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Renan Calheiros é presidente do Senado Federal e, consequentemente, do Congresso Nacional, cargo que exerce pela terceira vez desde 1º de fevereiro de 2013. Como senador, foi eleito nas eleições de 2010 para o 3º mandato.

Os juros, enfim, começam a cair

16/04/2012 08:20

Nos últimos dias os bancos públicos brasileiros, responsáveis por expressiva parcela dos clientes do País, anunciaram uma drástica redução da taxa de juros. Os juros foram cortados e houve aumento do crédito para pessoas físicas, micro e pequenas empresas. Isso ocorreu no Banco do Brasil, no Banco do Nordeste e na Caixa Econômica Federal. Espera-se que os bancos privados sigam o mesmo caminho.

O Banco do Brasil, por exemplo, vai elevar em R$ 26,8 bilhões os limites de crédito para micro e pequenas empresas e em R$ 16,3 bilhões os limites para pessoas físicas, com critérios para atender aos bons pagadores. As principais linhas para pessoas físicas terão redução de juros. O financiamento de veículos, por exemplo, terá taxas a partir de 0,99% ao mês, com crédito pré-aprovado e sem tarifas embutidas. A queda é de 19%.

Para compra de bens e serviços de consumo, os juros médios serão reduzidos em 45%. O cliente do BB poderá, ainda, utilizar o limite de crédito através do Ourocard Crediário – linha de cartões temáticos criada para ser um instrumento de acesso ao crédito tradicional. Ele poderá ser utilizado na compra de eletroeletrônicos, materiais de construção, serviços de turismo, equipamentos de informática e outros bens e serviços.

Para os aposentados e pensionistas beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), as taxas do crédito consignado serão de 0,85% a, no máximo, 1,80% ao mês. Já os assalariados que recebem por meio do BB e optarem por aderir aos pacotes de serviços contarão com a taxa de juros do rotativo do cartão de crédito de 3% ao mês – a taxa média atual é de 12,25%.

As micros e pequenas empresas também serão beneficiadas com redução de 15% na taxa média das principais linhas de capital de giro, que vão cobrar encargos mensais a partir de 0,96%. A taxa média de recebíveis, cheques pré-datados, duplicatas, promissórias e cartões de crédito terão juros a partir de 1,26% ao mês. Com a medida, os empresários podem agora financiar seu capital de giro com taxa de juros a partir de 0,96% ao mês. Já os valores das vendas a prazo com cheques pré-datados, duplicatas e cartões de crédito poderão ser antecipados com encargos a partir de 1,26% ao mês.

O movimento, capitaneado pelos bancos públicos, certamente vai levar a um aumento da oferta de crédito no país e redução das taxas de juros. Mas o consumidor deve redobrar a cautela na hora de decidir por contratar um financiamento. Os consumidores devem se certificar de que as taxas oferecidas pelos bancos são, de fato, vantajosas e negociar com as agências vantagens melhores àquelas oferecidas pela concorrência. Com responsabilidade e equilíbrio o Brasil, finalmente, vai reduzir as taxas de juros, uma das maiores do planeta.
 

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Pacote garante empregos e crescimento

09/04/2012 11:53

Diante de resultados modestos da indústria no começo deste ano, o governo federal mostrou que está muito atento à crise econômica e voltou a anunciar medidas para estimular o crescimento do setor no Brasil. Às vésperas do feriado foram anunciados vários cortes de tributos. As estimativas apontam que, somando todas as medidas, o país deixará de arrecadar R$ 10 bilhões em impostos por ano.

A principal medida reduz substancialmente os gastos com folha de pagamentos. Empresas dos 15 setores mais afetados pela crise econômica global vão deixar de pagar os 20% de contribuição patronal do INSS. Desta maneira contratar vai ficar mais barato para as companhias, mas, de outro lado, reduz os recursos da Previdência. Eventuais deficits da previdência, antecipou a área econômica, serão cobertos pelo governo federal.

A área econômica anunciou ainda que, para compensar a renúncia fiscal do pacote de estímulo à indústria, o governo está aumentando a alíquota de impostos de certas áreas, como bebidas e fumo. Também foram anunciadas outras importantes medidas, como redução de até 30 pontos percentuais no IPI de carros que usarem peças nacionais ou da região do Mercosul e investirem em inovação, corte de impostos para investimentos em infraestrutura – portos e trens – e incentivo para instalação de banda larga de internet.

Os cortes de impostos beneficiam os setores têxtil, confecções, couro e calçados, móveis, plásticos, material elétrico, autopeças, ônibus, naval, aéreo, mecânico, hotéis, tecnologia de informação, call center e chips.

No lugar da contribuição do INSS, de 20% sobre o salário de cada trabalhador, será cobrado de 1% a 2,5% sobre o faturamento da empresa, conforme a área. As áreas têxtil e autopeças, por exemplo, pagarão 1%. Tecnologia da informação e call center pagarão 2%%. É um valor muito menor do que aquele que está sendo reduzido na folha de pagamento.

Esta nova alíquota também não vai incidir sobre exportações, aumentando a competitividade de quem exporta. A preocupação do governo brasileiro é, principalmente, reduzir os custos dos produtos brasileiros no exterior, para que as companhias brasileiras sejam competitivas e possam vender mais lá fora.

Nos últimos meses, o Brasil vem implementando importantes medidas, como isenções fiscais e outras ações, para estimular a economia interna, que cresceu 2,7% em 2011. Para este ano, a meta do governo brasileiro é que o país atinja pelo menos 4,5% de crescimento. Meta que, sem dúvida, o Brasil irá alcançar.
 

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Distribuição de renda amplia classe C

02/04/2012 09:09

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou números relevantes sobre o desempenho da economia e sobre a expansão dos salários. Segundo o Instituto, o rendimento médio real dos trabalhadores, já descontada a inflação, atingiu em fevereiro o nível mais alto da série, com uma remuneração de R$ 1.699,70. Em relação a janeiro, o rendimento cresceu 1,2%. A alta de um ano (fevereiro 2011/fevereiro 2012) foi de 4,4%.

A pesquisa do IBGE aponta que o principal motivo para o rendimento médio real recorde foi a alta do salário mínimo, que subiu 14% no início deste ano, de R$ 545 para R$ 622. O reajuste do mínimo acima da inflação foi uma decisiva contribuição do Senado Federal proposta quando eu presidia o Congresso Nacional.

Ainda de acordo com o IBGE, o maior rendimento do país foi registrado em São Paulo. Os trabalhadores do Estado tiveram rendimento real médio de R$ 1.813, acima dos R$ 1.805 do Rio de Janeiro, o segundo colocado. Todas as seis regiões pesquisadas apresentaram aumento no rendimento em fevereiro. Os aumentos do rendimento beneficiaram principalmente trabalhadores da indústria e do comércio.

Consequência imediata desta expansão é o permanente aumento do tamanho da classe C, que continuou a crescer no Brasil em 2011. A participação desse segmento na população brasileira foi de 54%. Em 2010, ela representava 53% da população.

A classe C recebeu 2,7 milhões de brasileiros em 2011, vindos da classe D e E. Hoje, 103 milhões de pessoas fazem parte dessa classe social. A classe DE, por sua vez, encolheu no ano passado, representando 24% da população, num total de 45,2 milhões de brasileiros. Em 2010, eram 47,9 milhões de pessoas, ou 25% da população.

A classe C foi o segmento da população cuja renda média familiar cresceu em 2011. A evolução foi de 8%. Já as classes AB e DE tiveram uma ligeira queda na renda. No caso da AB, a renda caiu de R$ 2.907 em 2010 para R$ 2.893 no ano passado. A renda da classe DE diminuiu de R$ 809 para R$ 792 no mesmo período.

As transformações sócio-econômicas registradas ao longo dos últimos anos confirmam que o crescimento econômico sustentado e a distribuição de renda estão sendo decisivos para promover a tão sonhada mobilidade social perseguida por tantos anos e por tantos governos.

Nós, do PMDB, temos orgulho de estar participando de um momento histórico do Brasil, onde as diferenças sociais estão diminuindo e a renda está, efetivamente, sendo redistribuída. Democracia, afinal, não é só o direito de ir e vir, o dever do voto, mas é, sobretudo, oferecer igualdade de oportunidades entre todos os brasileiros.


 

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Salários sobem mais que inflação

26/03/2012 20:08

O mais recente estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – Dieese –sobre a evolução salarial no Brasil, mostrou que a expansão dos salários em 2011 teve expressiva participação na vitalidade do consumo e da economia interna.

Nada menos do que 86,8% de 702 acordos salariais fechados em 2011 obtiveram reajustes acima da inflação medida pelo INPC. Segundo o mesmo levantamento, apenas 7,5% dos acordos repuseram a inflação e somente 5,7% tiveram reajustes abaixo do INPC do ano passado.

O comparativo 2011/2010 registrou uma queda muito suave dos ganhos salariais. Os acordos que conseguiram ganho real em 2010 chegaram a 88,2% do total. Os que empataram com a inflação foram 7,4% e os que perderam do INPC, 4,4%. O desempenho, entretanto, foi superior aos resultados obtidos em 2008 e 2009.

Na divisão por setores econômicos, o maior porcentual de ganhos reais foi verificado no comércio, onde 97% dos acordos ficaram acima do INPC. Logo depois vieram a indústria, com 90% de reajustes reais, e serviços, com 76%. Apenas repuseram a inflação, em 2011, 11,9% dos acordos em serviços, 6,5% na indústria e 1,8% no comércio.

A indústria de três setores conseguiram ganhos reais em 100% dos acordos fechados em 2011: construção e mobiliário, extrativista e papel, papelão e cortiça. Já a construção e mobiliário também conseguiu o melhor aumento real médio – de 2,23% –, seguido pelo setor metalúrgico, mecânico e de material elétrico (2,04%).

A indústria como um todo apresentou aumento real médio de 1,54%, resultado que levou 2011 ao segundo melhor desempenho desde 2008, já que em 2010 o aumento real médio da indústria foi de 1,83% e, em 2009, de 0,96%. Em 2008, a média ficou em 1,17% – o Dieese faz essa relação de acordos salariais desde 1996, mas só a partir de 2008 passou a registrar os resultados de todos os atuais grupos de negociação.

No ranking das dez atividades do setor de serviços, o menor aumento real médio ficou com comunicações, publicidade e empresas jornalísticas: 0,27%. O maior foi alcançado por turismo e hospitalidade: 1,83%.

O atual cenário econômico, com a inflação sob controle, queda das taxas de juros e o impulso da atividade econômica, tendem a favorecer novamente os trabalhadores nas negociações salariais que ocorrerão durante o ano. Mesmo a crise internacional e um temor de desindustrialização não serão argumentos capazes e conter uma nova expansão dos salários.

A recomposição do poder de compra do salário mínimo, nascida no Congresso, e um mercado interno forte devem influenciar positivamente nas negociações salariais. Mais uma vez fica evidente que os reajustes reais do salário mínimo, somados à expansão da massa salarial, está conseguindo com que o Brasil seja um dos países menos vulneráveis às turbulências internacionais.
 

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Redução da desigualdade muda consumo

19/03/2012 09:38

Desde o início do ano começou a ser aplicada uma nova fórmula de cálculo da inflação. Ela vem demonstrando que o perfil do consumo das famílias brasileiras passa por uma verdadeira revolução. Com a mobilidade de 48 milhões à classe média nos últimos dez anos, a população agora consome maior parte da renda com bens de consumo e transportes.

Na esteira da inclusão econômica, o Brasil estaria vivendo, de acordo com os especialistas, um processo bem mais complexo do que a ida da nova classe C às compras. Segundo os técnicos, está ocorrendo uma espécie de globalização do consumo, incentivado pela televisão e pela internet.

As transformações compreendem a alimentação, mas também o aumento na venda das passagens aéreas evidenciando que o Brasil se tornou em um país moderno. Outro exemplo é o consumo de eletrônicos, cujo peso subiu de 1,38% para 2,01% no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). São esses produtos que mantêm as pessoas interligadas à rede mundial de computadores.

Esse perfil de consumo tende a se manter com redução das diferenças sociais no país. De acordo com o Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, a desigualdade social no Brasil caiu pelo décimo segundo ano consecutivo. O índice de GINI é a taxa medida entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1 maior é desigualdade do País. O índice GINI no Brasil chegou a 0,5190 em janeiro de 2012 ante 0,5377 em 2010. Em 2001, a taxa era de 0,5957. Ou seja, o Brasil se encontra no menor nível da nossa história em termos de desigualdades sociais.

As sucessivas crises econômicas pelo mundo – a mais recente no continente europeu – não estão atingindo o consumidor brasileiro de forma mais intensa. Os dados da pesquisa mensal de emprego do IBGE, reunidos pela FGV, mostram que o crescimento da renda per capita foi de 2,7% entre janeiro de 2011 e janeiro de 2012. A taxa média entre 2002 e 2008 também tinha sido de 2,7%.

Outra projeção relevante apontada pela FGV é que Classe AB será a que mais vai crescer no Brasil. Após o ingresso de 48 milhões de pessoas na classe C, entre 2003 e 2011, outros 13 milhões de brasileiros devem fazer parte da classe média brasileira até 2014. Já a classe AB, que ganhou 9,2 milhões de pessoas entre 2003 e 2011, deve ter um aumento de mais 7,7 milhões de brasileiros entre 2012 e 2014.

Todas as estatísticas sócio-econômicas recentes estão indicando que o Brasil, mais uma vez, pode ser menos prejudicado pelos tremores financeiros externos. Todos, de maneira unânime, atribuem esta solidez nacional ao consumo interno. Consumo que se mantém em alta graças aos aumentos do salário mínimo, à expansão da massa salarial e aos programas de transferência de renda. Programas que o PMDB ajudou a formular e implementar.

(*) É senador e líder da bancada do PMDB
 

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Primeira Edição © 2011