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Dicas para viajar de carro com as crianças

04/04/2017 17:46

Seja em período de férias ou em um final de semana, viajar de carro com a família é uma das coisas mais gostosas que existem. Reunimos algumas dicas importantes para que a viagem com as crianças seja tranquila e divertida o tempo todo!

Primeiro, atenção ao veículo

Antes de pegar estrada, a revisão é essencial. Os valores desse serviço variam, e algumas montadoras oferecem condições diferenciadas para que os proprietários não deixem de fazê-lo. Fabricantes como a francesa Citröen, por exemplo, contam com o valor de R$ 1 por dia para alguns dos seus modelos. Independentemente do valor, essa é uma despesa que deve fazer parte da previsão de gastos, pois só ela garantirá que o carro esteja sempre em boas condições para viagens ou mesmo para o uso diário.

Ofereça conforto aos pequenos

Veículo em ordem, é hora de organizar os itens da viagem. Ao arrumar as malas, sempre separe algumas roupinhas em uma bolsa ou sacola e deixe ao seu alcance. Isso porque no trajeto a criança pode se sujar, e é importante ter mais de uma troca de roupa para esse tipo de imprevisto. Caso a ideia seja pernoitar durante alguns dias em hotéis pela estrada, faça o mesmo para os adultos, separando trocas de roupa. Itens como escovas de dente, pasta, sabonete, pente e outros de uso frequente também devem ficar em local de fácil acesso.

Um kit de emergência com sacos de lixo (para enjoos, roupas que se sujem ou mesmo para reunir pequenos detritos, como embalagens), garrafinha de água, álcool em gel, lenços umedecidos, papel higiênico e papel toalha pode ser muito útil.

Separe alguns lanchinhos para os pequenos se alimentarem no caminho. Sucos, biscoitos e frutas são excelentes para matar aquela fome fora de hora até o momento da refeição principal. Pense em opções para entreter as crianças durante o trajeto para que elas não fiquem entediadas. Livros, brinquedos, tablets, videogames portáteis, jogos, música… Vale tudo para que eles se divirtam no trajeto!

Os medicamentos de uso diário e um kit de primeiros socorros devem estar à mão, porém longe do calor e dos raios solares. Vale colocá-los em um cooler ou bolsa térmica fria para manter a temperatura ideal.

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18 de Abril Dia Nacional do Livro Infantil.

17/04/2017 18:34

Crianças cujas famílias leem rotineiramente para elas apresentam ganhos no domínio da linguagem logo com quatro semanas de prática. Essa é uma das constatações do mapeamento de estudos “Impacto da leitura feita pelo adulto para a criança, na primeira infância, para o desenvolvimento do indivíduo”, realizado pela Fundação Itaú Social. O levantamento identifica ainda que a prática aumenta a capacidade de leitura dos pequenos na faixa etária entre 7 e 11 anos, além de reduzir os índices de repetência na adolescência, por volta dos 14 anos de idade.

Para isso, a leitura precisa ser constantemente incentivada e o desafio é aproximar as crianças dos livros. Diante de tantas ofertas de acesso à cultura e entretenimento, o Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado nesta terça-feira (18), pode ser uma oportunidade para as famílias avaliarem seus hábitos.

De acordo com os autores dos estudos, o exemplo dos pais é uma ferramenta muito eficaz para estimular a leitura das crianças, incentivando-as tanto a partir do ensinamento da importância da atividade para a sua formação quanto pela repetição que os filhos fazem dos hábitos da família.

“A prática rotineira em casa reforça para a criança que a leitura pode ser uma atividade prazerosa e os ganhos podem ser cumulativos se for realizada desde cedo. Os resultados no longo prazo mostram que a probabilidade da criança se tornar mais propensa a ler e estudar aumenta 14% quando convivem com pais que cultivam o hábito da leitura”, explica a especialista em Mobilização Social da Fundação Itaú Social, Claudia Sintoni.

A leitura compartilhada, onde o adulto lê uma parte da história e a criança outra, é considerada pelos autores como a mais efetiva para fortalecer a prática em casa. Criar uma rotina na hora de dormir, que inclua canto, conversas e a contação de histórias, é outra boa forma de despertar o interesse pelos livros.

A literatura indica que a fase dos cinco aos seis anos é particularmente importante no desenvolvimento de habilidades valiosas para garantir a capacidade futura de leitura. No entanto, há evidências de que crianças cujos pais leem para elas desde cedo têm melhor desenvolvimento de linguagem a partir dos 14 meses.

O mapeamento de estudos “Impacto da leitura feita pelo adulto para a criança, na primeira infância, para o desenvolvimento do indivíduo” considerou artigos científicos publicados desde o início da década de 1990, que contavam com grande número de citações, demonstrando dados recorrentes e tendências de resultados.

 

Prêmio Itaú-Unicef – Saiba tudo sobre a 12ª edição emwww.imprensapremioitauunicef.com.br.

As inscrições para a 12ª edição do Prêmio Itaú-Unicef podem ser feitas até o dia 17 de maio. O objetivo do programa é reconhecer e estimular as boas parcerias entre organizações da sociedade civil (OSCs) e escolas públicas no desenvolvimento de ações de educação integral que ampliem tempo, espaços e conteúdos de aprendizagem para crianças e adolescentes. Este ano serão premiadas 192 instituições, entre OSCs e escolas, com recursos totais de R$ 4 milhões.


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Informações

Assessoria de imprensa Fundação Itaú Social

Tamer Comunicação

Ana Claudia Bellintane – 11 3031-2388 – ramal 238 – 11 96909-4407

(anaclaudia@tamer.com.br)

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O Veneno da Mentira e a Educação

19/04/2017 17:36

"Um país se faz com homens e livros", ensinou Monteiro Lobato ao Brasil de seu tempo, de maioria analfabeta. Por via de consequência, podemos afirmar que a construção de um país passa, também, por professores e livros didáticos. Estas verdades acacianas foram entendidas pelos totalitarismos, que sempre usaram o sistema de ensino para a indigna tarefa de moldar gerações segundo os devaneios de seus dirigentes políticos. E a missão prossegue, mesmo em regimes de feição democrática, mediante infiltração, para idêntico fim, de modo militante, nas mentes dos homens e na alma dos livros.

          Não é só a escola, portanto, que deve ser sem partido. Também ao material didático impõe-se essa condição. Contam-se às dezenas de milhões os livros que os governos de esquerda e centro-esquerda enviaram às escolas para transmitir aos estudantes brasileiros visões distorcidas da política, da economia, da história, da vida social, do cristianismo e da Igreja Católica. Tivessem maior credibilidade os militantes da causa, não fossem tão escandalosamente sectários, não abusassem tanto do poder de ensinar que lhes foi outorgado, não fossem tão desautorizados pelos fatos, e o estrago teria sido muito maior.

          A mais recente edição do Fórum da Liberdade - "O futuro da democracia" - foi uma evidência de que nem tudo está perdido. Milhares de estudantes lotaram espontaneamente o auditório da PUC/RS, durante dois dias, para assistir e aplaudir, com entusiasmo, conferencistas nacionais e internacionais que discorreram sobre liberdades políticas e econômicas, autonomia do indivíduo, papel subsidiário do Estado, empreendedorismo e causas estruturais da pobreza e da riqueza. Chega a ser surpreendente que aqueles jovens procedessem de salas de aula nas quais apenas 20% dos professores se consideram politicamente neutros; onde 86% deles, na opinião dos alunos, transmitem um conceito positivo de Che Guevara, e 78% creem que seu principal papel seja o de "formar cidadãos" já se sabe para quê (matéria completa do Spotniksaqui).

          Mas não é só por livros didáticos e professores militantes que o veneno da mentira e da ocultação da verdade a serviço da causa se infiltra no meio estudantil. Tal prática parece correr solta, também, em sites com conteúdos escolares. É o de que me adverte um leitor, diante de matéria no portal "Brasil Escola". No meio de um texto que descreve a situação da Alemanha no período entre as duas grandes guerras e o surgimento do nazismo, o autor doconteúdo permitiu-se instalar este "jaboti": 

          "Em 1917, a Rússia, comandada pelo socialista Lênin, derrubou o governo do Czar Nicolau II e instaurou uma nova forma de governo democrático: o comunismo. Os países que baseavam suas economias no capitalismo e na exploração do trabalhador se viram ameaçados. Uma onda de movimentos antidemocráticos surgiu no cenário mundial, com o intuito de conter o crescimento do comunismo."

          Se você enxerta uma opinião pessoal em meio a um relato histórico neutro, você amplia a credibilidade da propaganda  que faz. Mutretas como essa saltam de livros didáticos, sites de educação, polígrafos, provas escolares, exames do ENEM, mostrando que Escola sem Partido é uma imposição da realidade. Para dizer como os "companheiros": é preciso problematizar essa falta de escrúpulos e de limites. O país não pode ficar refém do atraso e da perfídia de deseducadores.

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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

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Dia Internacional do jovem trabalhador

24/04/2017 21:11

Conquistar uma oportunidade para iniciar a carreira é, sem dúvidas, um dos maiores desafios enfrentados pelos jovens que estão ingressando ou concluindo cursos técnicos e superiores. Porém, em tempos de crise como a que o país atravessa, essa preocupação ganha proporções muito maiores: maior competividade, concorrência desigual, poucas vagas...E tudo isso sem possuir, em muitos casos, qualquer tipo de experiência. Indiscutivelmente, a crise não só tem afetado o mercado como a própria confiança dos milhares de jovens que buscam colocação profissional.

Diante disso, a Companhia de Estágios – consultoria e assessoria especializada em programas de estágio e trainee – lança no Dia Internacional do Jovem Trabalhador um levantamento exclusivo que explora, justamente, como esse período conturbado tem afetado a perspectiva do candidato a vagas de estágio no Brasil. Na data que busca promover a importância dessa mão de obra, o estudo revelou os principais anseios e expectativas daqueles que buscam uma chance de adquirir experiência. Contando com mais de 2.100 entrevistados em todas as regiões do país, a pesquisa aponta, dentre outras coisas que a remuneração não é a maior preocupação neste momento e, apesar dos diversos entraves, o jovem se mantem otimista e aposta numa mudança positiva de cenário.

Perfil dos entrevistados

Com 2.193 entrevistados, a Pesquisa “O Perfil do candidato a vagas de estágios em 2017” contou com participantes das cinco regiões do país, com predominância da Região Sudeste, que concentra mais de 60% das respostas. Porém, em relação à última versão da pesquisa, é possível perceber um crescimento significativo de adesão na Região Norte, que passou dos 3,5% em 2016 para 6,1% neste ano. A maioria dos entrevistados pertence à faixa etária mais jovem, entre 18 e 20 anos, é do sexo feminino e está nos primeiros semestres da faculdade. Dentre as áreas do conhecimento, 43,8% frequentam ou frequentaram cursos da área de Humanas, que representa a maioria dos entrevistados. E embora ainda seja tímida, a participação de alunos das áreas Biológicas dobrou neste ano, ultrapassando os 10%. Apesar de contar com entrevistados que ainda estão no ensino médio ou já concluíram o ensino superior, mais de 90% dos participantes está cursando a faculdade no momento.

Estágio é a vaga mais desejada

No quesito “Empregabilidade” quase 60% dos entrevistados está à procura de um estágio, enquanto 13,8% já conquistaram uma vaga desse tipo. No geral, 76% dos entrevistados estão em busca de algum tipo de colocação profissional, no entanto, 20% deles demonstraram estar interessados em qualquer oportunidade que surgir, sem discriminação.  Dentre os que já alcançaram o almejado estágio, o principal objetivo da empreitada é adquirir experiência profissional. Quesitos como o cumprimento da exigência curricular escolar e a própria remuneração da vaga tem relevância ínfima diante da necessidade de conseguir desenvolver a carreira. No geral, tanto para aqueles que estão estagiando quando para os que ainda estão em busca de uma oportunidade, o aprendizado é o fator mais relevante na hora de avaliar uma vaga desse tipo, seguido das chances de efetivação após a conclusão do programa (18%). A remuneração aparece nos últimos postos, como prioridade para apenas 6,8% dos entrevistados.

O caminho (digital) até a vaga

As ferramentas digitais consolidaram-se como principal recurso na hora de buscar vagas. Curiosamente, o LinkedIn ultrapassou o Facebook na preferência dos entrevistados: no último ano, a rede profissional de contatos aparecia em segundo posto, perdendo para o famoso site de Mark Zuckerberg, mas em 2017, quase um terço dos entrevistados apontou a rede de contatos profissionais como a alternativa majoritária na procura pelo emprego. As plataformas de divulgação de vagas também demonstraram sua relevância: dentre os que conquistaram uma vaga, quase 24% afirmou tê-lo feito através desse recurso.  Não é a toa que grande parte dos entrevistados alega ter se cadastrado em até cinco sites de recrutadoras diferentes. Por outro lado, o fator “Indicação” segue forte, ressaltando a importância de um bom networking profissional.

Efeitos da crise

No tema chave, o levantamento demonstrou que a crise tem impedido os jovens de investirem em qualificação, mais de 30% alegou não ter feito qualquer atividade neste sentido devido à falta de recursos. Dentro os planos deixados de lado em virtude da crise, a valorização do currículo também aparece como principal frustração (43,4%). Projetos como viajar, comprar um carro ou sair da casa dos pais são desejos irrelevantes perto dessa preocupação. Para esses jovens, o pior efeito da crise atual é a falta de oportunidades (62,7%), fatores como maior exigência dos recrutadores e maior competitividade aparecem empatados em segundo lugar, com 14,7% das respostas.

Desafios

Para esses jovens, além dos desafios clássicos do processo seletivo como “saber como se portar”, “o que vestir (para a entrevista)” e “ter que participar de dinâmicas”, atualmente o maior motivo de insegurança é ter que demonstrar suas habilidades em pouco tempo (44%). Tiago Mavichian, diretor da consultoria complementa: ‘’Os processos estão cada vez mais digitais e rápidos, estar preparado para conseguir mostrar todo seu potencial e habilidades em um curto espaço de tempo é uma característica que as empresas buscam atualmente – vender bem e vender rápido uma boa ideia – nesse caso vender bem e rápido a você mesmo’’ A maioria dos respondentes gostaria, inclusive, de melhorar aspectos profissionais que lhe conferissem mais confiança, como ser fluente em alguma língua estrangeira (63%) ou dominar mais tecnologias (14,3%). Curiosamente, dentre aqueles que conseguiram investir na qualificação no último ano, os cursos de idiomas foram a principal escolha. Para os que estagiam ou estagiaram, a experiência do programa é produtiva: para 52%, além de proporcionar experiências totalmente novas, a atividade evidência a importância das matérias aprendidas em sala. E apesar dos desafios proporcionados pelos tempos atuais, 76,2% se sentem otimistas em relação à crise e creem que o mercado vai começar a reagir em breve.

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Reforma previdenciária: a verdade e a mentira

05/05/2017 17:17

Decidimos fazer, a quatro mãos, um breve estudo sobre a reforma previdenciária (PEC 287).

Só o estamos fazendo pela estranheza que nos tem causado a intensidade da discussão sinalizando um cataclismo iminente e, particularmente, o empenho governamental, gastando mundos e fundos em publicidade, a favor da reforma, além da completa simpatia pela reforma da grande mídia em geral, o que é minimamente digno de suspeita.

Claro que, inundada de anúncios públicos pagantes, a mídia não se levantaria. Nem os mais extremados. Os economistas, escutados pela própria grande mídia, sempre e curiosamente os ligados ao setor financeiro, apoiando e afirmando verdades de que quem não apoia é néscio. A reforma seria a demonstração de que o país está caminhando para o futuro com responsabilidade! O ministro, banqueiro, visitando bancada por bancada do Congresso Nacional...

Não existe coincidência! É articulação mesmo! De pronto, existirá um grande ganhador com a reforma e não é o erário: serão os planos de aposentadoria privada. Em verdade, estes seriam os grandes e talvez únicos ganhadores. Tal qual em outros setores onde o Estado não presta seus serviços a contento, obrigando boa parte da população a pagar para ter acesso a eles (como saúde, educação, segurança etc.), impedir que as pessoas se aposentem, pela via pública, em tempo de fruir da aposentadoria, seguramente induzirá as pessoas a contratarem planos privados. Isso já acontece, como dissemos, na saúde, onde as pessoas contratam planos de saúde porque sabem que não terão tratamento na rede pública. Este é apenas um exemplo.

E, pensando apenas nos conceitos e nas teses do liberalismo econômico, se o setor privado tem interesse em assumir a um determinado negócio ou mercado é, certamente, por que este negócio é lucrativo.

Todavia, vamos à análise da reforma.

Primeiramente, queremos deixar claro: somos a favor de uma reforma, mas não desta. Reforma não pode significar destruição. Deve abarcar a ideia de readequação, remodelação para o uso.

Como primeiro argumento, contra a reforma proposta, vamos explicar o porquê de nossa contraposição à afirmação de que a previdência está quebrada.

Vários têm sido os artigos publicados por ferrenhos defensores da reforma e, meramente como ilustração, nos referiremos ao artigo publicado no jornal Valor Econômico, pelo professor Fábio Giambiagi, que constrói seu raciocínio, para efeito de simplificação, como ele mesmo afirma, considerando que o Governo Federal inclui duas entidades, o Tesouro Nacional e o INSS.

Prosseguindo em seu argumento, o Governo Federal tem duas receitas, impostos e contribuições (exceto a previdenciária), já o INSS tem apenas uma receita, a contribuição previdenciária. De outra parte, o Governo Federal tem um só gasto, as despesas gerais, enquanto o INSS tem dois tipos de gastos: os benefícios urbanos e os rurais.

Ainda segundo o professor Fábio Giambiagi, o “batalhão antirreformista” faz uma “manipulação algébrica”, pretendendo deslocar as receitas das contribuições, hoje receitas do Governo Federal, para o INSS e repassar os benefícios rurais, hoje despesas do INSS, para o Tesouro Nacional.

A conclusão da tese é que, ao final, o resultado é o mesmo, pois a soma de todas as receitas, com a dedução de todas as despesas, quer sejam do Tesouro Nacional ou do INSS, determinam o resultado do Governo Federal, que não seria alterado pelo simples deslocamento de receitas e despesas de uma para outra entidade, por ele definidas como o Tesouro Nacional e o INSS.

Onde está o erro?

O erro é conceitual. Os impostos são tributos não vinculados, por definição legal. O que isto quer dizer? Na definição do CTN, significa que imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte, ou seja, não há, na imposição do imposto, contrapartida determinada do Estado ao contribuinte.

Já as contribuições, previdenciárias ou não, são tributos vinculados, o que significa dizer que são tributos devidos em decorrência de uma prestação estatal em proveito direto do contribuinte.

Acertado o conceito, a aplicação contábil deve, logicamente, ser adequada ao conceito.

Em verdade, a União ao arrecadar a contribuição previdenciária e as demais contribuições sociais, nas modalidades COFINS, PIS/PASEP, CSLL, deve verter todos esses valores aos cofres da seguridade social, composta, de acordo à definição constitucional, por assistência, saúde e previdência.

Não pode a União usar qualquer valor dessas fontes para outro tipo de gasto que não seja o da seguridade social.

Tal diferenciação não é meramente contábil, mas uma definição basilar, incontornável, e que se sobrepõe a qualquer exercício matemático.

A partir deste princípio legal, o déficit ou superávit, deve ser mensurado pelas receitas e despesas da seguridade social, isoladamente, cabendo o custeio das despesas gerais do Governo Federal, única e exclusivamente, à arrecadação de impostos.

A única “manipulação algébrica”, utilizando a terminologia aplicada pelos autores desta argumentação, entre eles o próprio Estado, ocorre em função do instrumento da Desvinculação das Receitas da União (DRU), artifício implementado em 1994, no âmbito do Plano Real, e que vem sendo prorrogado, desde então, mais recentemente em agosto de 2016, quando além de prorrogar a DRU até 2023, foi aumentada a desvinculação das receitas de 20% para 30%, e estendidas às desvinculações a diversas receitas estaduais e municipais.

Este artifício, sob a forma de Emenda Constitucional, permite ao Governo Federal destinar, para onde quiser, o equivalente a 30% do valor arrecadado pelas contribuições sociais, as já referidas contribuições (exceto a previdenciária), que deveriam ser aplicadas em sua totalidade para a Seguridade Social.

Vamos aos dados concretos e utilizaremos, sempre para efeito de comparação, os valores a preços correntes obtidos de fontes oficiais*.

No ano de 2016, segundo os dados do Governo Federal, as receitas primárias do orçamento da seguridade social totalizaram R$ 613.179,3 milhões, enquanto as despesas primárias atingiram R$ 871.842,5 milhões, gerando um déficit de R$ 258.663,2 milhões.

Esquecem-se dos efeitos da DRU na redução das receitas primárias da previdência.

A somatória da arrecadação das receitas federais, em 2016, do COFINS, PIS/PASEP e CPSS, segundo dados da Receita Federal, totalizou R$ 326.607 milhões, enquanto os dados do orçamento da seguridade social demonstram ingressos de, apenas, R$ 211.701 milhões, ficando claramente explicitado o desvio de R$ 114.906 milhões, de valores constitucionalmente vinculados para o Tesouro Nacional, através do mecanismo da DRU, direcionando estes recursos para pagamento de gastos gerais do Governo Federal.

Fica, desta forma, comprovado que 44% do chamado déficit do orçamento da seguridade social, em 2016, é gerado exclusivamente pela aplicação do artifício da DRU.

O próprio Executivo Nacional não oculta que parte do valor arrecadado em função da DRU será destinado, anualmente, à geração do superávit primário, ou seja, como reserva de recursos para o pagamento da dívida pública, pois uma de suas funções é “contribuir para a geração de superávit nas contas do governo, com o objetivo de interromper a trajetória recente de crescimento da dívida pública”.

A matemática não comporta aventuras.

O fato é que a DRU retira receitas da seguridade social e contribui, significativamente, para sua inviabilização.

Mas não é só, pois revisando, também, a arrecadação do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), em 2016, encontramos outro significativo fator de desvio de ingressos no orçamento da seguridade social, que são as denominadas renuncias previdenciárias, que totalizaram o valor de R$ 43.420,6 milhões, ou seja, quase 17% do chamado déficit do orçamento da seguridade social.

E, em complemento, em nossa opinião, ancorada na Constituição Federal, nos obrigamos a defender que antes de aprovar a tal reforma que, como apresentada, prejudica diretamente a população, deve ser feita uma profunda análise, uma auditoria completa, nas contas públicas da seguridade social, começando pela apuração dos valores não arrecadados gerados pela inadimplência de muitos contribuintes, estimada em mais de R$ 400 bilhões, separando o joio do trigo, descartando os valores podres, portanto incobráveis, e cobrando duramente aos demais devedores.

Em suma, é fundamental que seja aberta a “caixa preta” da seguridade social, em nome da transparência necessária dos gastos públicos, onde fique claro quais são as receitas e os gastos totais reais da seguridade social, constatando verdadeiramente os resultados, sejam eles superavitários ou deficitários, em sua dimensão real.

E, claro, o que aparenta ser mais difícil, que é proceder a análise das despesas gerais do Governo Federal, inclusive as decorrentes das sempre ascendentes despesas com o pagamento da dívida pública, constatando o verdadeiro rombo, sem criatividade matemática ou ocultação, camuflando a informação.

Só a partir destas informações reais poder-se-á proceder aos cálculos atuariais previdenciários adequados, sem a “desidratação” de recursos que ocorre pelos vários desvios supramencionados que, uma vez corrigidos, permitirão uma análise mais isenta e precisa da amplitude da reforma de que o Brasil necessita, sem a transferência, a toque de caixa, dos ônus da conta, diretamente aos cidadãos.

Assim, o povo, informado corretamente, sem propaganda e ocultação de informação, poderá fazer a escolha de a quais prioridades atender, através de seus representantes no Congresso ou, por que não, de forma direta?  

Marcus Vinicius Ramos Gonçalves é Presidente da Comissão de Estudos de Comunicações da OAB-SP, professor da FGV-SP e sócio do escritório Bertolucci & Ramos Gonçalves Advogados.

José Francisco F. Marcondes Neto é economista formado pela FEA - USP e empresário.

* Fontes:

1- Reforma da Previdência (Fev-2017) - Apresentação do Secretário da Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, ao Congresso Nacional (8 Mar 2017)

2- Análise da Arrecadação das Receitas Federais (Dez/2016) - Secretaria da Receita Federal do Brasil - Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros (a preços correntes)

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Primeira Edição © 2011