seta

43 postagens no blog

Noite em pedaços

06/10/2014 09:12

 

Sim, as vezes nos ocorre pensar  estar em algum lugar,  num lugar que em determinado momento tocou-lhe em lembranças  saudosas de uma noite fria de asfalto molhado, e quase sem tráfico algum. E que você ficou naquela esquina de certo restaurante olhando as luzes discretas da rua, e a ouvir os acordes de um piano tocando de mansinho no ar. Naquelas altas horas, no silêncio daquela rua, atravessa em passos lentos até a outra esquina, de cabeça baixa, a refletir e a pensar no vazio que lhe inundara. Pois ela, a mulher que lhe completaria aquela noite, que tocaria em suas mãos olhando nos olhos enquanto segurava a taça de vinho na mesa, ela, esta mulher, naquele instante era uma mulher imaginária, uma espécie de deusa perfeita cheia de mistérios e magias que acalentaria todas suas aventuras e prazeres carentes de sua solidão. E você pergunta-se instintivamente sobre tudo, e conclui, não fosse aquela santa solidão sentida com a brisa fria em seu rosto agasalhada em sua jaqueta preta, não sentirias o fulgor nem o emaranhado de sentimentos soltos dentro de si naquele momento.

Então começa a pensar olhando as últimas luzes da rua, qual seria o número do telefone dela, e em qual janela acesa estaria. Talvez pudesse ligar e ouvir uma voz meiga e doce, ou pudesse encontra-la e vê-la lindamente vestida lhe esperando pra sair. Mas, voltando a olhar pra si, ver que nada existe, e tudo é vazio naquele lugar preenchido por seus pensamentos.  Pensa em voltar, e seguir o som abafado do piano lá dentro que distrai, e alegra pessoas eufóricas que não estão nem aí parta noite vazia lá fora. Divertem-se no recinto entre uma dose e outra, pensando que são felizes. Porém, a felicidade, ao contrário, está dentro de você numa rua vazia e fria, naqueles seus sonhos e desejos da mulher ausente. Não adiantaria entrar no recinto outra vez, porque lá dentro tudo é chato e ausência. De uma ausência de ninguém, de nada, apenas de uma mulher que faz morada em sua alma, carimbada em suas doces palavras. Sem ela, tudo é turvo, desejos amorfos, nenhuma viagem, nenhum lugar. A mulher perfeita, a deusa dos Olimpos, a que lhe daria asas de pássaros noturnos com lua e estrelas, está em você sempre terna, e lhe faz sorrir em longas conversas e abraços. Esta mulher quimérica perdida no vácuo de uma noite insana de sentimentos soltos, é a mulher da paixão sempre acesa.

*É cronista membro da AAC e da AAI.

cronicjf@gmail.com

seta

PGM - breve histórico

10/09/2014 09:51

PGM - breve histórico.

A Procuradoria Geral do Município, historicamente, tem sido uma segura guardiã do Direito da municipalidade, e das decisões do Chefe do Executivo. É o Órgão perscrutor da lei, onde nada se faz sem o crivo de seus escorreitos pareceres. Berço de juristas destacados desde seu nascedouro, tendo em seu passado, personalidades jurídicas como os Procuradores, Floriano Ivo, Valdemar Bernardes de Mello, Carlos Melro, José Fernando Lima Souza, Cleiton Sampaio, Claudio Vieira, Pedro Jorge Cansanção, e Diógenes Tenório. 
Na gestão do então Prefeito Guilherme Palmeira em 1989, com o Procurador Geral Cleiton Sampaio, e o Chefe de Gabinete José Carlos Santa Rita, a PGM passou por uma reforma administrativa que a preparou para deslanchar seu crescimento. Ao suceder o Prefeito Guilherme Palmeira, seu Vice João Sampaio dar continuidade a este trabalho com o Procurador Geral Diógenes Tenório, e o Chefe de Gabinete Jasson Ferreira Lima, ambos do quadro efetivo.Neste momento, a PGM adquire seu primeiro prédio próprio na Rua Afonso Pena, no Farol, porque até então era uma pequena sala anexa ao Gabinete do Prefeito. Por consequência disso, aumentara de duas para sete subprocuradorias especializadas, e aumentara toda estrutura administrativa do Órgão para o que ele veio a ser hoje, na Rua Pedro Monteiro, Centro, sob o comando do Executivo Municipal do Prefeito Rui Palmeira e do Procurador Geral Ricardo Wanderley.

PS- Em 1997 fora criado o cargo de Procurador Geral Adjunto, exercido hoje por Fernando Sergio Tenório de Amorim; até então o substituto do Procurador Geral era o Chefe de Gabinete, cargo este, exercido hoje por Luanna Mendonça.

seta

Garimpos de mim -3

28/04/2014 16:27

 

Caros Internautas, agora a pouco às 17 hs já estava à escurecer. A chuva caiu com gosto, e a temperatura na orla entre Jatiúca e Ponta Verde, foi logo pra 23º no meio daquele trânsito farto de final de dia. Nada melhor que uma refrescada no tempo, mesmo com o incômodo da chuva. A mudança do tempo assim no fim da tarde, já deixa o começo de noite mais voltado ao recolhimento, propício a qualquer exercício intelectual, ou mesmo a uma pesquisa na internet. Soube esta semana que o sertão está verdinho pelas chuvas que por lá caíram recentemente. Parece que o inverno este ano vai ser bom; com amenidades na cidade, e fartura no sertão. Vale lembrar que no último mês de março, no dia de São José choveu como manda a tradição; sinal de inverno bom. Que seja!

                          *   *   *

Então informalmente a dona da pousada com a ficha de entrada na mão, olhou pra mim e perguntou: 
- O Senhor é músico?
Lhe respondi que não. Foi quando ela falou mais uma vez:
- Mas o Senhor parece ser músico!
Então lhe afirmei:
- Na verdade, músico prático e crooner foi minha primeira labuta amadora, tirei meu registro na OMB em 1976 ainda bem jovem, e mantenho até hoje como músico prático e compositor. Também tenho mais três registros profissionais na gaveta. O registro da OAB é o que apresento agora na sua pousada, e terminei por ganhar o pão com ele. Mas, de certa forma a senhora acertou; talvez tenha ficado rotulado em meu perfil minha primeira atividade, que mesmo amadora, a senhora com seu olhômetro enxergou isso. O que tenho a dizer é obrigado, pois ser músico, é um nobre ofício.

                        *   *   *

   Uma nobre advogada por esses dias aproximou-se de mim e disse:

- Colega, estou preocupada com essas manchas  no rosto.

Então lhe falei:

- Olha companheira, na qualidade de hétero e sem nenhuma vaidade, é claro que conheço das vaidades femininas. Devo dizer que você precisa fazer um pílen no rosto ( e já tem muitcho matcho fazendo).

Ela já surpresa foi levantando da cadeira a pensar coisas da vaidade feminina (As mulheres são muito competitivas). E eu segurando-lhe o braço ainda acrescentei:

- Também um SPA para perder mais essas gordurinhas, complementado com um pouco de botox em seu rosto vai lhe deixar mais rejuvenescida.

Com essa, ela saiu. Deve ter despertado como combater a concorrência, e como ficar mais bonita pro seu love. Agora venham dizer que homem não entende de mulher?! Pensem bem vocês mulheres! Nós homens, sem nenhum cuidado com nossa estética, só gostamos de mulher vaidosa e arrumada. Pensem nisso!

                                   *   *   *

“Quero a realidade do sonho, e quanto ao cotidiano, cada um com o seu”.

                                   *   *   *

“Se eu não fosse Imperador, seria mestre escola, pois no Brasil, mestre escola é mais importante que qualquer ministro” - D. Pedro II.

                                   *   *   *

“É na diversidade brasileira que está a beleza de tudo!”  

                                  *   *   *

Nesta vida, preciso de pouco, e deste pouco, necessito pouco –

Francisco de Assis.

                                   *   *   *

O meu nome se não bem ouvido confunde a pronúncia. Hoje quando falei Jasson pra recepcionista, ela entendeu Garçon, como já aconteceu outras vezes. Mas nada como a elegância, educação e gentileza, pois a senhora ao lado interferiu na conversa e me disse: 
- Garçon em francês significa jovem.
E eu respondi:
- Então foi bom o erro! Que me chamem sempre de jovem!

                          *   *   *

Então ela lhe falou:
- Eu nunca neguei; se ilude quem quer.
Depois de ouvir isso, ele saiu fechando a porta de mansinho. Lá fora olhou a rua que estava tranquila e soprando uma brisa acolhedora. Desceu a pequena escada, virou em sentido horário, acendeu um cigarro, e saiu a passos lentos pela calçada longa e vazia.

                         *   *   *

... E então sem cerimônias lhe perguntei:
- Qual foi a dor que o fez poeta e escritor?
E terminou que, conversa vai, conversa vem, não lembro se ele me respondeu.

                                        *   *   *

No fim das contas, parafraseando Ivo Pitanguy, o que me interessa mesmo nesta vida, é a energia das pessoas.

seta

GARIMPOS DE MIM - 2

14/04/2014 11:24

 

Se a gente não brincar, endoida irmãos!                                                  * * *
Eu não sou bem de vida, sou de bem com a vida!
                         * * *
Certa vez, uma cigana  no meio da rua em Salvador me disse que eu fui um Imperador na vida passada. Não sei qual, mas agora estou pagando esse carma aqui abaixo da linha do equador, não sei o que eu fiz. Acho que tive mordomo devido minhas exigências degustativas e conforto. Eu não acredito em cigana, mas se fosse o caso poderia pensar que tivesse sido talvez um César, Ivan o terrível, Napoleão, Alexandre o Grande, mas, tomara que não, pois estes mataram muita gente. Preferia ter sido D. Pedro II que também enfrentou uma guerra contra o Paraguai, a qual  foi talvez seu maior erro histórico. E algumas rebeliões, mas tudo com o intuito de manter íntegro o território nacional. Só fazendo uma regressão.Podia ter sido, inclusive, o Marco Antonio. Mas, o fato, verdade ou não, ultimamente tenho visto muito falar nesse negócio de vidas passadas. São crenças oriundas do Oriente.

                                                                   *  *  *
                                                                       
Quando faltavam 25 dias para o fim do mundo, eu ainda não tinha decidido com que roupa iria; só sei que pelo menos alguma coisa aconteceu, pois o mundo em si não acabou; mas, daqueles dias pra cá muitos dias acabaram, e os mesmos, não voltam mais.

                                                                   *  *  *

Igualmente a Vinícius de Moraes, como disse Jô Soares, Roberto Carlos também pode ser considerado um grande poeta lírico, porque só um grande poeta pode dizer frases como esta: " Mas se não for por amor, me deixe aqui no chão". Linda frase?! Agora vamos ver o que o rei do iê iê iê vai fazer depois de sua publicidade na Free Boi. Talvez, uma música com título, “Essa carne”.

                                                                   *  *  *  

1. O que os olhos não vêem o coração não sente. É mentira, pois o que os olhos não vêem o coração só sente , e como sente. Por isso, que amor platônico dizem ser dos melhores porque nunca acaba. O amor platônico não é declarado; se declarado, deixa de ser platônico. Amor platônico é um tormento. O fato é que ninguém mais quer sofrer com dor de amor. Então não amem, ponham uma pedra no coração, e sejam todos duros e frios como as próprias pedras; é bastante cômodo. Tem pessoas que aguardam aquele amor perfeito descrito no seu diário ou caderninho. Só que o amor é sempre aquela pessoa imperfeita do seu caderninho, e muitas vezes até assusta. Mas é esse seu amor; é assim e você tem que aceitar se quiser amar. Porque se não for assim, vai ser difícil amar.

                                                                     *  *  *
 
Racismo é um discurso tão antigo que me dar nojo. É um defunto vivo que já está fedendo. Culpa dos que colocaram esta excrescência num artigo da Constituição Federal. Como sempre o Brasil na contra-mão e olhando pra trás. O Brasil é um país mestiço, essa coisa de branco é conversa fiada, e nossos negros não são mais negros, prova disso foi o exame realizado em Neguinho da Beija Flor que detectou 67% de seus cromossomos brancos para o restante negro e amarelo. Aliás, amarelo vem da raça indígena,  mas nós pejorativamente vemos o amarelo como uma espécie de sarará. A política de imigração até meados do século XX, foi o começo de um trabalho para o Brasil embranquecer-se. Mas isso só viria acontecer num futuro remoto, e talvez nunca aconteça. Fico então com essa pergunta: E nós os mestiços que somos a esmagadora maioria, como é que ficamos?

                                                                   *  *  *
Maceió, suas belezas e nossa gente, sempre fizeram parte do cotidiano de minhas crônicas publicadas. Assim, de alguma forma eu e tantos outros cronistas locais também torcemos pelo seu título de cidade mais bonita do Brasil. O título de mais violenta, entretanto, é uma maldade, no que pese as coisas escabrosas que acontecem. Talvez seja o carma de nosso primitivismo ignaro, ou pela falta de educação; ou então, quem sabe, por este mundo louco da globalização, para o qual, o Brasil não estava preparado.

                                                                 *  *  *

.
A maldade das piriguetes explorando os pobres homens com a arma da sedução, está se tornando uma questão de ordem pública. Vejo muita reclamação da classe masculina neste sentido. Já as prostitutas devem ser apoiadas, porque de alguma forma elas prestam um serviço.

                                                                                                                 

seta

Por vezes, casual

13/01/2014 10:23

 

 

Com relação a viagem amigos, eu digo sempre: quem quer vai, quem não vai é porque não quer. Mesmo diante de tantas opções de rotas. Sempre há chances de fazer alguma coisa prolongada ao fim de semana, principalmente quem é da pública, mas há quem não vá. Eu, por exemplo, só decido na hora, pois sou mesmo da casualidade, dependo de olhar o tempo e decidir. Já me conheço, sou de programar e não cumprir, jamais daria pra ser cantor ou político, deixaria o pessoal esperando, sou assim mesmo. A casualidade é minha comodidade. Aquela rua, aquela esquina, aquele saguão e aquela porta diante do meu ócio, dos truques do destino. E depois o vazio de mãos que escorregam e que sorrateiramente se vão, e dobram a calçada, fecham a porta, ou somem como uma quimérica visão, sem deixar vestígios ou sentimentos compartilhados. Embora eu acredite sempre que há um sentimento naquele último olhar de lado, ou naquele aperto de mãos que escorregam até a ponta dos dedos.

E do que mais se precisa se não daquele beijo morno ao ponto, traiçoeiro e fiel, ficante e permanente, e indubitavelmente fadado ao retorno, quando a voz ao telefone se faz sentir como um punhal que lhe paralisa, e lhe tira todas as força, instigando-lhe a não dizer não. E quase como um refém sua voz responde o sim, o sim da verdade, o sim da surpresa, do canto de Ossanha, como disse Vinícius. E resvala o telefone de suas mãos com aquele pequeno nó na garganta, diante de qualquer compromisso que será adiado pelo que se fez fugaz mas intenso, vindo a confirmar que só vale a pena o que é intenso. Mesmo que você não tenha que ir buscar uma flor no abismo, mesmo que você esteja em sua zona de conforto, tem que ser impetuoso pra que se possa sentir e viver.

A ausência também é casualidade inesperada, é intensa, quando você sentiu que ela deu uma sumida, quando o olhar dela sorrateiro sentada de frente pro mar ficou como imagem marcada em suas lembranças. E por onde andou, viajou, você nunca vai ver se ela não lhe revelar no seu olhar profundo e misterioso, e em seu sorriso amigo e natural. E você pergunta porque há de permear entre a simpatia e o mistério essas trapaças do amor, esses denguinhos e afagos em sorrisos na lente mais nítida, e no quadro mais perfeito. Não sei, não sei, só o jogo da casualidade irá dizer, esse jogo cruel que trabalha com a probabilidade do nunca. Mas não soframos, não nos desesperemos, podemos provocar um sol nascente, uma tarde que cai; e com a ajuda dos ventos, quem sabe até, possamos ter um céu estrelado. Um, apenas um, que dependerá de outro, se aquele último olhar da esquina, disser que sim.
 

seta

Primeira Edição © 2011