Os segredos de sete chefs do teatro brasileiro, que remontam 50 anos de história em nossos palcos

Entre hoje e a próximo sexta, 09, a cidade recebe estreias de sete importantes diretores. O 'Divirta-se' foi perguntar a cada 'chef': o que é ser diretor de teatro?

02/03/2012 15:04

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Estadão

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Você sabe como é o trabalho de um diretor de teatro? Se não, não se sinta mal - até porque há diretores e diretores. Entre hoje (2) e a próxima 6ª (9), a cidade recebe em seus palcos as estreias de sete importantes diretores.

Eles formam um arco de mais de cinquenta anos de trabalho; de certa forma, representam diferentes correntes, escolas, filosofias e até épocas das artes cênicas no Brasil e no mundo. Então, para ajudar você a conhecer como nasce uma peça de teatro, ‘visitamos a cozinha’ responsável por esses espetáculos para perguntar ao ‘chef’: o que é ser diretor de teatro?

Aqui você vai encontrar um pequeno percurso por esses diferentes caminhos de encenação. Há diretores que constroem longos processos de pesquisa, que chegam a levar meses ou até anos entre as primeiras leituras e a estreia - caso de As Troianas.

Outros, com linhas de trabalho muito mais diretas, conseguem levar uma peça ao palco em duas semanas - como aconteceu com esta montagem de Medusa de Rayban.

E é bom que seja assim. São Paulo tem sempre, em média, mais de cem espetáculos em cartaz. É justamente essa diferença de olhares e caminhos que faz nossa cidade única em todo o Cone Sul em termos de riqueza de programação teatral. Que se abram as cortinas.

Mito e morte

Escrita por Gabriela Amaral Almeida, A Travessia da Calunga Grande faz do teatro um navio negreiro para resgatar os mortos anônimos em nossos quase quatro séculos de escravidão. As relações de poder entre os do porão e os do convés, no trânsito Atlântico, ilustram as ambiguidades da mestiçagem do nosso povo. O mito de Édipo foi o ponto de partida da pesquisa. É o fim da trilogia sobre mitos e morte da Cia. Livre, que teve Vem Vai - O Caminho dos Mortos (2007) e Raptada Pelo Raio (2009). Preste atenção em como o uso da iluminação faz com que o navio ora aponte para oeste, ora para leste.

ONDE: Sesc Pompeia. R. Clélia, 93, 3871-7700. Estreia em 08/03. QUANDO: 5ª a sáb., 20h30; dom., 18h30. 150 min. 14 anos. QUANTO: R$ 16. Até 29/4.

Cibele Forjaz

"Acho que o diretor é um construtor de caminhos. O espetáculo não se cria na minha cabeça, na minha mão... O teatro é uma arte coletiva. O diretor é um orquestrador de energias, de olhares, de desejos..." É assim que a paulistana Cibele Forjaz começa a definir seu ofício. "Acho incrível que um trabalho coletivo de fato - na produção, na criação e até na fruição - se mantenha tão vivo em um mundo cada vez mais individualista. É de uma força mobilizadora impressionante." Cibele conta que já sabia que queria fazer teatro desde pequena, com oito ou nove anos. Um pouco maior, lá pelos 15, sentia que a direção era o que lhe chamava. "Olhava tudo aquilo e pensava no todo." E aí vieram o Teatro Oficina, o Arena, a Barca de Dionisos... "Não acredito em talento. É estudo, estudo, estudo, E trabalho, trabalho, trabalho..."

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