresário de Curitiba se mantém acorrentado a uma árvore desde as 7h desta segunda-feira (5) para impedir que ela seja cortada. Carlos Eduardo Andersen, 37 anos, promete que só sai do local após ter uma garantia de que a paineira rosa com cerca de 70 anos de idade e pelo menos cinco metros de altura seja poupada. Até as 12h15, ele permanecia no local.

A árvore começou a ser cortada na sexta-feira (2) a pedido de outros moradores do Boa Vista (bairro da região norte de Curitiba). Ao UOL, a prefeitura informou que a paineira não está condenada, mas suas raízes causam problemas em calçadas e encanamentos, além de danos à estrutura de casas próximas. Por isso, engenheiros da Secretaria do Meio Ambiente constataram que precisa ser retirada.

“A árvore é mais antiga que o bairro. Temos vínculo afetivo com ela. Na sexta, quando vi que ela seria derrubada, tentei recorrer à prefeitura e a organizações ambientais, mas ninguém me atendeu. Resolvi, então, tomar essa atitude extrema”, disse Andersen, que desde às 7h se mantém acorrentado à paineira.

Por volta das 9h, funcionários da prefeitura chegaram, mas não puderam realizar o serviço e foram embora. “Eles ameaçaram chamar a Guarda Municipal e a Polícia Militar pra me tirar daqui”, falou o empresário, que mora na rua ao lado de onde fica a árvore.

Quando a reportagem do UOL esteve no local, por volta das 10h, Andersen conversava com telefone com a secretária municipal do Meio Ambiente, Marilza Dias. Dela, ouviu que o corte está suspenso e será reavaliado por engenheiros – informação confirmada pela assessoria de imprensa da prefeitura. Ainda assim, o manifestante diz que só deixa o local quando receber um documento que garanta a preservação da paineira.

A pedido de Andersen, o advogado Thiago Koltun Ajuz apresentaria, após o almoço, mandado de segurança com pedido de liminar para que a árvore não seja derrubada.

Prejuízos

Autora do pedido para o corte, a aposentada Leonildes Franco da Silva, 70, diz que a árvore representa perigo para a vizinhança. “Ganho pouco, tenho problemas de saúde. Não tenho dinheiro para arcar com os prejuízos que ela causa à minha casa”, disse.

O primeiro pedido para que a paineira fosse derrubada foi encaminhado à prefeitura há três anos. “Nesse período, minha mãe teve que refazer a calçada por duas vezes”, informou a representante comercial Adriane Franco da Silva, 37, filha de Leonildes. “Infelizmente, agora vemos pessoas que nem são vizinhas à árvore interferirem”, afirmou, referindo-se ao protesto de Andersen.

“A paineira pressiona os fios elétricos, a ponto de fazer faíscas. Um galho já caiu sobre o carro de um vizinho. A paina cai sobre a calçada e, quando chove, vira uma lama que faz escorregar, na calçada. Eu mesma limpava isso, mas não tenho mais condições”, disse Leonildes. “Quem hoje defende a árvore nunca me ajudou a fazer isso, nem me trouxe um saco de lixo ou uma vassoura.”

“Me disponho a colaborar para resolver os problemas financeiros causados, mas eles são um motivo fútil para o corte da árvore”, respondeu Andersen, que disse que faltaria ao trabalho hoje e que irá financiar a ação judicial e uma campanha pelas redes sociais para a preservação da paineira. “O combate ao desmatamento começa no quintal de casa.”

Primeira Edição © 2011