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Renan Calheiros é presidente do Senado Federal e, consequentemente, do Congresso Nacional, cargo que exerce pela terceira vez desde 1º de fevereiro de 2013. Como senador, foi eleito nas eleições de 2010 para o 3º mandato.

Sonho da casa própria é realidade

06/02/2012 11:51

Em plena crise internacional, um setor que vem apresentando grande expansão no mercado interno é o do crédito habitacional. Não apenas as instituições públicas estão abrindo crédito para compra da casa própria. Os bancos privados também estão investindo bastante no crédito para compra da moradia no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida.

A meta do governo e do setor privado é viabilizar o Minha Casa, Minha Vida 2, com mais dois milhões de unidades até o ano de 2014 e completar o Minha Casa, Minha Vida 1. Este impulso certamente vai colaborar para a expansão dos investimentos e do Produto Interno Bruto – PIB – do País.

O governo está otimista e projeta o crescimento do PIB acima de 4% em 2012. Por isso, é importante investimentos pesados em vários segmentos, sendo que o destaque é exatamente o setor habitacional. Só a Caixa Econômica Federal disponibilizará 90 bilhões de reais para serem colocados diretamente no Minha Casa, Minha Vida agora em 2012.

O crédito habitacional no País, em 2011, registrou um acréscimo de 44% e, para 2012, a tendência de crescimento deve ser mantida. Além dos 90 bilhões da CEF, o Banco do Brasil vai disponibilizar outros R$ 7 bilhões para financiamento de moradias no âmbito do programa Minha Casa, Minha Vida.

Do total da meta – dois milhões de casas até 2014 – cerca de um milhão de habitações já foram entregues. Por isso o governo está intensificando as reuniões com os segmentos responsáveis pela instalação de luz, água, entre outros, para agilizar a entrega das novas unidades.

O governo está atuando junto às grandes concessionárias estaduais e às prefeituras no que diz respeito à ligação de água e à concessão do habite-se. Só em 2011, o programa Minha Casa, Minha Vida, no âmbito da Caixa Econômica Federal, concluiu 700 mil casas, sendo que desse total foram entregues 550 mil no ano passado. Para 2012, a meta é entregar entre 400 mil e 500 mil unidades e firmar 600 mil contratos de novas moradias.

O Minha Casa, Minha Vida é, sem dúvida, um dos mais relevantes programas do governo. Além do indiscutível alcance social, o programa tem óbvias repercussões na economia interna. Foi o aquecimento do mercado interno que tirou o Brasil mais cedo da crise de 2008/2009 e que agora será, novamente, fator decisivo para confirmar a expectativa de crescimento.
 

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O Brasil depois da Copa do Mundo

30/01/2012 09:16

O Brasil está se preparando para sediar nos próximos anos dois dos maiores eventos do planeta. As olimpíadas em 2016 e a Copa de futebol em 2014. Mais do que sediar os jogos, eventos desta magnitude sempre implicam em melhorias para o País.

Os projetos para Copa foram divididos entre governo federal, governos estaduais, municipais e iniciativa privada. São estimados perto R$ 33 bilhões de investimentos em infraestrutura.

Eles incluem a construção ou reforma de estádios, ampliação de aeroportos, reforma de portos e dezenas de obras rodoviárias. Do total de investimentos, 75% serão provenientes do setor público: 22% do Orçamento Geral da União, 33% em financiamentos para estados e municípios e 22% de orçamentos municipais.

A maior parte das obras está sendo financiada pelo BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Na média, o cronograma das obras está em dia, com atrasos pontuais em uma ou outra capital. O próprio ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, assegurou em entrevista recente que as obras estão dentro do prazo. Só em obras nos estádios foram previstos investimentos diretos da ordem de 5,8 bilhões de reais.

Além da construção e reformas de espaços esportivos, o governo brasileiro vai investir em infraestrutura. Desta forma o poder público vai fazer investimentos diretos em hotelaria, com linhas de crédito de R$ 1 bilhão do BNDES, e investimentos em aeroportos, portos e, principalmente, em transporte público para melhoria a mobilidade urbana.

Foram selecionados 51 projetos de mobilidade urbana que terão prioridade de investimentos no total de R$ 11,5 bilhões. Entre eles os chamados BRTs, ou corredores expressos de ônibus em várias capitais, Veículos Leve sobre Trilho – VLT – e muitas outras melhorias viárias para aumentar o bem estar dos brasileiros.

Na melhoria aeroportuária o governo pretende investir perto de R$ 5,6 bilhões. Investimentos para reforma e ampliação de 13 aeroportos. As obras serão para modernizar terminais de passageiros, esteiras de bagagens, pistas e outras melhorias para aumentar a capacidade operacional dos aeroportos brasileiros.

Outra frente importante de investimentos está prevista para os portos brasileiros, notadamente aqueles que terão relação direta com a Copa do Mundo. O governo pretende investir R$ 740 milhões em ampliações e melhorias dos portos, especialmente em terminais de passageiros e acessibilidade marítima e terrestre.

O Brasil, portanto, conseguirá realizar uma das melhores copas de futebol da história. A FIFA se comprometeu a reservar um grande contingente de entradas para brasileiros, ingressos que não serão colocados à venda no exterior. Na Alemanha, por exemplo, 65% dos torcedores eram alemães. Entendo que seja uma boa proporção também para o Brasil.
 

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A hora da inclusão digital

23/01/2012 08:50

A pesquisa feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE – sobre acesso aos computadores e à internet traz um dado intranquilizante para o Brasil: metade dos estudantes brasileiros está desconectada. De acordo com a OCDE, as escolas brasileiras não estão equipadas e o Brasil segue sendo um país desigual em termos de acesso aos computadores.

De um total de 65 nações pesquisadas, apenas dez estão em uma situação pior que a do Brasil. Segundo o levantamento, alunos da Romênia, Rússia e Bulgária contam com mais acesso à tecnologia que os brasileiros.

A média brasileira precisa melhorar: 53% dos estudantes brasileiros de 15 anos têm computadores em casa. Há dez anos, essa taxa era de apenas 23%. Apesar do avanço, os números são ainda inferiores à média dos países ricos. Na Europa, Estados Unidos e Japão, em média, mais de 90% dos estudantes tem um computador em casa.

O estudo revela que a média brasileira encobre uma profunda desigualdade no acesso à informática. Entre a camada mais rica dos estudantes, 86% deles têm computador e Internet em casa. A taxa é equivalente aos estudantes dos países ricos.

Já entre os estudantes com menos recursos, apenas 15% tem a ferramenta no Brasil. A proporção é bem melhor que o cenário do ano 2000. Naquele ano, apenas um a cada 100 estudantes pobres tinha acesso ao computador. Agora, são 15 alunos para cada 100 com acesso.
É papel do poder público compensar com políticas públicas as disparidades sociais, neste caso, fornecendo o acesso aos computadores nas escolas. Isso porque muitas famílias não têm renda para ter um computador em casa.

As ações devem compensar a assimetria e dar este acesso nas escolas ou em locais públicos. Hoje, nas escolas brasileiras, existe apenas um computador para cada cinco alunos. Nos países ricos, as escolas disponibilizam um computador para cada dois alunos.

O aprendizado do uso de computadores e o acesso à rede universal são fundamentais para o futuro dos nossos jovens. Estudos revelam que pessoas com conhecimento de informática têm 25% a mais de chance de encontrar um trabalho. Portanto, preparar os alunos para o futuro é fundamental.

E o computador com acesso à internet não se limita à empregabilidade. As rotinas da atualidade, tirar um documento, comprar uma passagem, matricular-se em uma escola, inscrever-se em instituições públicas ou privadas dependem, cada vez mais, do computador e da internet.

O Plano Nacional de Banda Larga do governo é um importante passo para iniciarmos a correção dessas distorções. Mais do que plantas de fibra ótica integrando todo o país, esse plano vai propiciar a inclusão digital de milhões de estudantes brasileiros.
 

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A era do dinheiro de plástico

19/01/2012 19:07

A região Nordeste vem apresentando, ao longo dos últimos anos, um crescimento econômico superior a de outras regiões do País. Resultado concreto desta expansão é o aumento na quantidade de cartões de crédito utilizados como meio de pagamento. Em 2011 o Nordeste superou o Sudeste no número de consumidores com seu primeiro cartão de crédito.

A região acumulou, em 2011, 43% das novas adesões de todo o país. De outro lado, o Sudeste respondeu por 36%. Depois apareceram a região Sul, com 11,41%, o Norte, com 6,04%, e a região Centro-Oeste , com 3,49% de todos os cartões de crédito emitidos no Brasil.

Até bem pouco tempo, em 2009, 48,28% dos novos cartões eram do Sudeste e apenas 29,31% do Nordeste. Isso mostra que a economia da região se expandiu, comprova o aumento de renda e também indica o otimismo do nordestino ao aumentar suas compras na forma de crédito.

Os novos clientes de cartão de crédito estão no segmento jovem. Grupo formado por jovens trabalhadores de baixa renda, estudantes de periferia e famílias que recebem assistência do Estado. Em segundo lugar, aparece o segmento de profissionais em ascensão social, como os donos de pequenos negócios. O número de pessoas que tocam o próprio negócio no Brasil já supera a marca de 21 milhões de empreendedores.

Outro dado revelador da mesma pesquisa registra um crescimento de adesão ao cartão de crédito na chamada classe E. Em 2009, 52% do total dos solicitantes pertenciam a esse grupo social. No ano seguinte, 2010, o número cresceu para 54,8% e, agora em 2011, para 58,5% dos cartões emitidos estão concentrados na classe E.

Outro fator que chama a atenção é a redução dos calotes nas compras efetuadas com cartões de crédito. Em 2009, 8% dos novos consumidores ficaram com pendências na fatura. Em 2010, a inadimplência caiu para 4,8%, e, em 2011, houve uma pequena elevação para 5,2%.

Outra pesquisa do Banco Central comprova a expansão do uso do dinheiro de plástico. Ao utilizar os cartões, os brasileiros de menor renda preferem a função do crédito ao uso no débito. A mesma pesquisa mostra que cartão de crédito é mais popular entre as classes C, D e E, enquanto as classes A e B preferem a opção do débito.

O uso de cartões pré-pagos, hoje restrito a viagens ao exterior, vai se popularizando e, muito em breve, vai invadir o mercado. O pré-pago tem maior alcance que os cartões tradicionais, taxa zero de inadimplência, maior controle sobre as despesas e o fato de poder ser utilizado por segmentos que hoje não têm conta corrente – cerca de 40% dos brasileiros. Muito em breve, o dinheiro de plástico vai substituir as cédulas e moedas tradicionais.
 

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Brasil empreendedor

10/01/2012 11:55

O Brasil possui atualmente mais 21 milhões de pessoas comandando o próprio negócio. É a maior taxa entre os países do G-20. Este número de empreendedores é importante, mas devemos dar qualidade ao setor para que os negócios sobrevivam. Apesar da evolução, um dos problemas do segmento segue sendo o crédito.

Na última década construímos um grande mercado consumidor. Isso melhorou a economia e teve impactos diretos na evolução positiva do empreendedorismo. Houve também uma significativa melhoria na área legislativa. Já são quatro anos do Supersimples, que diminuiu a burocracia e os tributos para as pequenas empresas. Lei que tive a oportunidade de negociar e aprovar quando presidi o Congresso Nacional.

A atualização da lei do Supersimples, no final de 2011, foi outro exemplo de que o Brasil está apostando no setor, mas precisamos avançar mais no crédito. Um projeto de minha autoria, incorporado pelo governo, inseriu os microempreendedores individuais como beneficiários do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado, dos fundos constitucionais de financiamento e do Fundo de Amparo do Trabalhador – FAT.

O crédito para o empreendedor Individual (faturamento até R$ 60 mil por ano) é ainda mais complicado. O número de formalizados chegou a 1,8 milhão em dois anos. Para tornar sustentáveis estes negócios, o crédito é vital e os bancos públicos têm grande responsabilidade nisso. O acesso ao crédito vem melhorando com instrumentos como o Cartão BNDES, Crediamigo, do Banco do Nordeste, e até com o ingresso de bancos privados que estão reconhecendo a importância econômica do segmento.

Outra demonstração da firme aposta do governo no segmento foi a expansão das pequenas e micro empresas na venda de produtos e serviços para o governo federal. Eles saltaram de R$ 2,1 bilhões em 2006 para 15,9 bilhões em 2010. Um crescimento de 600% em apenas cinco anos. A cada R$ 1 bilhão de compras feitas pelo governo neste setor são criados 8 mil empregos diretos e 16 mil vagas indiretas.

Nos próximos anos os pequenos negócios ainda vão ganhar muito fôlego, especialmente durante os eventos mundiais que o Brasil vai sediar. O desejável é que a participação das pequenas e micro empresas passe dos atuais 20% do PIB para 35% ou 40%, que são os percentuais de vários países europeus. O setor pode contar comigo no Congresso.
 

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Primeira Edição © 2011