Falta de segurança ameaça turismo na praia do Francês

Policiamento é precário e bombeiros (salva-vidas) operam sem estrutura

30/01/2012 05:58

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Luciana Martins - Jornal Primeira Edição

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O mar límpido e as águas mornas fazem da Praia do Francês, em Marechal Deodoro, um dos destinos mais procurados pelos turistas que visitam Alagoas. No período da alta temporada encontrar um espaço na areia da praia é uma tarefa difícil, assim como estacionar o carro.
Todavia esses não são os únicos problemas para quem deseja ir à praia do francês. Quem optar por passar as férias no ‘paraíso’ vai se deparar com a falta de água, energia e segurança.

Para se ter uma idéia, o posto de salvamento dos bombeiros localizado naquela área está totalmente inseguro. Não há cobertura, falta banheiro, e os profissionais de salvamento são obrigados a se proteger do sol embaixo de uma árvore comprometendo a visão e o trabalho que deve ser desenvolvido por eles.

SEM APOIO
Miguel GóesNena Praxedes, que mora no Francês há mais 20 anos, revela que durante o período da alta temporada a estrutura da praia é totalmente precária. Dona de uma barraca de praia, ela diz que não tem qualquer tipo de apoio por parte do poder público. “Não temos apoio nenhum, só cobrança”.

Diariamente ela enfrenta a falta de água e falta de energia. Segundo reitera, quando há energia é possível bombear água do poço que dá suporte ao banheiro e pias para lavar as mãos, no entanto, a cozinha do restaurante é abastecida com água da Casal. “A conta chegou normal. Não veio nem mais barata, nem mais cara, veio o que é. Não é justo, não justifica, sem água”.

A segurança na orla também é precária. Praxedes afirma que a polícia faz apenas ronda e mais no final de semana. Durante a semana a polícia passa de duas a três vezes por dia.“Na hora que você chega à delegacia aqui do Francês, ela está fechada. Só no final de semana a distrital funciona até as 17hs. Mas, se durante a semana, a gente precisar de um Boletim de Ocorrência, tem que ir a Marechal”.

SEM SAÚDE
Ainda conforme a moradora, o posto de saúde só funciona até ao meio dia. “O que temos de melhor aqui na nossa praia são os bombeiros que quebram muito galho. Eles, contudo, também não têm estrutura nenhuma, ficam ali debaixo do sol. Não temos assistência”.

Outra reclamação da moradora se refere à limpeza da praia. De acordo com Nena nos primeiros dias do ano a areia está limpa, agora, já não se vê mais essa limpeza. “É só na hora que todo mundo chega em cima, depois relaxa. Não pode ser assim, pagamos imposto e IPTU, e cadê o retorno?”

A falta de estrutura é mais visível durante o verão já que é na alta temporada que a praia fica super povoada. “Eu tive que comprar 60 botijões de água mineral de 20 litros para dar assistência ao turista, porque estava faltando água”.

ELOGIOS
Miguel GóesA turista paulista Ana Tereza já veio a Alagoas duas vezes, mas só agora resolveu conhecer o Francês. De acordo com ela, a praia tem uma boa estrutura e um bom acesso. “A praia me pareceu bem limpa, trabalhadores bem preparados. Achei organizado, gostei”.

Já no quesito preço, Tereza admite que os passeios oferecidos têm um preço acessível, mas a alimentação é cara. Ainda assim, ponderou: “Não achei exploração, achei preços de temporada”.

Ela reconhece que neste período o turista que escolhe vir passar as férias no Nordeste vai se deparar com esses valores. “A gente sabe que temporada é assim, requer outra estrutura para receber o turista e isso acaba refletindo nos preços dos serviços”.

A reclamação da turista se refere à segurança tanto no mar, quanto em terra. “Não vi ninguém olhando a segurança dentro da água. E na areia também não”.

Este é um reflexo da ausência de estrutura do posto dos bombeiros que, por falta de cobertura, ficam sob a sombra da árvore localizada atrás do posto, o que acaba comprometendo a sua atividade. Nem mesmo os turistas conseguem vê-los.

TABELA
A reportagem do PRIMEIRA EDIÇÃO anotou alguns preços cobrados pelo serviço na Praia do Francês. O turista que resolver passear vai encontrar como atrativo: o banana boat custa R$ 10,00 por pessoa, o flight boat R$ 80,00 por pessoa, passeio das piscinas naturais R$ 20,00 por pessoa.

Para aqueles que desejarem almoçar nas barracas, uma peixada ao molho de camarão está custando R$ 53,90, uma camarãozada vale R$63,80 e uma carne de sol sai por R$ 48.40.
O visitante também conta serviço de guia turístico. São moradores do município que receberam treinamento do Senac para receber e orientar os turistas. Atualmente existem cinco guias, todos trabalhadores autônomos, sem vínculo com a prefeitura de Marechal Deodoro, e não cobram pelo serviço.

Adriano Silva explica como funciona: “O turista é quem dá a contribuição que ele desejar. A gente não cobra pelo trabalho. O turista dá quanto quiser, valorizando assim o nosso trabalho”.




 

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