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Estreou em 1973 como repórter do Diário de Pernambuco, do qual foi redator e editor setorial. Foi editor-geral do Diário da Borborema-PB, Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Foi colunista político e editorialista de O Jornal. Exerceu os seguintes cargos: Coordenador de Comunicação da Assembleia Legislativa de Alagoas, Delegado Regional do Ministério do Trabalho, Secretário de Imprensa da Prefeitura de Maceió e Secretário de Comunicação de Alagoas. Atualmente é editor-geral do PRIMEIRA EDIÇÃO.

No desespero, Rui parte para insultos e tira voto de Benedito de Lira

02/10/2018 13:06

Na reta final da eleição, os comentários nos bastidoresd convergem para um ponto: o injustificado ataque de Rui Palmeira ao senador Renan, exibido em rádio e televisão, afetou a estabilidade da campanha e está produzindo ‘efeito contrário’, ou seja, tirando votos do senador Benedito de Lira. Analistas políticos avaliam que o prefeito fez ‘provocação gratuita’ para obter um ‘revide pesado’ de Renan, mas o senador ignorou a investida, ficou em silêncio e seguiu com sua campanha. Na última pesquisa do Ibope, Biu apareceu em 3º lugar no Estado, mas em 4º na capital.

DESTEMPERO

Enquanto analistas políticos avaliam o destempero verbal como ‘claro sinal de desespero’, continua repercutindo, negativamente, o ataque desferido pelo prefeito Rui Palmeira contra o senador Renan Calheiros, que preferiu ignorar a provocação.

Já há quem avalie que, após a virulenta intervenção do prefeito, a situação de Benedito de Lira poderá se complicar mais ainda, já que a grande maioria do eleitorado não está querendo ouvir desaforos nem ataques pessoais, mas propostas e projetos que possam melhorar as condições de vida do alagoano.

Observadores políticos acham que, sentindo-se previamente derrotado para o governo, Rui teria resolvido partir para um ‘tudo ou nada’, atacando o senador Renan apenas para provocar uma reação e expô-lo com um revide perante os eleitores.

A situação de Biu de Lira nunca esteve confortável, no atual processo eleitoral: antes do início da campanha, as pesquisas de intenção de voto o mostravam, quase sempre, em terceiro lugar, atrás do senador Renan e do ex-governador Teotonio Vilela.

Em cima da hora, por motivos pessoais, Vilela retirou-se da disputa, mas incentivou a candidatura do deputado estadual de Rodrigo Cunha, o que produziu um efeito colateral desastroso dentro da coligação: enquanto Cunha cresceu, junto com o senador Renan, Biu de Lira despencou, ficando em terceiro lugar, mas muito distante dos concorrentes líderes da maratona.

Uma fugaz aparição de Vilela ao lido de Benedito, em Delmiro Gouveia, teria sido simplesmente um gesto de admissão de que, com a entrada de Cunha, com seu incentivo, Téo Vilela acabou por inviabilizar a reeleição do presidente regional do PP.

Rui Palmeira, que também teve participação no processo de escolhas do bloco oposicionista, valeu-se da condição de ‘franco atirador’, ou seja, alguém que nada tem a perder nesta campanha, e partiu para algo que nega seu estilo visto até aqui: a agressão verbal própria de quem se acha perdido numa disputa eleitoral.

Entre observadores da cena política, há até quem vaticine um futuro político muito complicado para o prefeito de Maceió: além de derrotado na disputa pelo governo do Estado – a mais importante de todo o processo – Rui daqui a dois anos estará sem mandato e sem cargo público, e sabe que terá muita dificuldade para reconquistar um mandato na eleição de 2022, principalmente em função do desgaste que sofrerá após concluir seu atual mandato de prefeito, bem mais fraco do que o primeiro. (Com Primeira Edição Impresso).

 

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O ataque de Rui e a lição superior do senador Renan

28/09/2018 13:09

 

Guilherme Palmeira, senador e governador de Alagoas, deixou a marca de um político digno e respeitado. Sua simplicidade rendeu-lhe eternas amizades. Guilherme cumpriu sua missão de homem público e saiu da política com direito a bater no peito e dizer: “Eu tenho amigos, muitos amigos, sinceros e leais”.

Pois bem. Amigos de Guilherme, amigos que o seguiram em memoráveis campanhas eleitorais, reagem com espanto e incredulidade ao ataque que o prefeito Rui Palmeira desfechou contra o senador Renan. Não se trata de crítica institucional, mas de um insulto de natureza pessoal e, o mais grave, sem motivo que o justifique. Salvo, o inconformismo ante uma situação natural da disputa política: a desvantagem de seu aliado Benedito de Lira na busca de votos para continuar senador.

O episódio é de todo lastimável porque, agindo assim, Rui se contrapõe ao estilo que marcou a trajetória política de Guilherme, seu mentor e cujo exemplo deveria ser copiado, sempre. Na sucessão maceioense de 1988, Guilherme disputou a Prefeitura de Maceió precisamente com Renan Calheiros. E venceu sem precisar recorrer a qualquer tipo de agressividade ou baixaria.

O ataque de Rui, injustificado, soa mais como provocação calculada a título de ‘estratégia’: teria o a intenção de forçar uma réplica desaforada do senador atingido. Um embate verbal, a essa altura, não produziria dano a quem já está perdendo, e muito menos a quem nada tem a perder...

Mas, uma artimanha ferina dessas funciona? O próprio Rui sabe que não. Se rendesse, seu aliado e chefe Geraldo Alckmin já estaria em primeiro, na corrida presidencial, de tanto insultar e bater em Jair Bolsonaro. Mas está em quatro. Se funcionasse, Rui bateria antes em Renan Filho – o candidato ao governo que ele temeu enfrentar.

Desespero – como afirmam alguns? Pode ser, mas não absolve quem, pelo cargo que ocupa, deveria dar o bom exemplo de conduta pautada pelo sentido da urbanidade e do equilíbrio.

Esse tipo de incidente – mais pela reação de aliados – poderia produzir revides indesejáveis, ainda que justificáveis. Mas não houve e não haverá a resposta que Rui tanto esperou: um ato ruidoso de baixaria, ao nível do ataque. O senador Renan, que tem comemorado, com sobriedade, sucessivas vitórias na Corte Suprema brasileira, reagiu à afronta com total silêncio, ‘insuportável’ para quem esperava réplica agressiva. Um silêncio superior, que deve servir de bom ensinamento.

Depois da palavra, dizia Jean Lacordaire, o silêncio é a maior potência do mundo.

Pena que Rui nunca tenha lido o clássico francês.

 

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Sem comando, oposição em Alagoas será massacrada nas urnas de sete de outubro

24/09/2018 12:41

Com Renan Filho candidato à reeleição, não seria fácil para ninguém enfrentá-lo na sucessão deste ano. Que o diga Fernando Collor que precisou de apenas alguns dias para sentir o altíssimo índice de aprovação do governador, o que o fez desistir.

Mas a oposição, totalmente desarticulada, sofre pela ausência de um comando atuante e experiente. O PSDB, líder do bloco, perdeu substância depois que Téo Vilela – sem razão conhecida – passou a presidência regional ao prefeito Rui Palmeira.

Rui cozinhou sua ‘provável candidatura’ por mais de um ano. Quando desistiu – convencido de que acabaria sem Prefeitura e sem qualquer outro cargo público – o fez em cima da hora e sem um ‘nome competitivo’ para entrar no jogo. Ação desastrada.

Collor apareceu, na undécima hora, não para disputar o governo, mas para antecipar o que poderá ser o cenário da próxima eleição para o Senado, quando ele deverá concorrer à reeleição tendo Renan Filho como adversário. Uma pesquisa qualitativa daria uma ideia do que poderia vir a ser o confronto, mas ele preferiu viver uma situação real. Ao desistir, o fez sentindo na pele (e nos votos) a supremacia exercida pelo governador.

Pinto de Luna, um homem de bem, foi chamado para tapar o buraco deixado por Collor. Mais uma articulação de Rui. Não se sabe por quê, começou a campanha cometendo o mesmo erro fatal do ex-presidente: bater em Renan Filho, sem dar a mínima para o alto índice de aprovação de seu governo. Um tiro no pé.

Como Collor, aliás, o discurso de Pinto incorre em desvario ao criticar a construção de hospitais, num estado sabidamente sem rede hospitalar pública. Collor andou dizendo que, eleito, iria concluir as ‘obras inacabadas’ de Renan Filho. Num ato falho, exaltou o governador, reconheceu suas realizações.

Alguém deveria dizer a Rui e a Pinto que não se vaia time que está ganhando, nem se ataca uma torcida que toma quase todos os espaços do estádio. É pouco inteligente, para dizer o mínimo. O que Pinto teria a dizer é que ‘pode e vai fazer mais’ do que Renan Filho. Agora, se o eleitor vai acreditar, são outros quinhentos.

 

MUDANÇA À VISTA

Passada a eleição, o comando nacional do PSDB deverá devolver a Teotonio Vilela Filho a presidência regional da legenda. A experiência com Rui não poderia ter sido mais contraproducente.

 

MUDANÇA À VISTA 2

Aliás, os principais líderes nacionais do PSDB não engoliram a aliança feita com o senador Collor que, ainda bem, desistiu. Rui queria um ‘nome de peso’ e acabou dividindo o partido.

 

DECISÕES MOSTRAM QUE RENAN TINHA RAZÃO

Absolvido por unanimidade (4x0) no caso da Mônica Veloso, o senador Renan Calheiros pode comemorar. Era o processo mais emblemático contra ele. Já são oito, nove inquéritos arquivados no Supremo Tribunal. Confirma-se, a cada decisão do STF, a tese do senador de que foi perseguido pelos procuradores Gurgel e Janot. Sem provas, as denúncias contra Renan se baseiam, sempre, em ‘ouvir dizer’ de delatores loucos para sair da prisão.

 

RÉU DE GRAÇA

Sobre a decisão, disse o senador Renan: “Por causa dessa ação, tornaram-me réu, quase fui afastado da presidência do Senado e fui retirado da linha sucessória da Presidência da República”.

 

CUSTOU CARO

E completou: “Foi um massacre pessoal, familiar e institucional. Ouvir dos ministros que o caso custou muito para a imagem do Senado e do país, me faz acreditar na justiça e seguir em frente”.

 

LESSA BARRADO POR AÇÃO QUE AUTOR DESISTIU

O ex-governador Teotonio Vilela lamentou o indeferimento da candidatura de Ronaldo Lessa. A ação, julgada agora pelo TRE-AL, foi movida porque Lessa acusou a oposição (à época liderada por Vilela) de ter invadido seu comitê político. O Tribunal decidiu contra Lessa, mesmo depois que Téo Vilela desistiu da ação, o que torna a decisão, no mínimo, contestável.

 

VOTO OCULTO

Para não ouvir reprovações e evitar pressão, muita gente está ‘escondendo’ o voto em Bolsonaro. Precisamente como ocorreu com Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos.

 

EUA VÃO BEM

E, como Bolsonaro tem sido comparado a Trump, vale lembrar que a economia americana – com seus reflexos no social – nunca esteve tão bem quanto agora, com Donald na presidência.

 

POR QUE BOLSONARO ESTÁ CRESCENDO SEM PARAR

A opção por Bolsonaro se fortalece com o seguinte: Haddad foi um péssimo prefeito em São Paulo; Marina Silva já foi ministra (de Lula) e nada fez; Ciro Gomes foi ministro (de Lula) e não fez nada; e Henrique Meirelles já mandou na economia com Lula, com Dilma e com Temer – e deixou a crise como legado.

 

O MENTOR

Téo Vilela foi o grande incentivador para que Rodrigo Cunha disputasse o Senado Rui queria que o deputado de Arapiraca concorresse ao governo, já que ele (o prefeito) havia desistido.

 

BANCADA

Se der Cunha, junto com Renan Calheiros, o PSDB terá recuperado a cadeira senatorial ocupada por Teotonio Vilela por longos 24 anos. Hoje, a bancada tem Renan, Collor e Biu de Lira.

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Como Rodrigo Cunha salvou a pele do 'rejeitado' Collor

19/09/2018 12:56

A máxima popular ‘todo mal traz um bem’ se encaixa como uma luva na situação de Fernando Collor. O mal, a rejeição pessoal de Rodrigo Cunha. O bem, sua desistência de concorrer ao governo.

Tudo se resume a uma questão: o que aguardava Collor ao final de uma eleição previamente vencida por Renan Filho?

Pois seria e será o desfecho desse enredo eleitoral sem surpresas. Collor entrou na disputa, estabanado, sem avaliar onde estava se metendo. Caiu no ‘conto do Rui’, que precisava de um nome para fazer o papel que ele, o prefeito, não ousou desempenhar. Que prometeu – a Collor – e não cumpriu: um bloco unido, monolítico, de apoio integral. O senador topou, saiu em campanha, aos gritos, como é do seu feitio, mas logo sentiu que não ia dar. Com resistências – simbolizadas no discurso rancoroso de Cunha, o bloco, que nunca foi coeso, desintegrou-se.

Collor – prefeito de Maceió, deputado federal, governador, presidente da República e senador – caminhava rumo a uma derrota massacrante. Revés histórico de um político que ‘foi tudo’ ante um jovem que, no seu próprio enxergar, ‘ainda usa calças curtas’. Seria a lápide de uma carreira fulgurante e tumultuária.

O senador, então, lembrou-se de Rodrigo Cunha. No cenário até então montado, o apoio do deputado estadual significava pouco para o candidato ombreado a Biu de Lira. Mas Cunha representava a cizânia, causa de desunião. Não era o apoio, nem os votos, era o peso moral. Um candidato a governador menosprezado por um aliado da corrida senatorial.

Collor sentiu o clima, a tendência, avaliou pesquisas internas, o horizonte tenebroso, e isentou-se da tragédia nas urnas. Juntou uma coisa com outra – a arrogância de Cunha e a campanha sem futuro – e pulou fora.

Ironicamente, Cunha salvou Collor e, de quebra, ainda preservou as empresas do senador... Não era sua intenção, claro, pois a derrota collorida, de alguma forma, dimensionaria o ‘peso do  apoio negado’, mas a postura discordante serviu como pretexto para Collor se livrar da maior roubada de sua carreira política.

Na sutileza de seu cotidiano, Collor sabe que deve essa ao Cunha.

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A batalha semifinal entre Ciro Gomes e o petista Haddad

16/09/2018 11:14

Ante o prazo fatal estabelecido pelo TSE para sua substituição, Lula finalmente anunciou Fernando Haddad como candidato presidencial do PT, preenchendo, assim, o tabuleiro da sucessão que vinha sendo jogado sem uma das principais peças.

O que muda? Muita coisa, mas, essencialmente dois pontos importantes: primeiro, o PT deverá ser impedido, pela Justiça Eleitoral, de apresentar no horário gratuito da TV vídeos com Lula pedindo voto para Haddad, tendo em vista a condição do ex-presidente de preso recolhido numa cela da Polícia Federal.

Segundo – e bem mais delicado – os principais concorrentes do candidato petista tenderão, a partir de agora, a fazer algo que não vinha sendo visto devido à própria indefinição dentro do PT: bater em Haddad para tentar impedi-lo de chegar ao segundo turno.

Até aqui, o alvo preferencial de Ciro Gomes, Marina Silva e Geraldo Alckmin era o líder das pesquisas Jair Bolsonaro. Mas, apenas, provisoriamente, porque nenhum se destacava como o ‘segundo colocado’. Nos últimos dias – mostrou a nova pesquisa Datafolha – a vice-liderança começou a ser ocupada por Ciro Gomes. Só que Lula foi vetado pelo TSE e começou a migração de eleitores lulistas para seu vice e virtual substituto.

Ciro já disse que não pretende fazer de Haddad seu ‘principal’ alvo, mas essa garantia só será mantida se o petista não crescer, o que é improvável. Segundo o Datafolha, Ciro está com 13%, Marina com 8%, Alckmin com 9% e Haddad saltou de 4% para 13%, depois de oficializada sua ida para cabeça de chapa.

Ora, é pura lógica: se Haddad crescer e assumir o segundo lugar, Ciro (assim como Marina e Alckmin) terá de atacá-lo por ser o primeiro à sua frente. Simplificando: num cenário assim, o adversário direto de Ciro será o petista Haddad, pois antes de superar o primeiro colocado, terá de derrubar o segundo.

Não quer dizer, por outro lado, que a eleição de Bolsonaro estará decidida. Os números mostram que ele vencerá o primeiro turno, mas a vitória final no segundo não será alcançada facilmente, sobretudo, se o concorrente não for o petista Fernando Haddad.

 

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Primeira Edição © 2011