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Comentários da atualidade

22/01/2013 12:57

 

O jornal impresso tem seu mercado. Outrossim, hoje em dia vejo que os adolescentes não lêem mais o jornal impresso, que é uma pena, pois em resumo, traz a informação  completa e dentro de esquema jornalístico que vem de uma rotina de séculos, e que não fica sendo catada aleatoriamente na rede.  Quanto aos pré-adolescentes, igualmente, estes estão todos de Iphone nas mãos, e que obviamente, praticamente desconhecem o jornal impresso. É uma geração bombardeada de informações, e pra eles a informação clássica é lenta e talvez tediosa pelos seus anseios de digitalização da informação em tempo real. É uma pena, volto a frisar.

Isso me faz imaginar uma estória de um desses parlamentares do Congresso Nacional que trabalha pelo controle da internet. Vamos imaginar que ao chegar em casa ele dar um boa noite ao filho pré-adolescente, ou ao neto de Iphone nas mãos, que sem olhar pra cara dele lhe responde: Boa noite dinossauro!

Que a imprensa no Brasil está sendo silenciada é um fato. As redações são compostas por militantes de esquerda que, obviamente, são milicos do governo atual. Há poucos e grandes jornalistas independentes e imparciais, mas estes não tem espaço na imprensa, com raras exceções. O que se quer saber do Brasil atualmente tem que ser por jornais de fora do País. Ditadura? Bem, se não aceita a crítica, é uma ditadura branca, mas é. E não se enganem: Tem jornalista de história nesse País, pedindo ajuda financeira para manter um blog no ar. Quem diria, hein?

Um exemplo clássico de retrocesso foi quando o Brasil recentemente assinou o protocolo de Dubai pelo controle da internet, acompanhando a China, a Rússia, e outras nações autoritárias. As grandes nações democráticas e civilizadas do mundo não assinaram. Então hoje pensando nos dissidentes do PT, eu criei a seguinte frase: “Hoje saí pra me procurar, pois acho que me deixei em algum lugar”.  
 

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De volta ao passado

10/01/2013 13:23

 

 

 

 

 

 

Hoje, apenas hoje, decidi viver como no século XX de onde eu vim. Acordei cedo e tomei uma ducha fria, li o jornal de papel e me livrei de celular e do computador. Usei até agora apenas o telefone fixo; tomei café com leite, pão com manteiga e um ovo frito mau passado, e fui até a padaria próxima a pé comprar pão novo. Troquei de roupa e sai a pé, peguei o ônibus até o trabalho que ainda é no Centro, como era também a pensão que morei quando era estudante desde antanho. No comércio comprei minha folhinha de papel e passei no final da manhã no Bar do Chope,  tomei um chope geladinho acompanhado de ovo cozido, como fazia nos tempos de estudante. Vi rostos daquele tempo ainda circulando pelas cercanias; vi uma vendedora antiga que a conheci no seu primeiro emprego no Comércio; passei em frente ao antigo cinema São Luiz onde assistira “A dama do lotação” nos áureos tempos de Sônia Braga, e diante do Café Central onde costumava tomar um leite gelado e maltado muito bem feito lá; passei em frente a LOBRÁZ onde as vezes a tarde fazia lanche dando um tempinho paquerando em sua maravilhosa lanchonete cheia de moças interessantes. E na  Danúbio, que  era outro lugar em que a mulherada de Maceió gostava de ir a tarde. Enfim, circulei como estivesse naquele tempo, revivendo a atmosfera do lugar. Agora vou pegar um taxi na praça dos Palmares e vou pra casa almoçar feijão, arroz e bife, com um ponche de maracujá, e de sobremesa um doce de banana em rodelas que parece também coisa antiga. Em seguida vou tirar uma cesta ouvindo rádio am como fazia outrora, depois vou acordar mornado e mole, e voltar de ônibus ao comércio outra vez. Entrarei num banco pra pagar um documento, irei no velho Edf. Brêda onde me consultava com os bons médicos antigos, e visitarei também um velho amigo advogado que provavelmente me chamará pra tomar um cafezinho de final da tarde, em algum lugar, tipo, o antigo Café Central de tantas histórias. E aí conversaremos sobre o nosso tempo, de coisas passadas do século XX. E ao cair da tarde, certamente irei a passos lentos outra vez em direção a Praça dos Plamares, cortando por dentro da rua Pontes de Miranda, onde darei uma sacada na Barão de Penedo, onde ficava o antigo Hotel Califórnia com seu inequecível  restaurante e american bar. Então,  entrarei no taxi de volta pra casa, e verei o entardecer no mar da Avenida da Paz com seu Cais e seus navios, numa paisagem bem antiga. Mais tarde reservarei um tempo para estar a sós com meu livro preferido; e seguirei buscando viver a noite como era no século XX.

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Contradições de nosso turismo

03/01/2013 12:48

 

A indústria do turismo hoje é a atividade econômica que arregimenta os maiores dividendos do mundo. Nunca se viajou tanto como nestes dias em que vivemos, e nunca se investiu tanto neste mesmo sentido. O Estado de Alagoas à nível de Nordeste saiu na frente na divulgação de seu potencial, depois dos estados do Ceará e da Bahia. Posteriormente vieram outros como, Pernambuco, Paraíba, Sergipe, e o Rio Grande do Norte. Este último, por exemplo, mesmo chegando retardado, tornou-se um dos grandes, se não o maior e melhor destino turístico do Nordeste. Leve-se em consideração que o povo do Rio Grande do Norte não tem a hospitalidade dos caetés, porém, no quesito organização e estratégia eles nos detonaram. Entretanto, o potencial paradisíaco de Alagoas é tão grande que o turista mantém uma relação de visitas razoavelmente boa a nossa terra, por conta também de que ainda não conseguimos destruir tudo. A nossa hospitalidade é um grande diferencial. Muita gente nos últimos anos tem optado por vir morar em alagoas, precisamente em Maceió. Já não temos aquele passado desconhecido; nota-se isso já quando chegamos no aeroporto de São Paulo, por exemplo. Dizer que é de Maceió lá fora hoje é chique, ou melhor, é um bom cartão de apresentação, o que não era no passado quando ainda éramos bastantes desconhecidos. Ser querido pelos paulistas também foi um grande cartão de apresentação para Alagoas, visto que São Paulo é o mais rico estado da federação. Mas toda essa gente que vem para Alagoas passear, se instalar ou morar, vem por paixão por nosso sol e mar, e pela nossa hospitalidade e barriga cheia. Sim, nós alagoanos somos barriga cheia, como todo nordestino. Mas no passado, antes do início de nosso caminho turístico, a imagem do Nordeste era a de ralé da republica, o que tem mudado em virtude do turismo. Muitas de nossas  mazelas ainda continuam, como a sêca, por exemplo. Mas o sertão também tem um potencial turístico que poderá um dia ser explorado também com um abastecimento de água condigno. Com a abertura do turismo tudo foi aos poucos modificando, e cada vez mais se modificará. Porque, além de tudo, a cultura do Brasil está aqui no Nordeste.

 O que sempre me preocupou com a depredação e especulação imobiliária, foi no que diz respeito aos nossos recantos. Alagoas é terra de muitos recantos paradisíacos, e esses lugares precisam ser preservados, pois é uma característica nossa. Muitos já foram invadidos de forma brutal.  Tirar a paisagem rústica para a moderna é uma borrice, pois aí é onde está o segredo do atrativo de nossa terra. Nosso charme está no rústico, aliás, não só o charme, mas todo o contexto está numa arquitetura rústica e numa paisagem natural. Industrializar é preciso, claro, é bom para o povo da terra, mas temos que preservar nossos recantos com uma política de tombamento. Evitar construções as margens da costa dourada é uma forma de preservar a paisagem verde. Porque se for assim, tudo vai ficando muito urbano e sem graça. O trecho Maceió Barra de São Miguel passando pelo Francês, por exemplo, deveria a séculos ter sido tudo tombado às margens da rodovia, para não se ter perdido a paisagem paradisíaca que ainda é bela por ali. Construir resort é bom, não resta dúvida, mas nosso perfil nesse setor são de pousadas e pequenos hotéis de arquitetura e decoração rústica. Deixemos essa coisa da Miami Beach para Maceió, pois já foi quase que totalmente destruída na sua arquitetura dos anos vinte e do século XIX. E vamos procurar preservar nossos recantos e praias naturais dos nossos interiores. Acho que a coisa vai por aí. 
 

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Quando o natal chegou

24/12/2012 07:19

 


Não fazia conta de nada porque era natal. Esperava a recompensa do seu 13º e isso lhe causara certo alento. Embora com alguns gastos extras previstos, seu coração pedia-lhe para economizar seu décimo, mas ao mesmo tempo, pensava que o natal é uma vez por ano, e há todo um clima para gastar um pouco mais. E assim seguiam seus dias de dezembro com ruas iluminadas, fachadas de prédios com suas decorações. E enquanto ele ia furando o trânsito pra chegar em casa, o telefone tocara, e era mais um convite para confraternizar. As confraternizações aparecem e despendem sempre uma tachinha. Então pensava: vou ou não vou? Mas terminava por ir, porque pela entonação da voz que o convidara era irresistível dizer não, pois havia uma espécie de calor humano bem próprio desta época do natal. E em sua mente só deduzia que esse amor fraterno que se espalha no ar neste período, é fruto da figura puríssima do menino Jesus na manjedoura. Aquela tradição da lapinha, da ceia em família, da missa do galo, do dizer feliz natal, deixou marcas inesquecíveis para todos. Porque o som do sino nas músicas natalinas, remontam épocas em que os sinos das catedrais soavam nas noites de natal. E de uma forma mágica aqueles sons inundavam os corações de paz, harmonia e esperanças com a chegada do menino Deus. Assim, ele ia deduzindo tudo em suas próprias lembranças passadas. E ficou até pensando como fora o natal passado, confuso, lembrando também de outros anos marcantes em sua vida. Lembrou de um ano em que passou sozinho num lugar distante, em que não havia tantas ofertas de ceias em restaurantes, nem se quer uma lanchonete aberta. E enquanto aguardava um taxi pro hotel, ficara conversando com um mendigo na esquina, compartilhando com ele aquela sua solidão. Como se fosse a própria presença de Jesus naquela hora, o mendigo lhe disse: Irmão! Feliz natal! Esta cena ele jamais esqueceu naquela cidade distante, longe dos seus, longe de tudo. Lembrou de que neste período estava sempre a viajar, e arrependia-se quando lembrava da família naqueles instantes, dos pasteis de sua tia que ela sempre fazia antes da ceia, juntamente com um vinho acompanhado de um queijo do reino, bem próprio deste período. Todas essas lembranças levavam a refletir que poderia ter sido mais presente em todos os natais passados, e ter compartilhado mais da alegria com todos. Isso o deixava melancólico. 
Saindo então dessas lembranças, passou a pensar na festa no contexto atual, e ver quanto cresceu a figura do Papai Noel como o grande distribuidor de sorrisos e presentes. Presentear é uma forma simbólica cristã de ser solidário e demonstrar amor fraterno. E o velhinho de barbas brancas tem uma cara de paz mesmo. Sua presença na festa tornou-se apoteótica com sua chegada em alto estilo de helicóptero nos grandes shoppings centers. Isso tem dado uma conotação especial de uma prévia bem esperada pela criançada, como pelos adultos também. Além dos papais noéis comunitários, que vão visitando as comunidades com seus voluntários fazendo a festa das crianças por lá. Assim, ficam bem marcadas essas lembranças nas crianças quando da chegada do natal. E quando ele se vai, já se tem a resposta consoladora a curiosidade delas ao perguntarem por que o natal se foi. Só resta dizer como resposta, que Papai Noel viajou para as montanhas de neve, mas que, no ano que vem, ele voltará.
 

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Seguindo a nau do coração

25/11/2012 19:33

 

 

Este é o momento em que o coração quer voar livre que nem passarinho, contente e feliz no meio do mato. Que nem menino correndo atrás da bola. É bom se sentir assim, agradeçamos ao bom Deus por esses impulsos inexplicáveis que brotam  num lindo dia de sol, ou num dia de tempo fechado, numa noite de céu estrelado com o mar batendo forte e certeiro nas areias, ou num breu de estrelas, e, em compensação, nas gotas de chuva fina caindo de mansinho nas folhas do jasmim, acalentando sua alma numa noite serena, solitária e fria de inverno. E é assim mesmo; coração tem suas armadilhas de aparecer em momentos inesperados com seus sentimentos e paixões. E nós somos bobos viajantes guiados por sua nau. Andamos muitas vezes em mar revolto, em tempestades ferozes, mas ele sempre ali na dianteira a procura de águas tranquilas e até de um cais. Sim, aquele cais seguro e certo que nos leva do mar a terra. E não se cansa, e transborda-se em si mesmo da incansável busca da felicidade. Eu só ti desejo ó indomável águia aventureira, que sejas ponderado, e ponha teus pés no chão; sede sereno, e vive mais no campo da neutralidade dos desejos e paixões, acalma-te no teu reduto da zona de conforto, e vives cada dia como outro qualquer, com seu fardo, sem olhares pra trás nem pensares no que há de vir. Acalenta-te em ti mesmo, e não sejas tão rebelde assim. Isso é o que ti desejo; mas, é inútil, és como uma cachaça ou Coca-Cola, vicias, tu és insensato em tua sede de aventurar-se, sois impulsivo em querer seguir seguindo, cantando, chorando, sorrindo e sofrendo. És mesmo um transloucado, um verdadeiro pirata de sua própria alma, um truculento touro solto na catinga.

Mas também tu tens momentos de imensa ternura e carinho, como o de uma rolinha se esfregando do sereno da noite, nos primeiros raios de sol de uma manhã de primavera. Em plena calma de si mesmo, e na segurança de seu território, no galho alto de uma árvore. E na tranquilidade de seu ninho, observas tudo em volta com um olhar superior da neutralidade privilegiada e bem vinda do destino. Até que, por um acaso do dia, pavoneando noutro galho próximo, aparece um cantar bonito e alegre cheio de aspirações e sentimentos vãos. E que de repente te sacode os entulhos de tuas entranhas aparentemente serena e tranquila, mas cheia de medos e portas de armários fechadas e entulhadas pelo tempo. E aquele cantar amigo, te faz levantar, ver os horizontes dos campos verdejantes, e de novo exercitar tuas asas paradas no mesmo lugar. E assim voam pelo cercado inteiro, pelos serrotes e pelas colinas a cantar, a cantar, e a cantar.

No meio da cidade nos rodeiam emigrantes bem ti vis que fazem seus ninhos entre nós. Assim também fazem os incômodos pombos e pardais. Mas bem ti vi é diferente, eles cantam a toda hora do dia. E acontece muitas vezes, você sair no trânsito e nas resoluções de sua vida real, em que seus sonhos e devaneios não lhe chegam perto. Por um momento, ao chegar em casa e começar desfazer-se do mundo lá fora, das pessoas frias e solitárias da cidade, que mesmo estando juntas estão muito só. Você então, depois de uma chuveirada nesses dias quentes e de calor, começa a pensar no que fará amanhã, ou no que deixou de fazer hoje a tarde, quando de repente, ouve um canto de bem ti vi. E quando o bem ti vi aparece diante de ti, voando e cantando, não há como deixar de pensar em qualquer coisa, para pensar em flores, céu, nuvens, e mar.   
 

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Primeira Edição © 2011