seta

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A escola do meu tempo

28/03/2013 08:20

Antigamente a escola era risonha e franca.
Professores exigentes, diretores competentes, instrutores excelentes.
E a gente na escola dando tratos a cachola pra saber as teorias,
decifrar os teoremas, saber quem foi Galileu,
solucionar os problemas,
falar sobre o Coliseu, estudar o esqueleto,
a literatura lusa, conhecer a hipotenusa,
o quadrado do cateto...
Era espeto!
Prova mensal, parcial, prova oral, média final.
“Tô com 3 em matemática, afundei minha global”
Passou, meu filho ? Ainda não, deu bobeira.
Fiquei pra segunda época e talvez vá à terceira.
Fração, função, confusão, Euclides, Newton, Pitágoras,
Xís é igual a não sei que, veja você se eu posso.
Tem círculo, semi-círculo, diagonal e tangente.
Meu Deus , como é que tem gente que sabe todo esse troço ?
Eu vou ser advogado e não posso ir ao pau por errar na equação
do primeiro ou qualquer grau!
Minha forra é o Joaquim que, eu sei, vai ser engenheiro,
mas levou bomba em latim porque errou no ablativo
fazendo a declinação.
Ô, aquele tempo de prisão... O tempo do cativeiro...
Aprende, estuda, não sabe, na cabeça já não cabe tanta coisa, tanto nome.
E o cérebro até ardia na confusão do pronome com conjunção, contração.
E depois, na Geografia, aumentava o carnaval.
Aquela tal capital,
o nome é Sófia ou Sofia ?
E eu sofria e tu sofrias, qual de vocês não sofria guardando nomes e datas?
O Dia do Descobrimento, o Dia da Proclamação,
o Dia do Livramento, Data da Abolição,
Revolução Francesa, Invasão Holandeza,
Dom Pedro e a Marquesa,
capital da Bulgária, crise operária,
capitania hereditária,
Império Romano,
Deocleciano, Maximiliano...

Ai! Antigamente a escola era risonha e franca.
Francamente, minha gente, tudo isto que eu falei
foi pura tapeação.
Na escola, eu comi merenda.
Estudar...
não estudei não !

 

seta

O Salão de Beleza

26/03/2013 07:17

Maria, Amélia, Tereza, o nome é que pouco importa, mas a elas muito importa frequentar diariamente um bom Salão de Beleza.
O Salão é de beleza, com certeza, mas em gostosa mistura o que tem mais é...feiura!
Velha que estica a pele, passa creme de limpeza,
ou sei lá o que ela viu
e passa Assolan ou Bombril.
E quando a doença é crônica é só tomar em gotinhas três vidros de loção tônica.
E a mulher da Zona Sul ?
A água faltou em casa ?
É só correr pro Salão e tomar banho de shampoo.
Ah ! mas ela é gorda demais !
Um banho turco resolve com quatro quilos de sais.
E a operação continua num tremendo rififi:
manicure, pedicure, mis en plis,
tem rinsage, tem besteira,
tem bobagem e mais o cabelereiro que pra final de conversa
não está totalmente inteiro.
Tem uns ares refrescantes, ventilados, refrigerados, bestiais
mas que as mulheres, coitadas, sempre acham geniais.
No Salão vai muita gente.
Umas fazer permanente, outras vão pro sofrimento
fazer o alisamento
e sempre tem a riquinha que não tem o que fazer,
tem dinheiro pra dar, tem dinheiro pra vender e
vai ao Salão todo dia só pra botar laquê !
Mas também tem a pobrezinha
que ainda não acostumou com a cara que Deus lhe deu,
faz mistura, faz tintura, lava a cabeça na pia
e quando sai pelas ruas
parece propagandista de alguma tinturaria.
E aquela velha sapeca que havia entrado enrugada,
passou por Seca e por Meca e que saiu remoçada...
De dia parece uma gata, mas quando chega a noitinha
bem na hora de deitar,
começa a se revelar.
E o marido, coitado, fica todo apavorado
vendo a mulher desmanchar.
Os cílios viram chouriços porque eram mesmo postiços.
Das unhas nada tem mais. Eram artificiais.
Ficaram os cabelos só daquela velha maluca ?
Nem isto. A velha usava peruca.
E pra final de conversa a velha, na ordem inversa,
começa a se preparar, na verdade, despencar.
Tira rouge, tira o pó, tira os dentes e o nariz -
mas que suplício infeliz!-
tira braço, ante-braço, tira os peitos, que cansaço!
Não falta tirar mais nada deste corpinho tão bom ?
Falta sim. Falta o baton.

Agora, é esticar o corpo depois da lida do dia
porque amanhã, a Maria, já combinou com a Amélia que acertou com a Tereza
para as três se reunirem
lá no Salão de Beleza.
 

seta

O buraco

24/03/2013 12:44

Começou pequenininho, era aquele buraquinho que por ele não passava nem a bola de bilhar.
De repente, olha o buraco a se espichar, na rua central, a mais central do lugar.
Quando alguém reclamou e ligou para a Prefeitura,
de lá responderam assim:
“Tapa com esparadrapo que o buraco assim tem cura”.
E o buraco foi crescendo, o pessoal desviando,
o povo ainda tentando do buraco se livrar.
Mas que buraco legal !
Ao cabo de uns bons três anos lá já tinha um coqueiral.
E quando algum descuidado pelo buraco caía,
no jornal sempre saía o drama do envolvido, claro, na coluna certa:
a do desaparecido.
E o buraco foi crescendo, crescendo, até que um dia, afinal,
alguém resolveu fazer uma investigação e programou direitinho,
para lá, uma excursão.
Convocou a imprensa falada, escrita, televisada,
deu entrevista de herói, disse que o povo se dói,
e que no dia seguinte quando voltasse dalí, ralado, cheio de dor,
se lançava candidato até pra governador.
E mergulhou, de cabeça, no buraco do horror.
Mas que surpresa engraçada ele encontrou no buraco.
Lá dentro tinha de tudo:
Muita rua asfaltada sem um buraco sequer;
um povo ordeiro, pacífico respeitando, vejam só,
os direitos da mulher.
E um grande supermercado bem no meio do buraco com uma grande sensação:
Os preços sempre marcados com custo abaixo do chão.
Foi quando olhou o buraco
com grande sofreguidão e
viu uma estrada comprida.
Sem saber a direção
foi caminhando, caminhando, caminhando
e foi grande o seu espanto, seu ardor, sua emoção.
Descobriu que a Prefeitura não estava errada, não.
Mas que obra grandiosa, meu Deus, quanta sensação! Aquele buraco grande que fora aberto no chão
era a grande ligação
Entre o Brasil e o Japão.

 

seta

Bolsa de Mulher.

22/03/2013 05:33

Ou a mulher deixa de andar na moda ou então, comigo, roda.
Querem sentir o meu drama?
Entrei num ônibus lotado e lá fui eu, pendurado, oprimido, espremido,
quando a madame entrou com uma bolsa xadrez
que tinha mais ou menos
um metro e meio por três... Ou seis.
Uma bolsa dessas da moda, em vime ou em pelica,
em formato de caixote ou de cuíca.
E tome eu a levar bolsada.
Bolsada no cotovelo, na cara, no tornozelo,
bolsada aqui pela nuca, na barriga, aqui no queixo...
Ela então abriu a bolsa,
o motorista freiou, eu meti o pé, houve aquele remeleixo,
eu caí dentro da bolsa e ela trancou o fecho.
Pensei que ia morrer sufocado, asfixiado, mas nada disso.
A bolsa tinha ar-condicionado, tinha piscina, tinha praia,
tinha um bar executivo do lado.
Resolví sentar pra descansar e então fazer um estudo detalhado,
um exame, de tudo o que havia alí naquela bolsa de madame.
Está tudo aqui anotado:
Havia rímel, pó de arroz, baton,
caderninho de endereços marrom,
peruca loura, um balangandan, óculos pretos,
chicletes de hortelã,
um telefone celular, um retrato do Lulalá,
umas moedas, um guarda sol maior que um paraquedas,
uma imagem de Santa Terezinha,
um sanduíche de galinha, quatro tapetes, oito sabonetes,
um pacote de camisinha, uma conta por pagar,
a tornozeleira do Júlio César – “daí a César
o que é de César - um pote de mel,
cinco bombons de chocolate,
três abacates, além de uma pecinha duplicada,
ultrapassada e superada que elas usavam, com todo o respeito
cobrindo o peito.
Bem, mudando de assunto:
Agora que eu fugi da bolsa-monumento,
agora que escapei da bolsa apartamento,
vou lhes dizer:
De hoje pra frente, eu juro solenemente...
A mulher pode ser loura ou morena,
pode ser pobretona ou soçaite,
pode ser brasileira ou chilena, seja russa,
holandeza ou romena,
do Haití, do Hawai, do Nordeste, do Flamengo ou de Inhaúma...Eu não quero nenhuma...
Enquanto não usar bolsa pequena.


 

seta

Quando menos se espera chega o Papa Chico.

15/03/2013 14:00

E chega de mansinho.

Sem alarde.

Com poucas, mas interessantes palavras.

Cardeal de Buenos Aires primava, dizem seus compatriotas, pela humildade.

Ao invés de carros de luxo e palácios para morar, usava os ônibus da capital e morava num pequeno quartinho nos fundos da catedral.

Já ouso chamar esse Papa Francisco de Papa Chico exatamente porque ele transmite no seu olhar, no seu sorriso tímido e sincero todos os Chicos humildes e sem pomposidade que conhecemos.

A Igreja católica estava precisando de uma renovação em todos os sentidos.

Precisava sobretudo de um Papa que se chegasse aos fiéis com a intensidade que chegava o saudoso João Paulo II.

O mundo estava precisando novamente de um pai.

E Papa quer dizer pai.

Precisamos de seus conselhos, de suas orações e até de suas intervenções para tornar o mundo mais pacífico e menos guerreiro.

Algo me diz que o Papa Chico veio para isto.

Algo me diz que os sentimentos vão reflorescer nos corações das pessoas e que ele com a ajuda D’Ele haverá de plantar mensagens positivas para estadistas do mundo inteiro.

Seja bem vindo Papa Chico.

Sinta-se em casa, por favor.

E deixemos as dissenções com os argentinos apenas para o futebol.

seta

Primeira Edição © 2011