seta

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A mordomia

22/09/2013 07:04

Este texto faz parte do meu novo livro "O mundo real das satiricrônicas" que será lançado em 5 de outubro no Jaraguá Tênis Clube.

A MORDOMIA

Da República Velha, ou da República Nova,
De JK, JQ, de FHC
Ou do reinado de Lula ou até mesmo de Dilma, a coisa chula,
a rima de toda a trova
da nossa democracia,
é, sem dúvida alguma, a mordomia.
E, para quem duvidar é só ir verificar
o salário do marajá
que deixa o sujeito gago, com bela mansão no lago, passagens de ida e volta e pelo Brasilse solta.
De vez em quando, a “missão”,
que o leva lá pra fora,
até pro Afeganistão.
Uns três carros oficiais,
caviar e um pouco mais,
conta corrente no alfaiate, no dentista e no “biscate”,
conta paga em restaurante e, num instante,
num taco, um monte de puxa-saco.
Em dado momento, o mordômico,
chega até a ser cômico.
Com o dinheiro do povo dá uma de rico novo
e esbanja simpatia e alegria em nome da mordomia.
Pra não gastar o sapato, de vez em quando convoca um bom avião a jato
pra tratar de assunto “sério”
de algum ministério ou, o que é bem mais genial, assunto do Banco Central.
E, afinal, por ali, não há nenhum problemão.
Se a conta for muito alta
o banco faz emissão.
Antes, sua diversão era tomar sorvete.
Agora, por qualquer coisa, participa de um banquete.
E para ter mais recurso, o dito até faz discurso
e envolve toda a gente
para ver se a mordomia se torna mais permanente
e faz dele, de repente, um sujeito independente.
Toda semana ele vai a uma igreja,
veja só, ora se veja,
fazer promessa de novo.
Pede a todos os santos para continuar gastando o dinheiro do povo
e continuar por mais tempo nessa feliz alforria.
Palavrão é nostalgia. Felicidade é orgia.
Dinheiro, muito dinheiro é o seu sonho por inteiro.
O espetáculo continua com muita graça,
Com muita magia.
E a atriz principal
é a Lady Mordomia.
 

seta

Pois é! Foram criados os "monstros sagrados da corrupção"

18/09/2013 15:04

Foi o que eu disse na última postagem.

E me recuso a dizer qualquer coisa mais.

Acho que o país está de luto.

seta

Os monstros sagrados da corrupção.

15/09/2013 06:43


Eles estão sendo criados e serão os grandes exemplos de como praticar corrupção e caminhar ilesos pelas ruas enojadas do país.

Depois de meses e meses de julgamento, 53 sessões do Supremo Tribunal Federal, o país estarrecido vive até quarta-feira a hipótese de ver os julgamentos das principais estrelas absolutamente anulados por uma manobra jurídica incrível.

Um 5 x 5; um placar de empate entre ministros de alto bordo que se dividiram entre deixar os reis da corrupção livres por muito mais tempo ou vê-los servindo de exemplo de punibilidade para um país que não acredita mais nisso.

Nas mãos de um só Ministro daquele tribunal está o destino que não é o deles, corruptos, mas de toda uma nação que, mais uma vez será enlameada pela incerteza do que realmente é justiça plena e até que ponto a mais alta corte do país poderá ser subjugada pelos atos que já começam a parecer comuns, simples, um nada demais.

No entanto, o povo brasileiro, que agora deposita esperanças num Celso que também é Ministro, precisa acreditar que nem tudo foi em vão.

Que os discursos, as investigações, as grandes e históricas declarações, tudo aconteceu para que acreditássemos que este país tem jeito e que, finalmente, a máxima de De Gaulle estava errada e o Brasil é um país sério.

Caso contrário, estaremos definitivamente criando “os monstros sagrados da corrupção”.
 

seta

ESPIONAGEM - a mais velha arma de estados e estadistas.

06/09/2013 15:19

Temos que falar, que berrar, até nos indignar.

Mas, no fundo estaremos fazendo um grande teatro por conta de uma das práticas mais antigas desde que o mundo é mundo.

Espionagem foi a arma dos reis, dos imperadores, de todos os que dela precisaram para manter o poder, para vencer guerras, até mesmo para manter democracias ou ditaduras em seus países.

Seria muita inocência, com o redespertar do tema provocado pelo americano que denunciou as espionagens estadunidenses, acharmos que o Brasil estaria livre e que seria um privilegiado nesse mundo de meu Deus.

O papel de nossa presidente Dilma no episódio está sendo perfeito cumprindo à rica o que um chefe de estado que se preze faria.

Sabemos, no entanto, no que vai dar.

Claro que, diplomaticamente, Obama vai dar algum tipo de declaração, poderá até pedir desculpas em nome de sua CIA, que serão também diplomaticamente aceitas, até porque o elo comercial entre os dois países não permite que se rompam os laços ditos amigos.

Sem dúvida que, como já falei antes, a soberania do Brasil foi ameaçada ou, melhor dizendo, foi explicitada.

Jamais seria eu a favor de espionagens.

No entanto, assino embaixo, o episódio não provocará nenhum tipo de guerra, ainda que fria, porque o mundo econômico precisa lutar por hegemonia e não por separações.

Sem dúvida, o presidente americano fará um “mis-en-céne” e a presidente brasileira, acho que irá aos Estados Unidos, mantendo a viagem programada, trocar com ele juras eternas de paz e fidelidade.

Tomara!
 

seta

A BANALIZAÇÃO DA VIDA. Ou será da morte?

04/09/2013 08:02

Estou triste. Muito triste.

Mais do que isso preocupado com o que virá.

O grande precedente foi aberto por este psicopata mirim que matou pais e avós e depois se matou numa frieza absurda e jamais vista na história do crime brasileiro.

Foram parentes e pessoas que lhe davam amor e que se foram por aquelas mãos assassinas, treinadas e premeditadas.

Uma criança de 13 anos que sabia dirigir e atirar.

Vítimas que interromperam seus sonhos e anseios como pais e avós daquele que seria o seu assassino contumaz.

O estado de choque em que a população brasileira se encontra talvez leve a uma reflexão que só a sociedade como um todo pode exercitar.

A de que a vida não vale mais nada.

A de que a morte passa a ser um ato rotineiro e que se nos apresenta no dia a dia quase que isolando o sentimento de medo e de respeito que sempre tivemos por ela.

Tira-se a vida das pessoas da mesma maneira com que se matam os bois.

O episódio marcante, fundamentalmente marcante que foi o brutal assassinato de inocentes-parentes tem que servir para alguma coisa.

Há que se tirar lições para que se repense a vida e a morte sem a banalização que por aí se espraia.

Nunca se matou tanto neste país.

Nunca se traçou com tanta nitidez a linha tênue que separa a vida da morte.

Agora, muito mais tênue.

Muito mais perturbadoramente banal.

Porque são nossas crianças que começam a brincar de vida e morte como se brincava de casinha.

Eis o grande perigo dos nossos tempos
 

seta

Primeira Edição © 2011