Justiça absolve PM que matou ao confundir arma com furadeira

16/01/2012 16:00

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G1

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O cabo Leonardo Albarello, do Batalhão de Operações Especiais (Bope), foi absolvido das acusações de homicídio por ter atirado e matado, em 2010, durante uma operação policial na Zona Norte do Rio,Hélio Barreira Ribeiro, que segurava uma furadeira na varanda de sua casa. O policial confundiu a furadeira com uma arma. A sentença é do juiz Murilo Kieling, da 3ª Vara Criminal do Rio.

A absolvição do cabo foi pedida pelo próprio Ministério Público e ele não chegou a ser levado ao Tribunal do Júri. As partes ainda podem recorrer no Tribunal de Justiça.
Segundo diz o juiz em sua sentença, "deve ser ressaltado que a distância, a influência dos raios solares e a presença de vasos do tipo xaxim pendurados no terraço não permitiam que o acusado tivesse certeza na identificação do objeto que Hélio segurava."

Como acontenceu

O caso aconteceu na manhã do dia 19 de maio de 2010. Policiais do Bope faziam uma operação no Morro do Andaraí, na Zona Norte. Eles estavam à procura de traficantes do Morro do Borel, na Tijuca, que estariam escondidos no Morro do Andaraí. Perto dali, numa vila, morava Hélio Barreira Ribeiro, que estava no terraço de casa pregando uma lona com uma furadeira, para proteger o local da chuva. A mulher dele, Regina Ribeiro, também estava no terraço, regando as plantas.

Na época, uma vizinha de Hélio contou que, quando ele viu os policiais do Bope, chegou a comentar com a mulher: “Vão pensar que estou armado.” Instantes depois ele foi atingido por um tiro disparado pelo cabo Albarello e morreu na hora.
Reconstituição

Peritos da polícia fizeram no dia 24 de junho de 2010, mais de um mês depois, a reconstituição da morte de Hélio.“Vamos tentar retratar o mais fielmente possível o que aconteceu. Queremos saber se havia possibilidade de o policial escutar a furadeira, de a vítima ter ouvido o policial e se o policial, naquela distância, poderia distinguir uma arma de uma furadeira”, explicou na ocasião a delegada Leila Goulart, da 20ª DP (Vila Isabel).

Na época, o então comandante do Bope, tenente-coronel Paulo Henrique Moraes, disse que a ação do cabo foi um erro, mas que o policial pode ter “agido conscientemente” por achar que estava numa situação de risco pare ele e os companheiros.

A família disse na época que o policial atirou sem falar nada. Já a PM deu outra versão.Segundo capitão Ivan Blaz, do Bope, foi dado um grito de alerta para o morador, que fez um movimento brusco, e o policial disparou.

 

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