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Alguém precisa falar o óbvio: não faz o menor sentido um celular custar R$ 7 mil

18/12/2017 15:09

Os telefones já não são mais aqueles trambolhos com discos e botões que ficavam na casa da sua avó quando você era uma criança (certamente) pentelha. Também não são mais aqueles Motorolas "tijolo", o primeiro celular que eu vi alguém ter – e que custava US$ 1.000, o que fazia total sentido na década de 1990. Lembre-se, gastar US$ 1.000 naquilo, então, era a diferença entre estar conectado o tempo todo ou só falar com as pessoas em casa ou no trabalho.

Agora, telefone é esse aparelho que liga para as pessoas, manda mensagens, recebe emails, acessa a internet, joga, tira fotos, mede seu ritmo cardíaco e por aí vamos. Acontece que todas essas tecnologias evoluíram em um ritmo desembestado e hoje os aparelhos se tornaram muito mais acessíveis. Porém, surgiu um celular de US$ 1.000. Ou, para nós, 7 mil reais.

Eu não sou muito bom em previsões, por isso não faço muitas. Nem sou especialista em Apple ou em gadgets. Mas se tem uma coisa que me chamou a atenção na apresentação do iPhone X foi a “família”. Note: você não tem mais um iPhone com três diferentes especificações de armazenamento e o modelo do ano anterior.

Agora você tem modelos de US$ 350 a US$ 1.000 nos EUA. Como a Samsung, a LG, a Motorola. Do ponto de vista do negócio, faz total sentido, é até óbvio. Criou-se uma marca com alto valor agregado, desejada por todos. Se você oferece essa marca a pessoas de todo tipo de poder aquisitivo – ou pelo menos a uma gama maior de poderes aquisitivos –, vai ganhar mais dinheiro; aula 1 de Economia 101: o objetivo de toda empresa é gerar valor ao acionista.

Pois bem: há aí uma armadilha gigantesca. O iPhone é desejado porque era algo único, exclusivo. Porque se você tinha um iPhone a única pergunta era se era o desse ano ou o do ano passado – no máximo o do ano anterior. Se, porém, isso é acessível a todos, perde-se o fator exclusividade. E é aí, acho, que alguém teve a idéia brilhante de dizer: “A não ser que a gente cobre mil doletas por um deles!” Mil doletas lá, aqui: sete mil reais.

Não é que não possa dar certo. Existem impérios no mundo da moda que vendem bolsas e sapatos por dezenas de milhares de dólares, sendo que o custo de produção não chega à centena de dólares e o design às vezes não tem absolutamente nada de especial. As pessoas compram status, e qualquer marqueteiro sabe disso. Só que há tipos diferentes de status. Um cara que comprava um MacBook Air quando ele saiu não fazia isso porque ele era caro, embora ele fosse, como tudo o que a Apple faz, injustificadamente mais caro, mas sim porque aquilo representava uma diferença conceitual em design, tecnologia e usabilidade.

A primeira vez que eu tive um MacBook o que me encantou foi simplesmente que, ao contrário de todos os PCs que eu tinha usado antes, ele funcionava muito bem! Eu tive um Vaio que era lindo, fininho, só que o sistema operacional dele era o mesmo Windows que não me apetecia e que também estava nos laptops da Dell, HP etc.

Voltamos então aqui pro mundo do iPhone. Eu não tive o iPhone original – em vez disso, tomei a brilhante decisão de comprar um celular Palm… Quando saiu o iPhone 3G, porém, eu embarquei. Era mais caro? Claro que era, mesmo que a gente se enganasse que era “de graça” (com o contrato de fidelidade da operadora). Mas fazia uma diferença monstruosa. Era um combo de aparelho com funcionalidades que não havia igual. Com o tempo, outras coisas foram entrando na minha conta: integração com o Mac, iCloud, as músicas e filmes que eu comprei na plataforma.

Hoje, quando meu telefone começa a ratear, eu não vou na loja da minha operadora, vou direto na Apple. Não é porque eu ache que um Samsung ou um Motorola não pode me servir, é porque o que eu tenho eu já conheço e uso, e eu tenho uma baita de uma preguiça de pensar em mudar de “sistema”. Só que começam a aparecer as primeiras fissuras nessa lealdade, e certamente não só na minha.

Ano passado, por motivos familiares complexos, eu queria trocar de telefone e estava nos Estados Unidos quando saiu o iPhone 7. Minha mulher tinha um, mas eu não conseguia enxergar qualquer vantagem dele para o da minha filha, que era um 6S. Câmera melhor? Sério? Não, não muda minha vida. Mais “rápido”? O que é exatamente um celular “rápido”? O meu é suficientemente rápido, obrigado. Para completar, eu tenho uns 20 fones de ouvido que não iam entrar no 7. Então eu comprei um 6S, mesmo. Garanto, funciona perfeitamente bem, como funcionaria. Como, diga-se, o SE da filha mais nova continua funcionando até hoje para quem não exige tanto.

O iPhone SE custa R$ 1.999. Eu consigo entender porque alguém pode preferir comprar um 6S, um 7. Há, nesse caso, uma diferença de câmera e de processador que em alguns casos pode fazer diferença, além do tamanho da tela. Eu consigo até entender porque alguém pode achar que as diferenças incrementais entre o 7 e o 8 valem R$ 800 a mais, nem todos os consumidores são velhos ranzinzas com diversos fones de ouvido antigos, afinal. Mas eu não consigo, e acho que não conseguirei nunca, entender porque alguém pagaria R$ 7.000 por um celular cuja principal novidade é ele reconhecer a sua cara, além de uma tela que ocupa toda a parte frontal e uns emojis animados.

Não, não estou dizendo que a Apple lançou um celular qualquer de 7 mil reais, não é isso. O telefone reconhecer a sua cara pode não ser revolucionário no seu dia a dia, mas pode trazer uma camada extra de segurança para os seus dados. Além disso, o DisplayMate considerou a tela do iPhone X a melhor em um smartphone, com uma pontuação mais alta até mesmo que alguns monitores profissionais, o que pra muita gente é importante, e para todo mundo é uma vantagem perceptível. O problema é o que se paga por essas melhorias. Com R$ 7.000 você pode comprar:

Um MacBook Air de 13 polegadas à vista
Dois Samsung Galaxy S8
Um notebook bom o suficiente para jogar títulos recentes
Um laptop para games mais barato E AINDA um iPhone SE
Uma Honda CG125

Entende? Não faz muito sentido.

Tudo isso que eu escrevo pode se mostrar uma enorme bobagem a hora que o X chegar às nossas mãos... Evidente: a diferença entre ter um botão ou não pode se revelar revolucionária. Mas alguém realmente acredita que isso pode acontecer?

No frigir dos ovos, você vai pagar quase o dobro do valor por um telefone porque ele – nem sempre – vai destravar quando você olhar para a tela. Parece que Apple mudou de aposta. Parou de apostar em quem gosta de coisas bem feitas para apostar em quem quer ter coisas caras e exclusivas. Eu não faço nenhuma questão. Fico com o meu 6S por enquanto. Ano que vem, quem sabe, troco por um 8. Ou por um Motorola. Achei o design do novo bem interessante. Mas R$ 7 mil por um telefone só porque ele sabe – às vezes – que eu sou eu e não o Brad Pitt (pareço muito) ou o Will Smith? Não, obrigado.

 

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O que acontece com seu corpo quando você está com o coração partido

15/12/2017 14:42

Existe uma razão para você se sentir esgotado e enjoado após o término de um relacionamento: um coração partido traz um custo físico para seu corpo.

Infelizmente, isso é normalmente ignorado, diz Ronald A. Alexander, um psicoterapeuta que atende na California e no Colorado, e autor de Wise Mind, Open Mind: Finding Purpose and Meaning in Times of Crisis, Loss, and Change. (Mente esperta, Mente aberta: encontrando propósito e significado em tempos de crises, perdas e mudanças.)

"Você não está sozinho se você leva para sua cama e se sente excluído do mundo", diz Alexander. "Um coração partido pode fazer a pessoa se sentir como se tivesse perdido o rumo. Chorar e soluçar é comun, assim como sentimentos de melancolia, mas há sintomas físicos também."

Lidar com um coração partido, pelo menos nos estágios iniciais, geralmente causa estragos em seu cronograma de sono. Problemas para dormir como insônia são comuns para os recém solteiros, diz Alexander. O estresse de um término pode levá-lo ao limite, interferindo nos processos biológicos que normalmente te ajudam a pegar no sono ao final do dia.

"Quando você está sofrendo com um coração partido, pode ser muito difícil de aquietar sua mente, fazê-la calar e descansar", disse ele.

Ansiedade e crescentes palpitações normalmente vêm acompanhadas de um coração partido, adicionou Alexander.

"É importante saber que a tristeza e o luto de um coração partido podem aumentar o fluxo do sistema nervoso", disse ele. "É muito comum que esse estado de hiperestimulação desencadeie sentimentos de perda de controle".

E, em alguns casos, um término de relacionamento pode desencadear sintomas de um infarto. A síndrome do coração partido - ou miocardiopatia Takotsubo, como foi inicialmente descrita na literatura médica japonesa nos anos 90 - é uma condição cardíaca temporária que parece com um infarto e normalmente é despertada por situações de estresse, como a morte de alguém querido ou o término de um relacionamento.

Harmony Reynolds, cardiologista da universidade New York University Langone Medical Center, disse ao HuffPost que a síndrome do coração partido é diagnosticada em aproximadamente 1 a 2 por cento dos pacientes que chegam ao hospital com sintomas de infarto.

Ela explicou que os sintomas, as mudanças no eletrocardiograma e os testes de sangue de pessoas com a síndrome do coração partido são similares aos dos pacientes que infartam, apesar das artérias coronárias permanecerem desobstruídas. (Em um infarto, as artérias estão obstruídas.)

"Pacientes com a síndrome do coração partido também têm anormalidades da função muscular do coração durante o episódio", disse Reynolds. "A disfunção do músculo do coração se recupera completamente em semanas ou meses nos sobreviventes. Infelizmente, pacientes que tiveram a síndrome do coração partido continuam a ter um risco elevado de doença cardíaca e eventos de infarto."

Recentemente, Reynolds conduziu um estudo de 20 anos que demonstrou que essa condição atinge mais mulheres mais velhas.

"Pelo menos 6.000 casos da síndrome ocorrem anualmente nos Estados Unidos e até 90% dos pacientes são mulheres, geralmente no período de pós-menopausa", disse ela ao HuffPost.

Como é o tratamento para a síndrome do coração partido? Jeanine Romanelli, cardiologista na clínica Lankenau Medical Center, na Pensilvânia, diz que os médicos têm que descartar outras causas potenciais, como doença cardíaca, coágulos ou obstruções, antes de diagnosticar e tratar a síndrome do coração partido.

"Nós abordamos o tratamento praticamente da mesma maneira que abordamos o tratamento para insuficiência cardíaca, utilizando anticoagulantes, inibidores ECA (enzima conversora de angiotensina) e betabloqueadores", disse ela. "E, porque 10% dos pacientes que experienciam um episódio de síndrome do coração partido têm um segundo episódio, é importante monitorarmos o progresso do paciente com ultrassom."

O que fazer se você tem os sintomas

Infelizmente, você vai precisar de mais que um pote de sorvete para te ajudar a superar seu (sua) ex. Romanelli recomenda que você pense sobre as atividades que te ajudam a desestressar e praticar mais dessas atividades.

"Técnicas não saudáveis para lidar com o problema, como beber ou comer demais, podem colocar seu coração em risco, então tente encontrar saídas que aliviem e ajudem a combater o estresse", disse ela. "Meditação, técnicas de respiração, yoga ou até mesmo dar um tempo das redes sociais para sair com um amigo ou ler um livro podem ajudar."

E, apesar de soar básico, o simples fato de lembrar-se de respirar profundamente e reparar no ambiente pode ajudar quando você sente que está perdendo o controle.

"Respire, peça ajuda para um amigo, busque aconselhamento profissional ou saia para uma caminhada", disse Alexander. "Se puder, vá andar pelas margens de algum lago; quando seu coração está partido, assistir à água passar por você pode levá-lo a perceber, inconscientemente, que tudo muda e nada permanece igual. Os corações partidos e você vão sofrer, mas tente se lembrar: Isso também passará."

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26 sinais de que você é uma pessoa boazinha DEMAIS

14/12/2017 11:06

Bondade será sempre uma característica ótima, seja em quem for, mas às vezes podemos acabar deixando que as pessoas abusem, por não percebermos o momento de impor limites.

Alguém já chegou a te dizer que você está sendo boazinha demais? Você acha que isso é verdade? Confira alguns sinais básicos que podem indicar que você é, de fato, uma pessoa boazinha em demasia.

1- Você nunca arrisca ser grosseiro, por isso jamais interrompe um tagarela, por mais atrasado que esteja.

2. O atendimento é péssimo, mas você opta sempre por não reclamar.

3. Você sempre se controla, nunca se exalta com atendentes telefônicos. Mesmo que a empresa esteja te sacaneando muito.

4. Você pediu o seu prato favorito no restaurante, mas ele veio errado, e você não fala nada para garçom e come do jeito que veio.

5. Você dá papo para bêbados na rua.

6. Você costuma dar esmola sempre, caso contrário fica se sentindo mal.

7. “Pisam no seu pé”, mas é você que pede desculpa.

8. Esbarram em você, mas você pede as desculpas.

9. Você pega todos os folhetos na rua, ainda que não sejam do seu interesse, “pra ajudar o cara a ir pra casa mais cedo”.

10. Se você fica muito tempo numa loja, passa a sentir medo de que achem que você vai roubar algo.

11. Você tem uma extrema dificuldade em dizer “não”.

12. Você diz muito “pode ser”.

13. E “você que sabe”.

14. E “você que manda”.

15. É meio fácil te sacanear, e você sabe disso.

16. Uma pessoa te pede um favor absurdo e abusivo, mas você diz que tudo bem. Ela ri de você e diz: “Tô brincando!!! rsrsrs”

17. Você confunde “ser sincero” com “ser agressivo”.

18. Nunca consegue dizer que não gostou. “E aí, o que você achou da minha banda?” “Nossa, muito boa!”

19. “Gostou da comida?” “Tava ótima!”

20. Você faz favores pros outros no trabalho ainda que isso vá atrapalhar o seu trabalho.
21. Você não lembra da última vez em que brigou com alguém.

22. Você nunca gritou com ninguém.

23. Você opta por evitar conflitos a qualquer custo.

24. Você gosta de ser assim, não tem problemas com a bondade.

25. Mas às vezes é ruim.

26. Ah, mas é bom!

 

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Como se alimentar bem durante as festividades de fim de ano?

13/12/2017 10:43

Dezembro é considerado o mês mais calórico no calendário de muita gente. Natal, Réveillon e as confraternizações de fim de ano são comemorados com pratos de dar água na boca e peso na consciência de quem fez dieta durante o ano todo. No entanto, não é necessário se castigar e ficar longe da mesa no período. Segundo a coordenadora do núcleo de pós-graduação em nutrição do Instituto de Desenvolvimento Educacional (IDE), *Joyce Moraes, o melhor é não exagerar antes e depois das ceias.

 “Deve-se fazer refeições mais leves para tentar compensar. Na ceia, é interessante evitar petiscos como frituras e com molhos gordurosos. Castanhas, nozes, ovo de codorna, palitinhos de vegetais regados com molho light, chips de vegetais, antepasto de berinjela, batatinhas com pimenta calabresa são uma ótima pedida para petisco, pois são bem mais saudáveis e menos ‘engordativos’”, sugere.

Mas, de acordo com a nutricionista, caso a pessoa esteja em uma ceia que só tenha petiscos fritos, não precisa deixar de comer, só cuidado para não exagerar. É você que vai preparar a ceia? Então prefira pratos assados, utilizando azeite ou óleo de coco. “Uma ideia é colocar frutas frescas como opção de sobremesa, e sucos e água saborizada como opção de bebidas. Além disso, evite preparações com frituras, maionese e açúcar em excesso”, explica Joyce.

Outra dica importante é realizar todas as refeições antes das ceias, mas deve-se optar por um cardápio leve e pouco calórico. “Imagina almoçar feijoada no dia 24? Não dá, né? A pessoa pode fazer um jantar por volta das 18 ou 19h. Saladas com grelhados e legumes com peixe constituem uma ótima sugestão. Ao sair de casa, também pode-se fazer um lanche. Sugiro frutas, pois fornecem saciedade e ajudam a preparar o fígado para o que vem por aí”.

A coordenadora de nutrição do IDE alerta ainda não esquecer a ingestão de água, pois muitas passam mal após as ceias por desidratação. E pra quem exagerou, o que fazer no dia seguinte? “Primeiramente, voltar a rotina alimentar. Segundo, reforço a importância da hidratação. Terceiro, utilizar a fitoterapia, incluindo chás de hibisco, boldo e alcachofra, que são ótimos no período pós festa”, conta.

Manter a dieta no período festivo é quase impossível, mas é possível, sim, aproveitar e se divertir com saúde! Abaixo, confira mais dicas da nutricionista Joyce Moraes para ajudar nessa tarefa:

  • Procure sair da dieta somente nas ceias e não o dia todo
  • Antes e após, escolha frutas como lanche
  • Evite produtos industrializados nesse fim de ano. Se for comer algo industrializado que seja nas refeições das ceias
  • Hidrate-se bem
  • Invista nas fibras para auxiliar o controle do peso! Que tal adicionar chia, linhaça, farelo de aveia, amaranto e quinoa no seu dia a dia? As fibras dão mais saciedade e auxiliam a eliminação de gorduras pelas fezes
  • Vamos combater o inchaço? Então, reduza o sal, procure temperar os pratos com ervas. Não coma embutidos e industrializados. Beba bastante água de coco e conte com a ajuda de chás como dente de leão e cavalinha
  • Não se esqueça do seu fígado. Antes e depois das confraternizações tome uma xícara de chá de boldo ou alcachofra. E na manhã após a festa tome um suco verde detox (2 folhas de couve com talo e tudo. 1 pedaço pequeno de gengibre. 1/4 de maçã com casca e tudo e água de coco. Bater no liquidificador e não coar. Tomar e aguardar 30 minutos para se alimentar)
  • No dia após o Natal e Réveillon seja leve. Procure almoçar ou jantar pratos bem levinhos como saladas e sopas, sem esquecer de comer também uma proteína magra como frango ou peixe

*Joyce Moraes é coordenadora do núcleo de pós-graduação em nutrição do Instituto de Desenvolvimento Educacional (IDE)/Faculdade Redentor. É graduada em nutrição pela UERJ, pós-graduada em nutrição clínica funcional pelo CVPE-SP e mestre em saúde da criança e do adolescente pela UFPE.  

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IBGE aponta que mais de 80% dos homens fazem tarefas domésticas

07/12/2017 11:45

Rio de Janeiro – Mais de 80% dos brasileiros com 14 anos ou mais de idade fazem algum tipo de tarefa doméstica em casa ou na casa de algum parente, o equivalente a 135,5 milhões de pessoas.

Mas as mulheres permanecem mais sobrecarregadas nesse tipo de função do que os homens.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Outras Formas de Trabalho, referente a 2016.

Enquanto 89,8% das mulheres realizavam atividades domésticas, esta proporção era de 71,9% entre os homens. O tempo dedicado a esses serviços também mostrou diferença entre os sexos.

A média de horas dedicadas ao serviço doméstico no Brasil era de 16,7 horas por semana, mas as mulheres trabalhavam duas vezes mais que os homens em casa, 20,9 horas semanais, em média, contra apenas 11,1 horas para os homens.

“A mulher faz tudo na casa, e o homem faz pequeno reparo. É basicamente isso”, resumiu Alessandra Brito, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

“Há uma diferença grande entre homens e mulheres. A única atividade que os homens fazem mais do que as mulheres é consertar um chuveiro, trocar uma torneira, algum pequeno reparo no domicílio”, acrescentou.

Entre os tipos de afazeres domésticos, os homens só ganharam das mulheres no quesito pequenos reparos ou manutenção do domicílio, de automóvel, de eletrodomésticos ou outros equipamentos. Entre os homens, 65% se dedicaram a esse tipo de tarefa, contra 33,9% das mulheres.

Em todos os outros, elas se dedicaram em maior proporção do que eles: preparar ou servir alimentos, arrumar a mesa ou lavar louça (58,5% dos homens, 95,7% das mulheres); limpeza ou manutenção de roupas ou sapatos (55,7% dos homens, 90,8% das mulheres); limpar ou arrumar a casa, garagem, quinta ou jardim (67,3% dos homens, 77,9% das mulheres); cuidar da organização da casa, como pagar contas, contratar serviços e orientar empregados (69,0% dos homens, 71,3% das mulheres); fazer compras ou pesquisar preços de bens para a casa (68,2% dos homens, 76% das mulheres), e cuidar dos animais domésticos (37,5% dos homens, 42,4% das mulheres).

Os homens brancos (73,9%) faziam tarefas domésticas em maior proporção do que os pretos (73,0%) e pardos (69,8%), enquanto que essa tendência se invertia entre as mulheres brancas (89,1%), pretas (90,9%) e pardas (90,3%).

A pesquisa não cruzou os dados com informações sobre a renda da população, mas pesquisadores do IBGE acreditam que as diferenças possam ter explicação no grau de escolarização ou em características regionais e culturais.

“Talvez a mulher branca com mais renda possa pagar alguém para fazer esse tipo de serviço para ela. O homem branco talvez por conta de uma escolarização mais elevada tenha mais consciência da necessidade de fazer mais afazeres domésticos”, disse Alessandra.

“Pode ter também uma influência regional, econômica, escolaridade, cultura local”, completou Maria Lucia Vieira, gerente da Pnad.

Embora as mulheres ainda cuidem da casa e da família em maior proporção e por mais horas, a participação dos homens aumentou em relação à apuração de pesquisas anteriores.

Não há dados comparáveis, por conta de uma mudança na metodologia em relação à Pnad anual, mas um aperfeiçoamento na coleta ajudou a medir com mais precisão algumas tarefas domésticas que antes passavam despercebidas aos entrevistados e que muitas vezes são feitas por homens.

“Se eu perguntar se você faz tarefa doméstica sem dizer que isso inclui botar o lixo para fora e levar o cachorro para passear, você diria que você faz serviço doméstico? Mesmo que você não lave a louça, não faça comida, nada disso?”, justificou Maria Lucia.

“A mulher já sabia que fazia afazeres domésticos. O homem descobriu que também faz”, explicou Alessandra Brito.

Do total de 166,7 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais, 26,9% atuaram ainda no cuidado de moradores do domicílio ou de parentes, o que correspondia a 44,9 milhões de pessoas.

Enquanto 32,4% das mulheres realizaram atividades de cuidado, entre os homens a proporção foi de 21,0%.

Em 2016, 49,6% dos que realizaram esse tipo de atividade cuidaram de crianças de 0 a 5 anos de idade, enquanto 48,1% deles foram responsáveis por crianças de 6 a 14 anos de idade.

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Primeira Edição © 2011