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Engenheiro Eletricista. Formado em Engenharia Elétrica pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió (CESMAC-FACET). Pós-graduado em Gestão de Manutenção pela União de Faculdades de Alagoas (UNIFAL/FIC). Pós-graduando no MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas-RJ (FGV-RJ). Membro do Comitê Brasileiro de Eletricidade (COBEI/CB-03). Foi Professor Substituto da cadeira de Conversão de Energia II do Curso de Engenharia Elétrica (CESMAC-FACET). Ampla experiência no Brasil e no Exterior (Angola-África) na área de Engenharia Elétrica e Energia (Obras, Projetos, Engenharia e Manutenção). É Sócio-Gerente da JM Engenharia Ltda.

2012 – Ano do Mercado Livre de Energia

31/05/2012 13:03

A implementação de um Mecanismo de Realocação de Energia para a fonte eólica será apresentado no âmbito da campanha 2012 – Ano do Mercado Livre de Energia, que tem o objetivo de valorizar as contribuições que o mercado livre de energia elétrica oferece à economia brasileira, ampliando o conhecimento sobre diversos aspectos do seu funcionamento a vários segmentos da sociedade, além de propor aprimoramentos regulatórios e de mecanismos de gestão, de modo a potencializar benefícios para todos: governo, indústria, comércio e consumidores.

A finalidade é apresentar um mecanismo que irá aprimorar a gestão de riscos e segurança da geração eólica no ambiente livre de energia, assim como já existe mecanismos para esse fim no ambiente regulado.

 

Fonte: Setorial Energia News

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A eólica avança, mesmo sem estocar

27/04/2012 10:19

Muito bom esse texto que visualizei hoje no site do Estadão.

Talvez um assessor devesse levar à Presidência da República o relatório divulgado há poucos dias pelo Conselho Global de Energia Eólica sobre o ano de 2011 (http://www.gwec.net/index.php?id=190), que mostra um extraordinário crescimento do potencial instalado nessa modalidade de energia no ano passado: 40,5 mil MW. Só em 2011 essa oferta de energia cresceu 6% e, acumulada, 20%. Embora não esteja ainda entre os dez maiores geradores (China, Estados Unidos, Alemanha, Espanha e Índia são os primeiros), o Brasil começa a figurar com destaque no relatório e pode ter "um futuro brilhante" na área.

O comentário inicial é motivado pelas observações da presidente, que numa discussão sobre clima, ao ironizar críticas a hidrelétricas em construção ou planejadas para a Amazônia, disse que "não há espaço para fantasia (...). Eu não posso falar: olha, é possível só com energia eólica iluminar o planeta". Também disse que "não é possível estocar vento" e enfatizou limitações à energia solar. O relatório pode servir ainda para o ministro de Minas e Energia, que considerou "demoníacas" restrições a mega-hidrelétricas amazônicas.

Na verdade, as críticas ao governo federal podem centrar-se em sua recusa a discutir a matriz energética e examinar diagnósticos como o da Unicamp - mais de uma vez citado neste espaço -, que afirma ter o Brasil a possibilidade de reduzir em 30% seu consumo de energia com conservação e eficiência, mais 10% com redução nas perdas nas linhas de transmissão e ganhar outros 10% com repotenciação de geradores antigos. Além disso, nestes tempos de escassez mundial de recursos e dramas climáticos, o País poderia ter matriz energética "limpa" e renovável, com as energias eólica, solar, de biomassas, geotérmica e de marés, ao lado da energia hidrelétrica - sem precisar recorrer às termoelétricas, poluidoras e caras, como faz atualmente.

Os números impressionantes da energia eólica em 2011 ocorreram apesar das dificuldades de países da União Europeia desde 2008, onde escassearam financiamentos normais e se colocaram em primeiro plano os de bancos de desenvolvimento - o que também deixou em evidência o brasileiro BNDES, o segundo maior financiador de eólicas no ano passado, com US$ 4,23 bilhões, quase cinco vezes mais que o Banco Mundial. Com isso a capacidade instalada no Brasil chegou a 1.509 MW, com a previsão de chegar a 7 mil MW até 2016. Ainda será pouco, quando se olham os números mundiais: 6.100 MW em 1996, em 2005 mais de 59 mil e 237.669 no ano passado. Mas é um avanço forte, apesar do plano secundário que a eólica ocupa na visão oficial brasileira.

Cenário impressionante é o da China, que implantou 18 mil MW em 2011, embora tenha baixado um pouco o ritmo de expansão. Mas já está com 62,3 mil MW e ainda pretende instalar 5 mil MW em usinas offshore (alto-mar) até 2015 (investimentos de US$ 137 bilhões até 2030).

A Índia já está com 16,08 mil MW; a Alemanha, com 29,06 mil; a Espanha, com 21,67 mil; e os Estados Unidos, com 46.91 mil. Mas a admiração corre para a Dinamarca, que, embora só tenha hoje 3,87 mil MW instalados, pretende chegar a 50% de toda a sua eletricidade gerada em eólicas. E a 100% de toda a energia renovável em 2050.

Hoje o investimento global em energia eólica está em US$ 68 bilhões/ano. Para 2012, com as dificuldades europeias e as incertezas no mercado de carbono - que pode influenciar a compra de energias limpas no âmbito do Protocolo de Kyoto -, a previsão é de US$ 21,4 bilhões. Mas, partindo de 2010, o investimento total até 2013 deverá alcançar quase US$ 200 bilhões.

Se computadas outras energias renováveis, só no ano passado foram investidos US$ 260 bilhões. Ainda parece muito pouco quando se lembra a previsão da Agência Mundial de Energia de que o mundo precisará investir US$ 38 trilhões em energia até 2035 para suprir o aumento da demanda (principalmente na China e na Índia) e gerar mais energia renovável. Ainda assim, o gás natural responderá por boa parte.

Chama a atenção também que em 2010, pela primeira vez, os chamados países emergentes investiram mais em eólicas do que os europeus (OCDE). E a tendência, segundo o Global Energy Outlook, é de que até 2030 metade da capacidade instalada nesse setor estará no Brasil (hoje só 0,4% da matriz energética), na China, na Índia, no México, na África do Sul e na Turquia.

Quem estiver atento lerá, todos os dias, notícias de avanços nesse setor entre nós. Mais 1.200 MW estão sendo instalados neste momento e está em discussão um potencial de mais 6 mil MW. O preço médio dessa energia caiu um terço desde 2005 e compete com a elétrica. Vários parques eólicos estão sendo implantados, principalmente no Nordeste. E a alegação de que a energia eólica não é estocável precisa ser confrontada com a possibilidade de redes de transmissão em que haja interligação com outras fontes, para os períodos de menor intensidade de ventos. Também com a possibilidade de maior produção com ventos captados a maior altura. E com a lembrança de que, podendo ser consumida perto dos locais de produção, a eólica gerará menos perdas nas linhas de longa distância. Se o potencial de 143 mil MW (fora offshore) for todo aproveitado, vai-se ter o equivalente à produção de dez usinas de Itaipu.

São muitos números, muitos argumentos. Importante é enfatizar as possibilidades brasileiras nessa área, como também na energia solar, nos biocombustíveis e outros formatos.

Estamos chegando à Rio+20, em que um dos focos estará na disponibilidade de recursos naturais e na possibilidade de incluir, na contabilidade de cada país, o valor de seus serviços - a nova contabilidade da "economia verde". Como país anfitrião, o Brasil tem o dever de assumir a vanguarda - até porque os novos caminhos só o favorecem, em qualquer contexto. Não há lugar para declarações infelizes como algumas no governo federal.

 

Fonte: www.estadao.com.br
 

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Energia eólica deve crescer 40% ao ano no Brasil até 2016

22/04/2012 21:33

O mercado brasileiro de energia eólica vem se destacando no cenário mundial, mesmo entre economias como China, Estados Unidos e Índia, que tradicionalmente têm concentrado investimentos no setor. Por aqui, estima-se um incremento do setor de 40% ao ano até 2016, enquanto a taxa média de crescimento anual do mercado em geral está próxima de 8% para os próximos cinco anos. As projeções são do Conselho Global de Energia Eólica (Global Wind Energy Council – GWEC).

As instalações de usinas da fonte no mundo devem somar algo em torno dos 500 GW até 2016, segundo o Global Wind Report 2011, com 255GW construídos entre 2012 e 2016. O relatório do GWEC aponta boas perspectivas para o setor neste ano, quando a indústria espera instalar 46 GW em nova capacidade.

 

Fonte: JORNAL DA ENERGIA

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Análise da Viabilidade do Aproveitamento Energético do Lixo

11/01/2012 07:54

Os resíduos decorrentes da atividade humana é hoje uma das mais graves ameaças ao meio-ambiente. O próprio sistema econômico no qual estamos inseridos promove o crescimento continuo de resíduos. Desta maneira, a disposição e o tratamento adequados destes resíduos tornam-se imprescindíveis à preservação dos recursos naturais e à própria saúde humana.

Por outro lado, a constatação do aquecimento global impulsiona a busca por soluções de geração de energia limpa, que evitem a emissão de gases de efeito estufa.

Desta forma, o aproveitamento energético de resíduos urbanos se mostra como uma alternativa extremamente eficaz na minimização destes dois problemas: promove um tratamento adequado do lixo, enquanto reduz as emissões de metano provenientes da decomposição da matéria orgânica e produz energia limpa. Além disso, a implantação de usinas termoelétricas movidas a lixo pode evitar a necessidade de geração de energia através de combustíveis fosseis.

Atualmente, as duas principais tecnologias para geração de energia elétrica a partir de resíduos urbanos são: através da captação e queima do biogás produzido nos aterros sanitários e pela incineração direta do lixo.

A seguir serão descritos, de acordo com a bibliografia citada, os sistemas de geração de energia elétrica através da queima de biogás em aterros sanitários e pela incineração direta do lixo.

O Sistema de Captação e Queima de Biogás em Aterros Sanitários

O biogás é formado a partir da decomposição anaeróbica dos resíduos orgânicos dispostos em aterros sanitários, com a seguinte composição: 40-55% de metano, 35-50% de dióxido de carbono, 0-20% de nitrogênio. O poder calorífico do biogás é de aproximadamente 5.800 kcal/m3.

No aterro sanitário, o lixo é depositado sobre o terreno e recoberto com camadas do solo do próprio local, isolando-o do meio ambiente. Formam-se então câmaras, nas quais é produzido o gás e liberado o chorume, que é captado através de tubulações e escoado para tanques de tratamento. Os gases liberados durante a decomposição dos resíduos são captados e podem ser utilizados como fonte de energia.

Um sistema padrão de coleta do biogás de aterro é composto por poços de coleta e tubos condutores, sistema de compressão e sistema de purificação do biogás. A coleta de gás normalmente começa após uma porção do aterro ser fechada. Existem duas configurações de sistemas de coleta: poços verticais e trincheiras horizontais, sendo que os poços verticais são o tipo mais usado de coleta. As trincheiras podem ser apropriadas para aterros profundos e podem ser usadas nas áreas de aterro ativo. Independente do sistema de coleta usado, cada uma das pontas do tubo é conectada a uma tubulação lateral que transporta o gás para um coletor principal. O biogás é succionado do aterro por compressores, que comprimem o gás antes de entrar no sistema de recuperação energética. O tamanho, tipo e número de compressores necessários dependerão da taxa do fluxo de gás e do nível de compressão desejado, que pode ser determinado pelo equipamento de conversão energética. Além disto, a maioria dos aterros sanitários com sistema de recuperação energética possui flare para queima do excesso do biogás ou para uso durante os períodos de manutenção dos equipamentos.

Quando o biogás (quente) produzido pelo aterro passa pela tubulação, acaba resfriando formando então um condensado. Caso não se remova esse condensado o sistema de coleta pode ser bloqueado interrompendo, então, o processo de recuperação de energia. O controle do condensado tem início no sistema de coleta onde são utilizados conectores e tubos inclinados para permitir a drenagem em tanques e após a coleta o condensado é removido. Os métodos para disposição do condensado são: descarga no sistema público de esgoto, sistema de tratamento local, e recirculação para o aterro sanitário.

As tecnologias convencionais para a transformação energética do biogás são os motores de combustão interna, turbinas a gás (ciclo aberto) e turbinas com utilização de vapor (ciclo combinado). Existem também tecnologias emergentes como as células de combustíveis que, ainda em fase de desenvolvimento e aperfeiçoamento, pode ser considerada uma tecnologia promissora.

A grande vantagem do aproveitamento energético do biogás em aterros sanitários é a eliminação da emissão de metano oriundo da decomposição da matéria orgânica, que tem alto poder de aquecimento global. As desvantagens desta tecnologia são: uso de grandes áreas para construção do aterro sanitário; o processo de conversão do lixo em energia é pouco eficiente; há risco de explosão e vazamento de chorume.

As vantagens do método de incineração direta do lixo são: redução do volume requerido para disposição do lixo; eficiência na transformação do lixo em energia; evita a construção de aterros sanitários e possíveis emissões de metano e formação de chorume; a geração de energia elétrica é feita sem ruídos e sem odores. Como desvantagens, podemos citar: inviabilidade do processo com resíduos de menor poder calorífico e aqueles clorados; alto custo e dificuldade de aceitação da população.

De acordo com os resultados obtidos podemos concluir que, apesar do custo mais elevado, o processo de incineração do lixo com aproveitamento energético apresenta mais vantagens em relação à alternativa de captação do biogás, como maior eficiência na conversão de energia e menores impactos ambientais, principalmente por eliminar a necessidade de construção de aterros sanitários.

No entanto, uma cidade que já possui um aterro sanitário, o aproveitamento energético do biogás deve ser visto como uma forma de amenizar seus efeitos negativos, evitando a emissão de metano na atmosfera e proporcionando melhorias ambientais e sociais.

 

Fonte: Artigo de minha autoria tomando como base um Estudo de Viabilidade numa cidade brasileira.

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Primeira Edição © 2011