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Estreou em 1973 como repórter do Diário de Pernambuco, do qual foi redator e editor setorial. Foi editor-geral do Diário da Borborema-PB, Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Foi colunista político e editorialista de O Jornal. Exerceu os seguintes cargos: Coordenador de Comunicação da Assembleia Legislativa de Alagoas, Delegado Regional do Ministério do Trabalho, Secretário de Imprensa da Prefeitura de Maceió e Secretário de Comunicação de Alagoas. Atualmente é editor-geral do PRIMEIRA EDIÇÃO.

Os principais candidatos em Maceió: Ronaldo Lessa (1)

24/08/2020 14:44

Por ordem alfabética, os principais concorrentes à sucessão do prefeito Rui Palmeira são: Alfredo Gaspar, Cícero Almeida, João Henrique Caldas e Ronaldo Lessa. Os demais estão no páreo? Sim, estão, até porque quem decide a eleição é o eleitor, e não pesquisas, sondagens, enquetes e análises - mas em todo pleito surgem nomes mais chances e neste ano não será diferente. E invertendo a ordem alfabética, este Enfoque inicia uma série de quatro comentários avaliando o potencial desses pré-candidatos.

Ronaldo Lessa tem bagagem, conhece Maceió como ninguém. Foi governador duas vezes, exerceu um mandato de deputado federal – e não se elegeu senador porque a Justiça Eleitoral inviabilizou seu projeto com esse objetivo – mas começou sua carreira como vereador e prefeito de Maceió, após ter cumprindo um mandato de deputado estadual. E ninguém conhece mais a cidade e sua gente do que vereador e prefeito.

Tem a seu favor, por isso mesmo, a simpatia e o apoio dos que de alguma forma foram assistidos, mormente, durante sua passagem pela Prefeitura da capital e pelo governo do Estado, valendo ainda lembrar de sua vigorosa participação nos plenários da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados em Brasília.

É dizer que está fácil? Não, e Lessa sabe disso. Experiente, protagonistas de muitas lutas com vitórias e reveses, o líder do PDT alagoano sabe que uma disputa como a deste ano em Maceió exige, por parte dele em especial, um poder de convencimento muito forte. Lessa deve transmitir aos eleitores a mensagem de que já fez muito e pode fazer ainda mais – uma bandeira envolvente, sem dúvida – porém precisa, também, desfazer a ideia de que está concorrendo a um cargo que já exerceu (um cargo de largada para alguém com sua história) apenas para se manter vivo da política. Seus adversários, com certeza, atacarão esse flanco.

Em relação a Alfredo Gaspar e JHC, será concorrente com um discurso voltado para quem já fez e quem pretende fazer. Poderá dizer que o ‘experiente’ é mais seguro do que a ‘experiência’.

 

 

 

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Tributo a um homem de bem

17/08/2020 12:37

A morte de Rogério Teófilo, de certa forma,  não surpreendeu, mas chocou. Com câncer no pâncreas, um dos mais agressivos, seu estado de saúde era delicado, preocupante, já havia algum tempo. Somem-se a isso as sequelas do grave acidente de jipe sofrido nas dunas do Rio Grande do Norte, do qual escapou milagrosamente.

Mas foi um choque, uma comoção, a notícia de seu falecimento no Hospital Arthur Ramos, em Maceió. Porque Rogério não era apenas mais um doente. Era um pedaço precioso da história política de Alagoas em cujo cenário desempenhou papel importante. Principalmente, pela forma inteligente, cordial e decente como exerceu os mandatos de deputado estadual, deputado federal, secretário de estado, prefeito de Arapiraca.

Com seu ar sereno, a voz calma e mansa – mas firme quando necessário – Rogério materializou ao longo da vida os conceitos morais que assimilou num ambiente familiar transbordante de educação. Em três décadas de atividade política, jamais praticou um ato sequer que comprometesse sua retidão moral.

Meu amigo, amigo de Arapiraca, amigo de Alagoas. Conheci-o no início da década de 1990. Ele, deputado estadual, eu, editor do Jornal de Alagoas. Três mandatos de deputado estadual sem sofrer nenhuma contaminação. Professor, diretor de colégio (o tradicional Bom Conselho, de Arapiraca) portou-se o tempo todo na Assembleia Legislativa como um legítimo educador.

Passei a admirá-lo exatamente pela postura. Admirava sua expressão  quase sacerdotal. Amigos, convidei-o e ele se fez meu compadre, padrinho de meu filho Reewison. Na Câmara Federal, fez um discurso vigoroso saudando a estreia deste Enfoque Político. Rogério atuou como professor, administrador, advogado, dirigente partidário, membro da OAB, mas deixou sua marca inconfundível como político digno e operante.

Elegeu-se prefeito numa jornada épica em 2016. Poderia ter sido antes, mas a política tem disso. Não fez muito, que o caos herdado não permitiu, mas honrou o seu povo com uma gestão limpa e com o exemplo do homem correto que sempre foi.

 

UM HOMEM DE ESTATURA MORAL SUPERIOR

A comoção popular causada pela morte de Rogério Teófilo mostrou que a gestão difícil, na Prefeitura, não arranhou a imagem admirada do homem público zeloso e eficiente. No velório, nas últimas homenagens públicas, o povo sentia que estava dando adeus a um homem público de estatura superior.

 

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Exclusivo - Uma entrevista de Dom Henrique Soares abordando temas controversos e o futuro da Igreja

10/08/2020 21:42

 

Em 2005, Dom Henrique Soares da Costa, então cônego e reitor da Igreja do Livramento, concedeu-me entrevista exclusiva que publiquei em página-dupla de O Jornal.

Dias depois, após celebrar missa no Livramento, o cônego Henrique me avistou e, chamando-me a um canto da Igreja, confessou:

- Gostei da entrevista pela fidelidade.

- Como assim? – quis saber. E o futuro bispo de Palmares:

- Você não cortou uma vírgula do que eu disse.

Em homenagem ao bispo Dom Henrique Soares, falecido no dia 18 de julho de 2020 de Covid-19, publico a seguir a histórica entrevista em que abordou temas controversos como homossexualidade, liberação da mulher, uso de células-tronco, celibato e o futuro da Igreja Católica.


Baseada em que a Igreja condena o homossexualismo?

Primeiro, é necessário distinguir homossexualidade e homossexuais.

A Igreja, fundada na Escritura, sempre ensinou que o plano de Deus para a sexualidade humana é a complementaridade homem-mulher: “Homem e mulher ele os criou!” A relação homoerótica não é de acordo com o plano de Deus. No entanto, a Igreja também ensina que nenhum de nós é mais aquele ser humano que Deus pensara desde o início: somos todos meio desfigurados pelo pecado do mundo; todos temos tendências que nos desfiguram. Ora, na visão cristã, o homoerotismo é uma deturpação do projeto de Deus para a sexualidade. No entanto, as pessoas homossexuais não têm culpa de terem essa tendência e devem ser tratadas com respeito e caridade. No entanto, jamais a Igreja poderá dizer que a relação homossexual é um ideal ou que tanto faz uma relação homo ou heterossexual. Realmente, a Escritura fecha essa possibilidade! Dizer o contrário seria ser fiel à onda atual, mas infiel ao Cristo e ao seu Evangelho.

 

Ao pregar que o sexo é só para procriação, a Igreja não se distancia da realidade, já que a sociedade hoje vê a relação sexual até como diversão?

A Igreja não prega isso!

O ato sexual é, primeiramente, uma celebração do amor entre um homem e uma mulher que se amam e se deram na construção de uma vida, “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-se e respeitando-se todos os dias” dessa vida comum… A procriação é somente a segunda finalidade do ato sexual, mas não é essencial.

Um casal que já não possa ter filhos, pode e deve continuar tendo uma vida sexual ativa, e uma vida prazerosa, onde o amor é vivido como mistério de carinho, intimidade e sedução. Ao contrário do que muitos pensam, a Igreja não tem horror à sexualidade! Quem duvidar, compre um manual de moral católica e leia! O que a Igreja não pode é concordar com a banalização da sexualidade instaurada no mundo de hoje. Aliás, ninguém sério e que tenha um pouco de profundidade existencial pode concordar com isso que está aí…

Faz sentido, a essa altura, desestimular o uso da camisinha, expondo os jovens ao contágio da aids e outras DSTs?

A pergunta é simplista demais; é falaciosa.

Primeiro: o que a Igreja recrimina é um programa de educação sexual que se fundamenta simplesmente no “use camisinha”. Isso não é sério! No fundo, a mensagem termina sendo: “Chegou o Carnaval, chegou o Natal, chegou o São João, faça sexo! Tudo é permitido, desde que você use camisinha!” É o programa de banalização sexual do governo.

Ora, isso não é admissível! É preciso falar de sexo e dizer a essa juventude que sexo tem a ver com amor, com responsabilidade, com doação, com valores, com um projeto de vida! Nesse contexto é admissível falar de preservativo, pois nem todos são cristãos e nem todos são castos.

Em segundo lugar: para um cristão, o ideal continua sendo a castidade, isto é, a vida sexual somente no casamento. O sexo fora do casamento foi, é e continuará sendo pecado – esse é o ensinamento do Evangelho e nem a Igreja nem ninguém pode mudar isso! Um discípulo de Cristo que lhe queira ser fiel deve evitar relações fora do matrimônio, com ou sem camisinha.

Fora do casamento, usar camisinha ou não, não faz diferença nenhuma do ponto de vista da fé: é pecado do mesmo jeito. E aí, é melhor usar o famoso preservativo. Fora do casamento, ter relação com camisinha é pecado; ter sem camisinha é pecado e burrice…

 

A crise sacerdotal não poderia ser superada ou atenuada com o fim do celibato?

Primeiro, graças a Deus, o Brasil nunca teve tantos seminaristas como agora. Só no ano passado tivemos sete ordenações diaconais de uma só vez. Isso só ocorreu aqui em Maceió em 1941. Temos poucos padres porque no Brasil sempre foi assim. Agora é que estamos melhorando. Em segundo lugar, no Oriente, onde os padres católicos podem casar-se, há também crise de vocações. A questão não é de facilidades, mas fidelidade e amor a Jesus, que nos tornam capaz de dar a vida a ele e por ele!

 

Por que a Igreja defende tanto o celibato, se a Bíblia não contém nenhuma objeção ao casamento de padres?

Realmente, o celibato é apenas um conselho. No entanto, desde o princípio, a Igreja viu nele um valor, um sinal de que não temos aqui na terra morada permanente e também um sinal de entrega indivisa e total a Cristo e à sua missão. É bom recordar que o Cristo foi celibatário, São Paulo também o foi e o recomenda.

Já no Novo Testamento, os ministros ordenados podiam casar-se, mas, ficando viúvos, não poderiam se casar uma segunda vez: deviam ser esposos de uma só mulher. No entanto, a Igreja no Ocidente pode, um dia, mudar a obrigatoriedade do celibato. Como já disse, no Oriente, ele só é obrigatório para os Bispos…

 

A clonagem viola as leis da natureza, mesmo se o emprego da técnica ficar restrito a animais?

De modo algum. A clonagem de animais ou plantas, com fins científicos justificáveis, é perfeitamente aceitável. O que é imoral é a clonagem humana.

 

Em casos extremos, como os de crianças nascidas sem cérebro, deve-se recorrer à eutanásia?

Não. Não compete a nós decidir quem deve viver e morrer. Não somos Deus! Uma coisa é a morte como decorrência natural de uma condição deficiente de saúde e outra, bem diferente, é a morte provocada por antecipação em decorrência de convicções ideológicas. Para Hitler, os judeus deveriam morrer porque eram uma raça maligna, os deficientes mentais também. Agora, na Holanda, já se começa a assassinar recém-nascidos com doenças graves. É uma barbárie assassina! Ou a vida humana é sempre humana e deve ser preservada ou estamos abrindo as portas do inferno!

Imaginem quando se decidir matar crianças pobres porque não darão lucro ao sistema ou matar velhinhos porque dão prejuízo à previdência! É este o pecado original do homem: querer ser o seu Deus, querer decidir de modo contrário a Deus o que é bem e o que é mal… Sempre terminamos quebrando a cara!

 

Para a Igreja, quando começa a vida?

No momento da concepção.

 

A Igreja teria como definir a vida, do ponto de vista material?

Essa é uma discussão que envolve também cientistas e filósofos. Um erro grave da sociedade atual é achar que a ciência sabe tudo e pode tudo. Definir o que é a vida nunca será tarefa somente da ciência enquanto técnica, mas também da religião e da filosofia. No caso da vida humana, ela é aquela situação que nos constitui como um ser que possui um dinamismo vital autônomo e um patrimônio genético próprio. É uma definição bem precária, essa que estou dando, mas que serve bem para ilustrar por que não se pode brincar com a vida humana, mesmo no ventre materno: o embrião é já uma vida autônoma, não é um órgão da mãe; e já tem suas características genéticas próprias.

 

 

O uso de células-tronco pode salvar vidas, curar enfermos. Por que a Igreja é contra?

A pergunta não reflete a realidade. A Igreja é a favor da pesquisa com células-tronco e aplaude tais pesquisas. Ela é contra a pesquisa com células-tronco de embriões humanos, porque os mata. Os embriões já são seres humanos! Assassinar seres humanos é imoral, é crime sempre e em qualquer fase da existência.

Salvar vidas de uns matando outros é imoral! Eu posso dar minha vida por outra pessoa, mas ninguém pode me matar, tirar minha vida contra minha vontade, para salvar outro alguém! A experiência com células-tronco embrionárias é a vitória da razão assassina, da razão atéia, da razão imoral!

 

Como reagiria a comunidade católica se o papa fosse curado com o uso de células-tronco?

Com o uso de células-tronco adultas, ficaríamos muito contentes e agradecidos a Deus pelo bom uso que o homem faz de sua inteligência. Com o uso de células-tronco embrionárias, seria inaceitável. Não se pode querer ser feliz a qualquer preço! O fim não justifica os meios! O Papa é um homem de princípios, uma verdadeira testemunha do Evangelho da vida!

 

A Igreja mantém sua posição contrária ao aborto, mesmo em casos de estupro?

Sim. É muito fácil resolver o problema matando o mais fraco.

Sabemos que a experiência de estupro é traumática. Mas, isso não justifica moralmente matar a criança. A atitude correta seria ajudar a mãe a ter seu filhinho e, se ela não quer criá-lo, providenciar imediatamente uma adoção.

 

A Igreja parece se opor aos avanços da ciência. Deus impôs limites ao homem? Isso está escrito em algum trecho da Bíblia?

De modo algum a Igreja se opõe à ciência. Esta é uma percepção totalmente equivocada! O que a Igreja defende é que a pesquisa científica seja regida por critérios éticos. Aliás, vários cientistas atuais gritam por isso! Sugiro a leitura do site www.nep.org.br: é de cientistas preocupados com a ética na pesquisa científica.

Nem tudo que é tecnicamente possível é moralmente aceitável. Seria aceitável eticamente a bomba atômica? É aceitável escolher uma criança programando até os mínimos detalhes de seus caracteres físicos? É eticamente aceitável uma bomba que mate, mas não destrua nada de material? Quem impõe limites à tecnologia? Com quais critérios? A ciência e a tecnologia são neutras ou, ao invés, servem também a interesses econômicos e ideológicos? São questões seríssimas! A Escritura toda – não é só um trecho não! – insiste que o homem deve ser feliz, deve usar sua inteligência, mas sem cair na ilusão de ser senhor do bem e do mal, de ser Deus! O homem deve usar plenamente sua razão, mas uma razão que seja aberta ao Mistério de Deus

 

João Paulo II reconheceu que a Igreja errou ao perseguir cientistas como Galileu Galilei. Ao se contrapor à evolução científica atual, no futuro a Igreja não poderá ter que pedir perdão de novo?

A Igreja não se contrapõe à evolução científica; vê-la como algo essencialmente positivo. Ela simplesmente grita por critérios éticos para a ciência. É o que chamamos de filosofia das ciências ou epistemologia. A ONU, recentemente, fez a mesma coisa quando limitou a possibilidade de clonagem humana. Isso não é ser contra a ciência. A Igreja também não pretende impor a visão cristã de ciência; deseja somente uma discussão séria, que dê origem a uma ética civil sobre esses temas. No caso de Galileu a Igreja errou porque quis negar o resultado de uma pesquisa científica. Desde então, não fez mais isso. Repito: a questão agora não é técnico-científica; é moral! É uma falácia monumental misturar as duas coisas. É como perguntar qual é a cor de uma janela e alguém responder que a janela é grande!

 

Por que o comando da Igreja católica se mantém indiferente ao avanço das seitas evangélicas?

A Igreja não se mantém indiferente não. Apenas não ficamos paranóicos com isso. O problema é complexo. Estamos atravessando uma fase de transição cultural fortíssima: nada mais é certo, nada mais é duradouro, joga-se fora com a maior facilidade os valores dos antepassados, não se está preocupado com a verdade, mas em como conseguir se dar bem e se sentir bem imediatamente. É nesse contexto que se explica o crescimento das várias denominações vindas do protestantismo.

É interessante observar que os católicos realmente praticantes não deixam a sua fé. O problema é que o Brasil tem católicos “de nome” demais e católicos verdadeiros de menos… Isso também se deve a erros no processo de evangelização. Nunca foi uma boa coisa batizar massivamente, sem uma preparação acurada. Particularmente, eu prefiro poucos que se digam católicos, mas que o sejam de fato. Aí sim, seremos sal e luz, como Cristo espera de nós, membros da sua Igreja!

 

A família tradicional está se decompondo? Há como salvá-la?

Sim, está. A família hoje é um pequeno núcleo de um homem, uma mulher e duas ou três crianças, meio perdidos num mundo que o pressiona por todos os lados. É triste, porque não há esperança para a família – nem para nenhuma sociedade sadia – sem espírito de renúncia, sem ideais, sem a capacidade de ser feliz na felicidade dos outros. Os valores da sociedade moderna – que absolutiza o sucesso o bem-estar e o lucro -, privam os filhos da presença dos pais, sobretudo da mãe e deixam a educação por conta dos meios de comunicação e da escola, que já não educa, mas simplesmente transmite conhecimentos. Ou se muda o paradigma de sociedade e de valores, ou as conseqüências serão muito ruins.

Quem achar que estou sendo negativo, olhe um pouquinho em volta e veja o que está acontecendo com nossos jovens e crianças, que educação estão tendo, que valores estão assimilando… É assustador… A salvação da família está na redescoberta de alguns valores fundamentais, como a convivência, o diálogo, a sobriedade de vida, a solidariedade e, não por último, a prática religiosa, o lugar de Deus na nossa vida…

 

E o casamento? É instituição ultrapassada?

Para o mundo atual, sim. Para os cristãos, jamais! O problema é que a liberdade descompromissada e o “faça-você-mesmo” que tem substituído os valores cristãos, não realizam as pessoas. É uma falsa liberdade, porque motivada por um egocentrismo de dar pena. Não se encontrará a realização, a plena humanização por um caminho como esse… Os cristãos são convidados a testemunhar os valores do Evangelho também na vida familiar, matrimonial e sexual. Mas, isso só é possível quando a gente descobre o Cristo de verdade. Caso contrário, as exigências do Evangelho não passarão de moralismo castrador.

 

A liberação da mulher é um avanço ou um retrocesso social?

Um avanço. No entanto, se sob o manto dessa liberdade coloca-se a libertinagem sexual, o falta de tempo para estar com os filhos e a masculinização das mulheres, aí não há avanço, mas distorção. A Igreja defende que a mulher possa ganhar o mesmo que os homens tendo, no entanto, o direito de ter mais tempo com seus filhos. Sua presença junto a eles é indispensável. Muitas feministas dirão que isso é ideologia machista. Não é verdade! É apenas respeito pelas diferenças.

A igual dignidade do homem e da mulher exige tratamento diferenciado, exatamente porque os dois são diferentes – e tal diferença não é só produto cultural, mas é também biológica e psicológica, inclusive na educação dos filhos. O resto é pura ideologia, essa coisa insossa, chata e hipócrita chamada “politicamente correto”.

 

O catolicismo precisa mudar, se abrir, para acompanhar as transformações que marcam os tempos hodiernos?

O catolicismo não deve se preocupar em “acompanhar as transformações”, mas em ser fiel ao Evangelho.

Claro que a Igreja tem sempre o dever de ser atenta ao melhor modo de se comunicar com a humanidade em cada época e cultura. O Concílio Vaticano II, na década de 60, fez isso, preparando a Igreja para o mundo atual. Mas, isso não quer dizer que a Igreja deva ou possa trair a Verdade do Evangelho ou esconder as exigências morais que Cristo coloca para os seus discípulos. Como dizia a Bem-aventurada Teresa de Calcutá, “nós não somos chamados a fazer sucesso, mas a ser fiéis!” A Igreja, como um organismo vivificado pelo Espírito Santo, estará sempre mudando para ser fiel à sua missão. Mas, sua referência não são as modas do momento, mas unicamente o Cristo, e Cristo crucificado e ressuscitado!

 

Com tudo que a ciência ensina e pratica atualmente, faz sentido ensinar na missa que Deus fez o homem do barro?

Quem pensa que a Igreja ensina que os primeiros onze capítulos do Gênesis são para ser tomados ao pé da letra, está totalmente enganado. A Igreja não ensina isso e nenhum padre diz isso no sermão! Afirmar que Deus criou o homem do barro é dizer que, por nós mesmos, somos pó e ao pó voltaremos – todos nós.É uma pena que muitos vejam a Igreja como uma coisa totalmente boba, tão distante daquilo que ela realmente é! É interessante: desde os anos cinqüenta, com o Papa Pio XII, que a Igreja insiste que as narrativas do Gênesis não são uma reportagem histórica ou científica, mas uma narrativa simbólica, como as parábolas de Jesus. Já tive oportunidade de fazer palestra sobre isso para o Curso de Letras da UFAL.

Foi uma experiência interessante: abordar a questão dos gêneros literários na Escritura… A Igreja tem intelectuais profundos, filósofos muito sérios e teólogos brilhantes. Não somos um exército de tolos… Há muitos cientistas que são cristãos e há muitos padres e religiosos que se dedicam às ciências… Muitas vezes, as pessoas têm uma visão totalmente infantil do que a Igreja crê, ensina, vive e celebra… Aí não é a Igreja, mas uma triste e ridícula caricatura dela!

 

Será possível que o cristianismo, daqui a alguns milênios, venha a perder sua essência histórica e transformar-se em algo como uma lenda?

Isso aconteceria se, para agradar o mundo, a Igreja entrasse na onda. Mas, não ocorrerá. Cristo prometeu que, na força do seu Espírito Santo, estará sempre com sua Igreja. Ela já enfrentou as perseguições do Império Romano, a tragédia das invasões bárbaras, as lutas contra os tiranos do Sacro Império e dos monarcas absolutos, déspotas esclarecidos ou não. A Igreja já enfrentou o cativeiro dos papas em Avinhão durante quase setenta anos; sobreviveu à terrível experiência da dilaceração com a Reforma protestante, suportou dez péssimos papas consecutivos na época do Renascimento; já enfrentou a crítica do racionalismo, do iluminismo e do humanismo ateu do século XIX; sobreviveu à perseguição terrível dos regimes pagãos do século XX: o fascismo, o marxismo e o nazismo. Agora luta contra novos gigantes: a secularização, o consumismo, o ateísmo prático, a onda anti-cristã dos meios de comunicação de massa… E vencerá, mais uma vez. Ela perderá sempre mais poder político, poder de barganha, prestígio e até número de fiéis. Mas, isso, ela nunca deveria ter tido; a sua força não consiste nisso. Sua glória, sua força, seu arrimo é unicamente Cristo, loucura, escândalo e fraqueza para o mundo, sabedoria e poder de Deus para os que crêem… “As portas do inferno não prevalecerão” – a promessa do Senhor a Pedro continua de pé!

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Esquerda não 'disputará', mas poderá decidir sucessão presidencial

12/07/2020 17:06

O foco aqui não é a sucessão de novembro próximo, em Maceió, nem a estadual em 2022, mas a próxima presidencial, também daqui a dois anos e meses. E não se trata de projetar uma esquerda desistente, de fora do processo. Longe disso. A questão é que Lula não deverá disputar o jogo sucessório (ele continua condenado em segunda instância e, portanto, inelegível), mas, se por efeito de uma mágica judicial, ganhar habilitação, será derrotada. E será porque sua época passou, seu tempo passou, assim como passou o tempo do próprio PT. Um partido político não passa 16 anos no poder e sai de cena como o PT saiu, com seus líderes punidos na Justiça e nas urnas, e volta tão rápido. Não volta e isso ficou evidente, meridiano, na sucessão de 2018.

Mas o embate sucessório presidencial terá não apenas o PT, mas todos os partidos de esquerda, em seu conjunto, como força indubitavelmente decisiva por motivo de fácil explicação: minoritária nas urnas do primeiro turno, a esquerda será o fiel da balança na rodada final. E se as projeções e pesquisas já de agora estiverem corretas, os esquerdistas vão ter que decidir entre, isso mesmo, Jair Bolsonaro, tentando a reeleição, e Sérgio Moro, um nome com potencial que somente mais adiante poderá mensurado em toda sua dimensão. E aí cabe uma observação: o PT, por óbvias razões, abomina o célebre juiz da Lava-Jato, sobretudo, pela condenação de Lula, mas poderá entender que a repetição de Bolsonaro será ruim para todos, inclusive para a democracia.

A esquerda não terá chance porque jamais se unirá. O PT poderá lançar Fernando Haddad ou Jacques Wagner, mas só como figurantes. O outro nome provável da esquerda – Ciro Gomes – não é mais levado a sério. Virou um trapalhão, agressivo, intragável. Um desastrado com o desempenho arruinado mais ainda pelas peripécias malucas de seu irmão Cid Gomes. Por efeito gravitacional, esses nomes, separados no primeiro turno, se juntarão involuntariamente e seus eleitores decidirão a luta final.

 

O BOM SENSO DO ARCEBISPO DE MACEIÓ

Ao contrário dos evangélicos – e mais focado na saúde dos fiéis do que na coleta do dízimo – dom Antônio Muniz usou o bom senso e decidiu dar mais um tempo para reiniciar as missas presenciais. Cauteloso, o arcebispo de Maceió que evitar que, amanhã, surjam acusações de que contribuiu para contágios e até mortes de pessoas contaminadas durante as pregações.

 

LIVRE DO IMPEACHMENT, BOLSONARO SILENCIA

E Bolsonaro depôs a metralhadora giratória. Depois de conseguir o apoio do Centrão contra o impeachment, o presidente decidiu mergulhar. Mesmo antes de testar positivo para covid-19, o capitão já não atacava ninguém, não exortava seus apoiadores no ‘cercadinho’ do Alvorada, não crises diárias. Falta, após a doença, nomear titulares para os Ministério da Saúde e Educação.

 

O HOMEM PROPAGANDA DE BOLSONARO

Escalado, e não de agora, para injetar ânimo no mercado e na sociedade, com projetos econômicos, o esperto Paulo Guedes anda vendendo a ideia de grandes privatizações, ainda neste ano (logo após a pandemia), mas acabou sendo lembrado de que precisa de autorização do Congresso. E Rodrigo Maia já mandou um aviso: “As eleições vão atrapalhar as privatizações”.

 

A HORA E A VEZ DA REGIÃO NORTE

Além de ganhar o Hospital Regional situado em Porto Calvo, a Região Norte terá intensificada a duplicação de sua AL-101, ganhará uma ponte unindo o  Morro de Camaragibe à Barra de Camaragibe, terá restaurada toda a malha viária que corta o Estado e ganhará novo empreendimento hoteleiro em Morros do Camaragibe.

 

COVID MATA EM MÉDIA 20 PESSOAS POR DIA EM AL

Não é hora de relaxar, de ‘abrir as comportas’, mas a evolução da pandemia em Alagoas, notadamente em Maceió, já apresenta sinais de estabilização, quanto ao registro de óbitos, e variação considerável em relação aos contágios do novo coronavírus. Há semanas o Estado registra média diária de 20 mortes.

 

MUDANÇA DE NOME NÃO MUDA O CONTEÚDO

O governo Bolsonaro está copiando o de Lula: há propostas para mudar o nome do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida. Lula, para quem não sabe, criou o Bolsa Família que legados de FHG, mudou o nome Cefet (antiga Escola Técnica Federal) para IFE e também alterou a denominação do Fundef, criando o atual Fundeb. E assim caminham os presidentes brasileiros.

 

GLOBO OMITE OS RECUPERADOS DA COVID-19

Por que será que a Rede Globo não está mais divulgando o número de pessoas curadas da covid-19? Trata-se de omissão imperdoável para, por exemplo, um Jornal Nacional. Bonner e Renata anunciam todos os que o Brasil já tem x casos do coronavírus, mas não fala nos pacientes recuperados.

 

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Luiz Carlos Barreto - lição de vida de um protagonista da comunicação alagoana

24/06/2020 15:59

ADEUS A UM BALUARTE

 

Luiz Carlos Barreto – lição de vida de um

protagonista da comunicação alagoana

 

Romero Vieira Belo ((*)

 

Luiz Carlos Barreto entra para a história da comunicação social de Alagoas como um veterano que, a despeito de quase três décadas de atuação nessa área, jamais perdeu ou sequer deixou arrefecer o interesse e a vibração pelo noticiário. Em geral, todo  empresário se concentra na evolução dos negócios, na estabilidade da empresa, no lucro e na expansão. Barreto adicionava a esse perfil, tão inerente ao ramo, um olhar quase familiar voltado, também, para a situação de cada funcionário.

Conheci-o em 1994. Secretário de Comunicação de Alagoas, visitei a sede de O Jornal, na Av. Comendador Leão (Prado) e lá estavam, unidos em sociedade, Luiz Carlos e Nazário Pimentel. Anos depois o jornal foi vendido ao industrial João Lyra, que transferiu a sede para a Av. Gustavo Paiva, na Mangabeira.

Luiz Carlos, claro, ficou sem jornal, mas não sem ideia. Esqueceu de vez o setor onde atuara de forma saliente – o imobiliário – e apostou num projeto ousado: criar, sozinho, um semanário, mais um na saliente história dos periódicos  alagoanos. Pouco tempo depois nasceria, com sede na Mangabeira e título pra lá de sugestivo, o Primeira Edição, tocado por uma equipe bem ajustada e uma incontida disposição de liderança. Posição conquistada, afinal, com anos de muita luta e um slogan altamente motivador: ‘Comece a semana bem informado’.

O Primeira Edição virou referência da mídia impressa alagoana, tanto que em seus 16 anos de circulação – ininterrupta – atraiu os mais prestigiosos anunciantes dos setores público e privado.

O veículo de Luiz Carlos integra a sequência de jornais por onde passei em cinco décadas de batente, somando-se ao Diário de Pernambuco, Diário da Borborema, Jornal de Alagoas, Jornal de Hoje e O Diário. Em 2008, sucedendo a uma dupla de promissores jornalistas (Aline Gama e Carlos Madeiro) assumi a editoria geral de um Primeira Edição já consolidado, ingrediente indispensável como opção de leitura informativa dos alagoanos nas manhãs de segunda-feira. E seguimos em frente, firmes, apesar das múltiplas adversidades enfrentadas pelo setor.

Raríssimas vezes – e isso não é comum em empresa jornalística – Luiz Carlos interferiu na Redação. Sempre jogou aberto, tinha uma visão muito clara do mercado, dos personagens que eram notícia, da política e da economia, e fazia questão de assegurar plena liberdade editorial. Na verdade, um misto de liberdade e confiança, correspondido por anos de atuação sem nenhuma intercorrência judicial ou abertura forçada de espaços para esclarecimentos ou direitos de resposta.

Luiz Carlos se relacionava amistosamente com as pessoas e isso explica por que tinha um círculo de amizades tão numerosas quanto díspares. Tratava a todos respeitosamente e, não obstante seu semblante muitas vezes tenso, carregado, era um homem profundamente emotivo e brincalhão. Um homem afável que fazia questão de viver feliz com e para a família – a companheira de sempre, Conceição, os filhos Bruno, Miguel e Rachel e os netos. Outro traço marcante nesse sergipano de muitas virtudes: uma fisionomia com poucas linhas de expressão. Parecia não sentir a passagem do tempo. Nunca percebi diferença significativa no Luiz Carlos da década de 90 confrontado com o atual.

Neste final de junho, de tantas dores e sofrimento, partiu o amigo Luiz Carlos, quase que repentinamente, vitimado pela fúria de uma pandemia convertida em tragédia planetária. Mas, para regozijo dos que o admiravam, entra para a galeria dos grandes protagonistas da imprensa de Alagoas, sobretudo, pela determinação com que ao longo de 16 anos fez do seu jornal uma leitura obrigatória dos alagoanos bem informados. E o fez, como pude testemunhar, superando obstáculos e arrostando com os sacrifícios de uma realidade setorial cada vez mais plena de limitações e desafios.

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Primeira Edição © 2011