seta

200 postagens no blog

Entenda por que elas são pouco denunciadas

03/08/2017 11:24

Dos cinco aos oito anos, Laurinha*, hoje com dez, assistia à babá se masturbar diariamente.

A mulher esperava a patroa sair, ia para o quarto com a garota e a sentava em uma cadeira.

Em seguida, se deitava na cama e obrigava a menina a permanecer ali até que chegasse ao orgasmo.

O caso só foi descoberto quando a criança contou na escola, com ar de naturalidade, o que acontecia, sem se dar conta de que era vítima.

A família nunca desconfiou de nada. Como aquela mulher de confiança, que cuidava de tudo havia anos, que também era mãe, carinhosa, poderia cometer aquilo? Seria mesmo verdade ou uma invenção da menina?

Assuntos como pedofilia e abuso sexual envolvem um tabu tão grande que pouco se imagina que as mulheres sejam portadoras dessa doença e que também cometam estupros.

Segundo um dado da PF (Polícia Federal), a cada dez pedófilos, um é mulher.

Assim como os presídios masculinos têm alas reservadas para estupradores, chamadas “seguro”, os femininos também possuem e elas estão ocupadas.

O que acontece é que, em geral, as mulheres são denunciadas com menor frequência.

Alguns motivos explicam essa subnotificação, como a ausência de penetração durante o abuso, a cultura machista que vê como algo normal as relações precoces entre meninos e mulheres mais velhas, ou o receio da família de denunciar e transformar o fato em um trauma maior que interfira na sexualidade dos garotos.

Toque, beijo, carícia e ato libidinoso envolvendo crianças são considerados crimes pela Constituição, assim o estupro, e precisam ser repassados à polícia.

O psiquiatra Danilo Baltieri, especialista em transtornos sexuais e coordenador do Ambulatório de Transtornos de Sexualidade da Faculdade de Medicina do ABC, afirma que o diagnóstico da pedofilia é difícil e o tratamento, longo.

Ele esclarece, ainda, que nem todo pedófilo abusa de crianças e a maioria dos abusadores sexuais não é portadores de pedofilia.

— A pedofilia é doença: o desejo, o interesse constante por crianças durante, no mínimo, seis meses.
As mulheres portadoras tendem a ser pessoas tímidas, que pouco se expõem socialmente, e, geralmente, tem alguma outra parafilia associada, como a zoofilia (sexo com animais) e exibicionismo.

Tratamento
Segundo o médico, muitas pessoas se aproveitam de oportunidades para cometer estupro, mas isso não significa que esses abusadores portem pedofilia.

— Na maioria das vezes, as pessoas presas por estupro são oportunistas, que se relacionaram com um adolescente por curiosidade, estupraram uma única vez. Mas se diagnosticada com a doença, essa pessoa precisa receber atendimento além da pena de prisão.

Maria*, portadora de pedofilia, foi obrigada a procurar tratamento depois de ser flagrada mexendo nas partes íntimas de uma menina que a irmã dela cuidava.

Pressionada, ela acabou confessando que sempre sentiu desejo por crianças e que aquela não era a primeira vítima. Ela se descreve como uma ‘vergonha para a família’.

Aos 37 anos, Maria faz tratamento com um psiquiatra há três.

— É uma tortura, um sofrimento diário, uma angústia. Hoje eu sei que o que eu fazia é crime, mas ao mesmo tempo não conseguia me controlar. Eu dependia daquilo para ter prazer.

Baltieri diz, ainda, que a pedofilia é uma das doenças mais estigmatizadas da medicina e a sociedade a vê como uma ‘praga’, que deve ser combatida com violência, sem se dar conta da necessidade de tratamento médico desses portadores, para o bem deles e de suas possíveis vítimas.

— Nós médicos não queremos ignorar o crime, se fez tem que pagar, mas o tratamento é importante para que não haja reincidência.

Segundo dados do Disque 100, dos casos de abuso sexual registrados entre janeiro de 2012 e março de 2014, 60% não foram cometidos por parentes da vítima.

O médico explica que as mulheres não procuram crianças do seu círculo familiar como vítima, na maioria dos casos.

— As mulheres portadoras da pedofilia, a maioria, se utilizam de crianças estranhas. Sabe-se por meio de pesquisas que, quanto mais estranha a criança, quanto mais nova a vítima, aumenta-se as chances de o agressor ser portador da doença.

Uma pessoa que manteve relação com uma criança ou adolescente uma única vez, dificilmente porta a doença.

Em 15 anos de ambulatório, Danilo atendeu a cinco mulheres que portavam a doença. Ele informou que o tratamento foi individual, diferente do oferecido aos homens que incluem terapias em grupo, e com uso de medicamentos.

Em conversa com o R7, a pequena Laurinha disse: “Ela ficava na cama mexendo nela”.

A reportagem encontrou com a criança no Cevat (Centro de Visitas Assistidas do Tribunal de Justiça).

Os pais dela eram separados quando a escola comunicou sobre o que a criança contou e o pai entrou na Justiça para ter a guarda da menina alegando negligência por parte da mãe, responsável pela contratação da babá.

O homem conseguiu e, desde então, não entrou mais em acordo com a mãe sobre as visitas, que passaram a ocorrer no Cevat.

Papel da família
Se é papel da polícia prender e investigar as denúncias de abuso sexual, da Justiça condenar e do Estado oferecer um tratamento ao detento avaliado e identificado como portador da pedofilia, cabe aos responsáveis pela vítima denunciar.

A família não tem obrigação de saber se aquele agressor é portador, deve comunicar o crime às autoridades responsáveis.

*Os nomes são fictícios para proteger a identidade da vítima e da paciente

 

seta

Ser generoso aumenta nosso nível de felicidade

03/08/2017 13:42

Não é segredo nenhum que ajudar os outros nos enche de um senso de realização pessoal. Mas você sabia que só pensar em fazer o bem já é suficiente para causar o mesmo efeito? É o que diz um estudo publicado no periódico americano Nature Communications depois de acompanhar 50 pessoas por algumas semanas.

Todos os participantes foram informados de que receberiam uma certa quantidade de dinheiro para gastar, mas, antes de poderem sair por aí torrando as verdinhas, os pesquisadores da Universidade de Zurique, na Suíça, pediram que pensassem em algum amigo que gostariam de presentear e quanto gastariam com o mimo.

Então, todos eles foram submetidos a ressonâncias magnéticas para mensurar como esse tipo de pensamento afeta a atividade do cérebro em regiões associadas ao comportamento social, a generosidade, a felicidade e a tomada de decisão.

A conclusão é que manter em mente que queremos fazer algo pelo próximo aumenta a interação entre as partes cerebrais responsáveis pelo altruísmo e pela felicidade, o que acaba resultando em um boost daquela ótima sensação de bem-estar.

Outra boa notícia é que os pesquisadores descobriram que o efeito de felicidade era o mesmo independentemente de quanto os participantes estavam planejando gastar com os amigos. Muito ou pouco, o que importa é ser generoso!

Então, já que o segredo é pensar no bem do próximo, por que não tirar a variável do dinheiro de cena e ajudar as pessoas com quem você se importa com as tarefas do dia a dia? Afinal, nem toda boa ação precisa estar relacionada à nossa conta bancária, não é mesmo? Assim você faz quem você ama mais feliz e, de quebra, aproveita um pouquinho da mesma onda.
 

seta

Pais violentos deixam danos por toda a vida

10/08/2017 14:07


Nossa vida social começa desde a infância, na companhia dos irmãos e dos pais, mas são os pais que definirão nosso futuro. Por esse motivo, quando os pais são violentos, definem padrões e condutas que irão nos afetar por toda a vida.  Você é um pai violento? Sabe como identificar um?

Definindo a violência
Geralmente associamos o termo “violência” com a agressividade física, no entanto, esse sério problema também pode se dar através da violência psicológica. A violência psicológica se manifesta através de palavras que ferem moralmente, atitudes que buscam menosprezar os demais, e também através da indiferença. Todas essas atitudes acabam ferindo os filhos, de maneira consciente, ou não.

Por que os pais são violentos com os filhos?
As razões para estes comportamentos são várias, e muito particulares em cada caso, mas as mais comuns são:

– Muito estresse, ou cansaço: As obrigações são muitas e podem fazer com que os pais percam o controle, por exemplo, ao chegar em casa depois de um longo dia de trabalho. E não se engane, esta situação pode acontecer tanto com homens, quanto com mulheres.

– Educação recebida: Infelizmente, os padrões de violência tendem a se repetir e, quando um pai foi vítima de semelhante violência na infância, costuma educar seus filhos da mesma forma.

– Busca de alívio pela violência que sofreu: Isto acontece quando um dos pais exerce a violência sobre o outro, e a vítima decide agir contra os filhos, para assim tentar obter novamente o controle da situação. Infelizmente, quando se chega a esta situação, ninguém mais tem o mínimo controle. Dessa forma, todos os membros da família acabam afetados.

Como são afetados os filhos de pais violentos?
É inevitável que as crianças que sofrem violência por parte de seus pais, sejam afetadas em suas habilidades sociais, mas cada um irá desenvolver uma personalidade diferente:

– A criança reservada: É aquela que busca se proteger através do isolamento. Essas crianças geralmente têm uma personalidade tímida e poucas habilidades sociais. Costumam ser muito inseguros e, quando adultos, essa situação pode não mudar muito; podem até permitir que outras pessoas a agridam.

– A criança vitimista: Ao contrário da criança reservada, essa personalidade busca se livrar da ira agredindo os demais, da mesma forma como foi agredido. Quando adulto, pode se tornar uma pessoa violenta, que machuca aqueles que estão ao seu redor, repetindo o padrão de violência.

– A criança protetora: Esta característica é comum em crianças mais velhas, quecostumam se sentir na obrigação de proteger seus pais e irmãos, que também são vítimas. Quando adulto, podem se tornar pessoas que sempre entram em conflitos, com a intenção de proteger alguém

As crianças de hoje serão os pais amanhã

A violência dentro da família é uma situação terrível para aqueles que a vivem. Porém, para os filhos, a situação se torna ainda mais séria, pois isso os marcará para sempre, podendo levá-los à infelicidade pelo resto de suas vidas.

seta

Reencarnação existe?

11/08/2017 11:24

Em sua última vida (ao menos das que tivemos notícia), Peter Hulme era um simples funcionário de bingo em Birmingham, Inglaterra. No entanto, ele vivia às voltas com um sonho recorrente e dramático: nele, soldados que pareciam vindos do passado atacavam um castelo sempre inacessível. Hulme não nutria maior interesse por história e jurava não ter ideia da origem de suas visões. Em busca de uma resposta, nos anos 90, submeteu-se a sessões de hipnose. O resultado foi inusitado: concluiu que também tinha sido John Raphael, soldado escocês servindo a certo capitão Leverett na Escócia do século 17.

Parecia uma fantasia, mesmo porque inexistiam registros históricos de uma batalha na região e nas circunstâncias descritas por Hulme. Investigando por conta própria, ele e seu irmão Bob encontraram indícios da existência do castelo e, empolgados, resolveram viajar à Escócia em busca de provas. Contra todas as expectativas, recuperaram resquícios de batalha no local apontado por Hulme – e, mergulhando em documentos antiquíssimos, acharam documentos que comprovam a existência de um capitão Leverett e do próprio John Raphael. Com base nesses indícios, Peter Hulme afirmou até o fim da vida que suas memórias eram genuínas e ele era, de fato, a reencarnação de um soldado escocês. O caso de Hulme não está acima de dúvidas: historiadores apontam inconsistências e contradições nas memórias do suposto reencarnado. Mas o relato ilustra uma situação que ainda intriga a ciência: pessoas que juram recordar experiências de vidas passadas, em detalhes às vezes desconcertantes para os cientistas.

A ideia de uma consciência que sobrevive à morte e reencarna em novos corpos é quase tão antiga quanto a fé em divindades e surgiu de forma independente em inúmeras culturas ao redor do planeta. De todos os cantos do globo, encontrou na Ásia o terreno mais fértil. A ideia está tão arraigada nas crenças hinduístas e budistas que, em lugares como Índia e Sri Lanka, a reencarnação é vista como algo quase natural. Não é à toa que surgem de lá muito dos casos considerados mais sólidos pelos pesquisadores do tema – como o de Swarnlata Mishra, que desde os 3 anos recordava com riqueza de detalhes a vida de outra pessoa, chamada Biya e morta quase uma década antes.

A naturalidade com que Swarnlata tratava os integrantes de sua “outra” família, ao ponto de mencionar apelidos íntimos de gente que não conhecia pessoalmente, fez com que o caso virasse um clássico e deixa pesquisadores coçando a cabeça até hoje. Mesmo no mundo ocidental, uma boa parcela da população acredita em reencarnações, um interesse que aumentou em alguns países após o surdimento do espiritismo na França do século 19. Na Europa Ocidental, dados de 2006 apontam que 22% pensam que a reencarnação é uma realidade, enquanto nos EUA pesquisas falam em 20 a 25% de crença em vidas passadas. Nas cidades do Ocidente, em especial no Brasil, a doutrina espírita tem grande penetração, e manifestações religiosas recentes, como a cientologia, também levam as vidas passadas como parte de suas crenças.

A postura da ciência diante disso tudo é de ceticismo. A maioria dos cientistas trata os relatos de vidas passadas como frivolidades, frutos de autoindução ou fraudes. Além disso, não existe nenhum indício científico de que a “alma” exista ou de que ela possa sobreviver à morte do corpo (ela existiria de que forma entre uma encarnação e outra?). Mas é claro que alguns pesquisadores pensam diferente. Um dos mais destacados foi o psiquiatra Ian Stevenson, que dedicou mais de 40 anos ao estudo de quase 3 mil relatos de crianças ao redor do mundo. De acordo com Stevenson, a maioria das recordações infantis sobre vidas passadas envolve mortes violentas, com relatos iniciando entre 2 a 4 anos e quase sempre desaparecendo antes da adolescência. Ele também estudou sinais de nascença e tumores, dizendo que podiam relevar ferimentos sofridos em vidas anteriores. Em um estudo de 1992, Stevenson cita 49 casos onde foram localizados documentos médicos de pessoas que as crianças diziam ter sido em vidas anteriores. De acordo com o pesquisador, a correspondência entre ferimentos mortais e sinais físicos nos supostos reencarnados seria no mínimo satisfatória em 43 desses casos, 88% do total. No entanto, o próprio Stevenson admitia uma grave lacuna: seus estudos não mostram como seria possível uma consciência sobreviver à morte física e ingressar no corpo de outra pessoa. Seus livros são alvos de muitas críticas, que vão desde análise tendenciosa dos dados até uso de fontes não confiáveis, que já acreditavam em reencarnação antes dos supostos casos na família. Ou seja, não existiria evidência de reencarnação além de depoimentos dos próprios reencarnados ou de indícios que, mesmo intrigantes, podem ser meras coincidências.

Mas alguns aspectos de supostas vidas passadas ainda são desconcertantes para a ciência. É o caso, por exemplo, da xenoglossia, uma capacidade súbita que algumas pessoas manifestam de falar, com diferentes graus de fluência, línguas que deveriam desconhecer. Um dos casos mais marcantes é o de Iris Farczády, uma húngara de 16 anos que, no ano de 1933, passou a agir como uma espanhola de 41 anos chamada Lucía, morta anos antes. A suposta reencarnada esqueceu o húngaro natal e passou a falar espanhol fluente, nunca mais recuperando sua personalidade anterior. O caso está registrado no livro Paranormal Experience and Survival of Death (“Experiência paranormal e sobrevivência da morte”, sem tradução para o português), de Carl Becker, professor de ética médica da Universidade de Kyoto. Para a maioria dos cientistas, a história de Iris (ou Lucía) não passa de mais um caso de almanaque, mas há quem acredite que a comprovação científica da xenoglossia seria a prova definitiva de que a reencarnação é uma realidade. É viver (uma ou mais vezes) para crer.

seta

A cura da insônia pode estar nos músculos, não no cérebro

14/08/2017 14:20

Ficar sem dormir não te deixa só cansado. Pode ter efeitos de longo prazo, como risco maior de doenças cardíacas e infecções – além de deixar o raciocínio e os reflexos cada vez mais lentos. Mas muita gente não tem escolha: a insônia torna o descanso impossível de acontecer.

Um novo estudo quer abrir portas para que isso mude no futuro. Em uma das descobertas mais surpreendentes sobre o sono, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles descobriram como funciona um gene especial que afeta o sono diretamente – e ele não se expressa no cérebro, mas sim nos músculos.

O gene em questão chama-se Bmal1. Ele é um gene-mestre: o que quer dizer que ele controla a atividade de uma série de outros genes. E o Bmal1, especificamente, está associado aos padrões de sono.

Na pesquisa, os cientistas desativaram artificialmente esse gene-mestre em um grupo de ratos. Depois, expuseram os ratos modificados e outros, sem alteração nenhuma, a 24 horas seguidas sem dormir. No dia seguinte, os efeitos do sono foram atrozes: a sonolência e o cansaço dos ratos sem Bmal1 eram muito maiores do que no grupo normal.

Depois, os pesquisadores fizeram o inverso: adicionaram artificialmente um par extra de genes Bmal1. Mas em um lugar bastante específico: nas células dos músculos esqueléticos desses animais. E, de novo, levaram os bichinhos para um corujão, junto a animais não alterados. No dia seguinte, eles estavam mais dispostos e se recuperaram mais rapidamente do déficit de sono.

A última etapa do estudo foi repetir a adição de genes extras, mas dessa vez em células do cérebro dos animais. Surpresa: não funcionou. O experimento foi repetido várias vezes, até os pesquisadores estarem convencidos: a expressão do Bmal1 nos músculos era mais importante para os padrões de sono do que no cérebro.

A hipótese dos cientistas é que os genes controlados pelo Bmal1 se comunicam com o cérebro o tempo todo, regulando o que chamamos de ritmo circadiano, ou o nosso relógio biológico.

Distúrbios de sono, como a insônia, bagunçam esse relógio a curto e a longo prazo. Só que, até agora, a maioria das pesquisas sobre o assunto era exclusivamente focada no cérebro. Com a revelação do papel dos músculos, todo um novo caminho de pesquisas e tratamentos foi aberto para os cientistas. O primeiro passo é descobrir quais genes, especificamente, são controlados pelo Bmal1, e como eles agem. E depois, entender se essa ação é tão similar entre ratos e humanos quanto imaginamos. Se for o caso, remédios que modulam a expressão de Bmal1 no corpo ser uma estratégia para dar reset e reequilibrar o ciclo circadiano e dar adeus à insônia. E tudo isso baseado só no muque.

seta

Primeira Edição © 2011