"Ainda estamos interessados no avião da Embraer", diz vice de Hillary

01/03/2012 12:31

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Folha Online

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O subsecretário de Estado dos EUA, William Burns, disse nesta quinta-feira no Rio que seu governo "continua interessado" no avião Super Tucano da Embraer, apesar do cancelamento da concorrência de US$ 355 milhões da Força Aérea americana que havia sido vencida em dezembro pela companhia brasileira.

Em visita ao Brasil para preparar a visita da presidente Dilma Rousseff a Washington, em abril, Burns não quis entrar em detalhes das causas da anulação da primeira licitação, oficialmente atribuída a problemas com a documentação entregue pela Embraer. A empresa brasileira rebateu dizendo que entregou toda a documentação solicitada.

Ele reconheceu que "às vezes abusamos da paciência" dos outros, mas disse que espera que a disputa tenha novo desfecho o mais rápido possível e deu a entender que o Super Tucano continua no páreo. "A Embraer é uma grande empresa e o Super Tucano é um ótimo avião."

Ontem (29), a Força Aérea dos EUA informou que pretende agir rapidamente para refazer licitação por aviões de combate leve de uso no Afeganistão para garantir que orçamento para compra não expire no final de 2013.

Em um comunicado oficial, a Força Aérea declarou que, por uma medida "corretiva", decidiu suspender o contrato com a Embraer, que entraria em vigor no dia 2.

O subsecretário, segunda autoridade mais importante na hierarquia da diplomacia americana, tentou desfazer qualquer relação entre esse caso e a concorrência da Força Aérea brasileira para a compra dos novos aviões caça, na qual o F-18, fabricado pela Boeing americana, é um dos concorrentes, ao lado do Rafale francês e do Gripen sueco.

Disse que a oferta de transferência tecnológica feita pelos EUA no caso de o Brasil optar pelo F-18 é "sem precedentes" e equivalente à oferecida pelos EUA a seus parceiros da Otan (aliança militar ocidental). "[A opção pelo F-18] pode abrir a porta para uma parceria de longo prazo entre os dois países na área de defesa", afirmou.

PRESSÕES

Ele negou que a concorrência tenha sido anulada por razões de política interna americana em ano eleitoral --houve pressões da fabricante norte-americana Hawker Beechcraft, subsidiária da Lockheed Martin, desclassificada na licitação. "Não concordo com essa interpretação."

Desclassificada da disputa em novembro, a HB fez intensa pressão política e jurídica sobre a administração Obama e a Força Aérea para impedir que o contrato caísse nas mãos da brasileira, parceira da também americana Sierra Nevada.

Apelando para o sentimento patriótico em meio à crise econômica, a HB argumenta que o contrato é fundamental para que sejam preservados 1.400 empregos em território norte-americano.

"Recebemos a notícia de que a Força Aérea vai restabelecer a Hawker Beechcraft na disputa", disse na última terça-feira (28) a HB em um comunicado. À Folha a assessoria da Força Aérea disse, também na terça, que a decisão de requalificar a HB "ainda está para ser determinada".

A HB criou site, página no Facebook e perfil no Twitter para convocar a população a escrever para os congressistas a fim de pressionar a Força Aérea a não "exportar empregos" para o Brasil.

SURPRESA

A Embraer foi pega de surpresa com o rompimento do contrato. Em nota, a empresa lamentou a perda do contrato e disse que aguarda maiores esclarecimentos para decidir, com a Sierra Nevada, "os próximos passos".

"A Embraer participou do referido processo de seleção disponibilizando, sem exceção e no prazo próprio, toda a documentação requerida."

A empresa disse ainda acreditar que a decisão pelo Super Tucano "foi uma escolha pelo melhor produto, com desempenho em ação já comprovado e capaz de atender com maior eficiência às demandas apresentadas pelo cliente".

O contrato estava suspenso desde o dia 4 de janeiro (cinco dias depois de ter sido anunciado oficialmente).

Mas, mesmo após a suspensão do contrato, oficiais americanos deram declarações defendendo a escolha pelo Super Tucano.

Os aviões Super Tucano seriam usados para apoiar a operação militar americana no Afeganistão. Os EUA seriam a sétima força aérea no mundo a utilizar o avião.

ELOGIOS

Em discurso na antiga Bolsa de Valores do Rio, hoje transformada em centro de convenções, Burns fez elogios ao Brasil como "potência global emergente" e disse que o país é bem vindo no debate de todos os temas internacionais, incluindo os conflitos no Oriente Médio, mesmo quando há divergências entre Brasília e Washington --como nos casos da Síria, da Líbia e do programa nuclear do Irã.

O diplomata não quis comentar diretamente o pedido feito pelo Itamaraty para que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se pronuncie sobre a legalidade das ameaças de ataque militar ao Irã. Preferiu enfatizar que Brasil e EUA compartilham o interesse em evitar a proliferação de armas nucleares e insistiu que o governo iraniano "tem que responder" às dúvidas da Agência Internacional de Energia Atômica sobre o caráter pacífico de seu programa.

"Acreditamos que Brasil e EUA, como duas democracias, têm um papel particularmente importante para moldar a ordem internacional emergente", disse.

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