Mãe de menino morto a pedradas teme sofrer agressões da vizinhança

Conselho Tutelar diz que ela foi denunciada por negligência no dia em que menino foi encontrado morto

26/01/2012 07:44

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Marcela Oliveira

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A mãe do menino Josué Silvestre da Silva, 5 anos, Roseane da Silva Santos, está com medo de sofrer agressões das pessoas de sua comunidade, segundo informou o conselheiro tutelar Emanuel Monteiro, mais conhecido como Mano. O filho dela foi encontrado morto a pedradas na segunda-feira em um terreno baldio no bairro do Clima Bom. Ele estava com a bermuda abaixada, o que levantou a suspeita de abuso sexual.

Hoje de manhã (26), Roseane foi ao Conselho Tutelar da VII região, onde relatou que está sendo perseguida por moradores que estão revoltados com o assassinato. Ontem, a mulher foi ouvida pela delegada do 11º Distrito Policial, Maria do Socorro, que investiga o caso. “Ela está com medo e disse que já recebeu ameaças. O povo está revoltado com ela porque deixava o filho na rua sozinho”, relata o conselheiro.

Mano disse que o Conselho Tutelar já preparou um relatório para enviar à Polícia Civil quanto à omissão de Roseane. “Ela diz que não tem culpa, mas tem sim! Ela foi omissa e tem muito a esclarecer. Josué andava sozinho tarde da noite pedindo esmolas. Queremos que ela responda por abandono de incapaz”, disse ele acrescentando que Roseane tem mais três filhos, mas somente Josué morava com ela.

Mãe já havia sido denunciada

Reprodução TV GazetaUm dia antes de o menino aparecer morto, o Conselho havia recebido uma denúncia contra a mãe dele. “A denúncia dava conta que o menino vivia solto, pedia esmolas, não tinha higiene e não se alimentava. A mãe estava sendo notificada no dia em que a criança foi assassinada”, diz Mano Monteiro.

Ele ressalta que o Conselho irá cobrar agilidade nas investigações, pois o mesmo pode acontecer com outras crianças. “Estamos cobrando um desfecho rápido, pois estamos preocupados porque o monstro que fez isso pode voltar a fazer de novo. O laudo que vai dizer se houve abuso sexual ainda não está pronto, mas há evidências muito fortes que indicam que houve estupro. É um pedófilo!”, diz ele indignado com tamanha violência.

Crianças na rua x políticas públicas

Crianças sozinhas na rua de dia ou de noite pedindo escolas é uma cena comum em Maceió. O conselheiro argumenta que o problema é a falta de políticas públicas dos órgãos responsáveis por cuidar dos que vivem em estado de vulnerabilidade social. “Uma mãe procura uma creche ou escola para matricular seu filho, mas não encontra vagas e passa por humilhação; chega a casa e não tem comida. Aí, fica difícil se tornar cidadão se não tem acesso a seus direitos básicos. Precisamos de políticas públicas estruturantes”.

Ainda segundo ele, em outras capitais a situação é bem diferente. “Em Aracaju, por exemplo, não tem uma criança na rua. Aqui, crianças pedem nos ônibus, nas ruas porque não têm condições de sobreviver e ficam a mercê de uma situação como essas. Cabe à prefeitura e ao Conselho Municipal de Crianças e Adolescente tomar providências”, afirmou Mano salientando que o papel do Conselho Tutelar é cobrar e “fazer com que as políticas públicas funcionem”.
 

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