Injeções para eliminar as rugas... novo escândalo sanitário?

09/01/2012 05:24

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Depois do escândalo internacional dos implantes de mama da empresa francesa PIP, as injeções para eliminar as rugas já são motivo de preocupação na Europa, onde o sistema de vigilância sanitária é considerado não muito rigoroso.

O jornal britânico The Times lançou um alerta nesta semana sobre esse tipo de preenchimento estético, informando que há "160 produtos injetáveis com venda autorizada na Grã-Bretanha", contra apenas "seis" nos Estados Unidos.

Na França, estão autorizados 110 produtos para suavizar a expressão, assinalou a agência francesa de segurança sanitária Afssaps.

A maioria dessas injeções - que não devem ser confundidas com as do tipo toxina botulínica, que eliminam as rugas paralisando temporariamente os músculos - contêm gelatinas à base de ácido hialurônico, reabsorvíveis pelo organismo num período de entre três a 24 meses.

Qualquer pessoa que pretenda lutar contra o envelhecimento e conservar a tão ansiada juventude, livrando-se dos pés de galinha, pode comprar esses produtos, sem nenhuma restrição médica, apesar de apresentarem riscos em sua composição.

O jornal afirma, por isso, que as aplicações dessas substâncias podem se tornar o "próximo desastre" sanitário da Europa.

Já o órgão de regulação nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration, exige que um produto injetável esteja submetido às mesmas condições de um medicamento, e por isso só emitiu, até agora, seis autorizações.

Depois do escândalo dos implantes de mama da empresa francesa PIP, que afeta dezenas de milhares de mulheres em todo o mundo, as autoridades de saúde francesas reconhecem que a supervisão da indústria de cirurgia estética é insatisfatória, e que são necessárias novas regras.

Assim como os implantes de mama, essas injeções (estimadas em 600.000 por ano, na França) são consideradas "dispositivos médicos" peculiares e não medicamentos, porque se trata de "massa gelatinosa que preenche as rugas sem a ação de fármacos", explicou Nicolas Thévenet, funcionário responsável pela supervisão de mercado da Afssaps.

Isto significa que não estão submetidos "a uma autorização estrita", admitiu Thévenet. Ele informou, no entanto, que essas gelatinas são objeto de uma vigilância particular: "estamos atentos ao assunto, sabendo que as normas não estão totalmente definidas" e que o setor em questão é "particular, e difícil de avaliar".

A Afssaps está trabalhando para impor novas regulações aos fabricantes do setor, principalmente em relação aos testes clínicos, depois de reconhecer que estes "não vêm sendo suficientes para garantir a segurança da utilização do produto".

O problema maior, segundo a agência, deve-se à fragilidade dos estudos realizados antes de colocar os produtos no mercado.

A Agência desaconselha, também, a compra pela internet, devido aos riscos de produtos fraudulentos, ou de "qualidade medíocre".

Primeira Edição © 2011