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A Política no Respirador Artificial

15/09/2020 17:34

Tendo recebido aviso de que estava aberta no site e-Cidadania do Senado Federal enquete sobre a PEC 33, fui imediatamente dar meu voto contra. Essa proposta de emenda à Constituição tem por objetivo atender os anseios de uma banda não muito perfumada do nosso Congresso. Encaminhada por uma senadora, a medida pretende instituir a possibilidade de reeleição das mesas do Senado (Davi Alcolumbre) e da Câmara (Rodrigo Maia). Ou seja, é uma emenda casuísta que só irá estimular, no comando dos poderes, o clientelismo que os constituintes quiseram evitar. A informação que recebi dava conta de a rejeição estar em 99%.

         Coincidentemente, no exato momento em que uma enquete que visa a informar sobre a adesão ou rejeição popular a proposições legislativas batia todos os recordes de reprovação, deparei-me com o aviso de que "A ferramenta de Consulta Pública está em manutenção para correção da exibição da ementa e autoria das proposições". Existem coincidências que derrubam todas as probabilidades e mandam o desvio padrão para outra galáxia.

         Não sei se, como, ou quando a enquete retornará. Tenho aí, porém, mais uma evidência dos inestimáveis serviços que a pandemia vem prestando aos abusados e aos abusadores da República. Com a falta de plenário, com sessões virtuais, com os canais da Câmara, do Senado e do STF dedicados a morféticos déjà vus, a política foi para o home office.

         Na falta do contraditório, do debate, do aparte, a atividade política sai das mãos de quem recebeu apoio popular nos entrechoques eleitorais e vai para os meios de comunicação, que fazem a "política" deles mesmos, organizando programas em conformidade com suas conveniências. Assim tem sido ao longo deste quase inteiro ano de 2020, ano em que a política foi para o respirador artificial.

         O que mais se vê, nestes muitos meses, no Congresso e no STF, são irreais sessões virtuais transmitidas em quadrinhos. Nelas, os intervenientes falam desde o aconchego de seus lares em ambientes blindados à reação alheia. Maia e Alcolumbre não contavam com ambiente tão propício! Em quase impotente contraposição, políticos, movimentos, cidadãos, organizam Lives para fornecer algum oxigênio aos pulmões da política, promovendo um mínimo de contraditório sem o qual tudo fica com jeito cubano.

         O silêncio tem sido o som da política nas ruas, nos plenários. Silêncio do povo e seus representantes. Para sua reflexão, estimado leitor: dentre os poderes constitucionais - legislativo, executivo e judiciário - quais os que se estão beneficiando desse silêncio de UTI para visíveis exercícios de autoritarismo e manipulação?

 

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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Integrante do grupo Pensar+.

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Autoconhecimento é a melhor forma de alcançar o prazer

02/09/2020 15:51

O orgasmo é uma sensação de prazer alcançada durante as relações sexuais. O fluxo sanguíneo e a frequência cardíaca aumentam significativamente causando uma contração no corpo seguido de profundo relaxamento. Parece simples, mas um estudo recente da escola Prazerela - mostrou que apenas 36% das mulheres conseguem ter um orgasmo durante o sexo. A dificuldade de chegar ao clímax está associada a fatores emocionais diversos como estresse e desempenho do parceiro ou parceira.  

A ginecologista e especialista em sexologia, Tatielle Teixeira Lemos (14.111), que atende no centro clínico do Órion Complex, explica que não há receita para o prazer e o melhor caminho é o autoconhecimento.  “Para chegar ao orgasmo é importante se tocar, prestar atenção à sua área genital, se permitir sentir prazer. É preciso se soltar, abrir a mente para para atividades como masturbação, lubrificantes, fantasias eróticas e entender onde são as áreas erógenas do corpo”. 

É fato que o orgasmo é possível tanto para homens quanto para mulheres, mas  existe diferença no desenrolar da relação até seu ápice. Tatielle conta que elas tendem a demorar mais a alcançar o clímax, mas em contrapartida, o estado de êxtase é mais prolongado que o masculino. As mulheres ainda podem ter orgasmos múltiplos, que são picos de prazer que ocorrem em sequência, um imediatamente após o outro, sem interrupção. “O orgasmo feminino é muito complexo e não apresenta somente um padrão. Pode ocorrer um único e intenso orgasmo, vários orgasmos de menor intensidade ou uma união dessas duas variações. É também comum a mulher confundir a sensação prazerosa após o coito como se estivesse experimentando novos orgasmos”. 

Tatielle alerta também para o fato de que os múltiplos orgasmos não são a regra geral e não definem por si só se a mulher tem mais, ou não, prazer quando comparada a outras com um único orgasmo. Enquanto isso, os homens se excitam e gozam mais rápido, mas precisam de mais tempo para se recuperar. “Ambos os sexos passam pelo período chamado refratário, uma fase de recuperação antes que se possa engatar uma nova atividade sexual, mas a mulher, em  poucos segundos, já está apta para experimentar mais prazer. Entre eles esse período de recuperação tende a ser maior, sendo que muitos esgotam suas atividades sexuais diárias depois de um único orgasmo”, detalha a médica. 

Embora exista muita expectativa em torno das sensações causadas pelo orgasmo, Tatielle prefere ponderar e ressalta que cada pessoa vai sentir de uma forma. “Não é algo sobrenatural, é apenas a sensação agradável que se tem durante o sexo. Em algumas pessoas pode ser mais sutil, mas não menos prazerosa”. Essas sensações vão desde  contrações involuntárias dos músculos pélvicos, aumento da frequência cardíaca, alteração na temperatura corporal, arrepios e em seguida, já no fim, um  bem estar e relaxamento. 

 

O tempo médio para atingir o orgasmo é de mais ou menos 8 minutos, mas há quem demore de 10 a 20 minutos. As sensações podem durar de  6 a 10 segundos, porém segundo Tatielle, algumas mulheres podem gozar por até 20 segundos. “O segredo é se entregar e não ficar pensando muito”. 

Saúde sexual 

Algumas doenças relacionadas ao desempenho sexual também podem ocorrer nas mulheres. Uma delas é a Anorgasmia, uma ausência recorrente ou persistente do orgasmo. Pode ser primária quando a pessoa nunca teve orgasmo ou secundária quando por algum motivo ela passou a não ter mais. “O diagnóstico é baseado na clínica e na queixa da paciente visto que a capacidade orgásmica da mulher é menor do que se poderia esperar para sua idade, experiência sexual e o tipo de estimulação sexual que recebe”. O tratamento depende da causa, podendo variar de reposição hormonal, mudança na dieta alimentar e terapias sexuais. 

Outra doença curiosa é o Transtorno da Excitação Genital Persistente, uma excitação genital involuntária, que leva o fluxo sanguíneo para os órgãos genitais e aumento das secreções, sem nenhuma relação à atividade sexual. Os tratamentos também envolvem terapia sexual específica. 

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A Eficácia da Gratidão

26/08/2020 17:26

A palavra gratidão tem origem no termo do latim gratus, que pode ser retratada como agradecido ou grato. Também deriva de gratia, que significa graça. A neurociência nos ajuda a compreender, que quando temos sentimentos de gratidão, estimulamos o “sistema de recompensa” do nosso cérebro.

Por meio desse sistema, passamos a ter sensação de bem-estar em relação às emoções. Quando praticamos a gratidão, estamos estimulando a ação desse sistema, que é a base neurológica da nossa autoestima e satisfação.

Ou seja, quando o cérebro compreende que algo de bom aconteceu, ou que estamos gratos por alguma coisa, é liberado uma substância denominada dopamina. Esse neurotransmissor é encarregado pela sensação de recompensa e de prazer. De forma em que promove um resultado de conquista, a dopamina nos estimula a agir sempre em direção de outras metas, objetivos e necessidades.

Quanto mais essa busca e conquista se repete, mais o nosso corpo procura por novas sensações de recompensa e prazer. Quando sentimos falta de entusiasmo, procrastinação significa que estamos com níveis baixos de dopamina.

Temos também além da dopamina, um hormônio denominado ocitocina, que o cérebro libera, o famoso hormônio do amor. É ele que estimula o afeto, o bem-estar, diminui a ansiedade, o temor e fobias. Exercitar a gratidão nos traz boas sensações, além de nos ajudar na diminuição das nossas angústias, medos, raiva, ou seja, fica muito mais simples dominarmos nossos estados emocionais negativos. Quanto mais exercitamos a gratidão, mais a reforçamos. 

As pessoas que exercitam a gratidão conseguem ter níveis elevados de emoções positivas, e conseguem viver com mais satisfação e otimismo.  Isso não quer dizer que as pessoas que aprendem a ser gratas negam sentimentos ou questões negativas da vida, mas conseguem viver e levar a vida com sentimentos mais agradáveis.

Para termos alguns benefícios através da gratidão, temos que ter o hábito de executar três coisas na nossa vida: agir, decidir e ser persistentes. Que possamos ser gratos sempre e encontrarmos sempre motivos para agradecer, aí sim aprenderemos a ter felicidade independente da circunstância.

(*) Sandra Morais é Psicóloga (CRP: 5/52586) e Neuropsicóloga, com especialização em Avaliação Neuropsicológica pela PUC RJ. Atualmente cursando pós graduação em Terapia Cognitivo Comportamental baseada em evidências. Coautora do Livro: “É Possível Sonhar, o Câncer não é Maior que vc”, com capítulo sobre “Como construir autoestima e ser Super confiante”. Também atua como psicóloga na Casa de Convivência e lazer para idosos.

Sandra Morais, psicóloga*

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Golpes pandêmicos em condomínios: como se prevenir

18/08/2020 09:34

A necessidade de isolamento social ocasionou novas modalidades de golpes praticados em prédios e condomínios residenciais ou comerciais e a atenção teve de ser redobrada por porteiros e vigilantes.

“A pandemia não nos fez apenas inovar na forma como trabalhamos, tivemos também de olhar para o momento atual, identificar novos perigos e treinar nosso pessoal da melhor forma”, comenta Marcelo Voltolin, Superintendente de Operações do GRUPO GR.

Ele explica que uma das grandes preocupações atuais é com o aumento do número do acesso de estranhos às residências. “São entregas de e-commerce e apps de alimentação, além de visitas de agentes de saúde, familiares, entre muitos outros, por isso, a atenção tem de ser redobrada para não permitir a entrada de golpistas”, explica. 

Há uma variedade grande de golpes e Voltolin enfatiza que as equipes são informadas pelos líderes sobre as novas modalidades para que possam fazer a rápida identificação e preveni-los a tempo. Contudo, ele diz que é importante que moradores ou funcionários destes locais também estejam atentos a comportamentos que sejam estranhos ou pouco usuais para complementar o trabalho da equipe e não interferir no trabalho da segurança.

“É comum que alguns peçam que motoboys entrem no prédio e façam a entrega na porta, mas a permissão vai contra a política de mitigação de riscos por meio da restrição de circulação de estranhos”, pontua.

A fim de contribuir com a prevenção de riscos de golpes maximizados durante a pandemia, Voltolin indica os mais comuns e fala sobre como a equipe está preparada para combatê-los.

Falso corretor de imóveis

Há quadrilhas que atuam com pessoas que fingem ter conhecimento do imóvel e solicitam a entrada para poder verificar o apartamento. Muitas vezes ainda oferecem uma comissão ao porteiro ou segurança. Orientação: só é permitida a entrada mediante autorização por escrito do proprietário e discriminação de nomes completos e RG de corretores da imobiliária contratada.

Falso entregador de app

Neste momento, muitas entregas estão sendo realizadas em domicílio (comida, lavanderia, compras de supermercado, etc.) Orientação: como dito acima, a entrada é proibida. Em caso de idosos e pessoas enfermas, é preciso informar o zelador ou outro funcionário do prédio ou condomínio para que ele possa fazer a entrega.

Parar em frente à garagem e buzinar solicitando a abertura

Há, claro, casos em que o morador esquece o controle ou em que ele não funciona, mas é preciso que a segurança tenha cuidado. Orientação: a segurança não deve identificar o veículo, até porque, hoje qualquer veículo pode ser clonado, até viaturas da polícia são clonadas. Importante que o morador pare seu veículo ao lado de fora do prédio e vá ate a portaria fazer sua identificação, para que o porteiro ou vigilante tenha de fato total segurança com o procedimento de liberação.

Falso agente de saúde para covid-19

Alguns golpistas estão usando roupas brancas e apetrechos médicos para simular visitas para aplicação de testes de coronavírus. Orientação: não permitir a entrada inicialmente, uma vez que estes testes, em geral, não são feitos em domicílio. Deve-se conferir com a Vigilância Sanitária e, em caso de insistência, sem comprovação, chamar a Polícia Militar (190).

 

Engaje! Comunicação Inteligente

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O Poder Religioso

17/08/2020 11:09

O Tribunal Superior Eleitoral está decidindo sobre um tema que gera polêmica: o poder religioso influi no processo eleitoral? Ora, basta estudar o fenômeno do psiquismo das massas para concluir pela verdade da hipótese. Não há dúvida. Quando se trata do mercado da fé, os contingentes religiosos acabam pagando, sem questionar o preço, o ingresso para entrar no paraíso sob a esperança de serem acolhidos pelo Senhor dos Céus. Antes, porém, rememoremos o que dizem os estudiosos das mentes.

Para Jung, as rápidas intuições que geram as decisões das pessoas são fruto de conteúdos subliminares. Explica isso pela existência das duas camadas no inconsciente: a individual, formada de lembranças apagadas ou recalcadas e de percepções estranhas à atenção (subliminares) e a superindividual ou coletiva, contendo as mais remotas imagens ancestrais, os arquétipos, que se relacionam às forças naturais, como o ciclo solar ou lunar, as ideias religiosas.

De Felice, um historiador italiano que escreveu uma obra em 4 volumes sobre Mussolini lembra: “Os efeitos fisiológicos e psíquicos de uma gesticulação levada até o delírio são comparáveis aos de uma intoxicação. As desordens funcionais assim introduzidas no organismo provocam vertigens e, finalmente, uma inconsciência total, que permite as piores loucuras. Às vezes, agitações desse gênero apoderam-se de reuniões políticas e provocam cenas tumultuosas, as quais recordam os espetáculos oferecidos pelas irmandades”.

Nas experiências de Pavlov, em laboratório, para que os reflexos condicionados pudessem se formar nos cães e gerar efeitos, era preciso que certas condições se efetivassem: o meio biológico, o lugar, o tempo, as características hereditárias dos indivíduos sujeitos às experiências. A cultura nazista abrigava tais fatores. Hitler encarnava certos complexos profundos do povo alemão, principalmente da classe média. Tinha necessidade de lidar com as massas em um nível inferior, quando, trabalhando sobre as condições fisiológicas, fazia mergulhar as multidões em estados quase hipnóticos. Dominava as massas pela violência psíquica. A propaganda nazista nada mais era do que a exploração da doutrina de Pavlov sobre reflexos condicionados.

Portanto, as mensagens formam impressões sensoriais, que vão se integrando a novos reflexos desempenhados por imagens, novas excitações auditivas e escritas, desencadeando processos múltiplos, reflexos de imitação. Pessoas fatigadas, cansadas, alquebradas, quando recebem uma ordem submetem-se passivamente à ela.

Os fenômenos de hipnose podem ser explicados por esse processo. Estudos concluíram, ainda, que as possibilidades de resistir às ordens e às sugestões dependem de graus de cultura, ou seja, da intensidade das cadeias de reflexos condicionados, enxertados uns sobre os outros. E mais: as massas ignaras constituem o melhor meio para a submissão aos reflexos condicionados.

Qual é a ferramenta usada pelos credos religiosos para obter adesão de suas audiências? A palavra falada e ancorada em estudada comunicação não verbal – signos para designar felicidade, medo, desgosto, tristeza, alegria, aplausos, coragem, surpresa. Pastores se transformam em articuladores de um discurso estético tão importante quanto o discurso semântico. O foco quase sempre é este: Deus acolhe os bons, os virtuosos, homens e mulheres de fé. Para fechar o circuito da argumentação, não raro são organizadas cenas de um exotismo hipnótico: expulsão de demônios, milagres na saúde, atos extravagantes, rituais de impacto sobre audiências entorpecidas.

O mercado da fé produz muito dinheiro. Credos e seitas multiplicam-se por todas as partes, principalmente em habitats ocupados por massas incultas e carentes. Mostrar o caminho dos céus a quem não tem quase nada é um exercício aprimorado pela miríade de pastores e bispos.

Alguém poderá objetar: mas os templos começam a receber classes médias e até gente do topo da pirâmide. Explico: a chama do divino, a esperança de outras vidas, o alcance do Céu formam a matéria central de todas as culturas, atraindo integrantes de classes pobres e ricas. E quanto mais misterioso seja a figura central da seita, mais adesão atrai. Veja-se o caso do João de Deus, hoje preso por abusar de suas pacientes.

Resposta final: sob essa teia de conceitos, os credos tendem a fazer política para defender interesses. A bancada religiosa é uma das maiores do Congresso. É evidente que esta situação gera um poder religioso, voltado para eleger o maior número de representantes. Este consultor não tem dúvida: esse poder quer comandar o país.

 

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato

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Primeira Edição © 2011