"Só vale provas contra, a favor não vale?", contesta defesa de Talvane

Welton Roberto se aborreceu por não poder apresentar matéria de jornal como prova a favor de seu cliente

17/01/2012 17:00

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Fran Ribeiro e Thayanne Magalhães

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Depois de mais de duas horas sendo interrogado pelo juiz André Granja, no início da noite desta terça-feira (17), os promotores do Ministério Público Federal que atuam como a acusação do caso começaram a sabatina contra o ex-deputado federal Talvane Albuquerque, acusado de ser o mandante da morte da deputada Ceci Cunha, ocorrido em 1998.

Depois de ter dito em juízo que não tinha nenhum tipo de inimizade com Ceci, o réu foi surpreendido com a leitura de uma conversa que o mesmo teve com um de seus “possíveis” alvos, Augusto César Farias, Câmara Federal.

“Eu não era amigo da Ceci”, declarou Albuquerque. Ainda na transcrição, o réu diz que teria um jantar em sua casa e que a “jararaca” [Ceci] estaria entre os convidados. “Em jantares assim, aonde iam políticos de Alagoas que estavam em Brasília, ela também era convidada por cordialidade. Eu não era amigo dela”, respondeu.

Talvane, que durante a sua defesa afirmou que o laudo da Polícia Federal teria sido conivente, foi outro envolvido na morte de Ceci e de outros três familiares da deputada, questionou o depoimento de Claudinete Maranhão, sobrevivente da “Chacina da Gruta”. O laudo sonoro se refere a um gravação que foi bastante veiculada na época do crime, onde se tinha um diálogo da sobrevivente com um jornalista alagoano. O réu disse que a afilhada de Ceci teria forçado um sotaque, que segundo ele, também pode ser percebido ontem. Segundo Talvane, a gravação teria sido forjada.

Os promotores pedem que o acusado refaça os seus passos no dia 16 de dezembro de 1998, dia do crime. Segundo o réu, ele passou a manhã em Arapiraca, almoçou em um restaurante na beira da estrada e chegou a Maceió por volta das 14 horas, em seu apartamento na Ponta Verde. Ele teria ficado pouco tempo na residência e lá encontrou com Alécio, Jadielson que preencheu um formulário para dar entrada em um passaporte, tendo saído em seguida para a Polícia Federal. Talvane disse que não se lembrava se Mendonça Medeiros estava no local.

A defesa do réu, ao começar a seu aparte solicita que algumas páginas dos autos fossem apresentadas para os jurados e para a platéia. As páginas se referem a um depoimento feito por Volkman de Souza, que junto com Robson Rui, Sinvaldo, Fininho e Valter Dias, teriam recebido R$ 300 mil para assassinar Ceci e seus familiares, intermediado por Valter Santana, a mando do ex-governador Manoel Gomes de Barros.

Durante a defesa, houve um desentendimento entre o advogado de Talvane e o juiz, quando Welton Roberto solicitou que fosse mostrada uma matéria de jornal. “Só vale provas contra, a favor não vale?”, contestou a defesa, ao ser negado de usar a suposta prova em defesa de seu cliente.

“Uma matéria de jornal não prova nada”, afirmou Granja.

Depois de alguns questionamentos por parte da defesa ao réu Talvane Albuquerque, o juiz André Granja encerra a sessão. Nesta quarta, a partir das 8 horas, recomeça a audiência, com o debate entre a acusação e a defesa e, então, será conhecida a sentença dos acusados pela morte de Ceci Cunha. 
 

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