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Ontem na Jatiúca

13/06/2012 20:25


Jasson Ferreira Lima

A  Avenida Amélia Rosa na última noite do dia dos namorados, estava como se fosse a noite de natal, um brilho nas ruas movimentadas, nos bares e restaurantes cheios e embevecidos pela energia do amor. De um amor diferente do amor do natal que é fraternal. Mas amor dos casais, é uma energia também muito forte, e que é a razão de viver das pessoas. A propósito, hoje em dia por uma questão de individualismo ou egoísmo, as pessoas estão se blindando um pouco dos compromissos que o amor trás. Mas quando chega a noite dos namorados, vê-se que isso não é verdade, as pessoas continuam querendo amar, doar-se, e compartilhar um sentimento tão belo que é o gostinho do namoro. Namoro que por sinal, é aquela situação flexível, mais solta e mais gostosa. Tai então uma idéia: porque invés de casar, os casais não deviam ficar eternos namorados? Isso seria fantástico. Mas neste caso, iriam que defrontar-se com a intransigência do amor que insiste numa espécie de obsessão de estar juntos, e não abre mão e nem descansa, enquanto não ver seus reféns juntarem as escovas, e viverem o cotidiano. Essas são as armações de namoro. Então a gente imagina: naquela noite dos namorados todos estavam armando uma situação de juntar-se de vez? Creio que não. Não todos, mas boa parte sim. E os que saírem salvos dessas trapaças do namoro, certamente irão no futuro deparar-se com as armações de um beijo, de um amasso, e de umas mãos entrelaçadas e grudadas feito um imã.
Exatamente numa daquelas esquinas da Amélia Rosa (E como é gostoso uma esquina de um bar!), estava Michel. Sentado sozinho numa mesa, ele fazia o gênero do homem solitário que quase sempre chama a atenção das mulheres. Este gênero é o daquele solitário descomprometido, altivo, independente, de gosto refinado que as mulheres adoram. Na cabeça delas, é um peixão; mas ele mantém-se firme até altas horas ali na mesa, como estivesse a desafiar o amor, como se fosse aquele cara vivedor da noite, frio e implacável na paquera. Era como se zombasse do amor, e que na sua cabeça, jamais fosse surpreendido por ele. E as mulheres sozinhas na mesa diziam: Qual é a desse cara? É mesmo um metido a gostoso. Porém, Michel estava ali dando um tempo pra cair na balada. Lá, ele mostraria suas garras, e estava certo que sua noite iria terminar em alto estilo, num motel. As mulheres só de imaginar isso ficavam irritadiças com Michel; porém, inconscientemente, estavam loucas por um convite a sua mesa. No último gole, ele desiste de ir a balada e pensa: - Hoje é a noite dos namorados; uma coisa que eu sempre gostei foi namorar, e elas sabem disso. Por isso, também sabem que eu gosto de ficar sozinho na mesa fazendo charme. Hoje vou dar uma trégua – e piscou o olho para uma gatosa que já vinha sintonizando olhares aquela altura. Começaram então a conversar e Michel perguntou-lhe: - Gostar é amar? Ou amar é gostar? – a moça respondeu-lhe que não era nenhuma coisa nem outra, pois o amor é incompreensível e surpreendente, e que quase sempre acontece com uma pessoa que você nem imagina. E que namorar não só é um beijo e um amasso, mas também um toque de ternura, um momento de saudade, e o desejo da companhia – Michel ficara abismado com as conclusões da moça, deixando-o até um pouco surpreso.
Leve-se em consideração, que o que acontecera com Michel, o guerreiro das baladas, foi no dia de Santo Antonio, conhecido na tradição católica como o santo do cupido. Bem, se nosso galanteador teve uma trégua de Santo Antonio na festa dos namorados, a moça, por outra, ainda teria a festa de São João para fazer uma simpatia e amarrar seu paquera. Pelo sim ou pelo não, os dois saíram noite adentro. E o que deu nessa história? Bem, nós aqui, ficamos a imaginar, e a dizer: Olha, sabe Deus no que deu!

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As carambolas da geladeira

06/07/2012 10:07

Hoje quando abri a geladeira, surpreendi-me com um punhado  de carambolas  dentro dela. Foram colocadas pela secretária que num ato de gentileza nos trouxe. Ganhara aquele punhado de frutas, de uma amiga com quem troca esses agrados.  Certamente fora de um sítio, pois estavam bem frescas e amadurecidas do pé; realmente estavam no ponto. Esses compartilhamentos de secretárias domésticas, quase sempre acontecem quando existe uma boa relação com os patrões. Elas fazem isso para nos agradar, e é uma forma de dizer que está satisfeita no emprego. Acontece de ir um bolinho e voltar uma fruta, ir uma fruta e voltar um doce, e por aí elas vão se entendendo. É claro que nem todas fazem isso, mas, a Sandra tinha essa mania. Foi uma pena que tenha se despedido.  O que  chateava era ela querer mandar na casa. Certa vez, bateu a vassoura nos meus pés e me mandou sair da sala e procurar o que fazer, justificando eu está atrapalhando seu serviço. E o melhor é que eu saí com suas ordens e duas vassouradas nos pés. A Sandra era uma figura, e foi a melhor secretária que apareceu até hoje.

Pedi  um suco de carambolas. Sim, porque não se toma um suco destes todo dia, é um tipo de suco que não é do dia a dia. É como, por exemplo, a jabuticaba, o jenipapo, a pitanga; são frutas eventuais, e por isso tem seu momento. Diariamente a gente suporta mesmo é o suco de laranja, abacaxi, maracujá, limonada, caju, frutas assim mais costumeiras; vivemos nos trópicos e a variedade é grande. Mas, por fim, chegou o suco de carambolas frescas; enquanto eu tomava, lembrava de como aqui em Maceió dava carambola que nem chuchu na cerca. Nos jardins das casas e quintais  sempre tinha pés de carambolas da gente chutar na calçada. Porém, o tempo passa, o tempo voa, e as carambolas de Maceió é uma lembrança boa. Aliás, não só as carambolas como também outras coisas, entre elas seus amores e suas morenas.

Certa vez, numa tarde quente de verão, no Farol, fomos tratar de um assunto na casa de um cidadão, e ele nos recebeu em sua varanda numa rede em todo seu conforto doméstico. No meio da conversa, eu o observava vendo nêle um homem realizado. Já aposentado, passava a imagem de quem já cumpriu dignamente sua meta na vida, no que pese hoje em dia os aposentados não estarem em situação muito confortável. Mas, ele estava, sentia-se isso.  Eu ainda jovem, enquanto o ouvia, pensava em minhas poucas aspirações e alguma esperança no peito. Pouco tempo depois, nossa Maceió começou a ficar meio maluca, aquela paz estabelecida em nossas casas não iria perdurar muito. E não deu outra, agora se vê cerca elétrica por todo lado, e morar num bangalô de muro baixo com uma varanda toda aberta virou coisa do passado. Mas, voltando a ele na rede, no meio da conversa, sua secretária chegou com uma jarra de suco de carambolas bem geladinho. Foi bem oportuno o suco, e terminamos a conversa numa felicidade só.

Nossa memória olfativa e degustativa, nos leva a uma lembrança imediata, de algum momento vivido com relação aquela coisa em algum instante da vida. Foi o que aconteceu com minhas carambolas postas na geladeira hoje. Quando as provei e tomei seu suco, percebi de uma forma mágica, que elas tinham alguma coisa a ver comigo, com o meu passado. Elas moravam dentro de mim.

cronicjf@gmail.com
 

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Gostar de si próprio

15/07/2012 09:16

O texto de Deepak Chopra sobre o gostar de si mesmo é fundamental para que apartir daí passemos a gostar do mundo e da vida. Mas nada é completo em todas as palavras que foram ditas sobre o nosso eu interior, e muitas vezes a solução para esses questionamentos está no simplório, no trivial no dia a dia. Entretanto, podemos degustar as reflexões do autor porque é sempre bom; senão vejamos:
A lei da atração está intimamente ligada ao autoconhecimento.
São duas linhas que correm juntas e dependentes uma da outra.
Julgamento é o reflexo de que uma parte de si mesmo ainda não está se rendendo. E julgamentos negativos emitem uma freqüência de luz muito pobre. Você precisa observar a qualidade de seus pensamentos. E se eles forem nocivos, se renda... Deixe para lá, traga você para perto!

Você só pode observar o belo ou o feio se esta vibração estiver ardendo em seu íntimo.
E quando você respeita o outro e o trata com mais gentileza é porque você encontrou dentro de si mesmo uma maneira equivalente de tratamento pessoal. E a vida responde a essa vibração! A vida responde aos seus sentimentos, a todos eles sem distinção.

Por isso, todo o enfoque que dou é que você primeiro seja tremendamente egoísta. Cuide de si mesmo, observe mais as coisas que lhe dão prazer.Preste atenção em você. Olhe para dentro, para as correntezas de seus desejos, para o vento da sua imaginação e para a tsunami de suas emoções.

Abrace a si mesmo com ternura e orgulhe-se do seu trajeto até aqui. Forneça afeto para as suas esperanças e divirta-se com seus sonhos. Essa conduta vai nutrir os pontos vibracionais que mais necessitam de cura. O seu desejo é a porta para Deus, ele lhe mostrará o caminho do autoconhecimento e você encontrará a luz da criatividade.

E com a sua vibração voltada para o melhor, as feridas irão sarar. Os julgamentos vão estacionar, pois você concentrado em si mesmo é Deus em plena atividade oceânica! Você concentrado em sua felicidade é uma força da natureza! Não falo de um egoísmo que sai por aí derrubando paredes por você se sentir injustiçado. Seja autocentrado primeiro, não há ninguém mais importante do que você no mundo.

Quanto mais injustiçado você se sentir, mais injustiça vai atrair.
Isso tudo acontece porque primeiramente você não está sendo justo com suas melhores vibrações. Você está desperdiçando um tempo e uma energia preciosa reclamando, enquanto quem mais está sendo injusto com o ser mais importante do universo é você.
Você é o mais importante!

O mundo e os julgamentos sobre ele somem quando você está concentrado em si mesmo.

Pensar no outro enquanto o seu mundo está vibrando nocivamente será uma conduta contraproducente.
Você não pode se dedicar totalmente ao outro se o seu desejo estiver necessitando de foco e concentração.E o seu desejo estará carente da sua concentração toda a vez que você estiver olhando para fora de si mesmo.E quando você estiver se amando e cuidando de si mesmo, todos os julgamentos externos vão sumir.

Depois de entrar em sintonia feliz com a sua proposta aqui nessa existência, você será capaz de amar a vida e observar o melhor em tudo e em todos. O mundo é vibratoriamente salvo se você puder cuidar de si mesmo.

Maturidade é isso: uma postura que encontrou uma base de amor e compreensão em seu interior. Alguém imaturo, enxerga falsidade e injustiça em tudo e a vida lhe mostra mais disso! Alguém maduro encontra forças em seu espírito para observar apenas o melhor, pois ele aprendeu a tratar a si mesmo com uma qualidade melhor.

Se você estiver encontrando falsidade e injustiças por aí...
Pare tudo e seja tremendamente egoísta, há alguém abandonado em seu íntimo gritando por ajuda. Pare tudo agora e incendeie o seu coração de todas as belezas que você já pode desejar para a sua vida.
Agora, o que eu tenho a dizer sobre o escrito pelo autor, é que o texto é bem articulado, porém, não diz lá muita coisa. A verdade é que, a felicidade, em síntese, é gostar de alguém, ter amigos (mesmo poucos), trabalhar, ser solidário, e gostar da natureza. E ademã! como dizia Ibrahim.

cronicjf@gmail.com


 

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Centelhas de boas coisas

20/07/2012 20:02

Viver o cotidiano é também ver o mundo de dentro pra fora, de forma simples e quase não notada como: Tomar um café pequeno, abraçar a brisa, olhar um belo quadro, ler um texto de um autor que gostamos, tirar uma cesta depois do almoço, fazer uma trilha, e pousar juntos para uma foto; notar um sorriso e sorrir também, botar o olho numa guloseima, brindar juntos de mãos pra cima, ver seu filho(a) articulando as primeiras falas, e dar um mergulho no mar; ficar num canto parado vendo a chuva cair, ouvir aquela canção que mais gosta; partir, voltar, ficar sozinho numa esquina de um café com aquela curiosidade de um turista; dar umas pedaladas, jogar uma pelada, tomar umas duas dozes de um 12 anos rolando um papo num final de tarde; segurar as mãos de quem se ama,  torcer pelo seu time; tomar um chá, um leite morno, ou um café na sua caneca preferida na cozinha no dia que não há nada pra fazer; caminhar descalço num final de tarde numa praia paradisíaca; se jovem, conversar com os mais velhos, e se mais velho, conversar com os mais moços; folhear uma revista de arte, de decoração e paisagismo; sentar numa mesa com uma boa louça e cristais, dar um passeio de barco, e ir ao cinema ver uma película de Woody Allen; Estar em Paris em algum momento da sua vida, visto que não é mais tão caro assim; comer um doce de caju ou de laranja da terra feitos em algum sítio; ir no mato uma vez ou outra, abraçar um animal de estimação, tomar um banho de bica com uma caipirinha ou um coquitel de frutas naturais; soprar uma flor de dente de leão no jardim, curtir o cheiro do jasmim e do manacá exalando pelo ar; ver um arco iris, pegar uma estrada; ver uma notícia de que um ex detento se recuperou para a sociedade; sentir um ciuminho, porque sem um ciuminho não dá pé; ver uma foto de Isis Valverde e imaginar que ela poderia ter sido sua primeira namorada; visitar os pais quando ainda o temos por aqui, ou rezar por eles quando já partiram pro andar de cima; sair um dia pra jantar a meia luz, ou descoladamente e despojadamente comer um hamburguer no meio da noite com uma coca-cola, sem aquela culpa de ingerir umas calorias a mais.

E ainda: Receber uma menssagem de carinho e responder no mesmo tom; saber que está sendo amado e dizer: essa é ótima!; herdar, ou não herdar e ter adquirido com seu esforço; jogar um ping-pong e até  achar um saco quando a bola passa direto e cai no chão; fazer uma reforma em casa e gostar; ver fotografias suas e de quem você gosta; se sentir Narcizo no espelho do banheiro, e ser chamado pelo apelido de infância; dizer te amo olhando nos olhos; ajudar alguém atravessar o trânsito, ser solidário no trânsito e ver que alguém também foi com você; cheirar um buquê de rosas pra quem voce vai enviar; cantar com um pandeiro na mão numa batucada de casa de praia; tirar um fruto do pé, tomar uma água de coco depois da caminhada, curtir a noite e sair uma vez ou outra sozinho; ver as moças tomando um refrigerante e dizer relembrando sua juventude: tão se refrigerando meninas? Era tudo que eu queria! - ao tempo em que percebe que a plenitude da mulher vem com o tempo, como a doçura de uma fruta, quando ela  evolui do refrigerante pro champanhe. Enfim, a lista de centelhas felizes é imensa e nosso texto é bem curtinho e não cabe tudo. Mas, eu finalizo com uma curta e grossa: vamos comer a metade, andar em dobro, e rir o triplo.

   E ademã, como dizia o Ibrahim. Agora, só pra semana; pra não enjoar.

 

cronicjf@gmail.com

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Metrosexual

30/07/2012 19:30

Palavras também sofrem mutações, termos novos surgem e outros entram em desuso. Tudo isso faz parte do processo linguístico no tempo. Muitas vêzes, uma gíria se impõe tanto no dia a dia que termina por entrar no Aurélio. Esta semana eu pensava na palavra metrosexual, que refere-se específicamente ao homem moderno com suas vaidades, com hábitos modernos, como por exemplo, fazer um tratamento estético. Hoje em dia existe toda uma linha de produtos para atender esse tipo de pessoas. Então resolvi escrevcer hoje sobre o tema e sei que vai mexer com o imaginário. Podem até pensar que eu estou falando de uma espécie de homosexual ou coisa do gênero. Não tem nada a ver a catraca do caminhão com conhaque de alcatrão, como  costuma dizer Malandrinho em sua resenha esportiva no rádio. É provável que alguém mais atenado, venha a entender o que veria a ser esta palavra. E isso venha a calhar com o que penso, porque quando vi o termo pela primeira vez não o entendi muito bem. Metrosexual, em princípio, é um sujeito, como já dissemos, de certa vaidade e que possui hábitos de frequentar clínicas de estética, não tem em si tantos preconceitos de qualquer ordem de uma sociedade de tempos atrás, e sabe tratar melhor uma mulher porque entende mais o universo delas. Creio eu que ele aproxima-se deste universo das mulheres, não só pela vaidade, mas também é aquele cara que assiste novela e dá até uma força pra elas em casa, prepara uma comidinha rápida, e é um hétero. As mulheres deixam-no curioso em conhecer seu universo. Gosta daquelas coisas clichês do universo masculino, circula e respeita todas as tribos. É instintivo pelo erotismo, bebe com moderação e frequenta academia regularmente. Enfim, tem estilo e cuida da aparência, e tem destronado o estilo machão, pois as mulheres cada vez mais estão se interessando por o tipo moderno. David Backham, por exemplo, reconhecido jogador de futebol, o galã de cinema George Clooney, e o ator de novela Caio Castro, são exemplos de metrosexuais assumidos do mundo da fama. E na vida normal está cheio desse novo estilo masculino. 
O metrosexual entrará num constante processo de mudanças. Eles influenciam nos hábitos domésticos que antes eram espaços exclusivos das mulheres. São eles que fazem aparecer as mudanças constantes do homem moderno. Há quem diga que eles estão exagerando com tanta vaidade. Aí perguntamos, se isso é evolução, cuidados, ou frescura? Fica a reflexão pra vocês.  Seguramente, ser chamado de metrosexual ainda assusta, mesmo muitos sendo.  Há aqueles que poderiam até se ofender se chamado por esse termo. Entretanto, para quem conhece bem a palavra, pode ser um elogio; pois é aquele indivíduo moderno.
Agora, distinguindo-se do metrosexual, já surgiu um novo estilo nos Estados Unidos que é o retrossexual. Este, já está na frente do metrosexual, mas fica para uma outra crônica.
Ademã, e de leve, com dizia o Ibrahim; na próxima semana tem mais. 

cronicjf@gmail.com
 

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Primeira Edição © 2011