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Do Fiat Elba ao Triplex

12/07/2017 16:53

                                Um pouco diferente. Ou será muito diferente? Não sei. O fato é que o produto de consumo que derrubou o presidente Collor em 1992, ou ajudou a derrubar, está bem longe do produto de consumo que derrubou a moral do ex-presidente da república, Lula da Silva. E, depois de um longo e tenebroso "inferno", um juiz de primeira instância, Sérgio Moro, teve a coragem de impugnar uma trajetória política, por conta de uma vista maravilhosa e de três andares que iriam fazer a felicidade do casal Lula da Silva. O detalhe entre os dois fatos é que o primeiro, o da Fiat Elba, tinha até Lamborghini na garagem e não precisava em nada daquele humilde carrinho comprado para sua esposa. Já o segundo, salvo notícias ao contrário esconde muito bem os seus bens ou, quem sabe, não os tem. O fato é que o Brasil está mudando e encostando na parede quem acha que pode usar o dinheiro público como quem vai ao mercado comprar farinha. Que pode receber suborno, propina, o nome que queiram dar e sair por aí gozando a cara dos incrédulos eleitores e ainda achando que pode voltar ao cargo mando na maior cara de pau. Collor tem a grande, a enorme vantagem de ter sido absolvido de todas as acusações pelo Supremo Tribunal Federal, é bom que se lembrem disto, e o homem do triplex, dos sítios ou sei lá mais o que, este já foi condenado pelo outro homem que está colecionando condenações e prisões de gente até então intocável. Será o porvir de um novo Brasil? Tomara!  

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Vivendo e desaprendendo

04/07/2017 17:50

                                  Impressionante como o mundo de hoje nos faz desaprender as regras mais comesinhas que nos foram ensinadas por pais e mestres e até pela vida, de um modo geral. Não nos apercebemos, talvez, mas os anos deixam de ser dourados, as festas não são as mesmas, as comemorações são voltadas para o "sem expressão", os ritos da educação familiar viram mitos e até são ridicularizados pelas novas gerações. Droga não é mais remédio. É uma droga, mesmo e que mata individual e coletivamente. Bandeira não tem mais mastro e serve para enrolar na cintura em manifestações populares, muitas vezes sem nexo. Hinos são deturpados e para serem cantados precisam baladisar. Sexo era lindo e ficou banal. Deixou, em muitos casos, de ser praticado entre quatro paredes para ser à luz do sol. Os diálogos sumiram, pelo menos frente à frente; mas cresceram diante dos fantásticos aparelhinhos que unem pessoas ao redor do mundo e até menos mal do que a solidão completa. Pais viraram irmãos ou amiguinhos, sei lá! E até inimigos em muitos casos. Filhos não podem ser reprimidos nos seus maus atos e nem sequer uma, antes útil, palmadinha é mais permitida. Prisão era para marginais e hoje nela estão os chamados "maiorais" que se igualaram aos marginais. O real já foi moeda nacional, mas a que vale mesmo para os bolsos de alguns, sem dúvida é o dólar idolatrado do Oiapoque ao Chuí onde exista um corrupto ou um corruptor. E assim, devagarzinho, vamos vendo o mundo se deseducar solenemente e com ele as novas gerações que se não reagirem serão o caos em forma de gente. Que pena!

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Quem faz greve sabe o que está fazendo?

30/06/2017 08:42

                 Sinceramente, eu me pergunto, quando vejo essas greves organizadas e orquestradas por determinados líderes, se os milhares de componentes de cada movimento sabem exatamente por que estão ali e o que defendem. O país, decrépito, desacreditado, desrespeitado aqui e alhures, vê mais uma greve geral acontecer, com movimentos em todo o país, com muita baderna, queimação em ruas e estradas, transportes paralisados e alguns queimados, tudo devidamente organizado por especialistas em desorganização popular. Aquele povo que não é o mesmo que quer ver um país melhor. É um outro tipo de povo que está sendo cabrestado por lideranças, obviamente políticas, que nem de sombra querem ver um país moderno e futurista, mas um país dominado por interesses outros que está atrás de mudanças de cadeiras e de posições e muito menos no planejamento estratégico evolutivo que poderia transformar o Brasil numa grande nação. É preciso, ao invés de greves inócuas, promover uma verdadeira revolução de métodos e sistemas, exigindo dos governantes uma transparência real, um plano de recuperação, uma mania por educação e por saúde pública e, na verdade, um "marketing" generalizado que proponha uma mudança geral e não pontual, com a participação geral, esta sim, de toda a sociedade, ouvida, consultada e usada - no bom sentido - nas verdadeiras mudanças que fazem um país decente. O resto? Bem o resto é queima de pneus. E só.  

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É duro morrer na lama!

27/06/2017 09:31

 

                          O caranguejo gosta, se esconde, se alimenta daquela lama de mangue, onde o seu caçador enfia a mão até o meio dos braços e vai buscá-lo para saciar e gratificar, com seu sabor, o homem, seu predador. Mas ele, o caranguejo não morre ali; seria indigno demais! Ele abre as garras de suas patas, tenta fugir de alguma forma da corda a que faz parte com seus companheiros, mas acaba morrendo com um estilete entre os olhos ou fervendo em água limpa que o faz admirado pelos mais aficcionados gastronômicos do mundo.

                         O homem não gosta da lama. Nasce e logo é limpo e oferecido ao mundo para ocupar lençóis de linho, belos ambientes, receber carinhos e tudo o mais. Nem sempre assim, forçando a própria natureza, a miséria o faz feio, sujo até, ainda que, nesses casos possa ter a alma limpa e virginal.

                          E aí o homem descobre que fugir da lama é uma meta. Um objetivo a ser seguido na vida e que deve fazê-lo de maneira correta, decente e honesta. Trabalhando com afinco em seu prol, em prol dos seus semelhantes, até com a ajuda deles, mas sem usá-los, o que seria melhor.

                          Mas aí, o homem descobre e gosta, cada vez mais, das coisas terrenas e materiais que mais o ajudam a ficar longe, muito longe daquela lama. E busca incessantemente o luxo bem distante do lixo.

                          No entanto, tudo aquilo que começara tão bem atiça o seu instinto humano de ganância, de ter mais, de passar obstáculos, de vencer barreiras, de chegar a destinos nunca dantes propostos. E, então ele procura os caminhos mais fáceis. Um deles, o da criminalidade comum, talvez não dê para pensar, até porque a concorrência é grande demais. Então, fantasiar-se, disfarçar seu instinto desonesto, seus objetivos, buscar caminhos públicos que lhe dê a capa da indestrutibilidade, do poder, da invulnerabilidade e, finalmente da impunidade.

                          O ser político assoma-lhe à mente e, apesar de saber que centenas de políticos o são bem intencionados, trabalhadores e fiéis aos seus compromissos com o povo, ele não poderia deixar de admitir que em nossa república, enfraquecida por inúmeros casos de corrupção, de enriquecimento ilícito, os caminhos, os mecanismos, as facilidades, as ferramentas, estavam todos ali ao seu dispor para continuar vivendo, crescendo, enriquecendo, por cima de tudo, de todos, do seu país. E ele acredita piamente que está acima do bem e do mal.

                           Um dia, uma noite talvez, ele cai numa armadilha qualquer que a vida comum oferece aos homens comuns. Mas ele esquece que também é um homem comum. E só pensa que pode comprar o que quiser, incluindo almas e dignidade. Ledo engano. Foi exatamente o dia em que a sua casa caiu.

                           O homem olhou à volta, sentiu fugir-lhe os pés. E gritou. Mas não pedindo socorro e sim atacando o mundo. Mas não com a humildade dos que se arrependem do caminho errado, mas com a arrogância dos que se acreditam corretos a despeito de tudo e de todos.

                           O homem estava sendo desnudado. Estava deixando cair a máscara do seu pseudo-sucesso. Estava deixando que todos à sua volta, parceiros ou não, conhecessem suas tramóias, suas intrigas, seus conceitos de amizade. E, então iniciou um processo de destruição dos que o acompanharam na sua trajetória suja e corrupta até que, ele próprio começou a sentir os primeiros toques dos seus pés com um terreno macio e envolvente, exatamente o terreno por onde ele, por tantos anos havia caminhado, sem sentir que chafurdava ao invés de andar.

                             O terreno havia nascido aos seus pés, através dos seus próprios atos. Construído com suas próprias mãos.

                             Nele, num belo dia de sol para todos os brasileiros, ele mergulhou. Descobrindo então, que era a sua própria lama.        

 

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O verdadeiro movimento das ruas

23/06/2017 11:50

 

                  O chamado movimento das ruas, tão noticiado, tão badalado mesmo quando acontece, perdeu totalmente as suas características primárias quando era o povo realmente que ia para as vias públicas gritar pelo que queria, colocar voz uníssona em cima de um tema e mostrar que quem estava ali era grande parte da sociedade com todas as suas representações. Assim foi com as "Diretas Já", assim foi com o famoso das donas de casa na época da superinflação. Aí, sim, essas manifestações são autênticas e capazes de mexer com as estruturas institucionais e políticas de um país. Hoje, lamentavelmente o que acontece são movimentos organizados, instruídos e orientados por facções que não querem perder o poder de mando ou de influência e então, "criam povo", estruturam grupos que recebem para dizer o que nem sabem o que falar e que, na verdade nem falam deixando essas missões para os seus pseudo líderes, que também já são liderados pelos cabeças indutórios de multidões. Façam uma avaliação das últimas manifestações de rua e vocês irão verificar a cor predominante, os símbolos característicos de determinadas posições políticas e a clara intervenção financeira para que na rua eles estivessem. O que o Brasil precisa, em matéria de ruas, é a volta dos velhos e sinceros movimentos que fizeram a história deste país.

 

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Primeira Edição © 2011