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Happy Halloween

31/10/2013 20:21

 

O brasileiro vive tanto de copiar o americano que até enche o saco. A festa do Halloween, por exemplo, é um evento da cultura americana, e não tem nada ver com nossa cultura latino-america. Colégios de tradição católica não fazem essa festa pros alunos, justificando tal festa não ser de sua cultura religiosa; o que é louvável, pois cada um tem que assumir um pouco também sua cara. Os estados Unidos, são também um país católico, porém, há uma gama de outras tradições religiosas em que, na cultura de lá, admite tal festa. Vamos ser mais originais gente, e deixarmos de sermos tão deslumbrados pelo colonizador.

São tantas as manifestações culturais que envolvem o tema do imaginário dos mistérios que causam medo e horror em nosso país, que perde-se a conta. De nossa cultura indígena, lembro-me do personagem da Caipora, uma entidade que vive na mata e que pede fumo aos que passam por ela, e quem não oferecê-la seu pedaço de fumo, pode correr riscos terríveis de sua perseguição. Temos a figura do fogo corredor, que na mata persegue de morte aqueles que lhes cruzam o caminho. Há o mito do zumbi da mata, trata-se de um espírito de cavalo que causa pânico em quem encontra-lo. Há o Sacy Pererê, o lubzomem, os exus, o padre sem cabeça, aqui em Alagoas a mulher da capa preta, e o próprio Zé do Caixão; porquê não? Há o caboclo da mata, a mula sem cabeça, e até o ET de Varginha com seu coadjuvante amigo Chupa Cabra. Enfim, a lista de personagem macabros que em nossa cultura existe, dá pra fazer festa halloween à brasileira o ano inteiro.

Então relaxemos um pouco, porque criatividade para o tema não nos faltará; e eu não listo mais personagens porque não pesquisei; e nem precisava, pois todos sabemos de nossas infindas fábulas de mal assombro. Aliás, estes seres entre nós, não estão somente no sobrenatural, o nosso mundinho real também está cheio deles. As páginas estão cheias  todos os dias. Mas, confesso que tais figuras, só têm graça mesmo no fictício mundo imaginário. A propósito, não devemos deixar de relatar, que há mal assombros reais, no trabalho, nas ruas, nas instituições, nas organizações, como nos circos e meios de comunicações. No circo não podemos esquecer a espetacular Monga, a mulher mais bonita do planeta que vira um terrível gorila aterrorizador; lembram da Monga? Nunca mais  a vi; estou com saudades. Até lá Monga! 
 

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Carlos Heitor Cony sobre Joel Silveira

28/09/2013 08:45

 

 


RIO DE JANEIRO - A incapacidade do cronista em fazer frases inteligentes levou-o a admirar aqueles que são capazes de fazê-lo, como Nelson Rodrigues, o mais famoso e citado de todos, seguido de perto por Otto Lara Resende, a quem precariamente substituo neste canto de página desde 1993.
Outro que admiro e louvo é Joel Silveira, que morreu na semana passada. Lembrarei algumas delas. Estávamos presos no Batalhão de Guardas, em São Cristóvão, desde o dia 13 de dezembro de 1968, quando foi baixado o AI-5. Certa manhã, da única janela de que dispúnhamos, vimos chegar ao pátio do quartel um camburão trazendo famoso empresário daquele tempo. Joel encheu o peito e gritou: "Aqui é prisão de subversivo. Prisão de ladrão é em outro lugar!".
Perguntaram a ele qual o jornal mais poderoso do mundo. Joel respondeu que era o "New York Times". E acrescentou: "Se quiserem destruí-lo, basta me chamarem para diretor de redação. Em menos de um mês levo o jornal à falência". Numa reunião com estudantes, quiseram saber de Joel por que nos Estados Unidos não havia golpe de Estado. Ele respondeu na bucha: "Porque lá não tem embaixada americana".
Nascido em Lagarto (Sergipe), Joel se orgulhava de seu burgo natal ter sido o único em que Lampião não entrara. Rubem Braga dizia que em Lagarto não havia nada para assaltar. Joel tinha outra explicação: "É uma cidade boa para se sair, não para se entrar".
Num trabalho que fizemos juntos, na Itália, levei-o para almoçar no Dodici Apostoli, em Verona, quase ao lado da antiga sede da Mondadori. Ele examinou o restaurante, encomendou vários pratos, bebeu duas garrafas de chianti e me pediu: "Manda dizer lá para o Rio que o jornalista Joel Magno Ribeiro Silveira não sai mais daqui".

Mas, amigos leitores do Primeira Edição, no que pese o Cony não declarar-se como um bom frasista, eu particularmente tenho uma boa dele, qual seja: "O parlamento é sobremesa, o banquete é no palácio".

cronicjf@gmail.com


 

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Conciliando o cotidiano

25/07/2013 21:06

 

Você já foi chamado alguma vez de insuportável? Pois se foi, hoje em dia isso é bem natural. As pessoas andam difíceis, sensíveis como peixe e intoleráveis como cão raivoso. Estamos vivendo uma espécie de esquizofrenia social, e que isso está ficando insuportável, levando-nos a uma tática mais defensiva, porque se não o pau quebra, como quebrava na casa de Noca, sem motivos, ou fúteis razões, num total descontrole de emoções. E isso é culpa de quem ou consequência de quê? Da educação, é claro, e da opressão esquerdo-liberal globalizante também. O consumismo tem deixado as pessoas ficarem assim. E a educação perdeu espaço e tem perdido cada vez mais. A educação que eu falo não é só aquela instrutiva da escola. Eu falo da etiqueta, da ética social que também deveria ser disciplina nas escolas. Educação não é só abrir espaços e passar instrução; é humanizar, ensinar as ciências humanas, e não esquecer a etiqueta que, em resumo, é o modo de se comunicar na vida social, é o trato nas relações humanas. Esta disciplina social não existe por acaso, ela tem uma função de facilitar as relações em todos os sentidos, e fecha muitas arestas aos desequilíbrios do dia a dia. É o que vemos faltar hoje em dia. Estamos formando bárbaros consumistas e competitivos, e focando em tecnologias com esse tipo de pessoas. Os bárbaros com a ferramenta tecnológica nas mãos são geradores de altos índices de violência social. O Brasil não estava preparado para essa abertura tecnológica a vinte anos atrás, nem para a globalização e seu consumismo. Tínhamos que ter retardado esse processo e ter investido num processo educacional rígido e hermético, preparando as pessoas para ingressar na modernidade. Por isso que deu no deu, e eu fico com as palavras do humorista Agildo Ribeiro quando dizia que, o que falta no brasileiro é classe, e na verdade, até hoje não tem.

   O comportamento das pessoas hoje em dia é tipo daquele cara que tomou o remédio com whisky, ou seja, explosivo e intolerante logo de início. Então temos sempre que fazer o papel de bombeiros e viver apagando os incêndios hodiernos. E a vida complicou mesmo; sem a etiqueta, e nem o afeto dos pais, estamos já há algumas décadas formando monstrinhos. E isso reflete cá fora na vida civil.

Então quando lhe chamarem de insuportável, isso pode representar amor ou despeita por admiração. Pensemos assim para amenizar os ânimos. Assim deixe lhe chamar pejorativamente por esta palavra mil vezes, porque no fundo quem assim o faz geralmente tem um bom crédito por você, pois no mínimo lhe admira. E as vezes, até já lhe quebrou um galho como também lhe elogiou. Então amemo-nos uns aos outros como Jesus nos amou, porque a vida é um sopro de um minuto. Parafraseemos Oscar Niemayer que morreu ano passado e nos deixou essa “sabença”: A vida é uma mulher do lado, o resto é consequência.

 

cronicjf@gmail.com
 

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Estado natural

03/06/2013 19:24

 

 

 Antes de qualquer uma outra consideração sobre nossa realidade vivida, ao tomar agora meu capuccino no lugar predileto, digo o seguinte pra vocês: " Cada pessoa guarda dentro de si alguma alegria, alguma tristeza, algum momento muito feliz, alguma angústia, alguma gratidão, alguma mágoa, algum desespero, alguma esperança; alguma solidão, algumas companhias, algum inferno, algum céu, alguma saudade, algum sonho vindouro, algum olhar, alguma cegueira, alguma compaixão, alguma indiferença; alguma virtude , algum defeito, algum pecado, algum perdão, alguma mentira, alguma verdade, algum medo, alguma coragem, alguma loucura, alguma sanidade, algum bem e algum mal. Por fim, cada um sabe quanto pesa cada libra de seus sentimentos. Cada um sabe, a sua medida, o quanto significa o amor, a paz, e a serenidade. 

Em resumo, se existisse um manual para a felicidade, ia todo mundo continuar triste; ninguém ler manual! O importante mesmo não é vencer todos os dias, mas lutar sempre. Felicidade também é nosso estado natural, e ela está nas pequenas coisas do dia a dia. Uma criança, por exemplo, tem em sua naturalidade a felicidade. Se ela está com uma dor de barriga, ela fica triste e chora. Porém, logo em seguida, curada sua dor de barriga, ela volta a sorrir, volta ao seu estado natural. Assim também somos nós. Quando estamos em nosso estado natural estamos felizes. Quando algo ocorre fora da normalidade nos sentimos infelizes. Mas quando tudo volta ao normal do nosso cotidiano, estamos felizes. Por isso que a felicidade é o normal de nossas vidas, é o nosso estado natural. Não fique aí pensando que é infeliz por não ter conseguido trocar o modelo do carro de último lançamento, interferindo com a mente negativa no desequilíbrio de seu corpo. Se hoje você está normal, se comeu bem, bebeu água, curtiu, trabalhou, fez sua atividade, telefonou pra um amigo, brincou com seu filho, em fim, cumpriu os deveres do dia numa boa, você está feliz, porque o seu estado natural é feliz.

cronicjf@gmail.com

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Processo Eletrônico, um alerta a todo Judiciário

06/05/2013 19:00

 

 

 

 

 

As coisas no Brasil acontecem sempre destoando com a realidade. Às vezes há interesses escusos, pessoais, promocionais, e que nada tem de conteúdo prático no sentido de melhorar as coisas. Alguns tecnocratas ficam em suas salas fechadas em Brasília, a pensar uma realidade que eles próprios não conhecem. E sem consultar as bases, ou seja, os setores envolvidos com a coisa vão tomando as decisões mais estapafúrdias. É mais ou menos parecido como implantar a direção do lado esquerdo da Índia e da Inglaterra entre nós. Não dar certo este tipo de gestão. Refiro-me nestas linhas ao processo eletrônico no Judiciário. A primeira classe que deveria ser consultada seria exatamente os advogados do Brasil, pois são eles que levam processo ao Poder. Eu, particularmente, achei de plano que esse negócio não iria dar tão certo assim, desconfiando, inclusive, da questão da segurança processual. Este mundo virtual todos nós sabemos que é inseguro, cheio de invasões e panes, além de uma manipulação especializada. Acho que o processo de informatização foi importante e moderno, agora, levar isso tudo a virtualização é problema. Porque não deve levar-se em conta a velocidade da juntada dos documentos, mas, sim, de quem vai fazer cumprir no mundo físico as decisões, ou seja, a logística da máquina judiciária física é que faz as coisas acontecerem, e não uma impensada virtualização. Você imaginar que em cada jurisdição de um Tribunal pelo país a fora, há um sistema diferente de virtualização, é um descalabro. Veja abaixo o que a Abrat divulgou a respeito:

Um dia depois de a OAB divulgar documento apontando os cinco maiores problemas do Processo Judicial Eletrônico (PJe), a sede da entidade em Brasília é sede de encontro promovido pela Associa

ção Brasileira de Advogados Trabalhistas (Abrat), no qual são discutidos os problemas que essa modalidade de peticionamente vem causando em diversas regiões do País. O seminário “O que é PJe?” conclui os trabalhos com um documento alertando a Justiça do Trabalho para o risco de exclusão dos advogados e dos cidadãos, em prejuízo da necessária inclusão e acesso à Justiça. Mais adiante, no dia 11 de março, o plenário do Conselho Federal da OAB ratificou os termos do relatório aprovado pelo fórum permanente dos presidentes das Comissões de Tecnologia da Informação das Seccionais, que apon

ta os principais problemas enfrentados pela advocacia brasileira com a implantação do PJe. Por proposição (relatório e voto) do presidente da Comissão Especial de Direito de Tecnologia e Informação da entidade, conselheiro Luiz Claudio Allemand (ES), aprovada por aclamação, o relatório com o posicionamento da entidade será junto aos comitês gestores do PJe do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), acrescido de novas sugestões. O vice-presidente Claudio Lamachia, que conduziu a reunião com os presidentes de TIs das Seccionais, voltou a afirmar que não se pode falar em PJe no País quando muitas regiões ainda não contam com internet banda larga. Além das deficiências na infraestrutura, ele ressaltou também a falta de unificação dos sistemas de processamento eletrônico nos diversos segmentos do judiciário.

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