Caso Ceci Cunha: após 13 anos, defesa e acusação estão prontas para o embate

Acusação afirma que tem provas robustas contra ex-deputado; defesa alega que provas não passam de especulações

12/01/2012 08:18

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Marigleide Moura

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Há quatro dias do julgamento de um dos casos mais emblemáticos do país, a "Chacina da Gruta", que vitimou a deputada federal Ceci Cunha e de três de seus familiares, no dia 16 de dezembro de 1998, a defesa dos acusados acredita na absolvição, apesar da condenação popular.

Welton Roberto, advogado de defesa, falou em entrevista por telefone ao Primeira Edição, na manhã de hoje (12), que não existem provas contra os acusados e que tudo não passa de especulação. “O que existe é uma condenação popular e qualquer um que estivesse na condição de réu nesse caso seria considerado culpado”, declarou.

Ainda segundo o advogado, o médico e ex-deputado Talvane Albuquerque não tinha motivos para mandar matar a parlamentar. “Ele tinha um bom relacionamento com ela e essa história que ele seria beneficiado com a morte para assumir a vaga não justifica o crime”, disse Welton, que não quis antecipar a estratégia que usará na defesa de seu cliente.

Ontem, Justiça Federal, Ministério Público Federal, advogados de defesa e acusação estiveram reunidos na primeira audiência preparatória do Júri do caso. As partes apresentaram ao magistrado que vai presidir o julgamento, André Maia Tobias Granja, os recursos que serão utilizados no julgamento.

Acusação

Já a acusação do Caso Ceci diz ter todas as provas necessárias para a condenação de Talvane Albuquerque, ex-deputado apontado como autor intelectual do crime. “Vamos demonstrar para os jurados que temos provas exuberantes da autoria intelectual e material da chacina”, declarou o advogado José Fragoso.

O advogado explica ainda que não há segredos para a acusação. Ele afirma que não é apenas a condenação popular, mas as provas são substanciais. Nossa estratégia é demonstração das provas. “Não há nenhuma dúvida que Talvane é o autor”, disse acrescentando que também há provas suficientes contra os acusados de autoria material: Jadielson Barbosa da Silva, Alécio Cezar Alves Vasco, José Bezerra da Silva Junior, José Alexandre dos Santos, Mendonça Medeiros Silva.

Demora

Além de ter obtido notoriedade pela crueldade, o caso Ceci se tornou emblemático também por causa da demora para o julgamento dos acusados da chacina. O advogado de defesa, José Fragoso, aponta vários motivos para o caso ser julgado após 13 anos.

Para Fragoso, além da discussão em torno da competência para o julgamento, se Justiça Federal ou Estadual, os inúmeros recursos interpostos pela defesa fez com que o caso se arrastasse lentamente. O advogado lembra que há outros casos também demorados. Mas diz que apesar disso, não tem dúvidas quanto à condenação dos acusados.

Repercussão

O caso Ceci Cunha também conhecido como a "Chacina da Gruta" ganhou repercussão nacional através de toda a imprensa brasileira. No último domingo, o Programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, exibiu uma reportagem sobre o caso e trouxe uma entrevista exclusiva com uma sobrevivente da chacina.

Outros jornais de todo o país estão publicando reportagens sobre o caso e na próxima segunda-feira, 16, dia do julgamento no Fórum da Justiça Federal em Alagoas, profissionais de vários estados estarão dando cobertura para noticiar em tempo real informações do julgamento que deve durar até 3 dias.

A demora na solução do crime, além de provocar sofrimento aos familiares, levou o caso a ser um dos primeiros incluídos no Programa Justiça Plena, da Corregedoria Nacional de Justiça, Órgão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O programa objetiva monitorar o andamento de processos judiciais de grande repercussão social, através de apoio administrativo prestado aos tribunais na gestão destas ações.


O Caso

Horas depois de ser diplomada deputada federal por Alagoas, em 16 de dezembro de 1998, a médica Ceci Cunha, seu cunhado, Iran Carlos Maranhão, o marido Juvenal Cunha, e a mãe de Iran, Ítala Maranhão, foram executados por pistoleiros na casa de seu cunhado, no bairro Gruta de Lourdes, quando comemorariam a eleição.

O Ministério Público Federal (MPF) acusa o então deputado Pedro Talvane Luís Gama de Albuquerque Neto, suplente da deputada na Câmara, de ser o mandante do crime. Os assessores e seguranças de Albuquerque, Jadielson Barbosa da Silva, Alécio César Alves Vasco, José Alexandre dos Santos e Mendonça Medeiros da Silva, foram apontados pelo MPF como executores. A intenção, segundo o MPF, era assumir a vaga da deputada na Câmara Federal. A defesa dos acusados nega a autoria do crime.
 

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