Pierre: 'Fui meio que obrigado a deixar o Palmeiras'

Volante festeja acerto com o Atlético-MG, mas admite tristeza por deixar o Verdão. Ele evita polemizar com Felipão, mas...

10/01/2012 14:39

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Lancenet

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Pierre está feliz com o acerto por mais três temporadas com o Atlético-MG. Mas não esconde a tristeza pela maneira como deixou o Palmeiras. Sem chances com Luiz Felipe Scolari, o volante não quis voltar ao Verdão, apesar de apelos da torcida e diretores.

Em entrevista ao LNET!, Pierre preferiu não polemizar com Felipão e com o supervisor Galeano, outro que não lhe deu espaço na última temporada. A insatisfação do Guerreiro, no entanto, é clara: principalmente pelo fato de não ter completado 200 jogos pelo Verdão. Ele chegou a ficar no banco, com a torcida pedindo sua entrada, mas deixou a Academia com a marca de 199 partidas, disputadas de 2007 a 2011.

Está feliz com o acerto com o Atlético-MG?
Um pouco triste por deixar o Palmeiras, mas ao mesmo tempo feliz. Feliz porque foi uma coisa boa para mim. Aqui, sei que vou jogar. Foi bom.

O que pesou nessa decisão?
O que pesou mais, na verdade, foram vários aspectos. Foi uma decisão difícil de ser tomada pelo carinho e respeito que tenho pela entidade Palmeiras. E pela torcida. Foram cinco anos de muito carinho. Não foi uma decisão fácil de tomar. Vários aspectos pesaram, principalmente pelo o que eu passei no ano passado. Imaginava passar por isso em qualquer outro clube, menos no Palmeiras. Não vou mentir, a proposta do Atlético-MG foi boa para mim e eu criava essa dúvida se iria jogar ou não. Acabei optando pelo Atlético-MG pelo carinho e portas abertas que tive. Foi uma escolha difícil, mas no meu ponto de vista, meio que acertada.

Muitos palmeirenses não entendiam o motivo de não querer voltar. Sai com mágoa do Galeano, o que aconteceu?
Mágoa, graças a Deus não guardo no coração. Não tenho nada contra ao Galeano ou Felipão. Foi a situação que passei no ano passado, mas não cabe a mim entrar em detalhes. Sem dúvida o que pesou foi tudo o que enfrentei, quase um ano sem jogar, parado. Achei por bem optar por essa nova etapa na minha vida.

Ficou a tristeza por não completar 200 jogos?
Uma pontinha de tristeza ficou. Lembro como hoje em um jogo no Canindé, contra o Altéitco-MG, o time ganhando por 3 a 1, camisa 200 nas costas, torcida gritando meu nome. Faltava apenas uma substituição e o Felipão optou por colocar o Chico. Foi uma opção dele. Sem dúvida, fica esse tristeza.

Ficou insustentável a situação no Palmeiras?
Sem dúvida. Nunca queria ter saído. Mas as circunstâncias fizeram eu optar por deixar o clube. Recebi inúmeras propostas, no começo do ano também. Me segurei para permanecer, não tinha em mente deixar o Palmeiras. Mas fui pego em um beco sem saída. Saí para jogar. Não teria como ficar no clube sem sequer ser convocado para os jogos. Me peguei em uma situação difícil. Esperava passar isso em qualquer outro clube, menos no Palmeiras. Fui meio que obrigado a deixar o clube. Precisava jogar, não queria ficar daquela maneira.
Algúem da comissão técnica conversava com você sobre sua situação?
Era opção mesmo do Felipão, em nenhum momento chegou até a mim. Sempre fui um grande profissional, respeitei e vou respeitar a decisão de qualquer treinador. O que sempre vou fazer é trabalhar no dia a dia, esperando uma oportunidade. Ela não chegou e tive de procurar novo rumo para a minha carreira.

Chegou a conversar com o Felipão depois das férias? Pensou em tentar novamente?
Não. Quem tratou as negociações foi meu empresário com César Sampaio e Frizzo. Na quarta, na reapresentação, tive uma reunião com o Frizzo e com o Sampaio. Conversei por telefone com o Tirone. Coloquei meu ponto de vista. A minha dúvida era se eu voltasse, não saberia se jogaria ou não. Não sei se Felipão optaria por mim. A proposta do Atlético-MG era muito boa. Estavam me propondo três anos de contrato. Optei pela permanência no Atlético-MG. Mas queria desde já deixar meus agradecimentos aos torcedores palmeirenses. Esses quase cinco anos foram de muita alegria e carinho. Fica uma pontinha de tristeza por esse relacionamento que tive no Palmeiras.

Foi o clube que mais te marcou?
Sem dúvida, em todos os aspectos. Sou muito grato ao Palmeiras por tudo, principalmente aos torcedores que me acolheram, deram força durante todos esses anos. Foi uma decisão difícil de tomar. Queria agradecer de coração. Meu amor, respeito e carinho pela entidade Palmeiras e pelos torcedores vão sempre ser eternos.

Como foi jogar contra o Palmeiras ano passado e com vai ser daqui para frente?
Primeiro, o sentimento foi meio que inusitado. Estava acostumado a sempre jogar com a camisa verde e agora jogar contra foi um momento inusitado. Mas no mundo da bola tem de usar muito o profissionalismo, sou um profissional e mesmo com o coração partido tinha de defender as cores do Atlético-MG com unhas e dentes.

O que a diretoria falava com você nas reuniões? Tentaram te convencer a ficar?
Vi um empenho muito grande por parte do Tirone, César Sampaio e Frizzo. Não posso falar em relação ao Felipão, porque não tive conversa com ele. Mas é aquilo que eu falei. Tinha só mais um ano de contrato com o Palmeiras, não saberia o que poderia acontecer ao longo desse um ano. Então, acabei optando pela permanência no Atlético-MG. Foi o clube que me abriu as portas, me deu oportunidade de reencontar meu futebol. Sou grato ao Atlético-MG e ao Cuca, à diretoria que me deram essa nova oportunidade de seguir a carreira.

Se Felipão tivesse saído, poderia ficar no Palmeiras?
Não sei. Prefiro não entar nesse aspecto. Nunca fui de polêmica. Foi a decisão que tomei e espero ser muito feliz. Não tenho mágoa ou ressentimento. A única mágoa que tenho foi não ter completado as 200 partidas com a camisa do Palmeiras e não ter construído uma história maior.

Como foi essa segunda despedida do Palmeiras?
Então, tive pouco contato com o pessoal, estavam treinando. Mas a primeira foi sem dúvida muito dificil. O que o Kleber falou, foi verdade, foi muita comoção no vestiário. A primeira pessoa que me deparei no vestiário foi o Marcos e não teve como. Era uma família, forma quase cinco anos de convicência. Foi muito difícil para mim. Nunca queria ter saído, rejeitei propostas bem melhores financeiramente falando de fora do Brasil. Mas me peguei em uma situação complicada, em que fui obrioado a deixar o clube. Ficar sem ser convocado para jogos é complicado, que não esperava passar.

E o que espera para o Atlético-MG em 2012? Já começou a treinar?
Já comecei hoje pela manhã a fazer alguns trabalhos, alguns exames médicos. A expectativa é a melhor possival. Os últimos dois anos foram difíceis para o Altético-MG. Esperamos ter um ano de alegria e conquistas. O Atlético-MG tem sempre que brigar por títulos. Quero ter a mesma alegia no Atlético-GM que tive no Palmeiras.

A cobrança vai ser maior pelo fim de ano ruim, com uma goleada sofrida para o Cruzeiro?
A cobrança é aqui ou em qualquer lugar. O fim do ano não foi como esperávamos. Os 6 a 1 foi complicado e difícil. Mas não temos de lamentar, não. Bola para frente, temos de focar o futuro. Com boas atuações e vitórias, vamos de alguma maneira apagar esse fim de ano trágico.

Qual a relação com a torcida do Atlético-MG?
Foi a melhor possível. Desde que cheguei, recebi carinho acima do normla. Graças a Deus pude mostrar meu trabalho. Espero retribuir o carinho com empenho e dedicação em campo.

Como vai ser enfrentar o Palmeiras em São Paulo?
Vai ser dificil. Emocionante por um lado, por reencontrar a torcida palmeirense. Meu carinho e respeito pelo torcedor vão ser eternos. Não vai mudar nunca. Antes de vir para Minas, encontrei com alguns torcedores e demonstraram um carinho imenso. Vai ser difícil. Agora, é defender as cores do Altético.

Vem para a despedida do Marcos, se for convidado?
Com certeza. Para mim vai ser uma honra e privilégico grande. O Brasil sentiu a parada do Marcão, é um ícone do futebol. A gente lamenta, mas deseja sucesso para ele nessa nova etapa da vida dele.
 

Primeira Edição © 2011