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Essa tal felicidade

23/08/2015 07:00

 

O corretor insistia em me vender aquele lançamento imobiliário com argumentos fortes, instigando-me sonhos e mudança de vida. Todo corretor é insistente; há alguns que exageram um pouco. Minha saída foi àquela infalível, de dizer que, no momento, não estou comprando nada, pelo contrário, estou até vendendo. E se a conversa se alongar muito, vou falando que o sujeito hoje em dia, dê graças a Deus quando ainda consegue segurar o pouco que tem, sem precisar vender. Com uma conversa dessas não há corretor que fique. Porém, eles ainda te ligam dizendo que seu crédito está aberto. O fato é que vida de apartamento é vida de pouco espaço. Mas, a gente termina se acostumando no correr dos anos, como um monge em sua cela. Veja que o homem a tudo se acostuma; pois quem se criou como eu, numa casa com quintal na beira de um rio, e na liberdade dos campos verdes do interior, não imaginava que lá na frente iria tornar-se um morador da vertical. E o que acontece hoje, é que já não sei morar em outra coisa, e casa com jardim e piscina foi um sonho do passado. Não devo negar que uma casa oferece mais espaço e uma melhor qualidade de vida, não nego também que é menos prático diante das dificuldades urbanas que vivemos. E a tendência, é ficar em espaços cada vez menores. Para quem vive de seus proventos, tem que inclinar-se ao sistema. Ele dita as regras, e em cidades de grande porte, todos são obrigados a viver engaiolados, e você não tem como fugir disso. O mercado cria toda uma infra-estrutura para lhe prender em suas amarras. Aí, o sonho daquela casa enorme que para o homem comum é quase um palácio, fica para poucos. A gente insiste em que as coisas sejam para todos, mas ainda o mundo é de poucos.
Já tem gente fugindo de casa de praia, porque o sistema quer que você vá para o Resort, que se torne sócio de um desses grupos integrados de Resorts, e pague uma boa oferta por uns dias de lazer. A indústria do lazer cresce a cada dia na terra e no mar. Os navios transatlânticos já concorrem com os hotéis. A indústria turística não quer lhe ver de fora de seus pacotes, e quer incluir cada vez mais consumidores deste produto.

Só sei que cada um tem seu perfil, e tem gente que não abre mão de investir no supérfluo quando pode. No domingo passado numa estrada praieira, uma camioneta importada, último modelo, passou por mim arrastando um jet-ski. Vinha, certamente, da casa de praia; percebia-se que era gente da classe média alta, um padrão de consumo bem definido na pirâmide social. As pessoas desse perfil têm seu charme, porém, quase sempre são fúteis e tediosas. Um jeito mais leve de encarar a vida, está nas pessoas que, contrariamente aquelas, são mais descomprometidas, ou excluídas desses padrões de consumo exagerado. E por isso, gozam de um melhor humor em virtude da vida mais simples. Para um franciscano, muita coisa pra carregar pesa. A vida é assim, cada um com seu fardo. Uns nascem pra ser ovelha, outros pra ser pastor. Uns nascem pra cantar, e outros pra compositor. Poucos são os capitalistas, e a grande maioria trabalhadores. Só sei que na nova era que se aproxima, os que muito consomem vão ter que repartir com os que querem consumir. Teremos que nos tornar de alguma forma, literalmente solidários; um pouco mais básicos para o planeta aguentar. Muito embora, os padrões de consumo ainda vão nos manter divididos em castas por um bom tempo, pelos mais e os menos favorecidos.
No fundo, todo ser humano busca a felicidade. Um dos segredos para encontrá-la, é ficar relaxado um pouco diante da vida, ao descobrir que a gente não precisa de muita coisa pra ser feliz.. A vida, em resumo, é trágica. Mas no decorrer da ilusão dos dias, a felicidade nos visita de diversas formas: seja quando estamos bem sucedidos, ou com uma vida simples e tranqüila; quando estamos bem casados, com lindos filhos; numa alegre festa com os amigos; numa viajem dos sonhos; com uma namorada apaixonante, e numa mesa bem posta. Entretanto, vez por outra ela se afasta, e aí, nos entregamos às agruras do sofrimento. Tornamos a esperá-la outra vez, e ela, cinicamente, essa tal felicidade, nos visita de novo. E você então vai somando os débitos e créditos que a vida lhe deu. E em determinado momento, você pode descobrir e dizer: entre os prós e contras da existência, sempre vale a pena viver. 

E como estava feliz hoje aquele cidadão de branco a conversar, sentado na poltrona ao lado no percurso  Recife – Maceió. Referia-se a chácara que adquiriu com vista para os lagos. Trata-se de uma casa de campo em nove hectares de área verde, onde ele estruturou para seu lazer particular. O que eu posso falar de sua felicidade? Que é um "vidão" sua chácara. Eu outro dia pude ver o que é um "vidão", quando visitei uma amiga no meio da tarde em sua boa casa, com um belo jardim, uma biblioteca e um pequeno acervo de antiguidades. No varandão cheio de plantas ao lado da piscina, conversávamos amenidades, na companhia de um bolo de ameixa bem caseiro com um suco de pitanga. Pude ver muitas flores, alguns passarinhos, uma arara e um tucano. Saí daquela casa de alma leve; e acho que vou voltar lá outra vez.

cronicjf@gmail.com

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Os ares de outono

20/03/2015 17:38

 

Neste dia sem sol de céu cinza chumbo, onde uma chuvinha constante caía de mansinho deixando a manhã molhada, só se ver mariposas voando. À noite, elas estavam nos postes em volta da luz, e algumas mais atrevidas a invadir nossas janelas; não sei se elas são tão ousadas em subir andares mais altos. Sobre os jardins e os telhados, e entre aqueles dois pés de jambo que se põe um em frente ao outro na rua, elas estavam a voar, a celebrar o seu grande momento em meio às gotas de chuva. Tão próximas, parecia nos dá bom dia; a nos mostrar naquele instante que o tempo mudou, assim como mudou a vida delas que antes estavam não sei onde, em algum casulo escondido talvez, invisíveis. E agora, nesta manhã chuvosa vem dizer que aqui também há outono, de forma sutil, mas há. E não é por total melancólico, nele também existe alegria expressa na efemeridade de um ciclo vital tão rápido. No entanto, me dão uma grande lição de como são oportunistas e sabem que esse é seu grande momento, e dão as caras pra nos dizer do novo ciclo da natureza, e que dentro da gente algo está acontecendo.

Você olha as coisas com uma vaga ponderação; abre aquele livro que você começou a ler e depois deixou pra lá; ouve aquele disco de Charles Aznavour, e fica mais reflexivo. E essas coisas vêm à tona como as mariposas aparecem no ar, de chofre, e sem avisar.
Quem sabe você não pense naquele amor que não se concretizou? Ou num lugar frio pros lados do sul do país?  Que esteve lá, e lembra daquela tarde quase sem sol, num prenúncio de inverno, em que sentou num banco próximo ao rio que cortava a cidade, enquanto olhava sem pressa a ponte e o casario. E ficou ali um tempinho bom, enquanto vinha a vontade de tomar um chocolate quente, e fumar um cigarro. E ainda com o cigarro entre os dedos, percebia que em suas entranhas havia um sentimento de que alguma coisa foi embora, e uma outra nova estava chegando. Sua percepção enxergava pequenas mudanças de atitudes; talvez estivesse mais sentimental, ao ponto de observar as coisas mais teluricamente.

Um bem-te-vi voava e agasalhava-se numa antena de TV, a cantar alto e achamar os outros parceiros. Aquele casal de rolinhas que logo cedo da manhã faz um city tur por aqui, juntamente com os pombos, os sanhaços, pardais e toda passarinhada, não os vi. Creio que eles hoje “tiraram o time”, porque o grande show ficou mesmo com as mariposas na rua e com os chuviscos. Então resolvo deixar a janela com certo dó.

Depois de ter dado uma “sacada” no tempo, recolho-me a pensar que tudo na vida tem seu lugar. E assim devo soltar minha alma como as folhas soltas ao vento, e deixar fluir o outono no coração. Porque daqui a uns tempos, como num passe de mágica esse período vai passar. E quando isso acontecer, eu não abrirei aquele livro do mesmo jeito que hoje, não ouvirei apaixonadamente uma música francesa, não esperarei o chuvisco passar para ir à padaria, e não buscarei o meu cantinho predileto com tanto prazer para ler o jornal. E nem ficarei assim, com essa melancolia amiga que me invade sem pedir licença; e sem que eu perceba, me faz um pouco mais sereno.

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Sargaços no mar

20/12/2014 09:06

 

Havia sargaços na areia, em meio a pegadas desertas que logo mais se apagariam com a subida da maré. Apagar-se-iam como a miragem de alguém que por ali passou, e deixou como um carimbo de seus pés, as marcas do seu caminhar na praia. E que o vento e as águas bravias não respeitarão, nem perguntarão de quem foram àqueles pés que ali pisaram, nem o que fizeram na praia, nem que destino tomou aquela trilha. Tudo nas ondas se funde num nada sem perguntas nem respostas. Como palavras escritas na areia, segue a vida a escrever seus dias na efemeridade das horas. E os sargaços melancólicos de serem desprezados pelo mar, servem agora de pouso as lavandeiras noturnas. E as invejam pela falta de mobilidade quando as vêem alegres a correr pra lá e pra cá, próximo as marolas; e as observam em seus vôos rasantes e em suas fugas para os coqueiros, onde acham ser abrigo seguro. Triste sina a dos sargaços, da sua solidão, nesta relação de amor e ódio com o mar que os põe pra fora, e depois os traga de volta as águas. Como os ironizasse pela falta de opção, por serem pisados e xingados por todos que não os enxergam, como verde vida nascida em águas limpas. E como filtros,  estas algas absorvem as agressões do meio ambiente, e resistem em proliferar-se.

Pus-me a caminhar na praia naquele começo de noite, até certo momento que me bateu fadiga. Na volta do percurso, ao passar defronte a colônia de pescadores, percebi reinar o silêncio do cansaço das jangadas. Já não havia por lá nem pescador nem peixe, não havia mais labuta nem a alegria da rede cheia, tão pouco o burburinho de gente a procura de um pescado fresco. Havia sim, àquela sensação de que o dia foi consumado, que a parte que compete àqueles homens do mar fora cumprida. Mas no breu da praia, entre os coqueiros, ainda havia velas soprando em jangadas altivas para o horizonte. E este é o sinal de que ainda haverá peixes, peixes de águas profundas e límpidas, porque ainda há plânctons, ainda há mar, e ainda há pescador.

Sentei-me na pedra em busca de algum conforto físico, procurando refazer-me do cansaço. Veio-me no pensamento o desespero de uma mãe ao celular por esses dias, lá no burburinho da cidade, preocupada com o comportamento de seu filho; coisa muito comum hoje em dia. Quando levantei os olhos pro vazio noturno, na pequena luz em frente ao bar, havia um jovem casal que brindava na água doses de caipirinha como se fosse champanhe. Tentavam segurar os copos no ar naquele reboliço das ondas. Por um momento, saíram da água, pegaram outra dose, e entraram no mar outra vez. Falavam alto, se abraçavam e bebericavam. No fundo, isso é o que impulsiona. E foram ficando ali; a mercê da brisa, das águas, e das areias dos sargaços.

cronicjf@gmail.com

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Um olhar sobre a areia

06/12/2014 14:00

 

Havia um saveiro solitário na praia, inclinado um pouco pra direita, inspirando um ar de melancolia em frente às águas banhadas de sol, num dia cheio de vida e cores no horizonte costeiro. Entretanto, aquele barco pesqueiro na areia estava quase a tocar nas marolas da maré baixa, como tivesse a espiar e a invejar os outros barcos parados dentro do mar, num balanço maneiro e lento, quase imperceptível a um olhar distante. Em sua madeira respirava a alma da marcenaria naval, na arte de mãos construtoras pegadas na prana e talhadeira, a moldar a perfeita forma de flutuar num equilíbrio simétrico e audáz. E em cada toque do artesão, o barco vai nascendo, enquanto ele já o imagina pronto como se fosse o primeiro filho, o mais perfeito e o mais seguro para os embates nas águas profundas. Por um momento, o pescador trás em sua memória toda a sua história a beira do mar: seus amores, decepções, medos, dificuldades, seus causos, em fim, tudo vem à tona em suas reflexões diante do seu labor.
A sina do saveiro é abraçar as águas inquietas sem medo de arriscar-se. Seu natural, é a busca do pescado, transportar homens destemidos e obcecados por aventuras sem fim, em dias espelhados de sol e noites escuras e estreladas. E contar histórias de agulhinhas e do gigante peixe marley; de ter recebido a ronda de tubarões famintos; de ter levado uma pancada no casco por uma grande arraia; além dos perigos infindos nas rotas tortuosas do oceano. Porém, aquele saveiro na areia era a própria imagem da solidão; tão irresoluto, mas com esperança. Certamente, uma mão benigna e solidária antes da maré encher, iria tão logo atirá-lo no mar. E aí sim, ele então embelezará a praia com sua presença lá dentro depois da arrebentação. Sua âncora descerá segura, sua corda o prenderá como um cão de caça. Ele beija a água fria, e suas acomodações esperam para logo mais a noite partir em busca do pescado. E se eu pudesse hoje estar nele, minha alma seria de um menino que um dia sonhou em ser um capitão do mar. E ouviria os sons dos seres encantados do breu marinho, do canto da sereia, e teria a visão da rainha deusa de Atlântida – o continente que fora tragado para as profundezas.
Mas nada disso há de acontecer. Acho que devo sair da água, não há ninguém a minha volta, dei umas braçadas a mais, por isso fiquei aqui sozinho a pensar nessas coisas, enquanto as águas chumiscavam no meu rosto no reboliço da maré. E pra completar, uma bela moça de maiô preto passou caminhando lá na areia meio cabisbaixa. Eu não admito sua beleza afetada por algum tédio interior. Até porque hoje não é dia de enxergar coisas tristes. Ao contrário dessa moça, o saveiro não estava triste, apenas melancólico. A melancolia é diferente da tristeza, é algo que tem a ver mais com saudade, e sendo assim, é um sentimento bom. Um saveiro solitário na areia é um quadro que se nota na praia.
As sombrinhas na areia estão a me chamar, e não tenho alternativas, abusei um pouco no mergulho. Na beira da praia deve haver alguma coisa divertida pra se ver. E mal cheguei fui logo vendo a mulher do acarajé batendo a massa no caldeirão com muito gosto e disposição. Estou certo de que esta mulher enquanto bate a massa, está pensando em encher o bucho de todo mundo de acarajé. Seus olhos em vertigem devem está vendo sair do caldeirão, cédulas pra tudo que é lado flutuando em sua fronte. E os banhistas sem refrega, democraticamente sob o sol, expõem seus corpos ao bronze da maresia.

 

*É cronista membro da AAI e da AAC.

cronicjf@gmail.com

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Mudou a paisagem

15/11/2014 09:39

 

Lembro-me de quando vi meu primeiro cabelo branco na cabeça, e cogitava na época em não aceita-lo. Jamais poderia aceita-lo, porque no dia anterior ele não existia. Sequer, pude vê-lo quando me olhei no espelho na noite anterior, parecia que tinha surgido do nada. Revoltei-me com o tempo; não podia ser real aquilo, era um desacato comigo naquela manhã clara de primavera. Não tive outra reação se não puxá-lo e arrancá-lo com as pontas dos dedos. E quando fiz isso, sosseguei; e voltei a mim outra vez. Esqueci o fato, e deixei o tempo correr a vontade, com o mundo, e comigo mesmo. Repentinamente, lá na frente, outra vez mais uma decepção no espelho, e dessa vez foram quatro cabelos brancos. Fiquei fitando-os, mas não os arranquei, percebendo que o processo era irreversível e continuado. Eu estava caminhando rumo aos quarente, mas ainda faltava um quinquênio. Eu jamais tinha pensado na ideia de que envelhecemos, porque enquanto não se faz um tento na caminhada, tudo nos parece a favor; brincamos e zombamos do tempo, o tempo inteiro. Somos o super-homem nesta idade, o superstar ou qualquer coisa do gênero, e nem lembramos dos limites que a vida nos impõe. Por aqueles dias, a oftalmologista tinha me dito que quando eu chegasse ao marco quarenta, o relógio dos meus olhos iria mudar, e eu teria que usar óculos de perto pra ler. Afirmava ela que isso acontece com todo gênero humano, dentro dos prognósticos da medicina. E não deu outra, desde os quarenta que emplaquei meus oclinhos de ler.

Outro fato inesperado de algum dia em nossas vidas, é também aquela ruguinha matinal que o relógio biológico lhe trouxe repentinamente. Da mesma forma, você não sabe quando começou, mas ela está ali surpreendentemente na sua cara, como tivesse a lhe dizer, cheguei! E assim, os dias vão amansando suas vaidades, seus medos, e sua autoestima de quase invencível. Você vai sendo vencido aos poucos, porque seria um pânico para qualquer um envelhecer repentinamente. O processo é dosado entre o relógio biológico, com pitadas de amadurecimento mental e espiritual. Você vai vendo suas ruguinhas aparecerem lentamente junto com seus cabelos brancos, ao tempo em que sua visão da vida também vai mudando, e tornando-o mais forte interiormente e mais ponderado. É uma compensação formidável, no que pese todos nós querermos a juventude eterna do corpo como prêmio maior. Por isso que tudo tem suas compensações e conformismos, porque é de certa forma consolador para o ser humano, olhar para trás, e ver sua caminhada e seu aprendizado do caminho. E neste momento da vida também, sem perceber, o sujeito se ver mais humano, mais solidário, mais pai, mais avô, porque compreende que a vida é um sopro, e que só nos resta tentar viver em paz, quando possível esta paz. É a sabedoria da vida que os ventos vão trazendo, é o momento de ser conselheiro, de ajudar sem interesses vis, de reencontrar verdadeiros amigos; é um momento interessante neste aspecto. E é um momento perigoso também quando no futuro, no ápice da caminhada, a solidão lhe bate a porta, trazendo-lhe o fel da ingratidão, da indiferença, e da desumanidade.

Hoje, depois de mais um dia, no começo da noite, como sempre, fui a varanda tomar um ar. Lembrei-me de algumas varandas que tive no passado, como uma térrea toda gradeada numa rua deserta. Outra no centro de uma grande metrópole em que eu ficava a noite olhando os letreiros luminosos nos arranha céus. Tinha uma que ficava de frente pro mar do meu nordeste mais ao sul, e outra de frente para um bosque; inspirador. Sem contar aquela em que havia duas frondosas mangueiras, e no horizonte via-se o nascer do sol e da lua, subindo divinamente para o céu. Todas foram varandas passadas em que deixei meus momentos, meus pedaços de cotidiano, meu olhar. Agora, olho num terreno ao nordeste de minha varanda, e vejo um alicerce de um novo prédio que vai subir. E digo pra mim: a paisagem vai mudar. Fico ali um pouco num olhar contemplativo. Entrementes, olho para esquerda, e dou uma rápida espiada no mar.

cronicjf@gmail.com

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Primeira Edição © 2011