Alécio César Alves gagueja e diz que não participou do crime

Influenciado pela defesa, o réu informou que tem problemas na fala desde a infância

17/01/2012 11:53

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Marigleide Moura e Fran Ribeiro

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Ainda durante a leitura do depoimento feito para a polícia pelo juiz André Granja, o réu Alécio César Alves Vasco negou sua participação na chacina da Gruta. O acusado aparentava estar nervoso e chegou a gaguejar enquanto falava com o magistrado.

Alécio confirmou que trabalhou para o deputado Talvane Albuquerque e sua esposa como motorista. Ele era funcionário do ex-parlamentar desde o ano de 1990. Ele também confirmou que soube da morte da deputada Ceci Cunha por uma emissora de rádio enquanto dirigia um carro na cidade de Arapiraca.

Pela manhã, o juiz André Granja ouviu Jadielson Barbosa. O acusado foi inquirido pelo Ministério Público Federal e pela defesa. O depoimento durou mais de 4horas. O acusado negou várias vezes sua participação na chacina da Gruta, em dezembro de 1998 e ainda negou ter contratado pistoleiros para Talvane Albuquerque.

Após a leitura do depoimento prestado por Alécio à Polícia Civil à época, a acusação começou a interrogar o réu. Alécio confirmou que no dia do crime veio para Maceió no Santana de propriedade de Talvane e que ao chegar ao apartamento do deputado, encontrou por lá Jadielson. Segundo ele, Mendonça Medeiros não estava no mesmo local e que não se lembrava se Albuquerque, que veio com ele de Arapiraca para capital, teria retornado para Arapiraca. “Não lembro se ele [Talvane] voltou para Arapiraca. Eu creio que sim.”

A defesa volta a perguntar aos réus sobre a ligação política que a deputada Ceci teria com Manoel Gomes de Barros. Ao responder, Alécio afirmou que Ceci teria obtido R$ 2 milhões com o governador Manoel Gomes de Barros e que com isso, recuou na tentativa de se lançar como candidata a vice na coligação de Mano. Alécio disse ainda que a deputada teria ficado com o dinheiro e se lançou a candidatura a uma vaga federal.

Alécio disse ainda que José Alexandre, o Zé Piaba, não teria relações com o ex-deputado Talvane e que não freqüentava a residência do mesmo nem em Arapiraca e nem Em Maceió. Em relação à Jadielson, o réu afirmou que o conhecia através do trabalho que exerciam juntos à Albuquerque. Em relação a “gagueira” apresentada por Alécio em vários momentos durante o seu interrogatório, a defesa perguntou. “Esse problema de fonética, o senhor tem desde a infância?”, perguntou o advogado, Welton Roberto. Segundo Alécio, ele teria esse problema na fala desde criança, chegando a frequentar consultas com um fonoaudiólogo. Alécio confirmou ainda que conhecia Chapéu de Couro de vista, mas nunca teria conversado com ele.

Sem mais perguntas das partes, o juiz André Granja encerrou o interrogatório e cedeu o tempo de 20 minutos para que os advogados de defesa conversassem com os réus. Agora é dado um recesso de 30 minutos para o almoço e às 15h30 o julgamento retorna com o interrogatório do ex-deputado Talvane Albuquerque, apontado como mandante da “Chacina da Gruta”.
 

Primeira Edição © 2011