Cão de Pão de Açúcar vítima de erro médico, não corre mais risco e recebe alta: “Agora a gente tem que correr para pagar a conta”, diz GVAM

Ringo teve o pescoço e esôfago rompidos em cirurgia mal sucedida. Animal já passa bem. GVAM agora busca ajuda para pagar tratamento

04/01/2012 09:40

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Jessica Pacheco

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O cachorro Ringo, de Pão de Açúcar, vítima de um erro médico, que teve seu caso divulgado no mês passado pelo portal Primeira Edição, se recupera bem e já recebeu alta da Clínica Veterinária Animais.com, localizada na Serraria, onde passou mais de um mês internado.

De acordo com Luceli Pereira, voluntária do Grupo Vida Animal de Maceió (GVAM) que está à frente do caso, o animal recebeu alta médica no último sábado (31), pois o veterinário julgou que ele já estava bem o suficiente para receber o restante do tratamento em casa, com muitos cuidados.

Divulgação“A conta da clínica já estava muito alta. O ideal era ela passar mais alguns dias, mas nos comprometemos a cuidar dele, realizar a troca de curativos e a medicação”, disse Luceli. “Mas quero deixar claro que ela não saiu só pela conta, mas por que já estava bem o suficiente para sair. Agora, é só tempo de cicatrização.”, finalizou.

Segundo Luceli, Ringo já está em Pão de Açúcar, na casa do seu dono, mas a protetora Ana, que cuida do animal desde quando descobriu o caso, está lá com ele, dando os devidos cuidados ao animal.

“Como nos disse o veterinário, ele só vai estar bem mesmo daqui há uns seis meses. Mas ele não corre mais risco de morte, só necessita de muito cuidado”, explicou a voluntária. “Ele [Ringo] tem um dono, que é muito humilde como já havia dito, mas a Ana está lá cuidando de tudo, inclusive assumindo os custos”, finalizou. “Ao final, o Ringo e vai ter uma vida razoavelmente perfeita, normal. Graças a Deus”, comemorou a voluntária.

E a conta?!

Depois de sofrer nas mãos de um ‘meio veterinário’ que depois de diagnosticá-lo com câncer no pescoço realizou uma cirurgia no animal que destruiu seu pescoço e rompeu seu esôfago, Ringo finalmente passou pelo tratamento devido, incluindo uma reestruturação plástica, não corre mais risco de morte e se trata em casa, sob os olhares das protetoras do GVAM e do carinho do dono.

“Agora a gente tem que correr para pagar a conta”, explicou o final da história a voluntária Luceli. As contas do tratamento minucioso e longo pelo qual o animal passou ainda não foram pagas. Mas, Luceli garante que ela e Ana vão arrumar um jeito de cumprir com o compromisso.

De acordo com o GVAM, o tratamento da clínica, mesmo com um grande desconto que o veterinário Paulo concedeu, ainda ficou em torno dos R$ 800, fora os exames e agora os medicamento. “Ao todo, essa conta vai para mais dos R$ 1.000. Mas eu vou dar um jeito de assumir, assim como a Ana”.

Segundo Luceli, a conta que foi aberta voltada exclusivamente para o tratamento de Ringo não tinha quantia suficiente nem para pagar um terço do tratamento, mas continua aberta com a esperança do espírito de solidariedade bater no coração das pessoas.

“Já solicitei que a Ana encaminhe os comprovantes de gastos e vou pedir copias ao Paulo [veterinário], vamos divulgar e ver se conseguimos algumas ajudar, pois o GVAM não tem parceiros financeiros e trabalhamos apenas com o nosso dinheiro. E dessa forma, não temos como ajudar outros animais, enquanto não quitarmos essa dívida”, disse a voluntária.

Solidariedade e conscientização - "Tem muita gente para ajudar gente, mas tem pouco gente para ajudar os animais"

Arquivo GVAM

O Grupo Vida Animal de Maceió é uma ONG sem fins lucrativos, formada por voluntários e colaboradores que tem por objetivo o bem estar animal através da educação ambiental e conscientização das pessoas, e por meio de ações - como a realização de castrações, resgates, atendimento veterinário e promoção de adoções.

Contudo, como disse Luceli, no momento o grupo está impossibilitado de realizar novas ações por falta de apoio financeiro. Sem sede fixa, a casa dos voluntários vira abrigo, e dessa forma, não há mais lugares para abrigar animais.

“Hoje mesmo, uma mulher me ligou, disse que sua cadela foi atropelada e ficou aleijada e ela não quer mais o animal. Isso é uma crueldade, dá um desengano ouvir isso”, explicou Luceli. “Mas apesar de não suportar escutar isso, não temos mais como ajudar no momento”, disse. “A mulher me falou que ela mora em apartamento e o veterinário disse que fica difícil para a cadelinha. Uma cadeirinha resolveria o problema dela, mas pra ela mais fácil é eutanasiar o animal”, lamentou a voluntária.

Arquivo GVAM

De acordo com a voluntária, apesar de saber a importância do trabalho que desenvolve, muitas pessoas não o reconhecem, e isso dificulta ainda mais o trabalho do GVAM.

“Acham que não temos nada o que fazer da vida, que somos desocupados”, disse Luceli. “Às vezes vem um diz: ‘Luceli, você não tem mesmo o que fazer né?! Quer ajudar? Ajuda uma pessoa que precise, o mundo ta cheio’, aí eu respondo: ‘Tem muita gente para ajudar gente, mas tem pouco gente para ajudar os animais”, finalizou a voluntária.

Doe e ajude no tratamento de Ringo:

Caixa Econômica Federal
Luceli Pereira Mergulhão de Brito
Conta: 37779.5
Agência: 2047-7
Operação: 013 (Poupança)

Acompanhe o trabalho do GVAM através do site do Grupo, ou da página do Orkut.


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