“Será muito difícil olhar para quem matou minha mãe”, diz Rodrigo Cunha

Defesa pede anulação; procurador diz que não há mais dúvidas quanto à competência para o julgamento

16/01/2012 07:24

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Marigleide Moura

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Bastante emocionado, o filho da deputada Ceci Cunha, Rodrigo Cunha, declarou na manhã de hoje (16) que será muito difícil ficar frente a frente com os réus. “Será muito difícil olhar para quem matou minha mãe”, disse Cunha. Ele concedeu entrevista no Fórum da Justiça Federal de Alagoas, no bairro Serraria, em Maceió.

Rodrigo  falou sobre a dificuldade enfrentada pela família ao longo dos anos. “Não foram treze anos de espera, mas treze anos de luta por justiça". Ele disse ainda que o dia de hoje é de comemoração, pois muitas famílias também injustiçadas não tiveram os casos julgados pela justiça.

Cunha pediu  a compreensão da imprensa para não abordá-lo durante o julgamento. “Esses dias serão de muita expectativa para todos nós. Muita apreensão, por isso peço a vocês que colaborem conosco e nos entenda”, falou.

Na rápida entrevista, o filho da deputada chegou a falar que a ameça é uma constante em sua vida. 'Tem 13 anos que me sinto ameaçado". Ele diz que a injustiça é a maior de todas as ameças e agora, torce para que os acusados sejam considerados culpados e finalmente, presos pelo crime.

Gino Sérvio

Antes do inicio do julgamento, o procurador da República, Gino Sérvio Malta Lobo, do Ministério Publico Federal em Alagoas, que ofertou a denúncia contra os acusados, disse acreditar que o julgamento possa se estender por mais de três dias. "Acho que termine na quinta-feira, mas tudo vai depender das oitivas das testemunhas", declarou.

Quanto a possibilidade de anulação do julgamento levantada pela defesa dos réus, Gino foi enfático e disse que é nítida a competência da Justiça Federal para julgar o caso. “Não há mais o que se discutir. Foi um assassinato de uma deputada federal, por um acusado, que desejava ocupar a vaga. Enfim, não há dúvidas quanto a competência.”, afirmou.

O advogado Welton Roberto, defesa do ex-deputado Talvane Albuquerque, réu no processo, alega que há dois recursos que questionam a transferência do processo da justiça de Alagoas para a Justiça Federal que não foram julgados.

Para o procurador do MPF/AL, isso não vai levar a anulação do julgamento.

Primeira Edição © 2011