Parque Hopi Hari será fechado por dez dias para investigação

01/03/2012 14:25

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Folha Online

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O advogado que representa o Hopi Hari, onde uma adolescente morreu após cair de um brinquedo na semana passada, disse nesta quinta-feira que o parque de diversões será fechado por dez dias para auxiliar na investigação do caso.

Segundo o advogado Alberto Toron, será firmando hoje um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) entre o parque e Ministério Público, que já havia manifestado intenção de pedir o fechamento do estabelecimento. O prazo de dez dias pode ser prorrogado por mais dez, caso as autoridades considerem necessário.

Além da Promotoria, devem assinar o documento representantes do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia). Antes da medida, apenas o brinquedo do acidente estava fechado para perícia. Agora, todos poderão ser analisados.

"Temos toda a intenção de mostrar que o parque funciona com plenas condições de segurança, por isso achamos justo o fechamento provisório, para mostrar isso em todos os brinquedos", disse Toron.

De acordo com o advogado, o fechamento pode revelar se houve erro na operação do brinquedo La Tour Eiffrel, conhecido como elevador, onde Gabriela Yuakay Nychymura, 14, morreu após cair na sexta-feira (24).

Na prática, o parque ficará fechado por dois finais de semana, já que nesta época do ano ele funciona apenas de sexta a domingo. Segundo a assessoria de imprensa do Hopi Hari, quem comprou ingressos antecipados deve entrar em contato pelo telefone 0300-789-5566 ou pelo e-mail fale@hopihari.com.br e se informar sobre trocas ou devoluções.

DEPOIMENTOS

Ontem (29), dois funcionários do Hopi Hari disseram à polícia que avisaram o parque sobre um problema mecânico na trava do assento onde a jovem estava sentada.

"Aquela cadeira deveria estar lacrada, porque já tinha apresentado defeito", afirmou Bichir Ale Junior, advogado de Vitor Igor de Oliveira, 24, e Marcos Antonio Leal, 18, operadores do elevador. "Quinze minutos antes do acidente, eles disseram ao supervisor que a trava estava com problemas. Foi avisado e ignorado."

Na segunda-feira (27), uma perícia feita no local não constatou problemas mecânicos no brinquedo. O delegado Álvaro Santucci Noventa Júnior chegou a dizer que, até então, os indícios apontavam para falha humana.

Segundo o advogado da família da garota, Ademar Gomes, fotografias mostram Gabriela sentada em uma cadeira da extremidade do bloco que subiu --assento que não deveria ser utilizado por questão de segurança.

O brinquedo é formado por cinco blocos com quatro cadeiras cada um. No bloco em que Gabriela estava, segundo o Hopi Hari, um dos assentos nunca foi utilizado, já que um visitante com braços e pernas longos poderia, eventualmente, passar perto da estrutura de metal que simula a Torre Eiffel.

Na segunda-feira, a cadeira onde Gabriela estava sentada chegou a passar por perícia, mas a atenção maior foi dada à outra cadeira.

Gabriela morreu na manhã de sexta-feira após cair a cerca de 25 metros do chão. Testemunhas disseram que a trava do assento dela se abriu durante a queda.

A mãe da vítima, Silmara Nychymura, também depôs à polícia na tarde de ontem. O pai da menina ainda será ouvido pela polícia, mas o casal deve falar com a imprensa na tarde desta quinta-feira.

INTERDITADA

Gabriela morreu por volta das 10h30 e foi enterrada no sábado (25), em Guarulhos (Grande SP). Ela foi encaminhada ao hospital com traumatismo craniano, mas chegou sem vida ao local.

Gabriela vivia no Japão e estava passando as férias na casa de familiares em Guarulhos. Ela estava no parque com a mãe e o pai, que são brasileiros.

Os advogados da família de Gabriela afirmam ontem que, no momento do acidente, a adolescente ocupava uma cadeira que deveria estar interditada.

A família pretende entrar com ação de indenização por danos morais e materiais contra o parque, segundo o advogado Ademar Gomes. Ele disse que uma nova perícia será solicitada para que sejam apuradas as condições de uso da cadeira que Gabriela ocupou.

"Houve falso testemunho de dois funcionários, e a cadeira vistoriada pela perícia não é a mesma em que Gabriela sentou", disse.

No elevador, como é conhecido o brinquedo, cada visitante sobe cerca de 69,5 metros em uma cadeira com trava individual e despenca em simulação de queda livre, podendo chegar a 94 km/h. Dos cinco blocos com quatro cadeiras cada um, dois estavam em manutenção no dia do acidente.

OUTRO LADO

Procurado, o Hopi Hari não comentou as declarações dos operadores do brinquedo La Tour Eiffel. O parque não respondeu se algum supervisor foi avisado sobre problemas no brinquedo.

Em nota, o Hopi Hari disse que "reitera veementemente a cooperação absoluta com todos os órgãos responsáveis na apuração definitiva deste caso".

Na sexta-feira, o parque disse lamentar "profundamente o ocorrido" e afirmou que presta toda a assistência à família da vítima e aos responsáveis pela investigação das causas do acidente.

Segundo a assessoria de imprensa, ainda não há confirmação oficial do fechamento provisório do parque.

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