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Prêmio Nobel de Física

10/10/2012 17:33

 

 

Vimos ontem o anúncio da dupla ganhadora do prêmio Nobel de Física que poderá levar a criação do computador quântico : o francês Haroche e o americano Wineland.

Muito bacana mesmo essa nova descoberta, e tantas outras , a ex da área de
química sobre os estudos receptores acoplados a proteína G que permitirão a produção de novos medicamentos e, consequentemente, acelerar as futuras curas na medicina .

São as cabeças locomotivas do mundo, sim ! Mas fico pensando que muitas dessas descobertas, principalmente na
área tecnológica (informática ) e suas mil e uma facetas para deixar o homem atual mais " veloz" e viajante desses invisíveis chips e
dessas máquinas que caberão ,em breve, na palma da mão, o impedirá, cada vez mais, de olhar ao lado e se comunicar -a nível humano -com toda essência e propósito para o qual foi destinado nesse mundo ,nessa passagem de vida...
Tenho que concordar com Einstein que ,apesar de ter sido uma dessas locomotivas e , sem dúvida , um dos maiores gênios do séc XX,declarou nos últimos anos de sua vida :

" Temo o dia em que a tecnologia se sobreponha á nossa humanidade: o mundo terá apenas uma geração de idiotas ".

 Boa dedução. Realmente, só acrescentando este raciocínio de Ana Maia Nobre, acreditamos que não é mais a informática a tecnologia de ponta, o mais novo ideal da humanidade são as pesquisas do genoma; é o futuro. E a criatividade jamais as máquinas vão ter. Parabéns pelo texto.

*Por Ana Maia Nobre

http://www.viverdearte.com/

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Um final de tarde em Tabuba

17/10/2012 06:43

As vésperas do fim de semana a orla marítima de Maceió estava com aquela movimentação de sempre, cheia de turistas em suas praias e ruas. Neste caso, no entardecer, há de se buscar um lugar de charme que a gente costuma ir sozinho ou acompanhado, para desvanecer-se um pouco desta fatigada existência. Existir não é fácil, enfatizou Sartre; e com o tédio que paira sobre esses nossos dias, pior ainda.

Irresoluto fiquei enquanto o relógio seguia o seu destino. Contudo, de chofre, avisei pelo telefone da minha prometida visita a alguém especial em Tabuba. Dizia naquele instante, que iria ver o pôr do Sol por lá. Não era tão repentinamente que eu estava sendo esperado; mas, já estava convidado mesmo, né?

A estrada do litoral norte sempre me causou certo prazer nos olhos pela beleza do verde junto ao mar. No começo dos anos 80 quando costumava deslocar-me ao Recife, quase sempre pelo litoral norte, ao passar por Paripueira, parecia também que estava ficando pra traz Maceió. Já na volta, quando o ônibus adentrava no município da Barra de Santo Antonio, sentia a sensação de que já estava bem próximo de casa. Não me sai da lembrança todo aquele cenário paradisíaco do nosso litoral norte nos arredores de nossa capital. Porém, as coisas já não são mais como antes, tem se construído muito, e a população pobre, por justo motivo, também tem invadido muitas áreas verdes, e por aí vai. O resto da história todo mundo sabe o script. 

Tabuba estava plena naquela tarde. A casa que visitamos, mesmo em reformas, foi acolhedora. Elogiei o terreno onde foi construída, que ficava de esquina e acima do nível da rua. Gostei do jardim ao lado onde está sendo montada uma grande piscina de fibra. O muro também ficou aprazível, na altura do ombro, nos proporcionando espiar lá fora. Além da doce sensibilidade da dona da casa, em preservar bem no meio do jardim um velho cajueiro alto e majestoso. E do seu projeto do viveiro de passarinhos, que juntamente com três cadelinhas de madame e um casal de galinho da índia, deixarão a casa durante o dia com aquele barulhinho bom. 

Caminhamos pelas alamedas pisando em folhas secas até a desembocadura do mar. A maré estava cheia e o sol caía por traz de alguns sobrados e coqueirais. Uma jangada voltava do mar aberto de sua aventura pesqueira. Ali, ficamos um tempo sob o sopro da maresia diante da enseada da praia, a falar sobre as coisas da vida. Esquecemos um pouco o cotidiano e seus compromissos e demos leveza à conversa. Percebi que logo adiante mais ao sul, havia um aprazível restaurante e que agora virou um condomínio residencial. Mais ao norte permanece a colônia de pescadores; ainda bem. Colônias de pescadores é o coração de uma praia, sem suas jangadas e redes que saem das águas, não tem graça o lugar. 
Voltamos a casa já com o Sol se despedindo, tempo em que se fazia os preparativos da ceia. A mesa, concluímos nossos assuntos; e na varanda, deixamos à digestão dar o apito final. Ao despedir-me de Eliane, nossa grata anfitriã e viúva de meu pai, abracei-lhe, e como últimas palavras, disse que ela foi um grande amor do nosso querido velho. Seu rosto mostrou emoção inesperada. Olhei para o relógio, marcava 20h30min, e reclamava que já era tempo de pegar a estrada. E aí, deixamos tabuba a descansar, sob a lua, e sobre o mar.

 

cronicjf@gmail.com

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A graça das mulheres nos estádios

24/10/2012 15:23

 

Recomeçou aqui no Imundão Apito Cruz 1x0 Luverdense! Essa aí é a bandeirinha do jogo, Lilian Fernandes, que está fazendo a nossa alegria aqui nas cabines! Os homens comumente têm medo da beleza das mulheres (Dostoiévski), e isso pode melhorar a paz nos estádios. A violência nos jogos de futebol tem sido uma constante dentro do nosso convívio social esportivo. E ninguém sabe bem o motivo pelo qual se processa esse comportamento. Não acredito que seja puramente pelo fanatismo de amor a camisa do seu time. Creio que por trás disso há um motivo oculto, quase invisível proviniente da própria violência social que vem lá de fora do estádio, mas é um caso que desgosta a todos, principalmente,  aqueles que gostam de ir a campo, e que aos poucos vão fiacando tolhidos em passar algum constragimento provocado pelas torcidas.

Aí, voltamos a pensar que soluções práticas poderiam ser adotadas para uma melhor segurança dos nossos espetáculos. Eu mesmo penso que esse trabalho da segurança deveria ser financiado pelos próprios clubes, que são sociedades privadas e tem que cuidar de seus interesses. Acontece que os clubes, em especial os pequenos, todos passam situações financeiras difíceis, e que hoje com a atual política de concentração dos recursos junto a CBF, os clubes iriam onerar-se um pouco em gastar com a segurança. Mas não seria uma despesa que incomodasse tanto, visto que seria fruto o seu pagamento, da própria renda do espetáculo. Porque colocar a polícia para fazer esse trabalho é um contrasenso, pois a polícia que é paga pelo contribuinte tem que está nas ruas para proteger o cidadão, e não está fazendo segurança nos estádios para um espetáculo privado e de renda própria. Fez bem o comandante da polícia do Rio Grande do Sul, em determinar a ausência da polícia militar e civil nos estádios de futebol, alegando que os times é que paguem por esse serviço com segurança privada. É por aí mesmo o caminho.

Por isso, é que quando vimos a bandeirinha Lilian Fernandes dando um banho de beleza lá no Imundão, concluimos que aquela tese de que a beleza é quem nos salvará, tenha tudo a ver com o script desse imbróglio. A presença da mulher neste contexto esportivo, vem não só trazer a beleza que assusta um pouco aos homens deixando-os mais tímidos, mas abrilhantar o espetáculo como um todo. Afinal, todos saimos do útero de uma mulher, e todos nos deleitamos com sua amamentação. No inconciente coletivo, a presença da mulher no gramado dando as regras do jogo, poderá acalmar mais os ânimos das torcidas, não só pela beleza física, mas também da alma feminina; porque, sem dúvidas, isso é o que  nos salvará.


 

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1958: O ANO QUE NÃO DEVIA TERMINAR

08/11/2012 16:07

 

1958: O ANO QUE NÃO DEVIA TERMINAR
Por ocasião da minha data natalícia agora em novembro, ocorreu-me passar o dia comigo mesmo na maior das trivialidades. Fiquei mais em casa, olhei o mar que estava em brumas sem nenhum pescador se aventurando, e bateu-me aquele vento de novembro dos cabelos aos pés. Tentei segurar a sombrinha da mesa do vento revolto, ela estava bem segura, mas batia-me um medo danado de que pudesse voar levando até a mesa. Tive então que retirar-me daquele céu aberto e do sol ameno pelo vento naquele final de manhã. Mas, por fim, recolhi-me e assim fiquei, e durante o dia procurei fazer alguma algo leve das boas coisas da vida, e terminei mesmo foi fixando meu pensamento no ano em que nasci 1958. Este ano, numa análise sensacional que já ouvi, foi a esquina entre o passado e o futuro, uma época áurea que talvez nunca mais voltemos a viver. Interessante nascer na esquina entre o passado e o futuro, isso me atinou a cabeça durante o dia. É coisa pra se pensar e deixar as boas cabeças tirarem suas conclusões. Quanto a mim, desejo aos meus contemporâneos natalícios de 1958, que deve ser muitos, toda felicidade e toda paz do ano em que nascemos. Se não vejamos este pequeno resumo:

FELIZ 1958! — O ANO QUE NÃO DEVIA TERMINAR, de Joaquim Ferreira dos Santos, lançamento da Editora Record, conta a delícia de ser brasileiro naquele final sorridente dos anos 50. O Brasil foi campeão do mundo de futebol pela primeira vez. João Gilberto lançou o 78 rotações com Chega de saudade e deu o arremate final na bossa nova. JK botou nas ruas o DKW-Vemag, o primeiro carro com 50% de suas peças produzidas aqui. Tudo deu certo.O autor entrevistou personagens daquele ano, mergulhou nos arquivos de O Cruzeiro, ouviu fitas da Rádio Nacional e trouxe um perfil do período mais exuberante de nossas vidas neste século. O cinema novo começava a produzir, mas a chanchada ainda demonstrava vigor em 17 filmes. Zé Celso inaugurava a vanguarda do teatro oficina, mas o teatrão do TBC continuava em cena. O Brasil embicava para a modernidade — Oscar Niemeyer traçava Brasília, o Jornal do Brasil realizava sua reforma gráfica —, mas convivia sem conflitos com o seu passado. Ao contrário de 1968, quando o pau quebrou e o ano não terminou, segundo a definição do livro de Zuenir Ventura, 58 foi tão harmonioso que não devia terminar nunca. Adalgisa Colombo sagrou-se Miss Brasil revolucionando os concursos de beleza com uma ousadia que antecipava as mulheres dos anos 60. Nas ruas do Rio, além das novidades da indústria automobilística nacional, o charme de uma cidade que vivia os últimos dias de capital federal. Carmen Mayrink Veiga lembra os jantares à luz de velas no Country Club, os comentários dos colunistas sociais e a geladeira de estolas de visom na Casa Canadá, na Rio Branco. Foi o ano do bambolê, da juventude transviada, da criação das fofocas da Candinha na Revista do Rádio, da vitória de Maria Ester Bueno em Wimbledon, do lançamento de Gabriela Cravo e Canela, de Brizola encampando a ITT e do rinoceronte Cacareco elegendo-se vereador nas urnas em São Paulo. A democracia era plena, e Luiz Carlos Prestes, depois de ficar foragido por nove anos, reaparece na Noite de Gala, da TV Rio, entrevistado por Flávio Cavalcanti. A possibilidade de comemorar   todos esses acontecimentos levantados por Joaquim Ferreira dos Santos nesta obra maravilhosa de resgate deste ano verdadeiramente cabalístico de 1958 — e mais a chegada do rádio de pilha, do supercampeonato do Vasco, da presença de Ilka Soares entre as Certinhas do Lalau —, só por essa nostalgia já; vale fazer como as vedetes do teatro rebolado de Walter Pinto (mais de 30 montagens naquele ano) e gritar: “Oba!”.

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O boa tarde de brazuca

17/11/2012 17:11

 

 

   Ter que ir ao centro da cidade pra resolver as coisas básicas essenciais do dia, encontros, hora marcada e coisa e tal, tem momentos de pique. Além do trânsito, encontrar um lugar pra estacionar próximo aonde você se dirige, são coisas que podem lhe causar certa irritabilidade e apreensão. Coisas pra resolver sempre têm. Algumas envelhecem sem serem resolvidas, perdem o prazo de validade. Papéis também envelhecem e seu destino é a lixeira. Outras coisas não envelhecem nunca, mesmo sem ter sido priorizadas, permanecem ali a vida inteira; até que um dia por um atino do destino lhe der na cabeça dar-lhe prioridade, e assim você desembuche da gaveta aquela relíquia viva que está ali esperando sua atenção. Atenção que muitas vezes você nunca pôde dar ou até mesmo esqueceu, mornou, e engavetou. Hoje, por exemplo, estava eu num cartório para resolver a documentação de um veículo que vendi e já me dava preocupação pelo comprador que não me chamava para transferir pro seu nome. Não é brincadeira você está com um veículo rodando por aí em seu nome e fora de sua posse. No caso, relaxei porque o carro ficara na loja mornando até aparecer comprador durante seis meses. E foram seis meses que o documento ficou em minhas mãos, o que me deixou mais tranquilo. Porém, na hora da venda  estava apreensivo mesmo era com a transferência.

E sentado dentro do cartório eu aguardava o despachante pra gente agilizar a burocracia da coisa. Foi quando vi um sujeito de uns 65 aproximando-se e oferecendo suas bugigangas pra vender, tipo, relógio, escova de dente, pente, e óculos. Quando passou por mim nada me ofereceu; apenas disse essas palavras sorrindo:
- Tô a fim de comprar uma Ferrari que custa três milhões; e ainda tenho que registrar na Itália.
Isso me causou uma tremenda descontração antes de eu resolver minhas coisas. E sentado fiquei quando ele se dirigiu a máquina de café que no caso era uma franquia do cartório. E enquanto mexia o café ainda em pé comentava:
- Já vivi bem; hoje tô quebrado. Fui me meter com umas meninas por aí e gastei o que tinha. E pra completar meu relógio deu problema.
Perguntei-lhe:
-Relógio?! Porque o relógio?
E ele adiantou:
- O coração véi! O coração não é o relógio?! Se ele pára de bater nós estamos ferrados.
Curiosamente lhe fiz outra pergunta:
- Mas porque se meteu com a mulherada fácil?
- Porque a mulher de casa me deixou; levei gaia.
- Levou gaia?!
- Sim! Levei! E fui buscar consolo na cachaça.
Foi aí que um rapaz sentado ao lado lhe falou:
- Gaia é doloroso.
Mas ele respondeu:
- Dói nada rapaz! Nem dói nem cresce; depois você se acostuma e já se prepara pra outra. Agora a verdade é que já vivi melhor antes das gaias. Mas é assim mesmo, vou vendendo minhas coisas por aí pra arranjar a bolacha.
Neste íntere, sentou perto de mim, pois viu que eu já tinha dado umas gargalhadas com essa sua história tragicômica. E com as coisas nas mãos foi me mostrando um relógio, destacando a pulseira que era até bonita; e disse:
- Dou por trinta reais, mas tem jogo de cintura.
Então lhe falei:
- Sai até pelos quinze; sai não?
E ele em cima da bucha respondeu:
- Sai! Ainda ganho cinco e dá pra comprar uma sopa.
Respondi-lhe:
- Brincadeira! Aí fica difícil!
Foi quando me despedi e ele continuou com suas ofertas por aí.
E é isso meus amigos, são coisas de quem anda no Comércio. Antes de chegar ao cartório vou dizer uma pra mulherada se arrepiar. Um ambulante me parou com umas bolsas nas mãos, falando alto:
- Bolsas Luiz Vitton ( referia-se a Louis Vuitton) por trinta reais pra você presentear!
Eu sem parar continuei andando e sorrindo comigo mesmo a pensar: Meu Deus, botaram o Louis Vuitton abaixo aqui na Rua Boa Vista; se ele visse isso hoje não jantava, e iria tomar um valium pra dormir.
 

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Primeira Edição © 2011