Estudante de jornalismo que há mais de 10 anos pesquisa moda, onde tem formação técnica. Já atuou como designer e stylist e desde 2008 contribui para as editorias de moda de sites e revistas. No Twitter é @nunesfernando!
30/12/2011 06:59
O ano de 2011 vai chegando ao fim e o saldo é positivo para a moda alagoana. Embora o nosso crescimento não tenha sido espetacular, muitos acontecimentos fizeram com que a moda alagoana estivesse em evidência esse ano.
Quero começar este pequeno de texto de retrospectiva falando da profusão de festas para virada de coleção. Em 2011 esse foi o evento mais clichê da moda local. Não eu que não goste ou não ache importante. è fundamental que uma loja convide seus "clientes" e, naturalmente a imprensa especializada, para apresentar os novos produtos.
O que me parece é que esses eventos viraram uma reunião de amigos que se encontram no início da noite para beber alguma coisa e depois dizer em seus blogs que: "a nova coleção é linda" e ponto final. Não há descrição das peças, dos materiais, da relação custo benefício, as vezes nem sequer fotos dos produtos. Só fotos das pessoas. Sinto falta da propósito comercial desses eventos, que poderiam em 2012 voltarem a ser mais seletos.
Lembro de Suzy Menkes em uma entrevista ao site inglês Show Studio, em que ela fala de como as coleções eram apresentadas nos anos 60, por exemplo, onde as pessoas não pagavam, pediam, não faziam questão de estarem presentes a este tipo de evento de moda. Elas estavam alí, porque eram clientes, profissionais ou amigos dos estilistas. Talvez uma revisão desse modelo pudesse ser adotada e readaptada para nossa realidade.
Ainda é porssível citar os blogueiros de moda que se multiplicaram como nunca, e pleitearam espaço de celebridade nos eventos. É legítimo, pois aqui existe liberdade de expressão, mas é cansativo e de pouco crédito essa supervalorização, quando a maioria não sabe o que é um corte no viés, a diferença entre drapê e plissê, nem reconhecer materiais como cetim duchese ou musseline de seda, mas ficam por aí dando sua opinião sobre moda como se tivessem sido ensinados Charles Frederick Worth. Recomendo Alcino Leie Neto (que não escreve mais sobre moda, mas existem arquivos).
Vimos os meninos de Tanque D'Arca fazerem sua estreia na semana de moda alagoana. Com uma coleção tímida e inexperiente, Felipe e Fernando Santos alcançaram repecurção nacional, mais uma vez, graças ao clã de jornalistas nacionais que estiveram presentes a Alagoas Trend House. Evento que cresceu e tomou fôlego de 2010 para 2011.
Este ano também pude conhecer mais sobre o projeto Moda Alagoas, desenvolvido pelo SEBRAE/AL. E entender como grande parte das coisas concretos feitas no setor, aqui no Estado, passa por esse projeto.
Ano que vem, vamos continuar por aqui, discutindo tendências e trazendo muitas novidades sobre a moda alagoana e sobre o que acontece de bom pelo mundo afora e que serve para nós. Em 2012 vamos começar cobrindo o Senac Rio Fashion Business o maior salão de negócios de moda do país. Aguardem as novidades.
Um 2012 cheio de vibrações fashionistas!
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21/12/2011 06:52
A maior parte dos criadores de moda da cidade não têm lojas próprias, suas peças são comercializadas em outro espaço como multimarcas ou ainda de uma maneira mais pessoal, que ao meu ver lhes atrasa o progresso.
O que sinto é que alguns criadores daqui parecem ter medo da palavra "popular", no sentido de vender mais barato mesmo. O que me faz levantar a questão: não é bom que uma marca seja usada pelo maior número de pessoas possível? Para tanto, o preço tem que permitir isso. Vender mais barato gera propaganda, conhecimento de nome e sim, populariza a marca, trazendo aquilo que ela quer: lucro.
Para ilustrar o que estou dizendo, vou citar o exemplo da AP401. Os jovens fashionistas adoram a marca, porém sempre achei que quem tem dinheiro para comprar as peças não se identificavam muito com a estética visual forte, que é o DNA da marca. O designer Lucas Barros, o criador, também percebeu isso e resolveu repensar o seu conceito de concepção de produto. Não é que suas peças ficaram mais baratas, entretanto estão sendo elaboradas sem a pretenção de apenas ter um nome que lhe justifique o preço.
Pensar em uma marca em que a peça mais barata na arara custa em torno de R$ 200, exige alguns requisitos, que não podem ser alcançados sem investimentos e a coragem de se tornar "popular", principalmente nessa época em que os concorrentes são os estrangeiros do mercado de luxo.
Durante a útima Trend House, semana de moda alagona, conversei com vários criadores, e lhes questionei sobre investimentos e expansão. A resposta quase unânime foi que não se fazia algo diferente por falta de investimento, entrada de capital externo. Ana Maia e Rosa Piatti me contaram que sempre quiseram desenvolver tecidos diferenciados, porém o orçamento das coleções não lhes permitia.
A verdade é que falta investidores para que se permita fazer moda para os alagoanos, e quando digo isso, não me refiro a ter uma loja própria, mas ter um espaço onde se possa vender de forma confortável, seja em uma multimarcas, seja em um show room. Os consumidores locais precisam sonhar em comprar um vestido Maia Piatti, Larissa Nunes ou Fábia Muniz, antes de quererem comprar um Prada, ato que agora não exige mais passaporte.
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03/12/2011 06:48
O SEBRAE Alagoas reuniu parceiros e micro e pequenos empresarios que fazem parte dos projetos da cadeia têxtil e de confecção no Estado, para apresentar os resultados dos projetos Moda Alagoas e Da chita ao chique, desenvolvidos em municípios alagoanos. A apresentação aconteceu na manhã da última terça-feira (29/11), no Hotel Jatiúca.
Estiveram presentes no evento repesentantes da Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico - SEPLANDE, o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário do Estado de Alagoas - SINDIVEST / AL, Francisco Acioli, além de prefeitos de alguns dos municípios onde os projetos são desenvolvidos, já que as prefeituras são parceiras fundamentais para o progresso da atividade textil/confecção.
Na presentação feita pelo gerente da Unidade de Atendimento Coletivo Indústria do SEBRAE / AL, Everaldo Figueiredo e pela consultora Giselle Mascarenhas, os números de progresso dos projetos sob a gestão de Ana Paula Dantas, impressionaram a plateia. Foram apresentados resultados do biênio 2007-2008 para ser ter conhecimento do início do projeto e depois foram apresentados os resultados do triênio 2009-2011, que demostrou um crescimento no mínimo impressionante. No caso do projeto Moda Alagoas, que tem a participação de desiners de moda de fama nacional como Carol Paz, o faturamento e o número de peças vendidas aumentaram de forma expressiva, mostrando a força do trabalho de capacitação e gestão dos projetos.
Na ocasião também foram apresentadas as ações para o biênio de 2012-2014, que inclui em seu foco estratégico a promoção da formalização de pessoas físicas, solução alternativa para gerção de emprego e renda no país.
A rádiorreportagem a seguir revela os números de crescimento dos projetos e os planos de expansão já para o ano 2012, que serão executados com o apoio das parceirias firmadas entre o Governo do Estado de Alagoas | SEPLANDE, o sistema FIEA / IEL / SINDVEST o SEBRAE / AL e as prefeituras.
Ouça a reportagem:
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15/11/2011 12:30
Durante os desfiles do verão 2012, uma tendência veio novamente à passarela com muito mais beleza e propriedade. Estou falando do que já se chamou crash de estampas, ou choque de estampas, para ser mais preciso. A diferença nesse verão é que o crash parece não existir. Estampas diferentes se fundem, ou melhor, se completam nessa nova maneira de trabalhar essa tendência. A ordem agora é misturar, mas sem bagunçar.
Quando encontrei Bruna no domingo (13), usando seu vestido com estampas de duas padronagens, me lembrei de outros desfiles da temporada brasileira e internacional, que trabalharam essa harmonização de estampas de forma a serem observadas com atenção, se quisermos aprender como fazer o mesmo.
No caso de Bruna, as formas eram abstratas e circulares, em cores que tendem para o pastel no fundo, isso é o que permitiu o equilíbrio. Observamos em outros exemplos que a chave para combinar estamparias diferentes é, em primeiro lugar, prestar atenção na cor de fundo, depois na cor e padronagem da estamparia, que podem se repetir ou não.
A Diane Von Fustemberg do diretor criativo Yvan Mispelaere e a Moschino de Rosela Jardeni fizeram uma excelente mistura de florais com outras padronagens. Já o belga Dries Van Noten misturou folhagens e paisagens de fotografias em P&B respeitando a regência de cada tom.
No Brasil, a 2nd Floor juntou amarelo ouro e azul em um abstrato semelhante em fundo preto. Fernanda Yamamoto e a Cantão aproveitaram os tons similares para unir as estamparias diferentes de forma harmônica, sem confundir. Deixando que cada estampa tome seu lugar, sem concorrer entre si.
Esta tendências pode também ser explorada pelos homens, é o que mostrou Alexandre Hechcovitch em sua coleção sobre caça e pesca. Ele uniu estampas pelos os tons semelhantes de maneira a não pesar na visão, o mesmo fez a Reserva com o tricô listrado, explorando formas geométricas.
O perigo da junção está em não se encontrar uma linha de união nas duas estampas, que embora possam ser diferentes precisam se comunicar em algum ponto para que haja harmonia e não choque. A intenção é que a parte de baixo pareça uma continuação da de cima ou visse e versa.
Veja mais imagens na galeria.
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09/11/2011 10:24
A Schutz Maceió, da empresária Ana Loureiro, promoveu uma oficina de estilo com a consultora de tendências Martina Pinho, no final de tarde desta terça-feira (08), no Hotel Hitz Lagoa da Anta, com o propósito de dar dicas de estilo e apresentar a coleção de verão 2012 para as clientes da loja.
Martina Pinho é consultora de tendências da Schutz, marca que faz parte do Grupo Arezzo, que líder no setor de calçados, bolsas e acessórios femininos no Brasil, com quatro marcas reconhecidas - Arezzo, Schutz, Anacapri e Alexandre Birman, que juntas comercializam 6 milhões de pares de calçados por ano. Ela trabalha com desenvolvimento de produto e veio a Maceió para apresentar as tendências que nortearam a criação dos calçados da marca para o próximo verão.
Durante a oficina, Pinho apresentou 4 macrotendências que serviram de base para criação dos calçados, cclassificadas como:
Fantastic Collage – faz referência as cores e ao universo digital multicolorido dos pixels e bytes.
Exotic Queen – é uma mistura de das coisas étnicas com o que há de mais refinado, como o brilho de materiais.
Supernature – como o nome já indica, se relaciona à natureza, a estamparia de folhagens, pele de animais, insetos, etc.
Pure Craft – o uso de elementos naturais e trabalhos artesanais em cores neutras.
Os elementos dessas macrotendências proveram inspirações para a escolha de cores e materiais trabalhados na coleção, coisas que são compatíveis com o que apareceu nas passarelas brasileiras e internacionais como propostas para a próxima estação.
Martina Pinho, que tem formção em administração e moda, foi especialista em pesquisa de tendências no renomado bureau WGSN por 3 anos. Isso atraiu a atenção de muitos fashionistas de Maceió curiosos em saber o que ela iria apresentar durante a oficina, que é apresentada em todas as capitais do país. Apaixonada pelo assunto, contou que sempre teve interesse pela moda e quando criança era ‘louca’ pela modelo Linda Evangelista e por seu corte de cabelo que copiou na época.
Contando sobre seu trabalho de pesquisa, Pinho explicou que ele se divide em duas etapas: ”Existe a pesquisa no ‘desk’ onde se busca tendência através de sites, blogs, revistas e em todos os lugares possíveis dentro de escritório e a que é feita nas ruas, em vitrines, festas, praias, por exemplo. Essa estapa se relaciona muito mais com comportamento do qualquer outra coisa”. Pinho disse ainda que depois dessas duas etapas as linhas de pensamento similares e as coisas que se repetem são agrupadas e organizadas, de forma a receberem um nome e o conceito. “É assim que surgem as macrotendências”, conclui.
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07/11/2011 23:24
Tenho conhecido e conversado com muitas pessoas nos últimos meses que tem o desejo de trabalhar com moda de alguma maneira. Seja na área de criação, de produção de moda para revistas e outras publicações, seja tendo seu blog patrocinado por alguma loja que deseja tornar seu produto mais conhecido. Trabalhar com moda tem sido uma obsessão.
A pouco mais de um mês, conversando com uma garota, uma blogueira, ela me contou que sempre sonhou em trabalhar com moda e por isso iniciou um blog, para contar para as amigas sobre coisas que a fascinavam nesse universo. Prestei muita atenção a sua fala e a maneira como ela descreveu sua primeira oportunidade de assistir um desfile. Quando usou a frase “sou blogueira de moda” e as portas se abriram para ela como nenhuma outra combinação de palavras jamais fez acontecer. Nesse ponto, o do fascínio, é que reside, a maior parte da vontade de trabalhar com moda e talvez o maior engano.
O fascínio esconde um mercado que necessita muito mais de mão de obra qualificada do que pessoas deslumbradas. A realidade é que existe muitos postos de trabalho, com bons salários para áreas técnicas do que pra áreas de criação e comunicação, a mais concorrida ultimamente. É o que demonstra uma pesquisa feita pelo site Carreira Fashion, que aponta a produção industrial como o campo que mais oferece até duas vagas para cada candidato: gerente de produção, engenheiro têxtil, coordenador de facção, líder de tecelagem, PCP, programador de bordado industrial, cronoanalista, entre outros. Qualificação profissional que ainda está longe da realidade de nosso Estado.
Para entender melhor em que lugar Alagoas está inserida dentro desse mercado é útil assistir a reportagem abaixo, que mostra o que há disponível em Maceió para quem tem intenção de aprender moda pelo caminho mais sensato: o de se fazer roupas.
Glossário
PCP - sigla para Programação e Controle de Produção de confecção;
Cronoanalista - prfissional que usa a cronometragem como ferramenta e apura melhor a medição do tempo real para a indicação do tempo previsto, ou seja, usa o tempo para obter melhor aproveitamento na produção.
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