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Estreou em 1973 como repórter do Diário de Pernambuco, do qual foi redator e editor setorial. Foi editor-geral do Diário da Borborema-PB, Jornal de Hoje e Jornal de Alagoas. Foi colunista político e editorialista de O Jornal. Exerceu os seguintes cargos: Coordenador de Comunicação da Assembleia Legislativa de Alagoas, Delegado Regional do Ministério do Trabalho, Secretário de Imprensa da Prefeitura de Maceió e Secretário de Comunicação de Alagoas. Atualmente é editor-geral do PRIMEIRA EDIÇÃO.

Cícero Almeida é culpado?

05/04/2012 18:05

Com base em relato do ex-vereador Marcos Alves (já falecido), o Ministério Público entrou na Justiça com ação civil pública contra 16 pessoas supostamente envolvidas com desvios de recursos municipais, através do esquema conhecido como ‘máfia do lixo’.
Até agora, porém, não houve julgamento. O processo segue tramitando no Judiciário. Portanto, ninguém foi condenado, ninguém está cumprindo pena. Em suma, até agora não existe culpado.
Como prefeito, como responsável pela administração, Cícero Almeida integra o rol dos denunciados, o que basta para que seus adversários explorem o episódio esticando a corda, carregando na tinta das especulações. Não falta inclusive quem saia dizendo por aí que o bloqueio de seus bens é uma condenação. Isso não existe.
O bloqueio de bens, do prefeito e dos outros 15 personagens envolvidos, é medida meramente cautelar. E até que haja julgamento, inexiste culpa formada contra o prefeito.
Cumpre ainda esclarecer: muita gente apregoa que houve um desvio de R$ 200 milhões no esquema do lixo. Falácia. Desinformação ou má fé. Se o contrato com as empresas coletoras do lixo, com duração de cinco anos, foi de R$ 200 milhões, como o valor total do contrato poderia ter sido desviado? E o pagamento pelos serviços da limpeza pública?
Em seu próprio arrazoado, o promotor Marcus Rômulo admite que o desvio poderia chegar a R$ 5 milhões, ou seja, 2,5% do valor que tem sido largamente trombeteado. E não dá para trocar cinco por duzentos.
Houve desvio? Cabe a Justiça apurar e esclarecer. Portanto, até que haja o julgamento final, presumir a inocência de Almeida é o que recomenda a prudência. Quem é ou quem já foi gestor público, ordenador de despesas, sabe: uma coisa é assinar, autorizar uma despesa; outra, é participar de esquema de rapinagem para desviar dinheiro.
Não fosse por certos interesses em jogo (político-eleitorais, inclusive), o mais sensato será concluir que o Ministério Público está cumprindo seu papel, de investigar e apurar o que entende ser lesivo ao Erário; da mesma forma que é absolutamente legítima a atitude do prefeito de proclamar sua inocência.
 

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Lula tinha razão

04/04/2012 05:40

Quando estourou o escândalo do Caixa Dois envolvendo o Partido dos Trabalhadores, Lula cumpria seu primeiro mandato presidencial e, numa entrevista arranjada em Paris, declarou: “O PT faz o que todos os partidos fazem”. Irretorquível.
O PT não fez o mensalão? Sim, escândalo monumental. É, mas o Mensalão começou com um Mensalinho em Minas Gerais. De quem? Do PSDB...
E o DEM? Também fez seu Mensalinho, aquele que derrubou o governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal.
O Mesmo DEM, agora, descobre que seu grande líder, paladino da moral e da ética, Demóstenes Torres, mantinha relações perigosas com o perigoso Carlos Cachoeira. Fora, Torres, em nome da ética e da moralidade.
E os demais? PTB, PR, PMDB, PDT? É só ver como terminaram seus ministros no governo Dilma: todos demitidos por causa de denúncias de falcatruas.
O fato é que na política brasileira, hoje muito mais do que ontem, a rapinagem é uma constante. Dinheiro fácil, fiscalização precária, controle inexistente.
Aliás, comparado com o Mensalão, o episódio de Demóstenes Torres poderia ser visto como coisa de aprendiz.
O PT faz o que os demais partidos fazem. Lula nunca disse verdade tão verdadeira.
 

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Bico Legal - uma imoralidade

02/04/2012 05:13

A instituição do chamado Bico Legal, através de lei estadual, deve ser ignorada – quando não repudiada – pelo governador Teotonio Vilela, assim como por toda e qualquer autoridade comprometida com a legalidade e a ética na gestão pública.
Instituir o Bico Legal significaria admitir oficialmente a falência do Estado em todos os sentidos, pois que tornaria legal exatamente aquilo que a lei proíbe pelo que tem de ilegal.
O estado que não pode pagar decentemente aos agentes de sua própria Força Pública não tem condições de ser estado. Por isso, em vez de legalizar o ilegal, deveria reintegrar-se a Pernambuco.
O tal Bico, aliás, não deve ser repelido apenas por seu caráter imoral e ilegal, mas também por sua incapacidade de produzir minimamente os resultados apregoados por seus defensores.
Produziria, sim, efeitos contrários, com a Polícia Militar correndo sério risco de ver o papel de seus integrantes totalmente desvirtuado. Afinal, que atitude o PM tomaria se enxergasse mais vantagem no Bico do que no exercício da função policial?
Por outro lado, se o Bico constitui ajuda de custo irrisória, fica mais do que evidente que o governo pode bancá-lo, bastando para isso melhorar o nível da remuneração da Policia Militar (e, por extensão, da Polícia Civil e demais setores da segurança pública).
Proposta indecente e descabida, o Bico Legal, além de ilegal, seria humilhante para os que ingressam na PM com a missão de resguardar a ordem pública. Humilhante porque, aos olhos da sociedade, o policial logo deixaria de ser policial para se converter em reles biqueiro. Um indigente, um mendicante, enfim.

QUESTÃO DA DÍVIDA 1
Téo Vilela deveria pedir que o governo federal ao menos suspendesse, por alguns meses, a cobrança do ‘serviço’ da dívida, que transfere à União, todos os meses, a bagatela de R$ 50 milhões.

QUESTÃO DA DÍVIDA 2
Pedir, simplesmente, que o governo renegocie os termos da dívida e deixe de cobrar os juros, não vai funcionar nunca, porque os demais estados em crise exigiriam tratamento isonômico.

O TOMBO DO SENADOR QUE PREGAVA A ÉTICA
O (ainda) senador Demóstenes Torres acaba de morrer por falência múltipla de suas virtudes éticas e morais. Sua ligação com o crime foi um choque para a sociedade brasileira, habituada que estava a vê-lo combater o bom combate no Congresso Nacional. E chocou ainda mais por se tratar de um ícone das oposições.

ATAQUES GRATUITOS
Quem disse que Renan Calheiros é candidato à presidência do Senado? Um assessor responde: “Exclusivamente, quem especula esse propósito com o intento de expô-lo a críticas gratuitas”.

HERDEIRO EM CAMPO
Mauro Guedes Júnior (filho do ex-vereador Mauro Guedes (ou Mauro Jegue) está trabalhando sua candidatura à Câmara Municipal. Pretende representar os interesses do velho bairro de Bebedouro.

O SEGUNDO PARECIDO COM O PRIMEIRO
O prefeito Cícero Almeida está conseguindo derrubar o mito de que o segundo mandato nunca se compara ao primeiro. Com obras importantes em andamento e uma virada na gestão da assistência social, Almeida surpreende protagonizando um segundo mandato mais do que produtivo. Será, por isso mesmo, um dos mais importantes cabos eleitorais no processo sucessório de outubro vindouro.

CASA DE CAMPO
Se há algo que o Baldomero Cavalcanti não tem é aparência de presídio. Parece – e muito – com uma casa de campo, dessas que se costumam construir em grandes propriedades rurais.

ÁLCOOL E VOLANTE
Ao desqualificar relatos testemunhais como prova de embriaguez no volante, o STF restabelece o que a Lei Seca prevê: bafômetro e exame de sangue para provar que o motorista ingeriu álcool. E só.

LIBERAÇÃO DE BEBIDA NOS ESTÁDIOS
A liberação de bebida alcoólica nos estádios, durante a Copa do Mundo, não pode e não deve ser vista como uma afronta aos costumes nacionais. Aqui não se bebe nos clubes sociais, nos bailes carnavalescos, nas baladas desvairadas? E por que não nos estádios? Mais: o sujeito que bebe, bebe no estádio e, se não puder, bebe antes de se dirigir para assistir ao jogo. Pior é o indivíduo que vai para o campo turbinado por drogas. Esse vai pra bagunçar.

CABEÇA ZONZA
Tomando remédio para problema na tireóide, o deputado Temóteo Correia anda meio zonzo. Em perfeito estado, ele jamais se sairia tão mal como se saiu na conversa com os humoristas do CQC.

META DE ROSINHA
Até prova em contrário, Rosinha da Adefal não desistirá de concorrer à prefeitura de Maceió este ano. Ela quer uma aliança com o PMDB, mas, se não der, aceita ter um vice indicado pelo PT.

UM ESTIGMA CHAMADO OPERAÇÃO TATURANA
Tão cedo a Assembleia Legislativa vai se livrar de um estigma chamado Operação Taturana. Ou seja: de tempos em tempos, até que o processo dos taturanas seja julgado, o Legislativo aparecerá no noticiário em reportagens tratando do esquema de desvio de recursos denunciado pela Polícia Federal. Isto, seja ou não culpados os personagens do rumoroso enredo.

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Profetas ou embusteiros?

26/03/2012 05:11

É um escândalo atrás do outro. A Rede Globo já mostrou, em várias reportagens, o que é a ‘igreja’ universal. Mostrou seu fundador, Edir Macedo, ensinando como arrancar dinheiro dos fiéis. Mostrou o enriquecimento fácil, o patrimônio incrível. A universal parou de crescer, mas continua sugando, enriquecendo.
Agora, é a vez da rival ‘igreja’ mundial. Reportagem da Rede Record revela que seu fundador, Valdemiro Santiago, comprou duas mega fazendas no Mato Grosso. Quanto? R$ 50 milhões, pagos à vista, em nome da ‘igreja’, ou seja, pago com dinheiro dos fiéis.
Guerra santa? Seria, se o confronto reunisse religiões sérias. Guerra satânica, envolvendo duas empresas, travestidas de igrejas. Entre uma e outra, a massa comprimida de fiéis carentes de tudo. Nesse ambiente promíscuo, de exploração descarada, a ‘cura’ de simples dor de cabeça é celebrada como ‘milagre’. Um escândalo.
Valdemiro, que se intitula ‘apóstolo’ (um messias com chapéu de cowboy), convoca: “Quero 7 mil pessoas, cada uma doando R$ 7 mil. Preciso de 7 milhões”. Um escárnio. Uma afronta aos poderes constituídos, ao Ministério Público, ao Judiciário, principalmente.
A tática dessa gente é perversa, desumana. Fatura, suga, em cima da desgraça alheia. Os maiores doadores, os mais espontâneos, são precisamente os mais miseráveis. Os desempregados, os doentes. A coleta golpeia mais fundo, calculadamente, os indefesos.
Guerra diabólica, mas ninguém faz nada. A televisão mostra, denuncia, e nada acontece. No país da ‘tolerância mil’, fazer o quê contra falsos profetas donos de empresas livres de impostos? Uma sugestão: manda esses milagreiros celebrar missa na UTI dos hospitais. Então, das duas, uma: ou a cura dos doentes terminais ou – exatamente isso – cadeia para os embusteiros incorrigíveis.

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A máfia dos precatórios em Alagoas

23/03/2012 14:08

Ao percorrer até agora oito estados para estruturar os setores de pagamentos de débitos dos governos locais, decorrentes de sentenças judiciais em favor dos cidadãos, O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) encontrou fraudes de toda ordem.
Em Alagoas, foi identificado um esquema de venda dos créditos, com deságio de até 90% e documentação irregular, a empresas, que rapidamente conseguem receber 100% dos valores em compensação tributária (veja quadro).
Segundo matéria do Correio Braziliense, desta sexta-feira, a estimativa é de que cerca de R$ 1 bilhão tenha sido movimentado dessa forma, envolvendo 500 credores — entre eles desembargadores, juízes, promotores e procuradores.
Conforme a reportagem do CB, a falta de controle era tão grande que o Tribunal de Justiça alagoano tenta rastrear, agora, quem já recebeu por essa via, para evitar pagamentos em duplicidade. “Mandei ofício à Procuradoria do Estado e à Secretaria de Fazenda pedindo nomes e valores, mas, até agora, não recebemos retorno”, destaca Diógenes Tenório, juiz responsável pelo setor de precatórios.
Ainda de acordo com a matéria do Correio, um problema crucial, verificado ao longo do trabalho de organização realizado pelo CNJ em Alagoas, foi a emissão de certidões de crédito, por parte das varas de Fazenda Pública, especialmente a 17ª, sem organização alguma. Tal documento, que não traz o valor devido, era calculado e negociado por escritórios de advocacia a empresas, principalmente a Telemar, hoje Oi.

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Primeira Edição © 2011