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blogs > Jasson Ferreira - Crônica setas

seta

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A pelada

24/03/2011 09:57

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A mais democrática e livre escola é a da pelada. Sem regras e sem apito, os jogadores fazem as próprias regras na base do senso comum. Quando o cabra na rasteira faz careta de uma dor na canela, todos tomam isso como uma falta grave. Então, cobra-se a falta e a pelada segue num sistema de acordo coletivo. Bola na mão, indispensável; é falta na hora. Assim, sem juiz e sem juízo, a coisa funciona. E cada um, num jogo de corpo, num toque de calcanhar, numa bola no peito, num drible e numa bombada na trave, vai definindo seu estilo e posição no escrete. Hoje em dia, inclusive, você tem o prazer também de desfrutar da pelada, com a participação mista entre moças e rapazes juntos num mesmo grupo. E quando chega aquele momento mágico de usar a chuteira profissionalmente, colocar o uniforme de seu time no gramado, já se tem um estilo definido como jogador.
Comecei a brincar na defesa, depois passei um tempo como atacante, migrei para o meio campo, e terminei ficando mesmo foi como ponteiro direito. Isso por pura escolha da turma que via em mim esse perfil, e eu absorvi a sugestão. Dava minhas arrancadas pela ponta direita, recebendo e fazendo lançamento para grande área. É claro que ainda não tinha vinte anos, e me apelidaram de Jacozinho, certo ponteiro do CSA que teve um grande momento na história daquele time. Mas tudo pelo prazer de correr na linha do campo e fazer a ofensiva que todo ponteiro tem que fazer. Não sei se eu era bom ou ruim; as vezes acho que era bom.
Não me tornei profissional porque aí já é outra história. Futebol é uma coisa boa, porém, ele trás notoriedade pras pessoas, e com isso, inevitavelmente, surge a figura do cartola. E eu tenho certa ojeriza ao cartola, porque onde ele está, também está a esperteza e habilidade. Outra coisa que não suporto nem de longe é ver injustiças contra grandes talentos por pura cartolagem. De forma que, não me interessei pela coisa, e se tivesse me interessado em me profissionalizar, certamente teria me decepcionado de alguma maneira. Depois dos meus trintinha, o futebol sumiu, dei de cara com outras distrações e saí de campo. Além do mais, vida de atleta é muito incerta e curta. Hoje em dia até que se paga bem; mas é preciso sorte e cair nas graças, não basta só o talento. 
Minha queda pela bola veio de minhas peladas as tardes no campo a beira do Ipanema, na minha pequena acrópole sertaneja. Meu tio Leonardo (vulgo Leão), era um meio campo de responsabilidade do Náutico do Recife em seu grande momento. Eu já o admirava desde quando começou no Esporte Clube Batalhense. Ele inspirou outros talentos; e talentos florescem como grama no roçado, é só abrir bons espaços pros meninos bater bola. Confesso que referência melhor eu não podia ter; aliás, diziam que eu tinha o mesmo estilo dele no domínio de bola. Domínio de bola Leão tinha pra dar e vender; ninguém tirava a bola de seus pés. Deixou o Náutico repentinamente em excelente forma no início de sua carreira, alegando naquela época motivos particulares. Sua jornada foi meteórica, mas brilhante. Tinha muito futuro; poderia, quem sabe, até ter chegado à seleção brasileira. Mas resolveu outra coisa em sua vida. A vida é assim, cheia de opções; as vezes você nem tem opções, mas quando tem, você é o que se projeta ser. Entre a glória, a fama, e a vida normal, alguns preferem a última opção. O importante é que ele não estava feliz, e veio embora pro sertão.

cronicjf@gmail.com



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Pedra do tempo e do vento

16/03/2011 17:13

Houve um tempo nublado em um lugar de antanho, em que a tarde caía fria, e um rio amigo descia barrigudo suas águas barrentas entre margens espumantes. Espumas de cheia, descendo do norte para o sul, arrastando um toco de mulungu. E no meio do leito, uma enorme pedra branca peitando a correnteza que passava em volta. De fato, suas águas nunca a cobriram, nunca a retiraram do seu caminho. Era uma rocha milenar, conhecedora de todas as noites e manhãs do tempo, de todos os invernos e verões que existiram, e posso até dizer que muitos dinossauros tomaram banho em sua crosta. E muitos outros passaram mortos, levados pelas águas turbulentas quando chegou o grande cataclismo de outrora. Eu me perguntava, quando pisei naquela pedra branca, quem era eu diante dela. E concluía que eu era um sopro de vento, uma vida efêmera e curta. Ainda ontem, me vira nascer, e quando chegar à conta de meus dias, vai me ver partir. Porém, vai continuar intacta e silenciosa observadora dos séculos. Nenhum homem irá querer removê-la com um desses seus artefatos tecnológicos, pois não sabem de sua existência, tão pouco ela é uma das pedras de Drummond. E eu digo: Oh pedra, no teu sábio silêncio, ficarás a vencer estas águas, até que os deuses astronautas desçam com suas sondas sobre ti. E num dia igual a este de hoje, irá assistir a grande aterrisagem cibernética.

Acontecia, por vezes, de ver o rio com sua pedra e contemplá-lo da janela panorâmica da cozinha, ao tempo em que sentia um cheiro de mesa posta para a ceia, antes de a primeira lua despontar por trás das nuvens cinza. E depois ouvir uma voz octogenária, falando para um menino de coisas de um passado remoto, enquanto segurava com suas mãos trêmulas uma caneca de porcelana a pôr na mesa. Depois dizer, como de costume, alguma palavra messiânica, tipo, de nada vale ao homem, ganhar o mundo inteiro e perder-se a si mesmo, e terminar em ruinas. E num breve silêncio comermos o santo alimento fruto do trabalho, num estado de agradecimento por mais um dia que declinava na hora do ângelus, como se ouvíssemos no ar uma Ave Maria de Bach, serena e pausada, e o último canto da fogo-pagô. Era como se fôssemos todos a mesa, caminhantes de um mesmo histórico longínquo e entrelaçado.

 Eu pensava nessas coisas depois de enfrentar um engarrafamento num final de tarde. Acabara de receber um chamado para um hepauer da sexta-feira com alguns colegas de trabalho. Seria um começo de noite barulhento, onde pessoas como eu se encontrariam para falar, desabafar, sonhar, e compartilhar as agruras e alegrias da vida – que não é fácil pra ninguém. Todos tem lá seu fardo pra carregar, e cada vez mais me policio para não tornar o fardo de ninguém mais pesado. E estamos nesses encontros exatamente para torná-los mais leves, vomitando a semana que termina. Sei que enquanto ouvirei a resenha barulhenta da turma, segurarei meu copo com água tônica sem nenhum remorso. Observarei que lá fora o tempo estará nublado, e próxima estará a hora do ângelus, como da lua cheia. Porém, contrariamente a vida na terrinha do meu passado, verei agora na mesa amigos de ocasião, barulho de canecas de chope, e muita descontração. Lembrarei que tenho que ir mais cedo pra casa; sempre vou mais cedo.

cronicjf@gmail.com 

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Paixão de carnaval

08/03/2011 23:31

Fôra como seu coração amanhecera na beira do mar, depois do último frevo a tocar na quarta-feira de cinzas. Num banho de mar sem fantasias, feito de melancolia e saudade, entre o barulho das quedas das ondas na praia, do abraço dos foliões nas águas, e das rasgadas dissonantes da orquestra na areia. Ali se assinava o fim de mais um ano vivido de cuca mansinha, de abraços e mãos dadas num só coração. Agora, mais recordações ficarão guardadas no baú de sua história de folião. Como na marchinha, sua vida se enquadra muito bem naquela frase, de que esse ano não vai ser igual àquele que passou; e não foi. No próximo ano, com certeza, ele perscruta dentro de si que não será igual a esse que passou. E enquanto pensava nessas coisas, ainda sentado na areia observa os foliões que começam a sair das águas, e ver que a música parou.  Os discretos primeiros raios roseados do Sol, começaram ficar amarelados e encandear os olhos cansados da noite. Foi quando ele se levantou em retirada acompanhando os demais, expulsados pela luz do dia que parecia dizer duramente: o sonho acabou; a vida voltará a ser chata com suas exigências e compromissos. E com desenganos e descompromissos, para quem nada tem a ganhar, nem a perder.
Olhava nas pessoas que saiam da praia com aquele ar de cansaço, entre casais abraçados e solteiros descartados. Pareciam todos uns prisioneiros de guerra saindo do campo de concentração, comandados pelos músicos que representariam, neste caso, os soldados, cujas armas, eram os instrumentos; e as rajadas de tiros, eram rajadas de músicas carnavalescas. Eram os prisioneiros da guerra da paz e do amor, eram os filhos do Momo e do Zé Pereira que voltavam pras suas casas depois de quatro dias de folia. Naquele instante, pensava porque Conceição lhe fez aquilo. Desapareceu na terça-feira sem dar notícias nem o telefone, depois de um sábado, um domingo e uma segunda de tantos beijos e amor. Ontem à tardinha, pensava ele, na praia cheia de gente, estava com ela no batente do clube a conversar abraçadinhos, e já fazia planos de ir visitá-la no Recife, assim que o carnaval acabasse. Agora, olha para o seu blusão da fantasia molhado, o qual ela tanto gostou e abraçou, e tira da cabeça uma coroa de palha de coqueiro verde que ela teceu com as mãos e lhe colocou. Não tem coragem de jogar aquela coroinha de palha fora, e sai com ela nas mãos, como tivesse se segurando da presença de Conceição, pois foi à única coisa dela que lhe ficará de lembrança desse carnaval; além, é claro, dos momentos vividos.
Nas cinzas da quarta-feira sua cabeça repousava em sonhos e recordações dela. Imaginava suas belas pernas brancas naquele short preto de cetim; seu rosto angelical risonho e cheio de manha, e seus cabelos pretos ondulados nos ombros. Uma bela moça que lhe inspirou sonhos e desapareceu na multidão. A casa onde ela o levou para uma feijoada com seus amigos, estava fechada. Não teve jeito mesmo, a mulher tomou chá de sumiço, se encantou. E ele ficou como na música de Roberto Carlos, se perguntando: “porquê é que eu rolo na cama”? Foi então que, num ímpeto de indignação, caiu-lhe a ficha da suposta traição; mas, ao mesmo tempo, pensava que não devia levar a cabo aquela situação, foi apenas um amor de carnaval. Mesmo assim, pegou a coroa de palha de coqueiro verde que ela lhe fizera, e disse em voz baixa: - Se tu fosses a lanterna do Aladim, eu iria lhe pedir para trazer ela de volta pra mim. Em seguida, cortou a palhinha com a tesoura, e jogou na lixeira como um fato consumado, agora, desta feita, já lembrando da canção do axé music “Acabou”, de Ricardo Chaves. Naquele instante o celular tocou:
– Alô! Quem fala?
– É a Conceição!
– Quem!?
– A Conceição! Escuta! É uma longa história; depois eu te conto; beijos!

cronicjf@gmail.com

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Hoje é carnaval

05/03/2011 11:19

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ontem, vésperas do Zé Pereira, ligou-me estimada pessoa convidando-me para dar um pulinho no Francês, o que eu faria com o maior prazer, inclusive, aproveitaria para uma esticadinha até a Barra de São Miguel. Porém, respondi que não possuo helicóptero, porque ontem mesmo uma amiga que fazia o percurso no sentido Barra-Maceió ficou estupefata da fila de carros que se estendia da Avenida Assis Chateaubriand sentido Barra. E tem gente que pensa que com a duplicação da rodovia irá acabar esse trânsito infernal naquela região. Ledo engano. Nos feriadões e festas, o engarrafamento vai continuar do mesmo jeito. Se duplicação resolvesse problema de engarrafamento a Fernandes Lima não era engarrafada. O X da questão encontra-se é no crescimento desenfreado do número de automóveis circulantes, e isso tende a só crescer cada vez mais. Como sou formador de opinião, não quero sugerir ao poder público medidas para diminuir a circulação dos automóveis, pelo simples motivo de que gosto dos automóveis. Gostaria que tudo continue como está; que venham mais viadutos, mais duplicações e outras medidas para o melhor escoamento dos veículos. Eu quero continuar dirigindo meu carro pelas ruas da cidade, ouvindo minhas músicas prediletas, passeando por aí.
Não pensem que trânsito difícil tira o ânimo do folião, porque não tira mesmo. Isso está mais que provado. O carnaval é alma do povo, uma mistura de nostalgia, descontração e fantasia. É preciso extravasar neste momento todo o peso que nos atormenta o ano inteiro. Nada mais terapêutico para quem carrega seus fardos da vida, do que essa transloucada efervescência coletiva das ruas, do sair do sério, do darem-se as mãos, irmanados num transe provocado pelas cores, música e movimentos soltos do corpo. Além de uma birita bem calibrada, por que a cachaça é alegria da festa.
É claro que neste período muita gente também prefere fazer um retiro, ou descansar em casa fazendo uma programação light. É válido para quem tem esse perfil. Na verdade, cada um brinca ao seu jeito, mas carnaval não é só festa de solteiro nem de jovem, é também festa da família. Reunir os amigos numa casa de praia, num bloco da comunidade, ou frequentar um baile à fantasia, é um ambiente sadio. Nossas prévias carnavalescas têm provado isso com seus blocos multidões. Com as prévias, temos a oportunidade de brincar duas vezes, é só ter um pouco de cuidado com o bolso, usando a criatividade para não gastar muito. Mas aqui em Maceió, tudo fica do tamanho do bolso do alagoano, não temos espaços para exploração, porque o alagoano não aceita isso e põe a boca no trombone.
Este ano não vai ser igual àquele que passou, sinto uma tendência na mídia de resgatar nossas marchinhas tradicionais. Inclusive com a divulgação de cantores alagoanos como fez a Rádio Jovem Pan local. As marchinhas tem tudo a ver com a gente. Fala de nossas raízes, de nosso cotidiano. A marchinha é a cara do brasileiro com sua irreverencia e bom humor. De modo que, inspirado por este espírito das marchinhas, eu deixo aquele trecho de Colombina pra vocês: “Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval”. Um feliz Momo para todos!

cronicjf@gmail.com

seta

Era um dia de primavera

26/02/2011 10:55



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Deu na TV que praticamente em todo país estava chegando uma onda de calor. Como lá pro Sul era primavera, a temperatura em Porto Alegre naquele dia foi de um ameno 15º, mas as previsões meteorológicas davam um indicativo que iria passar tão logo para os 23º, chegando até aos 27º de lambuja. Naquele período não era normal tal temperatura. Peguei o telefone e quis saber de nossa acrópole maceioense com sua brisa marítima. Falaram-me que o calor havia chegado, e já sentíamos os 31º as 11: OO hs. da manhã. E nós que não somos beduínos do deserto, nem estamos em uma cidade do alto sertão, os 31º já nos incomodava pelo dia, e nossas noites estavam pelos 23º bem agradáveis; era nossa primavera-verão. Desliguei o celular e com a cortina da janela semiaberta, tirei os olhos da TV, e num encarte em cima da cabeceira da cama, estava escrito uma estrofe de um autor desconhecido que dizia: “Sempre caminho olhando pra baixo; o chão avisa que é primavera nas flores de jacarandá. Penso em preto e branco, mas amo a cor lilás, e novembro. Tirei o anel ametista da gaveta.” Depois de ler esse pequeno trecho, tive um pressentimento de que a semana seria boa; e foi!
Nestes tempos modernos, onda de calor é preocupação para a baixa renda, por que a turma “in”, não está nem aí pra isso. Há uma nova geração de moças e rapazes que fogem do sol para conservarem uma pele hidratada, sem manchas, e clara. E quando são afrodescendentes, manterem uma pele sem manchas e sedosa, mostrando assim uma beleza tropical refinada. Visitam com frequência o dermatologista, e mesmo em Maceió, uma terra bronzeada pelo sol e mar, parecem que vivem em clima temperado. A tecnologia, por outra, também vai ajudando. De forma que, o pessoal mais ou menos vive bem climatizado. É climatização no apartamento todo, no escritório, nas lojas e shoppings, no carro, além de outros acessórios como filtro solar, óculos e película fumê. Na praia, um bloqueador solar fator 60, e uma ducha de água doce refrescante. Para este padrão de consumo, o Sol já perdeu a guerra.
Quando olho para trás e vejo quantos bons serviços trouxeram-nos a modernização, sinto que temos que ser otimistas com o tempo (eu ainda não sou, pela falta de igualdade, e a injustiça). Por que se criamos problemas de convivência humana nestes dias em que vivemos, não admitimos mais sermos aqueles dinossauros do passado recente, antes de termos entrado na era digital. Porém, mesmo com o domínio das previsões do tempo, e uma grande margem de acerto que hoje se tem, a natureza sempre apronta algumas surpresas. Naquela primavera, por exemplo, estava previsto calor e o dia amanheceu sem sol, e com uma garoa refrescante por toda manhã. A paisagem mudou, o jeito do céu fechado tornou a luz do sol quebrada, e tudo parecia de um jeito mais ameno. Então, tomei um café frugal, li o jornal naquela moleza descomprometida. Em seguida, dei um pulinho no mercado público (O de Porto Alegre é dos mais interessantes que já vi), fui ver algumas iguarias do lugar e sentir a alma da cidade, pois é no mercado público que se ver essas coisas. Depois voltei ao meu retiro e assim terminei a manhã. No meio dia fui a um restaurante de boa mesa, e a hora descambava pela tarde de uma forma perfeita, sem nenhum telefonema nem incômodo de qualquer natureza. No final da tarde, dei uma circulada e me presenteei um relógio, em cima de um dinheiro extra. A noite abraçou-me com carinho, e fui eu em sua brisa entregar-me aos prazeres da massa. Cogitei ainda na mesa da casa de massas que iria escrever uma crônica sobre aquele dia. Reservei-me ao meu mundinho, que por sinal, é bem pequeno. E murmurava a meus botões que naquele dia o mundo estava de bem comigo, e que os astros estavam a me ninar. Quem sabe até aquela chuvinha da manhã resolveu me dar uma mãozinha. Por que encontrei sorrisos de desconhecidos, lembrei com saudade de gente amiga e amizades antigas, daquele tipo que nos energiza. Fiz-me menino dentro do adulto calejado. Mas tudo por obra do acaso, sem planos, de um dia que passou as soltas, num lugar distante, longe do meu lar. Como aquelas alegres, simples, e humildes borboletas amarelas que voavam pra lá e pra cá, em alguns lugares abertos no meio do concreto frio e indiferente. Foi um dia de novembro em que eu estava de alma agradecida; e por uma boa coincidência, era meu aniversário.

cronicjf@gmail.com


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