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O número zero acaba de ficar 500 anos mais velho

14/09/2017 22:52

O Império Romano, em seu auge, tinha 60 milhões de habitantes. Mas essa é só uma estimativa, feita por historiadores.  

Júlio César, mesmo, não fez um censo demográfico, para a sorte dos funcionários do “IBGE” da época. Afinal, já pensou o trabalho que daria registrar a população de cada cidade em uma tábula de pedra, usando só letras maiúsculas? 4435 vira MMMMCDXXXV. 3457, MMMCDLVII. O repórter até tentou converter um número com seis ou sete casas decimais, mas deu pau na calculadora – ela não sabia o alfabeto inteiro, pelo jeito, ou não tinha linhas suficientes para exibir o resultado.

Viu só a falta que faz um zero? Com ele, você consegue diferenciar “66” de “606” colocando um círculo entre os dois algarismos.  Bem mais fácil do que usar LXVI e DCVI – não só pela simplicidade da representação do número no papel, mas principalmente pela possibilidade de se fazer contas simples de adição e subtração no dia a dia.

É por isso que, em mais ou menos 300 d.C. – enquanto o cristianismo tomava conta do ocidente e povos germânicos invadiam a Península Itálica – os indianos, do outro lado do mundo conhecido, acabaram com a complicação e inventaram a coisa mais importante da história da matemática. Sim, o zero.

A novidade aí não é o povo, mas a data.

Que os indianos eram os pais do zero usado hoje na matemática – o redondo, com um buraco no meio –, nós já sabíamos. Os mais antigos zeros já registrados estão nos manuscritos de Bakhshali, encontrados em 1881 no atual território do Paquistão e hoje guardados na Universidade de Oxford. Muitos matemáticos já leram e interpretaram esses documentos várias vezes.

O problema é que essas relíquias em sânscrito (que contém mais de cem zeros, uma quantidade notável de nadas) nunca haviam passado por uma datação por carbono-14, a maneira mais segura de descobrir a idade de um achado arqueológico. Acadêmicos do mundo todo apostavam que esses zeros primitivos eram de depois século 9 d.C – mas só apostavam, mesmo, com base nas portas de um templo dessa época que também continham inscrições do redondinho.

A nova datação, que põe os manuscritos em algum ponto entre 224 d.C. and 383 d.C., torna a maior revolução da história da matemática 500 anos mais antiga do que imaginávamos.

Esses avós do zero que conhecemos hoje eram apenas bolinhas, sem o buraco no meio. E eles serviam justamente para preencher casas decimais vazias. “5·5″, por exemplo, era “505”. “5··5”, “5005”, e por aí vai. Nessa época, uma conta como “5 – 5 = ?” ainda não era factível: o zero existia apenas para preencher espaço, e não para representar uma quantidade nula – um conceito inconcebível para os matemáticos da antiguidade.

“Hoje nós damos por certo que o conceito de zero é usado em todos os lugares do mundo”, explicou ao The Guardian Marcus du Sautoy, matemático de Oxford responsável pela descoberta. “Afinal, todo o mundo digital é baseado em nada ou alguma coisa [referência ao sistema binário, feito de combinações de 1s e 0s]. Mas houve uma época em que esse número não existia.”

Que o digam os romanos. Sautoy especula que os indianos tenham tido a sacada antes dos europeus porque a própria religião indiana encara com mais naturalidade a ideia de vazio ou vácuo. Afinal, o zero é um conceito bastante abstrato, e aceitá-lo, logo de cara, seria contraintuitivo para alguém que leva uma vida prática com os números, como um comerciante.

Vale lembrar que, antes dos indianos (e de Cristo), babilônios e maias já usavam símbolos análogos ao zero para criar seus próprios sistemas numéricos. Mas foi a bolinha do Paquistão, embalada pelo vai e vem comercial da Rota da Seda, que evoluiu, ganhou um buraco no meio e alcançou os árabes, chegando à forma adotada hoje.

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Obesidade: educar ou chocar?

14/09/2017 11:12


Há 20 anos me dedico a cuidar e entender o que acontece aos pacientes com obesidade. Operei no mundo todo, escrevi livro e artigos, fiz mestrado e doutorado e, principalmente, vivenciei e vivencio a vida deles. Aprendi muito. O Brasil é um dos países com uma das maiores epidemias de obesidade, mas será que nós e o governo sabemos realmente quais as reais consequências dessa doença?

Será que a população sabe que a infiltração gordurosa no fígado, conhecida como esteatose hepática, pode levar a uma hepatite por gordura e cirrose hepática? Hoje, essa já é a segunda causa de transplante de fígado. E quantas das mortes anotadas como infarto decorreram de uma barriga volumosa, que sabidamente inibe uma enzima protetora das coronárias e facilita o acúmulo de gorduras nela?

Diversos estudos demonstram que, em alguns anos, nenhum sistema de saúde terá capacidade financeira de arcar com os custos de pacientes infartados, hipertensos, diabéticos e com outras tantas doenças causada pela obesidade.

Estamos lidando com uma epidemia de ramificações descontroladas, potencializada por uma população mal informada. Campanhas para enfrentar a aids, o tabagismo e mesmo para estimular o uso do cinto de segurança inicialmente chocaram a população, mas pouco a pouco todos entenderam que, às vezes, o impacto de uma má notícia serve como aprendizado.

É dever nosso, e principalmente do governo, demonstrar a trágica história de saúde que acompanha a obesidade — assim como fizemos com o fumante. É a partir daí que cada um deve decidir se é esse o caminho que planejava trilhar. Era isso que você imaginava quando criança?

O excesso de peso pode dificultar o caminhar e as atividades cotidianas mais simples, como tomar banho ou se higienizar. Não se trata de discriminar o obeso. Pelo contrário. Estamos falando de uma doença, e não de preguiça ou gula. Existem milhões de indivíduos com obesidade em filas para tratarem problemas associados a ela.

O Sistema Único de Saúde incorporou às suas diretrizes medidas como a disponibilização da cirurgia bariátrica por acesso videolaparoscópico, sabidamente muito mais seguro e menos invasivo. No entanto, essa ainda não é uma realidade na maioria dos serviços espalhados pelo país afora.

O acesso ao procedimento ainda está limitado, e não cresce na mesma progressão que a quantidade de obesos em situação de morbidade. O tempo de espera nas filas para a cirurgia bariátrica, dependendo do Estado, pode chegar a sete anos. Alguns, como Rondônia, Paraíba, Acre, Roraima e Piauí, sequer disponibilizam o procedimento.

O Rio de Janeiro, no entanto, tem dado o exemplo e está garantindo vida a essa população. Em pouco mais de seis anos, saímos de uma realidade de 20 cirurgia por ano para cerca de 500 em 12 meses. E todas por acesso videolaparoscópico, o que inspirou o Ministério da Saúde a recomendar o mesmo para todo o país.

O tempo de espera médio para atendimento no Rio de Janeiro não chega a um ano e a chamada fila está totalmente equilibrada. Estamos chegando a 2 mil pacientes operados, que juntos perderam quase 100 toneladas de peso.

No Rio, provamos que é possível. Dignidade no tratamento de uma doença que é grave e está matando.

*Dr. Cid Pitombo é cirurgião e coordenador do Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Rio de Janeiro

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A importância dos sonhos para a saúde física e mental

12/09/2017 11:45

Frequentemente associados a fantasias, os sonhos possuem uma importância real para a saúde: eles auxiliam na fixação da memória, revelam traços importantes do nosso estado emocional e podem fornecer boas ideias para os problemas do dia a dia.

Jogo da memória
A final, o que são os sonhos? A pergunta pode até parecer simples, mas um século de intensas pesquisas não foi suficiente para que médicos e psicólogos chegassem a um veredito. Há desde as antigas teorias que defendem os sonhos como mera atividade neurológica até os pesquisadores que se alinham ao pensamento de Sigmund Freud, que entendia o fenômeno como um material emocional passível de interpretação.

Na turma do meio-termo, encontra-se a psicóloga Deirdre Barrett, professora da Harvard Medical School. Para ela, sonhos são apenas pensamentos em um diferente estado bioquímico. “Dormindo, nós continuamos tendo as mesmas preocupações, medos e objetivos de quando acordados. Porém, os sonhos muitas vezes paracem não ter sentido porque o cérebro se encontra mais visual e emocional do que verbal”, explica a pesquisadora. Mas em um aspecto quase todos concordam: os sonhos podem revelar muitos aspectos de nossa saúde física e mental.

O ato de dormir ajuda a suprir demandas fisiológicas importantes. Por exemplo, é durante o sono que ocorre a reposição dos neurotransmissores, substâncias responsáveis por modular as sensações de ansiedadefelicidade, a capacidade de fixar a atenção, entre outras funções. Ao que tudo indica, os sonhos – que geralmente ocorrem na fase mais profunda do sono – também exercem um papel importante na saúde neurológica. Sua atuação está principalmente vinculada à cognição. “O sonho aparenta estar ligado à consolidação da memória  emocional  e à aprendizagem. As outras fases do sono paracem ser necessárias para a consolidação da memória simples”, resume a especialista Deirdre.

Ninguém precisa sonhar com o Freddy Krueger para acordar assustado. Assaltos, assombrações e acidentes fazem parte da lista dos pesadelos que assombram crianças e adultos. Os pesadelos não diferem em nada dos outros tipos de sonhos. “A maioria dos nossos pensamentos quando acordados também são de medosfobias sofrimento por antecipação. Ao dormirmos, esses mesmos pensamentos passam a ser representados de forma viva e surreal”, desmistifica Deirdre.  É ainda comum pessoas que vivenciaram situações traumáticas marcantes – como violência urbana ou desastres naturais – apresentarem pesadelos recorrentes com o ocorrido. Nesses casos, os sonhos ruins podem ser sintomas de alguma coisa mais séria. “Pesadelos frequentes é um dos critérios menores para o diagnóstico do distúrbio do estresse pós-traumático. Evidentemente, isto não significa que todo indivíduo que apresente pesadelos recorrentes seja portador de perturbações”, contrapõe MarcosLima de Freitas, médico especializado em neurologia pela Universidade Autônoma de Barcelona. Para Deirdre, os pesadelos causados por estresse pós-traumático resultam da ansiedade e da sensação de vigilância que a situação vivida acarreta. “É como se o sonhador fi casse sempre pronto para lutar ou fugir”, completa.

Programando os sonhos

Assim como ocorre com os pensamentos, os sonhos podem ser programados. “Existem treinos mentais para estimular certos sonhos. Podemos torná-los mais lúcidos e, dessa forma, modificar o seu conteúdo”, pontua Júnior. O processo, entretanto, não é simples. Especialistas orientam que é preciso estar relaxado e definir especificamente o assunto com o qual se deseja sonhar enquanto estiver deitado. Além disso, é importante visualizar o sonho como se ele estivesse acontecendo durante o estado de sonolência. ‘Também é possível se programar para lembrar o que se sonhou; Basta definir essa intenção na hora em que for adormecer”, orienta a pesquisadora.

Dicas para recordar o que sonhou

  • Durma oito horas por dia. “Vai ser mais fácil acordar em algum momento durante a noite e, assim, gravar o que se sonhou”, explica Deirdre Barrett.
  • Quando adormecer concentre sua atenção no desejo de lembrar seus sonhos ao acordar. “Repita para si mesmo diversas vezes: ‘eu irei acordar e recordá-los’”, orienta a psicóloga.
  • Acorde calmamente. Antes de se mover, abrir os olhos ou desviar o pensamento para outro assunto, tente se lembrar do que sonhou sem ansiedade.
  • Se vierem apenas algumas imagens, tente montar a sequência do sonho nos seus pensamentos. Basta focar na última imagem e se questionar: antes disso acontecer, o que eu estava fazendo?
  • Se ainda assim os sonhos permanecem desconhecidos, avalie os seus sentimentos. “Sonhos sempre nos deixam com algum resíduo emocional”, finaliza a especialista.

 

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5 razões pelas quais as crianças não gostam de estudar em casa

12/09/2017 11:02

Parar de brincar para fazer a lição de casa é motivo de “chororô” para muitas crianças e um pesadelo para os pais. A preocupação é ainda maior quando o desempenho escolar não é dos melhores. Percebendo essa dificuldade, a Meu Dever de Casa (www.meudeverdecasa.com.br) foi criada para fazer com que a tarefa seja proveitosa.

“A criança tem de entrar no ritmo, como se fosse um esporte, com disciplina e autonomia e sem distração. Só assim essa atividade rotineira trará benefícios a curto e longo prazo”, diz Paulo Henrique Menezes, fundador da rede. Abaixo, ele identifica os cinco principais problemas na hora do dever de casa e dá dicas para ajudar a criançada neste processo:

1. Distração
Notificações do celular, TV, jogos e cheirinho de comida recém-saída do forno tiram o foco do estudante. “A oferta de distrações é muito grande. Há dezenas de canais de televisão, com filmes e desenhos a qualquer hora, além de aplicativos e redes sociais muito mais convidativos do que química ou gramática”, aponta Menezes. É preciso, então, deixar tudo isso de lado, longe, desligado e sem som ou alertas, para não desviar a atenção.

2. O mesmo ambiente de sempre
É difícil para a criança associar o lugar sempre relacionado à diversão a um espaço de estudos. Segundo Menezes, quando existe um problema, é preciso tirá-la do ambiente familiar, onde ela tem domínio, e criar um novo cenário. Ter um cantinho de estudos o mais isolado possível ou levar o pequeno a um espaço destinado a isso como uma biblioteca, por exemplo, são possíveis soluções.

3. Pais cansados e despreparados
Por mais que tenham boa vontade e conhecimentos e queiram ajudar os filhos na lição de casa, nem sempre os pais conseguem fazê-lo. “É comum eles chegarem cansados do trabalho, não lembrarem mais daquela matéria ou não terem paciência para ensinar”, diz Menezes. Apoio é fundamental, claro, mas exige preparo e disposição – revezar entre pai e mãe ou com outro responsável também ajuda.

4. Não aprendem a aprender
Mais do que decorar fórmulas ou frases, é primordial absorver o aprendizado. Apontar respostas não ajuda a criança neste processo. O indicado é fazer com que ela pense e encontre as soluções dos problemas por si só - procedimento que ela vai repetir na vida ao correr atrás dos seus objetivos. “Para treinar o pequeno a pensar, e é um treinamento mesmo, é essencial não dar as respostas de bandeja, mas sim apontar caminhos”, comenta Menezes.

5. Faltam estímulos para o cérebro
Parece complicado, mas é possível dar uma forcinha para que os neurotransmissores do cérebro realizem sinapses das informações de forma eficaz e permanente. A Meu Dever de Casa, por exemplo, prepara o ambiente com músicas em frequências específicas e aromas de alecrim com hortelã e capim limão para estimular os neurônios a armazenarem o conhecimento.

Em um espaço adequado e com as técnicas certas, o estudante tem melhor performance. “Com nosso método, baseado na neuroeducação, há melhoria do aprendizado de forma duradoura, para toda a vida”, conta o fundador da Meu Dever de Casa. A rede, que começou no Rio de Janeiro e hoje também está em Minas Gerais, entrou para o franchising para expandir a atuação em todo o Brasil - já são oito unidades.

Sobre a Meu Dever de Casa
A Escola de Apoio Meu Dever de Casa proporciona ao aluno técnicas de neuroeducação para otimizar o aprendizado, em um ambiente que estimula o sistema sensorial. Realiza um trabalho individualizado, com acompanhamento por profissionais da área educacional, e atende desde crianças alfabetizadas até idosos. Criada no final de 2014 pelo economista Paulo Henrique Menezes, a escola aderiu ao franchising em 2017 e tem oito unidades. www.meudeverdecasa.com.br

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Ensino: Queda também na qualidade

11/09/2017 14:32

Notícias animadoras vêm do mercado de trabalho, alimentando expectativas de avanços na recuperação econômica. Após onze trimestres seguidos de queda, as contratações com carteira assinada subiram 0,2% (54 mil vagas), ao lado do emprego informal, com mais 468 mil pessoas ocupadas – com isso, a taxa de desemprego no segundo trimestre caiu de 13,6% para 12,8%. Além disso, a soma da renda dos trabalhadores subiu 1,3% de maio a julho em relação ao trimestre anterior, marcando a primeira elevação desde outubro de 2014.

São boas notícias para hoje, o presente de um país que se sente aliviado com as sinalizações, ainda que modestas, de que o pior já pode ter passado. Entretanto, uma má notícia turva a visão de um futuro a prazo relativamente curto. Pela primeira vez em 25 anos, há registra queda no número de alunos da rede particular de ensino superior, que responde por 75% das matrículas nesse nível da educação. O que é pior: não houve migração para as universidades públicas, que se mantêm praticamente estável no patamar de 1,99 milhão de alunos no ano passado. Mas aqui há um sinal de alerta aceso: com 529,5 mil novas matrículas, houve queda de 4,8 mil ingressantes nos cursos de graduação, menos de 1,9% em relação a 2015.

Esses dados revelam que apenas 18,1% dos jovens de 14 a 24 estavam na faculdade em 2015, percentual ainda mais distante da meta de 33% prevista no Plano Nacional de Educação. É indiscutível os efeitos deletérios desse cenário que compromete o futuro de milhares de jovens, que enfrentarão ainda mais despreparados as exigências do moderno mundo do trabalho. Efeitos deletérios que também não pouparão as empresas que, com uma recuperação mais firme, voltarão a se ter no gargalo da mão de obra qualificada um dos grandes obstáculos para os planos de expansão das organizações. É uma triste crônica anunciada, pois repete várias crises anteriores que, com seus apagões de mão de obra, parecem nada ou muito pouco ter ensinado a um país que não dá à educação o valor que merece. 

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Primeira Edição © 2011